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segunda-feira, 14 de agosto de 2006

ADOLESCÊNCIA E TV


REFLEXÕES SOBRE A INFLUÊNCIA DA MÍDIA

Sem espaço para o debate, a televisão brasileira encara o adolescente como mero consumidor e perde a oportunidade de aliar entretenimento à educação:

Quatro horas por dia. Este é o tempo médio, segundo o Unicef, que os adolescentes brasileiros ficam colados na TV, consumindo valores, comportamentos, produtos, modas, padrões de beleza, informação, diversão. Para seduzir essa fatia do mercado, as emissoras apelam para cenas de sexo, violência, cultura da adrenalina. Pesquisas no Brasil e no exterior mostram as conseqüências de uma programação empobrecida para a formação do público adolescente. Programas como o Barraco MTV ou o Programa Livre, que até pouco tempo funcionavam como porta-vozes da inquietação da juventude, não existem mais. Este rebaixamento dos padrões difunde uma fórmula de programas de auditório que, centrados em depoimentos pessoais de pessoas famosas, encaram a juventude como uma massa uniforme, desrespeitando as diferenças e as peculiaridades do público jovem, que tem a TV como fonte de lazer e informação confiável.

Adolescentes confiam na TV:

A pesquisa A Voz dos Adolescentes, realizada pelo Unicef e pela empresa de pesquisa Fator OM, ouviu 5280 adolescentes brasileiros e revela:

Meninos e meninas entre 12 e 17 anos passam, em média, 3 horas e 55 minutos por dia em frente à TV. Esta média chega a 4 horas entre o grupo que tem de 12 a 14 anos.
Novelas e minisséries são os programas preferidos, com 21% das respostas. Em seguida, estão os filmes (14%) e desenhos animados (12%).
A TV é a segunda principal fonte de diversão e lazer (citada por 51% dos entrevistados), depois de ir à casa dos amigos (53%).
Em todas as classes sociais, a programação da televisão brasileira é considerada boa pela maioria dos entrevistados (63,4% da classe A; 65,2% na classe B; 75,4% na classe C e 74,4% na classe D).
Entre as fontes de informações esclarecedoras sobre sexualidade, a mídia aparece em terceiro lugar, empatada com os amigos (46%), depois da família (54%) e da escola (48%).
Meninos e meninas disseram acreditar que os meios de comunicação têm apenas a função de informar, mas reconhecem que eles podem influenciar o seu comportamento, dependendo do senso crítico de cada pessoa.

Pesquisa: A Voz dos Adolescentes, realizada por Unicef / Fator OM, 2002
Influência na formação de valores:

Nos Estados Unidos, 750 americanos entre 10 e 16 anos, foram entrevistados sobre a influência da TV: um terço disse que quer experimentar as coisas que vê na televisão; 82% disseram que os programas de TV deveriam ajudar a ensinar o que é certo e o que é errado; quase a metade disse que os programas transmitidos à noite levam a acreditar que a maioria das pessoas é desonesta; mais da metade disse que os programas de TV retratam os pais "bem mais bobos do que são na vida real"; 62% disseram que o sexo na televisão e nos cinemas os influenciam a fazer sexo quando ainda são muito novos.

Manual do Telespectador Insatisfeito, de Wagner Bezerra (Ed. Summus, 1999)

Quem é responsável pela qualidade da programação?

"A TV é a mídia mais superficial de todas. Ela irá mudar quando tivermos um espectador mais crítico e exigente e quando a baixaria deixar de ser tolerada por quem faz TV. O espectador tem um poder ainda não totalmente exercido: o de mudar de canal."
Serginho Groisman, que comandava o Programa Livre (SBT) e hoje é responsável pelo Altas Horas (Rede Globo), veiculado à 1h da manhã de sábado.


"A qualidade da informação depende de quem produz e apresenta os programas. As pesquisas do Ibope entrevistam um universo muito pequeno de telespectadores. Por isso digo que o público não interfere tanto, quem está atrás das câmeras sim".
Pedro Paulo Carneiro, diretor dos programas Novo Caderno Teen, Plugado e Super Tudo, da TVE.

"Existem programas de baixa qualidade que fazem grandes apelações para que as pessoas os assistam. Quem gosta de Coca-Cola, por exemplo, não é o único culpado por isso. Há um forte apelo emocional e comercial para que as pessoas gostem".
Zico Góes, diretor de programação da MTV Brasil.

Juventude assusta presidenciáveis:

Em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso, então candidato à reeleição, perdeu a paciência com as perguntas do público jovem do Programa Livre (SBT). Neste ano, os candidatos à presidência foram convidados para um debate no programa Tome Conta do Brasil, recém criado pela MTV, para discutir com a juventude questões ligadas à cidadania. Quase todos alegaram falta de espaço na agenda. "Com platéias jovens, o imprevisível está sempre presente. Talvez isso assuste alguns candidatos. Mas quem tem certeza de suas posições não tem o que temer. Pelo contrário, essa é uma oportunidade para colocar à prova a clareza de suas intenções partidárias e de seu próprio caráter", diz Serginho Groisman.

Sexualidade na TV:

"Não há uma política de prevenção às DST/Aids na televisão, mas alguns apresentadores falam da importância do preservativo. Já que a televisão trabalha basicamente com ficção, é preciso que os personagens das novelas abordem questões importantes como a gravidez na adolescência e o uso da camisinha". Antônio Carlos Egypto, coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS).

O que diz a lei:

A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão deverão atender aos seguintes princípios:
Preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.
Programação da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua programação.
Regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei.

Respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família:

(Artigo 221 da Constituição Federal)
As emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas

(Artigo 76, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA)

Violência dentro e fora das telas:

"O excesso de violência na TV não leva as pessoas a matarem umas às outras, mas banaliza a violência, fazendo com que se perca a consciência do horror e da morte. O jovem tem sido tratado como um mero consumidor pela televisão. Um cidadão não se baseia só no consumo, mas também na vida política e na educação". Muniz Sodré, professor de Comunicação da UFRJ e autor do livro O Império do Grotesco (Mauad, 2002)

Durante a adolescência, ficar muito tempo ligado na TV contribui para um comportamento agressivo, principalmente porque 60% da programação mostram cenas violentas. Este é o resultado de pesquisa realizada pela Universidade de Columbia com 700 famílias em Nova Iorque, nos Estados Unidos, de 1975 a 2000.
Os adolescentes de 12 anos passam pelo menos 50% mais tempo ligados à TV do que em qualquer outra atividade não-escolar, incluindo os deveres de casa, o convívio com a família ou a leitura, como mostra a pesquisa Percepção dos Jovens sobre a violência nos meios de comunicação de massa, realizada em 1998, pela Unesco, com cerca de cinco mil adolescentes de 12 anos de diferentes países. O Exterminador, de Arnold Schwarzenegger, foi o herói citado por 88% dos entrevistados.

O jornalista e crítico de TV, Eugênio Bucci, chama a atenção para o fato de a violência no vídeo estar muitas vezes invisível, para além dos socos e bofetões: "mesmo parecendo suave como um anúncio de xampu, a televisão pode representar uma escola de violência por deixar em carne viva os abismos sociais que divorciam os homens. Os jovens que se vêem expulsos desse paraíso da publicidade, segregados da ‘cidadania’ que pode ser comprada, insurgem-se de forma violenta contra os privilegiados. Tomam à força o que o mercado não lhes permite adquirir".

Bucci indica três linhas de atuação como resposta à cultura de violência da TV:

Educação para uma convivência crítica com os meios de comunicação;
Legislação que garanta a pluralidade de vozes na programação;
Defesa dos direitos do telespectador, como o direito de não ser ofendido pela programação por ser minoria política, sexual, religiosa ou étnica e o direito de ser bem informado sobre seus direitos de cidadão pela TV.

Revista do Ilanud nº 13 - Crime e TV
Botando a mão na mídia

O projeto Botando a mão na mídia, realizado pelo Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), no Rio de Janeiro, estimula os educadores a utilizar o vídeo em sala de aula, como ferramenta pedagógica para trabalhar os temas transversais.

Educação para os meios:

A organização não-governamental TVer que, desde 1997, discute a qualidade da programação televisiva, inicia, em agosto, um trabalho junto às escolas de Belo Horizonte para promover a educação crítica para os meios de comunicação. Para Rogério Faria Tavares, coordenador da TVer em Minas Gerais, a única referência que a TV oferece é o consumo, o que gera angústia entre os jovens da periferia. "Os programas de TV devem combater o estereótipo do adolescente de classe média do Rio ou São Paulo. A juventude do Brasil tem uma grande pluralidade", diz.

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