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quarta-feira, 26 de abril de 2006

CAPACITAÇÃO



REFLEXÕES SOBRE CAPACITAÇÃO

Por: Jorge Schemes

Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se. Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas com o futuro. Todo projeto implica em detectar um problema e tentar resolvê-lo. Todo projeto implica em trabalhar em equipe e não apenas em grupo. Geralmente, um estado cognitivo confortável esconde falhas e deficiências, por isso todo projeto produz um conflito com o estado confortável e visa promover outro estado. Todo projeto implica em comprometimento com seus atores e autores. Há uma diferença qualitativa entre envolvimento e comprometimento. A origem epistemológica da palavra projeto está no verbo “projectu”, o qual é o particípio passado do verbo “projectare” que significa lançar para frente.
Precisamos diferenciar o significado da palavra capacitação e da palavra formação. Capacitação tem a ver com aprimoramento dos conhecimentos já existentes, fazer compreender, conceber habilidades e inteirar-se. Por outro lado, formação tem a ver com escolarização, constituição, produção e edificação. A formação vem antes da capacitação, porque não é objetivo da capacitação dar conta das deficiências na formação. Capacitar tem a ver com melhoria ou aprimoramento de habilidades que levem a melhores resultados. Formar envolve a formação básica de boa qualidade como condição essencial para o desempenho de qualquer atividade. Há várias razões para formar ou capacitar educadores, mas antes é fundamental identificar as necessidades de capacitação. O desempenho subentende as limitações e as habilidades das pessoas, que servem de indicadores de aspectos que precisam ser melhorados. Quantificar, qualificar e avaliar as necessidades, levando em consideração que a avaliação deve ser compreendida como um processo linear e não pontual. Deste modo a capacitação envolve aspectos tais como: limitações e habilidades, plano de trabalho pessoal e em equipe, plano de trabalho institucional. Os conteúdos da capacitação precisam objetivar o desenvolvimento pessoal e aquisição de outras habilidades. Os conteúdos podem ser genéricos e teóricos, enquanto os métodos podem ser específicos e práticos.
É importante considerar algumas diretrizes básicas para a elaboração de eventos de capacitação. Primeiramente é preciso respeitar normas e princípios da instituição promotora, como também cumprir uma legislação específica (se for o caso), elencar objetivos e definir ações. Deste modo, as diretrizes envolvem princípios, legislação, objetivos e ações. O planejamento evita o erro da improvisação, pois todo planejamento envolve objetivos. Há três eixos que precisam estar presentes em todo projeto de capacitação, são eles: eixo administrativo; eixo pedagógico e eixo financeiro. Vejamos cada um mais de perto:
1. Eixo Administrativo: Envolve a organização do evento e a coordenação administrativa. É o responsável por promover as condições ideais para a realização do evento, às condições ideais de transporte, hospedagem, alimentação, etc. objetiva a diminuição dos custos operacionais, controle normativo e burocrático, bem como a administração de pessoal, de material e racionalidade externa e interna.
2. Eixo Pedagógico: Visa traçar os objetivos do projeto, bem como as ações e os objetivos pedagógicos do evento. Tem o poder decisório sobre os conteúdos e os recursos tecnopedagógicos. Deve elaborar a organização das atividades pedagógicas, a carga horária e as estratégias de aprendizagem. Em relação ao pessoal docente deve definir os professores (peça de ouro do evento), os materiais, a infra-estrutura de apoio pedagógico, a ação educativa (conhecimento/criatividade/iniciativa).
3. Eixo Financeiro: Responsável pela gestão dos recursos patrimoniais e aplicação dos recursos financeiros, controle de gastos e prestação de contas, e captação de recursos. A capacitação deve ser trabalhada pensando na otimização dos recursos.
Como fundamentação teórica para as atividades pedagógicas propomos o materialismo histórico de Karl Marx (1818-1883). A Proposta Curricular de Santa Catarina (PCSC) possui esta fundamentação e pode servir de subsídio. Nesta concepção Marx tenta explicar a sociedade e o homem no contexto do trabalho (nas lutas de classes). Na escola, o tipo de cidadão que se deseja deve estar de acordo com a PCSC. Para Marx o homem é um ser na sua totalidade e deve fazer uma análise crítica dos conhecimentos. Assim, em educação não podemos pensar em partes ou fragmentos. O eixo das discusões precisa estar pautado pela PCSC, porque sua abordagem envolve a dialética, que dá a idéia de um processo sempre em movimento não permitindo que o conhecimento seja fechado. Também analisa o homem e a sociedade em sua historicidade fornecendo uma visão da sociedade na ótica do trabalho. A concepção de aprendizagem é histórico-cultural (Vygotsky). A pergunta que surge é: como se processa a aprendizagem? Segundo esta concepção é por meio da interação com outros. Por essa razão não podemos pensar em capacitação sem interação. O docente precisa estar em consonância com a PCSC. O que justifica tal preocupação é que há um pressuposto da materialidade sobre a relação homem/conhecimento, pois a formação da mente, bem como a formação do homem é considerada dentro de uma contextualidade histórico cultural e social. Deste modo os passos de aprendizagem e desenvolvimento constituem-se em uma unidade dialética para compreender a unidade entre teoria e prática. O aprendizado se dá nas relações do sujeito com os outros sujeitos, e o professor atua como mediador (facilitador). Esta concepção de aprendizado pressupõe que a prática está embasada na teoria.
Quanto a organização do trabalho docente, é fundamental que tenha como encaminhamento metodológico a Teoria da Atividade de Alex Leontiev, e esteja embasado na filosofia de Vygotsky. Uma capacitação fundamentada na Teoria da Atividade tem como requisito a elaboração de conceitos através dos conteúdos trabalhados. Faz-se necessário questionar: Como materializar a Teoria da Aprendizagem? Quais os objetivos da aprendizagem? O critério básico está na premissa de que a ação de aprendizagem é sempre do aluno e não do professor. Os objetivos precisam ser organizados de acordo com a justificativa do projeto. O objetivo não pode ser apenas de ensinagem. A problematização deve estar centrada nos seguintes questionamentos: o que motiva o aluno a aprender? Qual o conceito de motivação? Como o professor pode motivar o aluno a aprender? O que é de interesse dos alunos? Cabe ao professor motivar e despertar o interesse do aluno em aprender, isso significa que a atividade de aprendizagem não é algo solto, sem critérios e sem intencionalidade. O conteúdo não é deixado solto, há uma proposta. As ações de aprendizagem devem estar subsidiadas pela Teoria da Atividade. O foco de toda capacitação é a unidade entre teoria e prática. Outro questionamento se faz necessário: o que é uma ação de aprendizagem? A Teoria da Atividade deve contemplar quatro eixos: 1. Objetivos de aprendizagem; 2. Problematização e motivação; 3. Unicidade entre teoria e prática; 4. Ações de aprendizagem. Desta maneira a função da escola é oportunizar a apropriação e a elaboração dos conceitos científicos como meio do exercício da cidadania.
Segundo a teoria de Vygotsky sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), o momento de aprendizagem do aluno é um movimento dialético, pois o sujeito já possui conhecimentos (nível de desenvolvimento real), aquilo que ele ainda vai conhecer (apreender) são os conceitos científicos (nível de desenvolvimento potencial). O professor deve atuar na ZDP criando problemas e motivando seus alunos a superá-los e a elaborarem os conceitos científicos. Deve provocar situações para que o aluno crie conceitos científicos. A avaliação não pode se pontual, precisa ser do processo de ensino (prática docente) e aprendizagem (aluno). O professor também precisa avaliar sistematicamente a sua prática pedagógica. A avaliação precisa ser da unidade entre teoria e prática. Desta maneira o objetivo final de toda capacitação deveria ser o de melhorar a qualidade do ensino na base e desafiar seus alunos a elaborarem os conceitos científicos levando em consideração as dimensões de tempo e espaço, bem como as relações sócio-culturais.

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