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quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

A PEDAGOGIA DA AUTONOMIA...

RESENHA - PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

De: Paulo Freire


Freire introduz Pedagogia da autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação a autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que “formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho das destrezas”... (p.. 15). Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de “ética universal do ser humano” (p. 16), essencial para o trabalho docente.
Não podemos nos assumir como sujeitos de procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não a importa se trabalharmos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar (p. 17 e 19).
Em sua análise menciona alguns itens que considera fundamentais para a prática docente, enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos importantes. Inicia afirmando que “não há docência sem discência” (p. 23), pois “quem forma se forma e reforma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (p. 25). Dessa forma, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como a aprendizagem não é algo apenas de aluno. “não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender” (p. 25).
Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.
Segue sua análise colocando como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador deve desenvolve em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso, que busca o saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, e orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida, sua cidade, seu meio social. Afirma que “não ensino sem pesquisa nem pesquisa ensino” (p. 32). Esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire, saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito.
O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo (...) Ensinar, aprender e pesquisar, lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p. 31).
Ensinar, para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo enquanto inovador, enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça, classes... É ter certeza de que faz parte de um processo inconcluso, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há sempre possibilidades de interferir na realidade afim de modificá-lo. Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser educando. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que podemos por não conceder uns aos outros (...) O professor que desrespeita a curiosidade do educando, no seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” a um mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento do seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (p. 66).
É importante que professores e alunos sejam curiosos, instigadores. “É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano” (p.96). faz-se necessário, portanto, que se proporcione momentos para experiências, para buscas. O professor precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer dos seus alunos. Para tanto é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não com um gostar ou um querer bem ingênuo, que permite atitudes erradas e não impõe limites, ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno, ou ainda que deixa tudo como está que o tempo resolve, mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento.
É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem, e o gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, as vezes chamada de vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu dever (p. 161).
Nessa obra portanto, expondo os sabores que considera necessários à prática docente, Paulo Freire oriente ao mesmo tempo em que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazer a cada dia a opção pelo melhor, possibilidades de mudanças daquilo que sua visão necessita mudar.

Jorge Schemes - Teólogo e Psicopedagogo.

O SERVO SOFREDOR...

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA DE ISAIAS 53:11

Por: Jorge Schemes

Primeiramente é interessante considerar várias versões do texto sagrado para que tenhamos uma idéia geral de seu sentido básico.
“Depois de tanta aflição verá a luz, e ficará satisfeito. Com seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará as iniqüidades deles” (Versão de N.R.V.).
“Pelas fadigas de sua alma verá a luz e se contentará. Por suas desfeitas justificará meu servo a muitos e as culpas deles ele suportará” (Bíblia de Jerusalém – Edição Espanhola).
“Verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito: com seu conhecimento meu justo servo justificará a muitos, pois ele mesmo carregará com suas iniqüidades”. (Santa bíblia, Versão Moderna, Sociedade Bíblica Americana).
“Depois de tanta aflição ele verá a luz, e ficará satisfeito ao sabê-lo, o justo servo do Senhor libertará a muitos, pois carregará a maldade deles”. (Versão Popular da Bíblia em Espanhol – Dios Habla Hoy).
“Livrada a sua alma dos tormentos verá, e o que verá satisfará a sua alma e seus desejos, o Justo, meu servo, justificará a muitos, e carregará com as iniqüidades deles”. (Sagrada Bíblia, Biblioteca de Autores Cristãos).
“Verá o fruto das preocupações de sua alma e ficará saciado. Este mesmo justo, meu servo, diz o Senhor, justificará a muitos com sua doutrina e pregação, e carregará sobre si os pecados deles”. (Bíblia Sagrada Versão Catelhana de Félix Torres Amat – Revista Católica).
“Ele verá o fruto das fadigas de sua alma, ele estará completamente satisfeito. Por seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e ele levará os pecados deles”. (Minha Versão baseada em: The Interlinear Hebrew/Greek English Bible, Vol. 3).
Minha Versão em Hebraico em transliteração da Bíblia Hebraica (Isaias 53:11):
“ME AMAL NAPESHO YIRE ET YISEBO BEDA ETTO YASEDDYK ABEDDY LORABBYM WA AONOTAM HU YISEBBEL”.
Faremos uma análise das palavras AMAL = trabalho; e EVED = servo.

1. AMAL (trabalho) – É uma palavra que significa trabalho mas com os olhos na sua dificuldade. É trabalhar duramente com demasiado esforço. É o esforço de trabalhar suas mãos para terminar uma tarefa, mas sempre com uma atenção particular nas dificuldades. AMAL tem o significado do ato em si mesmo, mas também é o resultado do ato; que neste caso é o fruto ou produto do trabalho. O servo do Senhor não teria que sofrer por nada ou de graça, mas haveria uma recompensa por seu esforço.
Os cantos do servo são uma seqüência e há uma progressão que leva ao clímax em Isaias 52:13-53:12; no quarto canto do servo. Parece que o trabalho do servo é sem resultado, mas ele espera em Deus sua recompensa; é isso o que indica a palavra AMAL. Como exemplo temos a experiência de Jesus quando estava sofrendo na cruz e não havia ninguém que estivesse crendo nele, mas um dos ladrões foi sem dúvida o primeiro fruto do trabalho do Messias (Cf. Luc. 23:39-42).
Sem dúvidas Jesus Cristo “trabalhou tendo os seus olhos fixos não apenas nas dificuldades, mas também, e muito mais nos resultados”. (Cf. Mat. 26:36-46). Quando no Getsemâni sua humanidade reinou por um momento diante do sofrimento, mas com os olhos cheios de amor ele olhou ao futuro e viu os resultados de seu esforço, ele viu a cada um de nós.

2. EVED (servo) – Em Isaias a palavra, servo, aparece 61 vezes e destas 53 vezes ela está relacionada com YHWH, ou seja, “servo de Yahweh”. A raiz da palavra pode também ser traduzida como escravo. Além disso a palavra servo está determinada em seu sentido como conceito oposto (ADON) Senhor. Como conceito relacional, EVED adquire seu pleno significado, ou seja: servo subalterno, súdito, ministro.
Que um homem se denomine como servo de Deus, ou se chame servidor de Deus no AT é conseqüência natural da concepção de Deus como Senhor. A associação primária da palavra EVED não é a de estar submetido, mas a de pertencer ao Senhor e estar protegido por ele. A única diferença essencial na relação do servo entre os homens e entre o homem e Deus consiste em que o servo de um homem pode significar também uma gravíssima diminuição da existência, enquanto que ser servo de Deus significa sempre ter um bom Senhor. Nunca pode significar escravidão em sentido negativo.
Mais especificamente o significado de servo de YHWH nos cantos do servo de Deus (Isaias 42:1-53:12) só é possível esclarecer pelo conjunto dos textos. O sofrimento do servo (52:13-53:12) está estreitamente ligado com a atuação de Deus na história humana. Há comentaristas que sugerem que o servo de Deus descrito na perícopa é Ciro, ou Zorobabel ou mesmo o próprio Israel. Mas, temos de considerar que no texto o profeta fala claramente do servo como uma figura distinta de Ciro, Zorababel e Israel. O servo é retratado como uma figura individual, e além disso devemos considerar que ao ter fracassado o serviço de Israel a Deus, o próprio Deus se encarrega de eliminar o pecado do povo. Através de seu serviço atua YHWH como confirma o texto de Isaias 52:13-53:12.
De acordo com muitos comentaristas, muito se tem escrito sobre a identificação do servo do Senhor apresentado em Isaías 40-55; ainda que a expressão ocorra apenas em Isaías 42:19. Uma ampla relação do sentido da palavra servo tem sido feita, mas temos que considerar que o sentido e o uso da palavra servo no AT segue em textos do NT. Na LXX EVED é mais traduzido como DOULOS = escravo. De maneira muito significativa, Jesus é chamado de servo do Senhor (Cf. Atos 3:13, 26; 4:27,30), provavelmente identificado aqui como o servo de Isaías 53:11. O próprio Cristo se colocou em posição de servo, se humilhou até a morte e morte de cruz (Cf. Filip. 2:6-8), mas obteve a vitória eterna (V. 9-11). Baseado em atos 8:26-40 o servo de Isaías 53 é nada menos que o próprio Jesus (V. 35).

Bibliografia:

Archer, Gleason. Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1991.

Davidson, Benjamin. The Analytical Hebrew and Choldee Lexicon. Michigan: Zondervan P.H., 1970.

Stuart, Douglas. Old Testament Exegesis: A Primer for Students end Pastors. Philadelphia: Westminster Press, 1984.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

HEGEL...

A FILOSOFIA DE HEGEL
Por: Jorge Schemes

A filosofia de Hegel é a tentativa de considerar todo o universo como um todo sistemático. O sistema é baseado na fé. Na religião cristã, Deus foi revelado como verdade e como espírito. Como espírito, o homem pode receber esta revelação. Na religião a verdade está oculta na imagem; mas na filosofia o véu se rasga, de modo que o homem pode conhecer o infinito e ver todas as coisas em Deus.
O sistema de Hegel é assim um monismo espiritual mas um monismo no qual a diferenciação é essencial. Somente através da experiência pode a identidade do pensamento e o objeto do pensamento serem alcançados, uma identidade na qual o pensar alcança a inteligibilidade progressiva que é seu objetivo. Assim, a verdade é conhecida somente porque o erro foi experimentado e a verdade triunfou; e Deus é infinito apenas porque ele assumiu os limitações de finitude e triunfou sobre elas. Similarmente, a queda do homem era necessária se ele devia atingir a bondade moral. O espírito, incluindo o Espírito infinito, conhece a si mesmo como espírito somente por contraste com a natureza.
O sistema de Hegel é monista pelo fato de ter um tema único: o que faz o universo inteligível é vê-lo como o eterno processo cíclico pelo qual o Espírito Absoluto vem a conhecer a si próprio como espírito (1) através de seu próprio pensamento; (2) através da natureza; e (3) através dos espíritos finitos e suas auto-expressões na história e sua auto-descoberta, na arte, na religião, e na filosofia, como Um com o próprio Espirito Absoluto.
O compêndio do sistema de Hegel, a "Enciclopédia das Ciências Filosóficas", é dividida em três partes: Lógica, Natureza e Espírito. O método de exposição é dialético. Acontece com freqüência que em uma discussão, duas pessoas que a princípio apresentam pontos de vista diametralmente opostos depois concordam em rejeitar suas visões parciais próprias, e aceitar uma visão nova e mais ampla que faz justiça à substância de cada uma das precedentes. Hegel acreditava que o pensamento sempre procede deste modo: começa por lançar uma tese positiva que é negada imediatamente pela sua antítese; então um pensamento seguinte produz a síntese. Mas esta síntese, por sua vez, gera outra antítese, e o mesmo processo continua uma vez mais. O processo, no entanto, é circular: ao final, o pensamento alcança uma síntese que é igual ao ponto de partida, exceto pelo fato de que tudo que estava implícito ali foi agora tornado explícito, tudo que estava oculto no ponto inicial foi revelado.
Assim o pensamento propriamente, como processo, tem a negatividade como um de seus momentos constituintes, e o finito é, como a auto-manifestação de Deus, parte e parcela do infinito mesmo. O sistema de Hegel dá conta desse processo dialético em três fases:
Lógica: O sistema começa dando conta do pensamento de Deus "antes da criação da natureza e do espírito finito", isto é, com as categorias ou formas puras de pensamento, que são a estrutura de toda vida física e intelectual. Todo o tempo, Hegel está lidando com essencialidades puras, com o espírito pensando sua própria essência; e estas são ligadas juntas em um processo dialético que avança do abstrato para o concreto. Se um homem tenta pensar a noção de um ser puro (a mais abstrata categoria de todas), ele encontra que ela é apenas o vazio, isto é, nada. No entanto, o nada "é". A noção de ser puro e a noção de nada são opostas; e no entanto cada uma, quando alguém tenta pensá-la, passa imediatamente para a outra. Mas o caminho para sair dessa contradição é de imediato rejeitar ambas as noções separadamente e afirma-las juntas, isto é, afirmar a noção do vir a ser, uma vez que o que ambas vem a ser é e não é ao mesmo tempo. O processo dialético avança através de categoria de crescente complexidade e culmina com a idéia absoluta, ou com o espírito como objetivo para si mesmo.
Natureza: A natureza é o oposto do espírito. As categorias estudadas na Lógica eram todas internamente relacionadas umas às outras; elas nascem umas das outras. A natureza, no entanto, é uma esfera de relações externas. Partes do espaço e momentos do tempo excluem-se uns aos outros; e tudo na natureza está em espaço e tempo e assim é finito. Mas a natureza é criada pelo espírito e traz a marca de seu criador. As categorias aparecem nela como sua estrutura essencial e é tarefa da filosofia da natureza detectar essa estrutura e sua dialética; mas a natureza, como o reino da "externalidade", não pode ser racional seqüencialmente, de modo que a racionalidade prefigurada nela torna-se gradualmente explícita quando o homem aparece. No homem a natureza alcança a autoconsciência.
Espírito: Aqui Hegel segue o desenvolvimento do espírito humano através do subconsciente, consciente e vontade racional. Depois, através das instituições humanas e da história da humanidade como a incorporação e objetivação da vontade; e finalmente para a arte, a religião e filosofia, na qual finalmente o homem conhece a si mesmo como espírito, como Um com Deus e possuído da verdade absoluta. Assim, está então aberto para ele pensar sua própria essência, isto é, os pensamentos expostos na Lógica. Ele finalmente voltou ao ponto de partida do sistema, mas no roteiro fez explícito tudo que estava implícito nele e descobriu que "nada senão o espírito é, e espírito é pura atividade".
Nos trabalhos políticos e históricos de Hegel, o espírito humano objetiva a si próprio no seu esforço para encontrar um objeto idêntico a si mesmo. A Filosofia do Direito cai em três divisões principais. A primeira trata da lei e dos direitos como tais: pessoas (isto é, o homem como homem, muito independentemente de seu caráter individual) são o sujeito dos direitos, e o que é requerido delas é meramente obediência, não importa que motivos de obediência possam ser. O Direito assim é um abstrato universal e portando faz justiça somente ao elemento universal na vontade humana. O indivíduo, no entanto, não pode ser satisfeito a menos que o ato que ele faz concorde não meramente com a lei mas também com suas próprias convicções conscientes. Assim, o problema no mundo moderno é construir uma ordem política e social que satisfaça os anseios de ambos. E assim também, nenhuma ordem política pode satisfazer os anseios da razão a menos que seja organizada de modo a evitar, por uma parte, a centralização que faria os homens escravos ou ignorar a consciência e, por outra parte, um antinomianismo (argumentação que se desenvolve por meio de antinomias: as proposições mutuamente excludentes) que iria permitir a liberdade de convicção para qualquer indivíduo (liberalismo) e assim produzir uma licenciosidade que faria impossível a ordem política e social.
O Estado que alcançasse essa síntese, haveria de apoiar-se na família e na culpa. Seria talvez diferente de qualquer estado existente nos dias de Hegel; é uma forma de limitada monarquia, com governo parlamentarista, julgamento por um júri, e tolerância para judeus e dissidentes. Seria diferente de qualquer estado existente nos dias de Hegel.
Na Filosofia da História Hegel pressupôs que a historia da humanidade é um processo através do qual a humanidade tem feito progresso espiritual e moral e avançado seu auto-conhecimento. A história tem um propósito e cabe ao filósofo descobrir qual é. Alguns historiadores encontraram sua chave na operação das leis naturais de vários tipos. A atitude de Hegel, no entanto, apoiou-se na fé de que a história é a representação do propósito de Deus e que o homem tinha agora avançado longe bastante para descobrir o que esse propósito era: ele é a gradual realização da liberdade humana.
O primeiro passo era fazer uma transição da vida selvagem para um estado de ordem e lei é a revolução. Em muitos pontos o pensamento de Hegel serviu aos fundamentos do marxismo, e um deles é sua concepção de que os Estados têm que ser encontrados por força e violência pois não há outro caminho para fazer o homem curvar-se à Lei antes dele ter avançado mentalmente tão longe suficiente para aceitar a racionalidade da vida ordenada. Alguns homens aceitarão as leis e se tornarão livres, enquanto outros permanecerão escravos. No mundo moderno o homem passou a crer que todos os homens, como espíritos, são livres em essência, e sua tarefa é, assim, criar instituições sob as quais eles serão livres de fato.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

JUVENTUDE OU JUVENTUDES?

JUVENTUDE OU JUVENTUDES?
Acerca de como olhar e re-olhar as juventudes de nosso continente

Resenha do Texto de: klaudio Duarte Quapper

Por: Jorge Schemes

Em nosso continente latino-americano há duas concepções a respeito do mundo juvenil. Primeira: Conservadora e funcionalista baseada nas ciências sociais e médicas, afetando os imaginários coletivos. Segunda: Integral e progressista (contraposição), abrindo espaços no mundo acadêmico, nas sociedades e entre educadores envolvidos em setores empobrecidos atingindo os jovens. Estas duas concepções (versões) a respeito das juventudes convivem juntas.
A incapacidade de muitas instituições públicas e privadas de responder as demandas e necessidades dos jovens tem levado a juventude a buscar e suprir suas necessidades e sonhos fora dos canais tradicionais ou institucionalizados. Estes jovens têm criado fórmulas próprias de expressão de seus interesses coletivos e individuais. Há uma distância entre o mundo juvenil e o mundo adulto, nas famílias, nas escolas, nas comunidades locais, organizações e nos próprios grupos de jovens. É preciso construir olhares que integrem as diferentes visões, incluindo o que os próprios jovens dizem de suas necessidades, sonhos, estilos de vida, expressões, agrupações, resistências, etc. Outra questão a ser considerada é que termo usar: juventude ou juventudes? A epistemologia do juvenil exige um olhar deste mundo social a partir da diversidade, do reconhecimento da heterogeneidade no universo juvenil, pois o jovem rico não é o mesmo do empobrecido, e a mulher jovem não é a mesma que o homem jovem. A construção de um olhar, sobre a juventude do nosso continente sob uma nova ótica não tradicional, é necessária.
Há vários sentidos simultâneos quando se fala em juventude em nossa sociedade. Primeiro: clássico ou tradicional - O qual define a juventude como uma etapa da vida, neste sentido há duas concepções: 1. Uma etapa distinta de outras no ciclo de vida humano, como a infância, vida adulta e velhice. As mudanças próprias da puberdade que assinalam o ingresso a um novo momento de desenvolvimento do ciclo vital. 2. Preparação para o ingresso no mundo adulto. Os dois sentidos estão intimamente ligados. Maturidade sexual e orgânica, essa maturação fisiológica seria a causa da integração adequada ao mundo adulto, mas também as possibilidades que cada jovem tem de participar no mercado da produção e do consumo. O problema é que esta idéia trata igualmente os (as) jovens e não considera a diversidade de situações do cotidiano social. No imaginário coletivo o mundo jovem é uma mudança e um preparo para o mundo adulto. Esta é a idéia central nos discursos das ciências sociais e médicas por décadas. Desta forma, o juvenil perde importância em si mesmo, pois sempre será avaliado em função dos parâmetros estabelecidos pelos adultos.
Segundo: A juventude é classificada por faixa etária ou idade. A idade é um dado manipulado e manipulável. Exemplo: o fato de se referir aos jovens como uma unidade social com interesses comuns, com condutas e responsabilidades esperadas de acordo com a idade.
Terceira: Versão que se refere à juventude como um conjunto de atitudes diante da vida (espírito empreendedor e jovial). O que é moderno é que é jovem, a partir de uma referência de matriz adultocêntrica de compreensão e autocompreensão do mundo e em suas relações sociais. O mundo adulto é o responsável de formar e preparar as gerações futuras visando sua adequação ao desempenho das funções no mundo adulto, como trabalhadores, cidadãos, chefes de família, consumidores, etc. No caso das escolas de Ensino Médio, os estudantes e seus professores têm uma relação de estudantes e docentes, e não enquanto pessoas jovens, perdendo assim a possibilidade de aprender dos jovens e de construir junto à comunidade. O problema é que o mundo adulto olha para os jovens e as jovens a partir de uma aprendizagem que impõem a socialização adultocêntrica em que nossas culturas se desenvolvem. Ao mesmo tempo, muitos jovens internalizam estas imagens e discursos e se conformam em ser como dizem que são.
Quarta: Versão que surge da anterior, a qual coloca a juventude como a geração futura. Esta versão tende a instalar preferencialmente os aspectos normativos esperados das jovens e dos jovens como indivíduos em preparação para o futuro. Outra forma de desalojar e desistorizar os (as) jovens é estabelecer a idéia de que a juventude é o momento da vida em que se pode provar. Desta idéia surge o discurso permissivo de que a juventude é a idade da irresponsabilidade e também um discurso repressivo que pretende manter os (as) jovens dentro das margens e limites impostos.

Armadilhas Para Compreender e Autocompreender-se no Modo de Vida Juvenil:
Temos denominado esta matriz adultocêntrica (adultrocentrismo) como aquela que situa o adulto como ponto de referência para o mundo juvenil em função do que deve ser e do que deve fazer para ser considerado na sociedade (amadurecimento, responsabilidade, integração ao mercado de consumo e de produção, reprodução da família, participação cívica, etc). Isto se trata de uma corrente de pensamento e ação social que discrimina e rejeita formas propriamente juvenis de viver a vida. (Há no mínimo quatro armadilhas (concepções equivocadas) que apresentam esta forma adultocêntrica de conceber a juventude dentro da sociedade: 1ª) A universalização como homogeneização, ou seja: “os jovens são todos iguais”. O conceito de que existe uma só juventude, singular e total ao mesmo tempo. No entanto, o reconhecimento da heterogeneidade, a diversidade e a pluralidade são eixos para um novo olhar das juventudes em nosso continente. 2ª) As versões tradicionais se referem a permanente estigmatização que se faz do grupo social da juventude e de suas práticas e discursos, apresentando os jovens como um problema para a sociedade. Esta concepção está fundamentada nos preconceitos e estereótipos. 3ª) A terceira armadilha consiste na parcialização da complexidade social como mecanicismo reflexivo. A divisão por etapas do ciclo vital responde a uma visão instalada com força nos imaginários sociais em nossas sociedades latino-americanas. 4ª) A quarta armadilha está relacionada com a idealização da juventude como os salvadores do mundo. Se lhes atribui uma responsabilidade como os portadores das esperanças de mudanças e transformações das distintas esferas da sociedade pelo simples fato de serem jovens.
Estas distintas armadilhas revelam o fato de que se tem estabelecido com força a certeza da existência de uma só juventude que pretende englobar o que na realidade é um complexo e entrelaçado universo social, impossível de significar com um conceito que assume múltiplos sentidos. A juventude sempre foi vista com uma lente que a observou como uma unidade indivisível, uniforme e invariável. Este olhar dominante é que tem sustentado por longo tempo que existe uma só juventude. Na verdade esta juventude não existe e nunca existiu como tal, senão na construção feita por aqueles que a olham e na versão que é produzida como resultado deste olhar unilateral. A juventude é uma construção cultural, intencionada, manipulável e manipulada, que não consegue dar conta de um conjunto de aspectos que requer um olhar integrador e profundo a respeito de sua complexidade. Se a sua construção tem sido por meio da homogeneização, a estigmatização, a parcialização e a idealização, entre outras armadilhas, é possível estabelecer o desafio epistemológico de construí-las desde outros parâmetros que humanizem aqueles que vivem sua vida como jovens.

Pistas para um novo olhar das juventudes:
Uma primeira pista se refere à necessidade de aprender a olhar e conhecer as juventudes como portadoras de diferenças e singularidades, as quais constroem sua pluralidade e diversidade nos distintos espaços sociais.
A segunda pista está relacionada com a necessidade de focar olhares caleidoscópios até ou desde o mundo juvenil que permitam reconhecer a riqueza da pluralidade juvenil. Isso exige esforço, pois exige deixar de lado o telescópio, aquele instrumento que permite imagens fixas, para começar a usar o caleidoscópio, aquele que permite olhares múltiplos, diversos, ricos em cores e formas a cada movimento. Para capturar a complexidade das juventudes em nossas sociedades, é vital a realização cada vez mais profunda e precisa deste exercício de olhar caleidoscopicamente seus mundos, suas vidas, seus sonhos, etc.
Uma terceira pista vinculada à anterior, tem relação com deixar de lado o telescópio usado para olhar os (as) jovens. Por muito tempo os olhares predominantes têm sido os das instituições, as quais se distanciaram dos (as) jovens. O que se requer neste novo esforço epistemológico é sair às ruas, vincular-se com os (as) jovens, ouvir suas falas, olhar suas ações, sentir seus aromas, perceber sua presença.
Uma quarta pista, busca a superação da rigidez mecanicista com que se tem olhado e se tem falado da juventude. Há a necessidade de estabelecer conceitos em torno do mundo juvenil, não com a pretensão de gerar categorias totalizantes e universalizadoras, mas conceitos dinâmicos e flexíveis que se aproximem progressivamente dos sujeitos e sujeitas que são objetos de estudo, ou seja, os (as) jovens, as juventudes, as expressões juvenis e os processos de juvenilização.
A partir destas pistas se faz necessário estabelecer eixos que devem ser considerados na leitura do mundo juvenil:
1º Eixo: Considerar que o mundo juvenil se constitui a partir de um certo modo de viver-sobreviver diante da tensão existencial. Trata-se de um momento da vida, o qual não depende da idade, e que se encontra fortemente condicionado pela classe social a qual pertence, o gênero que se possui, a cultura na qual está inserido cada jovem e seus grupos.
2º Eixo: Considerando a produção do mundo juvenil, tem relação com os distintos modos de agrupar-se no espaço, que se caracterizam basicamente pela tendência ao coletivo com uma certa organização própria que os distingue e que geralmente não segue os canais tradicionais.
3º Eixo: Considerando a construção do mundo juvenil em nosso continente refere-se aos novos modos de participar na sociedade.
Estes três eixos em torno da existência das juventudes em nosso continente compõem em conjunto o processo de construção de identidade que hoje se dá entre os (as) jovens. As juventudes cobram vida, se mostram, nos mostram seus diferentes estilos e estéticas, e podemos assumir uma epistemologia integradora, ampla e compreensiva do mundo juvenil. Se conseguirmos mudar nossos olhares, certamente estaremos em condições de nos aproximarmos mais dos grupos juvenis e entender melhor suas expressões próprias de sonhos, esperanças, conflitos, temores e propostas.

Jorge Schemes:

Bacharel em Teologia Línguas Bíblicas (Grego e Hebraico)
Licenciado em Pedagogia - Habilitação em Administração Escolar e Séries Iniciais.
Pós-Graduado em Interdisciplinaridade na Formação de Professores com Especialização em Metodologia do Ensino Superior.
Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Licenciado em Ciências da Religião - Licenciatura Plena em Ensino Religioso.
Técnico Pedagógico na Gerência da Educação e Inovação de Joinville, SC.






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