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segunda-feira, 30 de agosto de 2004

A ÉTICA DA ALTERIDADE - O ROSTO

FENOMENLOGIA DO OUTRO COMO ROSTO

Por: Jorge Schemes

Enquanto que para Russerl a correlação sujeito-objeto se dá no nível da consciência, para Levinas essa correlação vai mais além, pois deve vir da exterioridade, o que Levinas denomina de uma autêntica transcendência, a qual é manifestada no rosto do outro. A interioridade e a individualidade emergem da concreta relação do eu com um mundo exterior/concreto/real/palpável. Cada ser é totalmente separado do outro (psiquismo/egoísmo). É desse psiquismo (separação egoísta) que surge a necessidade do outro. Contudo, para que se possa acolher o outro é preciso estar mergulhado no mundo material, concreto, econômico e ser indivíduo singular. È por meio da autopercepção, do estar no mundo, que é possível perceber o outro. A primeira relação do ser humano no mundo é de si para si, é gozar a vida, é ser cego e surdo a outrem, egoísta e egocêntrico, é viver para si. Somente assim, experimentando essa separação e independência egoísta, é que o psiquismo pode abrir-se e refletir as situações na qualidade de sujeito concreto e inserido no mundo, realizado na existência econômica. Enquanto Russerl fundamenta todo o vivido na representação, Levinas resgata o valor do corpo como ponto de partida e base da consciência no mundo. Enquanto Russerl se fundamenta no intelectualismo, Levinas descreve uma intencionalidade da encarnação, o ser erigido como corpo sobre um mundo de felicidade e sensibilidade. A consciência não encarna, é antes uma desencarnação.
A morada para o corpo serve de referência para ele e para o mundo, e do mundo para a morada. É a casa que propicia o acolhimento necessário para que a natureza humana possa se expressar e possa ser representada e trabalhada (“ser” cidadão). É na família (familiaridade e feminilidade enquanto sensibilidade e afetividade), juntamente com o “choque do rosto”, que irrompe a necessidade, o trabalho como ação do corpo visando o provimento material na exterioridade. Nesse processo, desejo e necessidade podem se confundir na busca pelo gozo (felicidade). Para Levinas, o eu é antes de tudo constituído pela separação, é vivido antes que representado, e ergue-se a partir de uma verdadeira exterioridade. Tal experiência, quando acumulada pode propiciar abertura para o entendimento de que o outro lhe falta.
Para Levinas a idéia do infinito está revelada no outro, é o que suscita o desejo. É pelo rosto que se presente o enigma do infinito. Pensar leva ao desejo, o desejo propicia abertura às relações éticas, pois vê o outro como infinito como rosto. A consciência de si deve ser despertada pela exterioridade da alteridade, do contrário permanecerá egocêntrica (egoísta) e rebaixará o desejo em necessidade. A alteridade exige a atração do desejo (atração para o que está fora do pólo do eu/atração para o rosto do outro/para o infinito manifesto no rosto). O desejo é amor ágape – que se esvazia do egoísmo, que emerge para o outro como generosidade, responsabilidade e ação prática. A consciência moral é despertada pelo rosto do outro. O rosto fala, clama, chama, exige o compromisso moral e ético. O rosto diz do ser como exterioridade. A essência verdadeira do ser humano se apresenta em seu rosto, é no rosto que ele é infinitamente outro...No encontro do rosto do outro surge o eu ético, para o outro. É do rosto do outro que vem a consciência da minha injustiça. Há uma epifania do rosto/uma transcendência/uma metafísica/ o rosto é um infinito que não pode ser assimilado. Enquanto a palavra é a resposta à questão primeira que é o rosto (responder como responsabilidade), a retórica é um discurso egoísta, utilitário, ou seja, é a palavra em favor de si mesmo e do gozo pessoal. A retórica é o não acolhimento do outro no discurso/diante do face a face concreto/ é injustiça. A linguagem é sustentada pelo primeiro significante que é o rosto, para Levinas: o significante deve apresentar-se antes de todo signo, por ele mesmo. O signo verbal supõe a autenticação do significante (rosto). O principal conceito que perpassa o texto é o da exterioridade do rosto como manifestação primeira do eu/do ser. O rosto como significante e como transcendência/o rosto como referência para o eu egoísta/o rosto como convite para a solidariedade. O rosto, não exige de nós retórica, mas ação/reação/atitudes concretas diante do outro/atitudes de ética/respeito e amor/o rosto do outro refletido em meu próprio rosto, face a face, inserido no mundo concreto, está além da interioridade subjetiva, pois é manifesto como necessidade, desejo e acolhimento. A percepção do rosto do outro é a minha própria percepção enquanto ser humano; é a consciência da subjetividade e objetividade manifestadas no rosto humano.

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