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Reféns do Smartphone? Os Impactos da Nomofobia na Educação

Reféns do Smartphone? Os Impactos da Nomofobia na Educação



Introdução

Nos últimos anos, a sala de aula tem sido marcada por uma nova realidade: a presença constante do smartphone. O celular, que poderia ser um aliado no ensino, muitas vezes se transforma em um obstáculo. Surge então a nomofobia, termo usado para descrever o medo ou a ansiedade de ficar sem o celular ou sem acesso a ele.

Esse fenômeno, aparentemente inofensivo, está longe de ser apenas uma mania passageira. Pesquisas recentes revelam que a nomofobia está diretamente relacionada a dificuldades de atenção, queda no desempenho escolar, maior ansiedade entre estudantes e até desgaste emocional para os professores. Em outras palavras, é um desafio silencioso que já afeta a qualidade da educação.


O que é nomofobia?

O termo vem do inglês no mobile phone phobia (fobia de ficar sem celular). Trata-se de um estado de desconforto ou angústia quando o aparelho está fora de alcance, sem bateria, sem internet ou simplesmente desligado. Embora seja um problema relativamente novo, a nomofobia já é considerada por muitos pesquisadores como uma forma de dependência comportamental.

Um estudo publicado em 2022 na revista Cyberpsychology mostrou que a simples presença do celular sobre a mesa já é suficiente para reduzir a atenção e a capacidade de resolver problemas complexos. Ou seja, mesmo que o estudante não esteja usando o aparelho, sua mente está parcialmente “presa” à possibilidade de recebê-lo. Isso explica por que tantos alunos têm dificuldade em se concentrar plenamente em aulas mais longas ou exigentes.


Como a nomofobia afeta os estudantes

As consequências para os estudantes são diversas:

  1. Dificuldade de concentração – A ansiedade por estar desconectado consome energia mental, diminuindo a capacidade de foco.

  2. Queda no desempenho acadêmico – Estudos de 2024 publicados na Frontiers in Education apontam que a relação entre nomofobia e notas baixas é mediada pela ansiedade. Em outras palavras, o excesso de preocupação com o celular aumenta a ansiedade, e a ansiedade reduz o aprendizado.

  3. Problemas de sono e saúde mental – O uso exagerado do celular, especialmente à noite, piora a qualidade do sono, o que impacta diretamente memória, atenção e motivação.

  4. Dependência emocional – Muitos jovens sentem que o celular é uma extensão de si mesmos, e isso cria um círculo vicioso de checagens constantes, medo de perder mensagens ou notificações (o famoso FOMO — fear of missing out).


E os professores, como ficam?

Pode parecer que apenas os alunos sofrem com a nomofobia, mas os professores também não escapam desse desafio. Um estudo de 2022 com professores em formação apontou que muitos também apresentam sintomas de dependência do celular.

Além disso, a prática docente sofre diretamente:


Consequências para a qualidade da educação

Somando os efeitos sobre estudantes e professores, o resultado é claro: a nomofobia compromete a qualidade da educação. Isso se manifesta em:

Não se trata apenas de um “mau hábito”, mas de um problema sistêmico que precisa ser enfrentado com políticas escolares, formação docente e apoio à saúde mental dos alunos.


Caminhos possíveis

Se por um lado os smartphones podem atrapalhar, por outro eles também podem ser integrados de forma positiva ao processo de ensino. O segredo está no equilíbrio. Eis algumas propostas baseadas em pesquisas recentes:

  1. Políticas claras de uso – Escolas que estabelecem momentos específicos para uso pedagógico do celular e períodos de foco sem ele conseguem reduzir distrações.

  2. Educação digital e socioemocional – Ensinar os alunos a regular o próprio uso da tecnologia é tão importante quanto ensinar matemática ou português.

  3. Formação de professores – Capacitar o corpo docente para lidar com a presença inevitável do celular em sala e transformar esse recurso em aliado.

  4. Aulas mais dinâmicas – Quanto mais ativa for a metodologia (debates, projetos, gamificação), menor será a tentação de escapar para as redes sociais.


Conclusão

A nomofobia é um fenômeno recente, mas já deixa marcas profundas no cotidiano escolar. Afeta alunos, professores e, por consequência, a qualidade da educação. Se não for enfrentada, pode ampliar ainda mais os desafios da aprendizagem em um mundo cada vez mais conectado.

Ao mesmo tempo, esse problema pode ser visto como uma oportunidade: a de repensar o papel da tecnologia na sala de aula. Integrada de forma equilibrada, ela pode enriquecer o ensino; usada de forma compulsiva, pode esvaziá-lo. A decisão sobre qual caminho seguir está, em grande parte, nas mãos de educadores, gestores escolares e famílias.


Referências



Cansado de ver as telas dominarem a vida de quem você ama?

Seja você pai, educador ou jovem, a nomofobia – o medo de ficar sem o celular – é uma realidade que afeta cada vez mais pessoas. A linha entre o conectado e o viciado está cada vez mais tênue, e os impactos na saúde mental, nos relacionamentos e no desempenho diário são alarmantes.

Mas a boa notícia é que existe um caminho para o equilíbrio!

Apresentamos:

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Não deixe que a tela roube a presença, a atenção e a felicidade de quem você mais se importa.



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Uso excessivo da internet é sinal de depressão


Pessoas que ficam o tempo todo plugadas na internet têm mais tendência à depressão. É o que afirmam pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra: pessoas consideradas viciadas em internet são cinco vezes mais deprimidas do que o internauta padrão. A pesquisa examinou 1.319 pessoas com idades entre 16 e 61 anos.

– Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. Se as pessoas depressivas são atraídas pela internet ou se o uso da rede causa depressão – diz Catriona Morrison, uma das autoras do estudo.
– Agora precisamos investigar a natureza desta relação e avaliar a questão da causa. Segundo os cientistas que elaboraram o estudo, usuários que fazem uso compulsivo da internet substituem a interação social no mundo real pelo virtual, em redes sociais ou chats. O grupo dos “viciados em internet” é formado principalmente por usuários mais jovens, com média de idade de 21 anos. [Fonte: JB]

Reino Unido usa 'Simpsons' para combater obesidade

Reino Unido usa 'Simpsons' para combater obesidade

Campanha de quase 700 mil euros recorre à famosa série para dar exemplo às famílias britânicas.

O Governo britânico vai recorrer aos personagens dos Simpsons para combater o problema da obesidade no país. A partir de hoje e até ao dia de Natal, antes da exibição de cada episódio no Channel 4 da televisão britânica, os fãs da famosa série norte-americana vão ver personagens que recriam a conhecida cena dos Simpsons em que Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie se sentam no sofá em frente à televisão. E, a pouco e pouco, as comidas gordurosas serão substituídas por alimentos saudáveis, como frutas e legumes.

A iniciativa do Governo britânico insere-se no programa de saúde Change4Life e representa um investimento publicitário de 699,5 mil euros. "Os Simpsons são muito queridos, transmitem a ideia de uma família unida que enfrenta os desafios do dia-a-dia normais de uma família moderna. Permitem, de uma forma popular, fazer passar a mensagem às famílias de que é possível, através de pequenos gestos, melhorar a sua dieta e o seu estilo de vida", explicou ontem Gillian Merron, ministra da Saúde Pública britânica.

No fundo, a ideia é mostrar que se a divertida família consegue alterar os seus hábitos alimentares, então as famílias britânicas também são capazes. Até porque qualquer fã sabe que o Homer Simpson sem uma cerveja por perto não é o Homer Simpson. Ou que são raros os episódios em que Bart não aparece a comer um hambúrguer ou um donut.

Esta campanha publicitária, da responsabilidade da M&C Saatchi's, foi desenvolvida em parceria com a Aardman Animations, responsáveis pelas personagens. [Fonte: DnSapo]

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Universidade inglesa terá diploma em ciberpsicologia

A Nottingham Trent University, da Inglaterra, oferecerá uma nova graduação voltada para a psicologia da vida online, o primeiro curso de "ciberpsicologia".

A nova graduação estudará o comportamento humano em mundos virtuais e olhará para formas de relacionamento, sexualidade e jogatina online, conforme noticiou o site The Inquirer.

De acordo com o EducationGuardian, o curso será ministrado pela primeira vez a partir do novo ano acadêmico, e também abordará cibercrime, educação e aspectos de saúde, redes sociais e inteligência artificial.

Dentre as questões que procurarão ser respondidas estão algumas bastante interessantes. Por exemplo, como sites como MySpace e Facebook modificaram as maneiras com que as pessoas interagem. Para a Dr. Monica Whitty, que liderará o curso que custará aproximadamente US$ 9 mil, o ciberespaço não se limita a internet, mas também tecnologias como celulares e realidade virtual. "O fato dessas tecnologias fazerem parte de nossa vida cotidiana nos obriga a tentar entender como eles nos afetam psicologicamente", explicou.

Douglas Brown, porta-voz da associação British Psychological Society, vê o novo curso com bons olhos e explicou que esta é uma área em crescimento. (Fonte: Yahoo Notícias)

INTERNET PERIGOSA


Google afirma que 10% da web é perigosa:

Uma nova pesquisa realizada pela Google apontou que um em cada dez sites possui referências a malware, programas maliciosos que executam processos e operações que podem causar mau funcionamento no computador e, em alguns casos, roubar dados confidenciais ou permitir controle remoto por um hacker.

De acordo com o site Webware, a pesquisa foi apresentada na conferência HotBots 2007, realizada em abril, e feita com base na análise de 4,5 milhões de URLs.

Das 450 mil páginas com malware, foram identificados quatro métodos distintos de infecção. Um deles compromete a segurança de um servidor web, enquanto os outros envolvem interação comum do usuário, como baixar conteúdo, clicar em publicidade online e instalar widgets.

A primeira categoria, que utiliza servidores web, se baseia apenas no acesso do usuário. Um código JavaScript inserido em um endereço vulnerável pode executar códigos maliciosos no computador do usuário. Vulnerabilidades em programas também podem ser utilizadas para que conteúdo baixado da internet, referenciado na segunda categoria, carregue códigos perigosos.

O estudo mostra que a crescente ameaça de aplicações web maliciosas foi auxiliada pelo papel que a internet tem tomado no cotidiano das pessoas e pela imensa facilidade que existe hoje para criar um site, conforme noticiou o site USA Today.

Graham Cluley, consultor sênior de tecnologia da Sophos, disse que a Google está enfatizando uma tendência cada vez pior e um problema considerável para os internautas.

Os autores da pesquisa não apontam uma solução, mas concluem que o código usado para criar novas vítimas muda rapidamente, fazendo com que pesquisas para identificar o estilo dos ataques sejam difíceis de serem completadas. O PDF com o estudo completo, em inglês, possui nove páginas e pode ser baixado pelo atalho www.snurl.com/1ksyf

CÚPULA MUNDIAL DE MÍDIA PARA CRIANÇAS




A África está pronta para receber as pessoas da mídia internacional voltada para crianças em sua primeira vez como anfitriã da 5ª Cúpula Mundial de Mídia Para Crianças. Essa edição será sediada no Sandton Convention Centre em Joanesburgo, África do Sul do dia 24 ao dia 28 de março.

Evento que acontece a cada três anos em diferentes regiões do planeta, o World Summit começou em 1995 sediado na Austrália. As edições seguintes foram no Reino Unida, Grécia e Brasil. Esse ano, será coordenado pela Children and Broadcasting Foundation for Africa (CBFA), que começou em 1995 como um grupo engajado nas necessidades e direitos da programação infantil.

“Nossa primeira intenção foi sensibilizar os profissionais de mídia para a necessidade de programas televisivos de qualidade para crianças. Focado na implementação do Africa Charter on Children’s Broadcasting, que foi produzido após o sucesso Southern African Summit, em 1996, e do All African Summit, em 1997, como uma preparação para o 2º World Summit e com o envolvimento de delegações da infância , o Africa Charter on Children’s Broadcasting foi sancionado pela SABA (Southern African Broadcasting Association), URTNA (Union of National Radio and Television of Africa) e pela CBA (Commonwealth Broadcasting Association). O intuito é defender o acesso livre a programas de qualidade feitos especialmente para crianças e que reflita sua cultura. E mais, as crianças não devem ser exploradas pela mídia ou pela publicidade”, afirma a presidente da CBFA e do 5WSMC Firdoze Bulbulia.

A CBFA iniciou um programa para ensinar técnicas de vídeo para um grupo de crianças. A visão se materializou no 3º Summit na Grécia em 2001, no qual a UNICEF sul-africana participou da oferta de aulas de vídeo para crianças. Depois de um workshop de dois dias, sete crianças se juntaram à equipe de TV da CBFA.

Outro projeto foi o African Pen Pals (em colaboração com BMW Munich e Prix Jeunesse International), um vídeo de 10 partes com África do Sul, Nigéria, Egito, Tanzânia e Quênia; uma série de seis programas para o Summit do Terceiro Mundo e para a Conferência Panafricana para o Futuro das Crianças produzida pela equipe da CBFA; e um documentário de 20 minutos para o Dia Internacional da Criança na TV. Desde então muitas outras produções foram realizadas em colaboração com a UNICEF, SABC e a CBFA.

O Encontro
Bulbulia prossegue: “Nosso tema para o 5WSMC é Mídia como Ferramenta para Paz e Democracia Global. Há muitos outros focos no encontro, tais como o papel das organizações de tv na mídia infantil, como tvs e produtores independentes/comerciais podem aumentar o poder da Public Broadcasting Service (PBS), como regulação pode construir um ambiente positivo para os trabalhos da PBS, como a violência na mídia afeta as crianças, e apresentação de programas de saúde e HIV/AIDS, entre outros.


Do ponto de vista africano, nosso principal objetivo com o Summit é desenvolver uma rede para políticas de mídia infantil e soluções sustentáveis para programas de alta qualidade. Há o defeso de criar de um Centro Africano de Mídia para Crianças – um lugar onde a mídia infantil possa ser produzida e distribuída, onde tenha treinamento para profissionais e crianças e, depois, criar um Canal Pan Africano de Mídia para Crianças. Outro projeto é uma Aliança Africana para Mídia Infantil, que resulte em uma Aliança Global com a já organizada Aliança Latino Americana de Mídia Para Crianças.

Um a série de pré-Cúpulas foram realizadas pelo mundo desde 2004 para levantar apoio para o evento deste ano. A intenção era chamar a atenção em nível regional para apresentar o movimento Summit para todos os parceiros, assim como oferecer oportunidades na programação do Summit. A CBFA assegurou que a voz dos grupos que não estavam historicamente ligados à organização do Summit pudesse ser ouvida em participação no 5WSMC. Essas prévias geraram imenso interesse e apoio no Egito, Mali, Marrocos, Etiópia, Nigéria, Malásia, Índia, Qatar, Brasil, Cuba, Chile, Colômbia, Argentina, Holanda, Dinamarca, Suécia, Irlanda e EUA.

Ao menos 1000 delegações são esperadas para o evento e representaram mídia local e internacional, representantes da sociedade civil, ONGs, produtores de tv, representantes de vários departamentos do governo sul-africano. Trezentas crianças de 13 a 16 anos participarão em uma Cúpula Infantil.

Sob a perspectiva continental, Bulbulia nota que o Summit é uma ótima oportunidade para sul-africanos e africanos mostrarem o que o continente tem feito em termos de mídia infantil nos últimos 15 anos. “Produtores do continente estão levando as crianças a sério e fazendo programas que refletem os valores da infância africana. No entanto, nosso problema é a falta de recursos. É muito mais fácil e barato comprar programas importados do que produzir programas locais de qualidade”.

Ela afirma também que para a CBFA, como uma ONG, o desfio é mudar este paradigma para profissionais de tv e governos locais. É importante que crianças africanas se expressem, em suas línguas e com suas experiências de vida. “Os nossos governantes precisam notar que investir em programas de qualidade para essas crianças é investir em nosso progresso”.

Outros assuntos pertinentes à mídia infantil são os de publicidade e acesso a programas adultos na TV, a Internet e fenômenos como o YouTube, onde qualquer pessoa pode baixar qualquer conteúdo. “O que o Youtube oferece é muito democrático, mas não é mediado”, comenta Bulbulia. Além disso diz que “ hoje há muitos meios para assistir e participar da mídia – como blogs, iPods, celulares,etc...Nós queremos estar aptos a usar todas essas novas tecnologias para a promoção de programas de qualidade para as crianças”.

NOVA PORTARIA PARA CLASSIFICAÇÃO DE PROGRAMAS DE TV



MJ publica portaria para classificação de programas de TV:

Brasília, 12/02/2007 (MJ) - O Diário Oficial da União desta segunda-feira (12) traz a publicação da Portaria 264, que dispõe sobre a nova regulamentação para a classificação indicativa de programas de televisão. Os critérios adotados seguem os padrões já aplicados nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Suécia.
A nova portaria incorpora a experiência acumulada nos dezessete anos de vigência da classificação indicativa para a televisão – conforme estabelecido pela portaria 773, de 1990, substituída em 2000 pela portaria 796 –, além das contribuições de diversos setores da sociedade civil, incluindo artistas, autores de conteúdo e emissoras.
A classificação indicativa para programas de televisão existe para informar aos pais a respeito do conteúdo de obras audiovisuais produzidas pela televisão aberta. O Ministério da Justiça entende que cabe aos responsáveis legais a decisão sobre o que os filhos devem assistir. A classificação de programas de televisão atende a determinação da Constituição (Art. 21, XVI) e da Lei 10.359/2001 (Art. 3º).
A portaria traz importantes avanços no sistema de classificação indicativa de programas de televisão, como a não classificação de programas jornalísticos ou noticiosos e a possibilidade de que, em regra, a idade recomendada para os programas de televisão seja indicada pelas próprias emissoras (autoclassificação).
A Portaria entrará em vigor 90 dias após sua publicação. O Ministério da Justiça continua aberto a contribuições para o aperfeiçoamento da classificação indicativa e do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente.
O Ministério da Justiça esclarece ainda que a vinculação entre idade recomendada e horário de exibição existe por determinação expressa do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90, Art. 254). Entretanto, em atenção ao início do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.398, que questiona esta vinculação, o Ministério da Justiça optou manter a vinculação nos termos da portaria 796/2000, reconhecendo a competência do Supremo Tribunal Federal de decidir sobre sua constitucionalidade.

INFLUÊNCIA DA TV


Influência da TV na formação dos jovens preocupa especialistas:

Pesquisas revelam que a televisão nos lares brasileiros é onipresente. São cerca de 40 milhões de aparelhos com espaço consagrado muitas vezes onde não há fogão ou geladeira. Para reforçar as estatísticas, o Instituto da Cidadania revelou recentemente que 91% dos jovens, entre 15 e 24 anos, vêem TV. Na outra ponta, o IBGE indica que 14 milhões de brasileiros nunca foram à escola.Estes dados suscitam, de imediato, duas indagações: O jovem excluído, sem acesso à escola, assiste à TV? A onipresença da televisão nos lares do Brasil moderno, com audiência maciça entre crianças e adolescentes, está delegando à TV o papel de educar e gerar os valores que vão construir o século XXI?
Uma pesquisa desenvolvida por dois norte americanos, Newcombe e Hirsch, estudiosos dos papéis culturais do entretenimento, concluiu que a TV está no centro do processo de pensamento do público. O jornalista Rogério Faria Tavares, presidente da seção mineira da ONG TVER, que analisa as conseqüências e responsabilidades da televisão no desenvolvimento infanto-juvenil e na formação do ser humano, acredita que a influência exercida por programas televisivos na vida de crianças e jovens pode ser prejudicial. “A TV é um veículo de mão única, não dialoga, apenas impõe”, diz. De acordo com ele, a influência da televisão no comportamento infanto-juvenil ocorre na medida em que a TV veicula mensagens dizendo quais atitudes e costumes os jovens devem adotar. Por outro lado, a psicóloga Maria Helena Ferreira, pós-graduada em psicologia educacional, afirma que as influências da TV podem ser positivas. Para ela, nesses casos, deve haver consciência da identificação com o objeto. “Canalizamos, assim, energia contida, liberando tensões”, explica.


Fontes:

INFLUÊNCIA DA MÍDIA ESTRANGEIRA


Especialistas discutem a influência da mídia estrangeira em seus países

A Sessão Paralela Muito rápido, muito cedo: erotismo, consumismo e mídia reuniu na mesma mesa de debates uma norte-americana, uma norueguesa, uma queniana e duas brasileiras. Os relatos trataram de países com realidades muito diferentes. Por exemplo: enquanto Ellen Wartella, do College of Communication, mostrou que os bebês e crianças dos Estados Unidos estão assistindo à TV cada vez mais cedo, que 99% das famílias norte-americanas assistem à TV e que a maioria das casas tem 5 televisores, Josephine Karani, da Kenya Broadcasting Corporation, relatou que, quando há uma TV num lar de seu país, ela fica na sala, em lugar e destaque para que toda a família possa assistir, reunida, à programação.
Segundo Ellen, uma em cada dez crianças até 2 anos usa computador nos Estados Unidos. A maioria das crianças assiste a, pelo menos, duas horas de TV por dia. O aparelho permanece ligado a metade do tempo em que existem pessoas em casa. Além disso, a garotada dorme com pijamas e brinca com brinquedos dos personagens dos programas infantis que assistiram durante o dia.
O que os pais pensam disso? De acordo com a pesquisadora, eles acreditam em teses que dizem que crianças expostas a programas educativos desde muito cedo terão melhores desempenhos escolares. Ellen adverte, no entanto: "Não há qualquer comprovação a este respeito". Pelo contrário, alguns estudos começam a mostrar que distúrbios de atenção e concentração podem ser causados por causa desse contato excessivo com a TV, o rádio, a internet, os jogos eletrônicos.
A queniana Josephine apresentou as dificuldades de seu país. Por causa dos altos custos das produções educativas para crianças, muitos programas são importados de outros países e não traduzem a realidade africana. Assim, a sociedade que até pouco tempo achava inconcebível ver um homem de brinco está começando a ter que se acostumar com as novidades que os meninos descobrem na programação de TV. Em seu país soa estranho um homem cheio de trancinhas, mas a cultura de outros povos começa a chegar muito rapidamente.
"A programação de fora, às vezes de má qualidade, não ajuda na divulgação dos valores e cultura africana. Agora começam a aparecer no Kenya músicos que se apresentam quase pelados, com piercings... A influência da TV está andando tão rápido que talvez percamos o controle sobre isso", declarou Josephine. E finalizou sua fala enfatizando que a mídia pode sim reforçar valores morais importantes.
Já a norueguesa Mia Lindrup argumentou contra as tentativas do governo de seu país de limitar comerciais destinados ao público infantil. Para ela o ideal seria educar as crianças para ter um olhar crítico diante do que a mídia oferece. "A criança norueguesa é absolutamente independente, conhece seus direitos, tem opiniões muito fortes, liberdade para agir, opera em vários papéis no nível familiar. Relaciona-se com muitos adultos", relatou Mia.
Para fechar a sessão, a Secretária Nacional de Justiça, Cláudia Chagas, tratou do papel do Estado no controle de programas de TV e filmes que são assistidos por crianças e adolescentes no Brasil. Como responsável pela classificação indicativa dos programas de TV, o Ministério da Justiça, de acordo com a Secretária, defende a liberdade de expressão e coíbe excessos que possam prejudicar os jovens
Apesar da classificação, o Ministério não pode punir, por exemplo, uma emissora que coloque no ar um filme no horário não apropriado. Excessos, no entanto, podem ser controlados. O Ministério Público tem tomado medidas de emergência para tirar do ar programas que agridam e possam ser realmente perigosos para crianças e adolescentes caso sejam veiculados.
Para que os brasileiros saibam como é feita a classificação, quais os critérios usados, o Ministério da Justiça disponibilizou uma simulação no site www.mj.gov.br "O Estado não pode lavar as mãos, mas também não pode substituir a família, entrando na casa dos outros de forma autoritária", finalizou Cláudia.

(Relatoria: Fernanda Lambach - Jornalista Amiga da Criança - ANDI)

ADOLESCÊNCIA E TV


REFLEXÕES SOBRE A INFLUÊNCIA DA MÍDIA

Sem espaço para o debate, a televisão brasileira encara o adolescente como mero consumidor e perde a oportunidade de aliar entretenimento à educação:

Quatro horas por dia. Este é o tempo médio, segundo o Unicef, que os adolescentes brasileiros ficam colados na TV, consumindo valores, comportamentos, produtos, modas, padrões de beleza, informação, diversão. Para seduzir essa fatia do mercado, as emissoras apelam para cenas de sexo, violência, cultura da adrenalina. Pesquisas no Brasil e no exterior mostram as conseqüências de uma programação empobrecida para a formação do público adolescente. Programas como o Barraco MTV ou o Programa Livre, que até pouco tempo funcionavam como porta-vozes da inquietação da juventude, não existem mais. Este rebaixamento dos padrões difunde uma fórmula de programas de auditório que, centrados em depoimentos pessoais de pessoas famosas, encaram a juventude como uma massa uniforme, desrespeitando as diferenças e as peculiaridades do público jovem, que tem a TV como fonte de lazer e informação confiável.

Adolescentes confiam na TV:

A pesquisa A Voz dos Adolescentes, realizada pelo Unicef e pela empresa de pesquisa Fator OM, ouviu 5280 adolescentes brasileiros e revela:

Meninos e meninas entre 12 e 17 anos passam, em média, 3 horas e 55 minutos por dia em frente à TV. Esta média chega a 4 horas entre o grupo que tem de 12 a 14 anos.
Novelas e minisséries são os programas preferidos, com 21% das respostas. Em seguida, estão os filmes (14%) e desenhos animados (12%).
A TV é a segunda principal fonte de diversão e lazer (citada por 51% dos entrevistados), depois de ir à casa dos amigos (53%).
Em todas as classes sociais, a programação da televisão brasileira é considerada boa pela maioria dos entrevistados (63,4% da classe A; 65,2% na classe B; 75,4% na classe C e 74,4% na classe D).
Entre as fontes de informações esclarecedoras sobre sexualidade, a mídia aparece em terceiro lugar, empatada com os amigos (46%), depois da família (54%) e da escola (48%).
Meninos e meninas disseram acreditar que os meios de comunicação têm apenas a função de informar, mas reconhecem que eles podem influenciar o seu comportamento, dependendo do senso crítico de cada pessoa.

Pesquisa: A Voz dos Adolescentes, realizada por Unicef / Fator OM, 2002
Influência na formação de valores:

Nos Estados Unidos, 750 americanos entre 10 e 16 anos, foram entrevistados sobre a influência da TV: um terço disse que quer experimentar as coisas que vê na televisão; 82% disseram que os programas de TV deveriam ajudar a ensinar o que é certo e o que é errado; quase a metade disse que os programas transmitidos à noite levam a acreditar que a maioria das pessoas é desonesta; mais da metade disse que os programas de TV retratam os pais "bem mais bobos do que são na vida real"; 62% disseram que o sexo na televisão e nos cinemas os influenciam a fazer sexo quando ainda são muito novos.

Manual do Telespectador Insatisfeito, de Wagner Bezerra (Ed. Summus, 1999)

Quem é responsável pela qualidade da programação?

"A TV é a mídia mais superficial de todas. Ela irá mudar quando tivermos um espectador mais crítico e exigente e quando a baixaria deixar de ser tolerada por quem faz TV. O espectador tem um poder ainda não totalmente exercido: o de mudar de canal."
Serginho Groisman, que comandava o Programa Livre (SBT) e hoje é responsável pelo Altas Horas (Rede Globo), veiculado à 1h da manhã de sábado.


"A qualidade da informação depende de quem produz e apresenta os programas. As pesquisas do Ibope entrevistam um universo muito pequeno de telespectadores. Por isso digo que o público não interfere tanto, quem está atrás das câmeras sim".
Pedro Paulo Carneiro, diretor dos programas Novo Caderno Teen, Plugado e Super Tudo, da TVE.

"Existem programas de baixa qualidade que fazem grandes apelações para que as pessoas os assistam. Quem gosta de Coca-Cola, por exemplo, não é o único culpado por isso. Há um forte apelo emocional e comercial para que as pessoas gostem".
Zico Góes, diretor de programação da MTV Brasil.

Juventude assusta presidenciáveis:

Em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso, então candidato à reeleição, perdeu a paciência com as perguntas do público jovem do Programa Livre (SBT). Neste ano, os candidatos à presidência foram convidados para um debate no programa Tome Conta do Brasil, recém criado pela MTV, para discutir com a juventude questões ligadas à cidadania. Quase todos alegaram falta de espaço na agenda. "Com platéias jovens, o imprevisível está sempre presente. Talvez isso assuste alguns candidatos. Mas quem tem certeza de suas posições não tem o que temer. Pelo contrário, essa é uma oportunidade para colocar à prova a clareza de suas intenções partidárias e de seu próprio caráter", diz Serginho Groisman.

Sexualidade na TV:

"Não há uma política de prevenção às DST/Aids na televisão, mas alguns apresentadores falam da importância do preservativo. Já que a televisão trabalha basicamente com ficção, é preciso que os personagens das novelas abordem questões importantes como a gravidez na adolescência e o uso da camisinha". Antônio Carlos Egypto, coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS).

O que diz a lei:

A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão deverão atender aos seguintes princípios:
Preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.
Programação da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua programação.
Regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei.

Respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família:

(Artigo 221 da Constituição Federal)
As emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas

(Artigo 76, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA)

Violência dentro e fora das telas:

"O excesso de violência na TV não leva as pessoas a matarem umas às outras, mas banaliza a violência, fazendo com que se perca a consciência do horror e da morte. O jovem tem sido tratado como um mero consumidor pela televisão. Um cidadão não se baseia só no consumo, mas também na vida política e na educação". Muniz Sodré, professor de Comunicação da UFRJ e autor do livro O Império do Grotesco (Mauad, 2002)

Durante a adolescência, ficar muito tempo ligado na TV contribui para um comportamento agressivo, principalmente porque 60% da programação mostram cenas violentas. Este é o resultado de pesquisa realizada pela Universidade de Columbia com 700 famílias em Nova Iorque, nos Estados Unidos, de 1975 a 2000.
Os adolescentes de 12 anos passam pelo menos 50% mais tempo ligados à TV do que em qualquer outra atividade não-escolar, incluindo os deveres de casa, o convívio com a família ou a leitura, como mostra a pesquisa Percepção dos Jovens sobre a violência nos meios de comunicação de massa, realizada em 1998, pela Unesco, com cerca de cinco mil adolescentes de 12 anos de diferentes países. O Exterminador, de Arnold Schwarzenegger, foi o herói citado por 88% dos entrevistados.

O jornalista e crítico de TV, Eugênio Bucci, chama a atenção para o fato de a violência no vídeo estar muitas vezes invisível, para além dos socos e bofetões: "mesmo parecendo suave como um anúncio de xampu, a televisão pode representar uma escola de violência por deixar em carne viva os abismos sociais que divorciam os homens. Os jovens que se vêem expulsos desse paraíso da publicidade, segregados da ‘cidadania’ que pode ser comprada, insurgem-se de forma violenta contra os privilegiados. Tomam à força o que o mercado não lhes permite adquirir".

Bucci indica três linhas de atuação como resposta à cultura de violência da TV:

Educação para uma convivência crítica com os meios de comunicação;
Legislação que garanta a pluralidade de vozes na programação;
Defesa dos direitos do telespectador, como o direito de não ser ofendido pela programação por ser minoria política, sexual, religiosa ou étnica e o direito de ser bem informado sobre seus direitos de cidadão pela TV.

Revista do Ilanud nº 13 - Crime e TV
Botando a mão na mídia

O projeto Botando a mão na mídia, realizado pelo Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), no Rio de Janeiro, estimula os educadores a utilizar o vídeo em sala de aula, como ferramenta pedagógica para trabalhar os temas transversais.

Educação para os meios:

A organização não-governamental TVer que, desde 1997, discute a qualidade da programação televisiva, inicia, em agosto, um trabalho junto às escolas de Belo Horizonte para promover a educação crítica para os meios de comunicação. Para Rogério Faria Tavares, coordenador da TVer em Minas Gerais, a única referência que a TV oferece é o consumo, o que gera angústia entre os jovens da periferia. "Os programas de TV devem combater o estereótipo do adolescente de classe média do Rio ou São Paulo. A juventude do Brasil tem uma grande pluralidade", diz.

DEPENDÊNCIA MIDIÁTICA

NEUROSE MIDIÁTICA

A revolução da informática provoca o surgimento de uma nova doença. Você vai saber quais são os sintomas desse mal que atinge gente que não consegue se desconectar nunca.
Responda rápido: você está gastando mais tempo à cata de informações do que gastava antes? Você fica mal-humorado quando fica sem o jornal ou a internet? Você fica permanentemente ligado aos sites de informação on-line, mesmo que isso prejudique sua vida pessoal ou profissional? Você fica deprimido depois de dois dias sem acesso a informações?
Se você respondeu "sim" a todas as perguntas, atenção: você pode estar doente. E a doença se chama "neurose midiática".
"Uma semana sem o uso de computador me deu uma angústia, um aperto no peito, aquela sensação de não estar respirando bem", conta o empresário Mario Barreto.
A neurose midiática foi identificada pelo psiquiatra francês Michel Lejoyeux. Ele diz que a informação pode ser consumida como se fosse uma droga – e pode até causar overdose.
"O hipocondríaco da mídia tem medo que o mundo vá mal. Ele olha a atualidade, a economia, e diz que o sistema político não está bem. É uma hipocondria por procuração. Não é um medo por ele mesmo, mas o medo pelo mundo", explica Lejoyeux.
Basta meia hora num dos aeroportos mais movimentados do Brasil para constatar que o problema realmente existe.
"Se a pessoa é compulsiva, o grande desafio que ela tem, em primeiro lugar, é reconhecer isso", diz a psicóloga Ana Maria Rossi.
Mário Barreto é um dependente assumido. "Viciado é viciado. Eu sou notívago, e só quando o sono não dá mais eu coloco o laptop na mesa de cabeceira e deixo pronto para a manhã seguinte", conta.
O dia seguinte nem bem começa e o computador já está lá: na cama, no banheiro, no café da manhã, durante a entrevista. E a família, Mário? "Minha mulher é farinha do mesmo saco", revela.
"Já resolvemos problemas internos da casa por e-mail várias vezes. Mesmo trabalhando no mesmo lugar ou estando na mesma casa, trocamos e-mail em vez de conversar", conta a empresária Karina Barreto.
A produtora de cinema Daniela Arantes sempre sentiu orgulho de ser uma pessoa bem informada. "Em algum momento da minha vida eu desenvolvi uma compulsão pela informação", diz ela.
Daniela passava os olhos em todos os jornais e revistas diariamente. Comprava dezenas de livros, mas nunca lia. Pela internet e pelo telefone, queria as últimas informações.
"O hipocondríaco midiático fala mais dos problemas do mundo, ele não fala das suas próprias emoções. Esconde seus medos e vive os medos coletivos", diz Lejoyeux.
"Em determinada hora eu tive uma estafa. Acabei tendo que me desligar de tudo e tirei umas férias do trabalho. Era tanta coisa que eu não conseguia descansar em casa, sonhava com o problema", conta Daniela.
Mas e quando a informação é "o" instrumento de trabalho da pessoa?
"Cada ano que passa você tem mais meios de se manter informado e vai se atualizando. Isso realmente é viciante", comenta o técnico em computação gráfica Luiz Maggessi.
"Se você somar, o executivo gasta cerca de sete horas por dia com internet, e-mail, navegação na web, reuniões, celulares e telefones fixos", calcula o professor de administração Luiz Antônio Jóia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O empresário Eduardo Ramos deu um jeito nisso, mesmo sendo dono de uma escola de informática e adorando informação. "Eu não checo meu e-mail de hora em hora. Tenho determinados horários no dia para fazer isso, senão, acabo escravo e me distraindo o tempo todo".
"A pessoa precisa gerar opções, falando com outras pessoas, usando sua criatividade ou eventualmente buscando ajuda psicológica profissional", aconselha a psicóloga Ana Maria Rossi.
"Eu não preciso da tecnologia, por exemplo, para brincar com meu filho, que é o que eu adoro fazer. Graças a Deus, tenho conseguido", diz Eduardo Ramos.
"A palavra-chave é entender que o tempo é um bem muito precioso. Às vezes, os jovens não têm muita noção disso. À medida que vamos avançando em anos, começamos a perceber o valor que o tempo tem", constata Luiz Antônio Jóia.

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Será que você também é um neurótico por notícias? Responda ao teste e descubra o resultado.
Responda apenas com um SIM ou NÃO a estas perguntas : 1) Você gasta mais tempo hoje em dia em busca de informaçôes do que antes?2) Você fica mais tempo se informando do que seus conhecidos?3) Você se sente deprimido quando fica sem informações por mais de dois dias?4) Você fica agitado ou irritado quando não pode informar-se por mais de dois dias? 5) Você fica mal humorado sem o seu jornal ou a Internet?6) Você demora tempo demais nos sites de informação on-line?7) Você passa tempo demais vendo o noticiário pela televisão?8) Você não se cansa de ouvir/ver as mesmas notícias várias vezes ao dia?9) Você continua permanentemente ligado aos sites de informação on-line mesmo prejudicando sua vida pessoal ou seu trabalho?10) Já tentou gastar menos tempo com informação?11) Deixa de ver os amigos para não perder o noticiário da televisão?12) Desiste de sair ou divertir-se para não perder o noticiário?13) Pelo menos uma vez ao dia, você não consegue resistir à vontade de ligar o rádio ou entrar na Internet para ficar por dentro das últimas notícias?14) Já lhe aconteceu acordar no meio da noite para se atualizar sobre as últimas notícias?
Pontuação : Um resultado superior ou igual a 5 revela dependência quanto à informação. Se seu jornal não chega na hora ou se a televisão pára de funcionar, você fica roendo as unhas.
As pessoas que apresentam um resultado superior a 10 são realmente fissuradas em informação.Receber notícias é, para eles, uma droga da qual não conseguem livrar-se. Não agüentam mais de duas horas sem uma olhadela no noticiário.

(De « Les angoissés de l’information », dossier realizado pelo Dr. Philippe Massol e publicado em Panorama du médecin no dia 30 de janeiro de 2006 (no.5003). Traduzido por Maria Cecília S. d’Egmont para a Rede Globo de TV em 10 de junho de 2006 ).

EDUCAÇÃO PARA A MÍDIA


ONG TRAÇA PERFIL DE VÍTIMAS DE PEDÓFILOS ON LINE

Garotas entre dez e 12 anos de idade, de personalidade extrovertida, são as maiores vítimas de pedófilos on-line. A conclusão é da International Crime Analysis Association (ICAA), Ong com sede em Roma. O estudo da ICAA baseia-se em dados recolhidos nas salas de Chat mais populares entre os italianos. "Nosso objetivo é conscientizar pais e educadores dos perigos que a Internet pode representar para crianças nessas faixas de idade", disse Roberta Bruzzone, criminologista e vice-presidente da ICAA, em coletiva à imprensa. O estudo, realizado entre 2003 e 2004, contemplou 5000 entrevistas com jovens que utilizam regularmente salas de Chat, grupos de discussão e outros serviços interativos da Internet. Dos que o fazem, 13% já mantiveram conversas de caráter sexual com adultos, 22,6% encararam de forma positiva a experiência, 15% mostraram-se curiosos e 7,6% confessaram sentir-se atraídos pelas propostas. A questão se agrava, na medida em que o estudo revela também que 47% cento dos adultos raramente supervisionam os menores durante as suas incursões pela Internet. Entre as crianças aliciadas, a maioria não reportou a situação aos seus educadores. Diante desta realidade, faz-se necessário o acompanhamento dos pais e o interesse dos educadores para um trabalho interdisciplinar de educação para a mídia e de prevenção.

INFÂNCIA E TV


INFÂNCIA E TELEVISÃO

Por: Jorge Schemes*

Quando pensamos na comunicação humana encontramos vários estudos de especialistas sobre o tema. Um deles diz respeito a capacidade da comunicação, ou seja: quando comunicamos, nossas palavras dizem 7% do que desejamos comunicar. Cerca de 38% é a forma como se diz e 55% é o corpo que fala. Considerando estas características da comunicação humana desejo analisar como essa linguagem visual está afetando as crianças por meio do hábito de assistir televisão. Segundo estatísticas da ONU no Brasil, aproximadamente 81% da população assiste a 3,9 horas por dia de tevê, em média. Isso significa que as crianças passam 50% da vida na frente da televisão. Porém, “essas infâncias” estão sendo interrompidas quando o assunto é sexo na tevê. Estatísticas nacionais comprovam que o número de mães adolescentes com o segundo filho aumentou. Em 1991 era de 20%, em 2001 aumentou para 40%. Devemos levar em consideração a linguagem corporal apresentada nos programas de tevê, pois o corpo fala. E que exemplos os programas estão transmitindo? Como está a responsabilidade ética e moral das emissoras?
Outro fator associado ao hábito de ver tevê é a obesidade e a depressão infantil endógena (física). A criança precisa fazer exercícios físicos. A atividade física combate e previne a obesidade e ainda produz endorfina e serotonina, hormônios antidepressivos. Todavia, crianças na frente da tevê, do computador e dos videogames não produzirão estas substâncias que são importantes para a saúde mental. Criança que brinca dificilmente terá depressão. Contudo, aquela que fica o tempo todo sem fazer nada, só na frente da tevê, do computador e do videogame, almoça e janta na frente da televisão (aquela criança que não incomoda) é candidata a ser depressiva porque essa é uma criança que não existe para os pais. Infelizmente esse é o contexto da sociedade pós-moderna, há falta de vínculo com os pais. Isso é um perigo mais tarde, pois na adolescência essa criança que foi esquecida na frente da tevê pode procurar outros vínculos, como as drogas, por exemplo. Segundo especialistas, o melhor remédio contra a depressão infantil endógena é a atividade física, pois supre a carência química. Assim sendo, como pais e educadores devemos priorizar mais as atividades de socialização do que o costume cômodo de entregar nossas crianças à tevê e a prática nefasta de transferir nossa responsabilidade no processo educacional para a televisão e sua linguagem visual.

*Jorge Schemes – Fone: 454-4040 / E-Mail: jorgeschemes@yahoo.com.br
Bacharel em Teologia / Licenciado em Pedagogia / Licenciado em Ciências da Religião / Pós-Graduado em Interdisciplinaridade / Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional / Técnico Pedagógico na GEECT / Professor de Filosofia da Educação na ACE / Escritor e Palestrante.

FAMÍLIA E TV

MONÓLOGO TELEVISUAL NA FAMÍLIA
Por: Jorge Schemes

Apesar de toda a tecnologia informativa cheia de recursos cada vez mais sofisticados, em muitas famílias de nosso século já não existe mais tempo para o diálogo, com o pouco tempo que restou, devido a vários fatores mas também porque, principalmente a TV, além de interferir no conteúdo das conversas, colocou um “esparadrapo” na boca de todos, criando um monólogo televisual. São famílias que não desenvolveram um espírito crítico em relação aquilo que vêem na TV. E muito menos tranformaram o seu conteúdo em temas para debates ou diálogo dentro do círculo familiar. Embora devamos admitir que há temas que não valem a pena nem mesmo mencionar o título. Há uma anedota sobre dois pesquisadores que desejavam comprovar como a força do hábito de ver TV alterava a quantidade de tempo dedicada à comunicação em família. Eles tentaram determinar se, ver menos televisão levaria a um crescimento na comunicação familiar. Entraram em contato com oficinas de consertos de televisão, para obter os nomes das pessoas que haviam mandado consertar seus aparelhos. Uma vez que essas pessoas ficariam sem televisão por mais ou menos uma semana, os pesquisadores planejaram entrevistar essas famílias, para ver se conversavam mais na ausência da televisão. Contudo, tal hipótese estava errada, pois constataram que quando as pessoas levavam um aparelho de TV para a oficina, sempre davam um jeito de arranjar outro emprestado. O fato concreto é que a comunicação em família foi afetada com a chegada da televisão. Há um conselho de que quando os problemas com a comunicação surgirem ou forem percebidos, é hora de fazer uma perguntinha que pode ser fundamental para resolver a situação, principalmente quando a desculapa é falta de tempo, a pergunta é: “O que estamos fazendo com àquelas horas na frente da tevê?” É claro que as pessoas não ficam 100% mudas diante da telinha, mas quanto maior for o grau de interesse pelo que está sendo apresentado na TV, menos amistoso as pessoas se sentem a respeito de uma interrupção. Evidentemente existe, em menor ou maior grau, um envolvimento afetivo do telespectador com as personagens e situações da televisão. É preciso lembrar todavia que as mensagens televisuais atuam por impregnação, agindo sobre o inconsciente e o imaginário, que distrai e cativa a pessoa, paralizando, por assim dizer sua capacidade de ação e reflexão. Talvez seja esta a razão por que há tantas famílias que no "horário nobre" estão demasiado fascinadas com o que assistem, que não têm tempo para ouvir, falar ou atender a pedidos. E quando alguém ousa interromper a programação favorita, acaba ocorrendo uma verdadeira “guerra”. Em certas ocasiões, até mesmo quando chega visita a indiferença é demonstrada, e o “aparelho das fantasias”, muitas vezes ignorante, inculto e irreligioso, continua tendo a suprema veneração. De acordo com o relatório anual do AD Council (www.adcouncil.org - entidade americana pró-lar e família), publicado na revista Seleções (em inglês - junho de 1998), “50% dos lares americanos deixam a televisão ligada durante o jantar em família.” Para o Dr. William J. Doherty (Ph.D.), autor do livro: “Intentional Family: How to build Family Ties in Our Modern World”, assistir TV na hora da refeição é lamentável, pois o tempo do jantar é frequentemente o único momento do dia quando há uma oportunidade para toda família estar junta e sentir um senso real de conexão e unidade. Sem um frequente reforço, a conexão familiar pode se perder, e principalmente as crianças, começarão a se sentir isoladas. Por essa razão, o relatório do AD Council dá algumas sugestões de como aproveitar o tempo das refeições e desenvolver o diálogo em família:
Faça da refeição uma hora especial, desligue a TV.
Acenda algumas velas e não comece o jantar até todos estarem presentes. Se a sua filha adolescente está no telefone e vocês começam sem ela, vocês estão dizendo que ela não é importante o suficiente para ser aguardada no jantar.
Todos devem permanecer à mesa até que o último membro da família tenha acabado de comer.
Se os conflitos e brigas tornarem o jantar em família impossível, seja criativo, pense em alternativas como um picnic à luz do luar.
Se não há como ter um jantar em família pelo menos uma ou duas vezes na semana, transforme o café da manhã aos sábados ou domingos em momentos especiais.
Algumas vezes saia com toda família para comer em um restaurante típico, onde não tenha televisão ligada. Lembre-se: o objetivo é manter a conexão familiar.
Procure transformar a hora da refeição num ritual em família, fazendo do diálogo um hábito.

DESENVOLVENDO VALORES NA FAMÍLIA

Instilar valores fortes no caráter de uma criança é a única maneira de torná-la inócua contra as muitas influências negativas a que elas estão expostas a cada dia. Mas essa não é uma tarefa fácil, onde dar presentes e brinquedos caros seja sufuciente. De acordo com Harriet Heath (Ph.D.), autor do livro Planning: The Key to Meeting the Challenge of Parenting, “são os pequenos atos de amor demosntrados a cada dia, cheios de apoio e orientação, que fazem uma enorme diferença na vida da criança” (READER’S DIGEST, June of 1998:304). Todavia, a mídia é um dos maiores obstáculos e a mais poderosa influência, que na maioria das vezes, vai diretamente contra a educação das crianças. Allan Bloom, em seu livro “O declínio da Cultura Ocidental”, analiza de forma objetiva a principal causa do fracasso das famílias pós-modernas, tanto no que diz respeito ao relacionamento interpessoal entre os seus membros, como na sua estrutura e educação cristã. Há quem defenda o uso irrestrito da TV no lar, alegando que quando ocorre reunião de família por exemplo, o convívio é mais pacífico se a televisão está ligada. Essa “paz” ocorre porque os membros da família podem focalizar todsa sua atenção na televisão, em vez de uns nos outros, e desta forma avitam discusões e indelicadezas. Ao escrever sobre a religião e a família, Bloom observa que existe um paradoxo religioso na atual geração. Enquanto a sociedade cai no modismo do respeito ao sagrado, a religião propriamente dita, e de maneira mais específica o conhecimento da Bíblia, foram diminuídos até o ponto de fuga. Para ele, até algumas gerações passadas, a família estava muita bem alicerçada na prática religiosa, a qual consistia em cultos familiares, assiduidade à igreja, reflexões sobre a lei moral de Deus, bem como nos heróis bíblicos (verdadeiros modelos de virtudes), recomendações ao amor fraternal, orações à hora da mesa e recitações de passagens bíblicas, que literalmente ecoavam na mente das crianças. Tudo isso formava um modo de vida, uma responsabilidade familiar. O ensino moral correspondia ao ensino religioso. Tanto as lições morais como os limites éticos eram norteados pela Bíblia Sagrada. Todavia o quadro em que apresenta-se a família hoje não é o mesmo. Para Bloom, “a perda do esteio da vida interior concedido àqueles que eram alimentados pela Bíblia deve ser primeiramente atribuída não às escolas ou à vida política, mas sim à família, a qual, com todos os seus direitos à privacidade, se demonstrou incapaz de manter todo e qualquer conteúdo próprio. A melancolia da paisagem espiritual da família é inacreditável. É tão monocrática e tão alheia a quem vive nela como as estepes desérticas freqüentadas por nômades, os quais extraem sua mera subsistência e vão embora. O delicado tecido da civilização, no qual as sucessivas gerações se entrelaçam, desfiou-se; e os filhos são criados, mas não educados” (BLOOM, 1987:71). Para um grande número de pais, a educação de seus filhos recebe toda prioridade, além de sua sincera devoção material. “Acontece porém que não têm nada para dar aos filhos em termos de uma visão do mundo, de elevados modelos de conduta ou de profundo senso de relação com os outros. A família exige a mais delicada mistura de natureza e de convenções, do humano e do divino, para que subsista e preencha suas funções. Na base dela está a mera reprodução fisiológica, mas a sua finalidade é a formação de seres humanos civilizados”. (IDEM,71). Bloom ainda expõe o fato de que a família precisa se alimentar de livros, “os quais falam do que é justo e injusto, bom e mau, explicando porque é assim. A família requer certa autoridade e sabedoria quanto aos caminhos dos céus e dos homens...a família tem de ser uma unidade sagrada, crente na permanência daquilo que ensina...quando a crença desaparece, conforme ocorreu, a família guarda na melhor das hipóteses uma unidade transitória. As pessoas jantam, brincam e viajam juntas, mas não pensam juntas. É raro que haja vida intelectual em qualquer residência, muito menos uma vida que inspire os interesses essenciais da existência”. (IDEM,72). O abandono das “tradições” na família, dos conhecimentos “antigos”, e da própria Bíblia, trouxeram o desaparecimento gradativo e inevitável da fé em Deus, que é a base mais sólida para as tradições familiares. Com essa perda, pais e mães perderam a noção de que o mais elevado legado que poderiam fornecer aos filhos seria a sabedoria, e principalmente aquela que vem do alto. Porém, tudo o que mais almejam é a formação especializada e o sucesso profissional de seus filhos. Essa perda das tradições familiares tem levado os pais a uma perda de autoridade e da confiança em si próprios como educadores dos filhos. “Simultaneamente, com as constantes novidades e incessantes deslocamentos de um lugar para o outro, primeiro o rádio e depois a televisão assaltaram e transormaram a intimidade do lar...a qual permitia o desenvolvimento de uma vida superior e mais independente dentro da sociedade democrática. Os pais já não conseguem dominar a atmosfera domiciliar e até perderam a vontade de o fazer. Com grande sutileza e energia, a televisão entrou não só na sala, mas também nos gostos tanto de jovens quanto de velhos, apelando ao imediatamente agradável e subvertendo tudo quanto não se conforme com ela. Nietzsche dizia que o jornal substituíra a oração na vida do burguês moderno, querendo dizer que o mundano, o vulgar, o efêmero tinham usurpado tudo o que restava do eterno na sua vida diária. Hoje em dia, a televisão substituiu o jornal”. (IDEM, 73-74).
Em um discurso proferido do Vaticano em 1994, o Papa João Paulo II, comentando a influência da TV sobre as famílias ao redor do mundo, definiu a televisão como “a pior ameaça para a vida familiar” e a responsabilizou por “glorificar o sexo e a violência”. Segundo H. Arendt, não se pode mais dizer que os lares de hoje são as quatro paredes onde se desenrola a vida da família. Muito menos de que o lar é uma proteção contra o mundo, e em particular contra o aspecto público do mundo. Como já dissemos, ao longo do processo de socialização as crianças são o objeto da ação de várias instituições especializadas: a família, a escola, a igreja, a mídia. Todavia nada pode substituir a relação sócio-afetiva da criança e sua interação com o meio. Se a TV tem certa importância no desenvolvimento sociológico da criança como já vimos que tem, é preciso porém ter o devido cuidado para não exagerar nessa importância. Isso porque a TV não substituiu a interatividade da criança com os outros, especialmente a família, bem como os coleguinhas, e enfim: todas as pessoas que fazem parte de seu universo existencial.

Jorge Schemes

Bacharel em Teologia Línguas Bíblicas pelo SALT. Licenciado em Pedagogia com Habilitação em Administração Escolar e Séries Iniciais – ACE. Pós-Graduado em Interdisciplinaridade com Especialização em Metodologia do Ensino Superior – IBPEX/UNIVILLE / Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional – IBPEX/FACINTER. Licenciado em Ciências da Religião – FURB. Técnico Pedagógico na GEREI – Joinville, SC. Professor de Filosofia da Educação na ACE.

A TEVÊ COMO TÓTEM...

O TÓTEM PÓS-MODERNO
Por: Jorge Schemes
http://geocities.yahoo.com.br/edu_midia/edu_midia.html

A tevê é a grande mãe moderna. Ela é mais do que isso, é o Tótem pós-moderno. Tótens eram imagens esculpidas onde os povos primitivos colocavam suas oferendas. Hoje, esse ritual é realizado na frente da TV. A televisão como mãe substitui a função materna. Ela é a referência da criança pós-moderna e é bem vinda, pois a TV não briga e não controla, mas pode ser controlada, está sempre à disposição como lugar de refúgio para as crises e tristezas de crianças sem-colo. Há uma certa serenidade e passividade diante desta mãe eletrônica. Porém a tevê como objeto de veneração ou Tótem apresenta algumas exigências. A primeira é de identificação, ao apresentar a moda, os valores e as gírias que crianças e adolescentes gostam e desejam; a segunda é a exigência do sacrifício diante dela, como um bom Tótem pós-moderno exige tempo e compromissos; a terceira é a decisão, o movimento do poder da vontade que governa a natureza humana, decisão fundamentada no consumo e no capital ao apresentar as ofertas de produtos em comerciais e propagandas; a quarta é o compromisso religioso de “re-ligar” o eu com a própria tevê como Tótem; a quinta é a própria exigência e proibição, ao alterar atividades e rotinas fundamentais para um bom desenvolvimento biopsicosocial, afinal o Tótem exige de seus adoradores silêncio, entrega e comprometimento; a sexta exigência é a troca da família pela TV, afinal o Tótem também é considerado membro da família pós-moderna
Vejamos algumas implicações do Tótem pós-moderno. A tevê comprovadamente influencia aos poucos. As cenas de tomadas nos anos 60’ demoravam em média 15 segundos, hoje, demoram entre 3 a 4 segundos. A “informação” é apresentada rapidamente e de forma fragmentada, pois se fosse lenta teríamos mais facilidade de análise e crítica. Não se pode negar portanto que de fato há uma fundamentação ideológica nesse dinamismo. As propagandas apresentam o supérfluo como essencial. São elaboradas seguindo criteriosas técnicas de produção para prender a atenção dos telespectadores. A música é pensada cuidadosamente para mexer com as emoções e destronar a razão. O ambiente, os detalhes todos são estudados tendo como fundamento a psicologia moderna da comunicação. Os valores não são importantes, há uma exaltação da violência e uma banalização do sexo. Os contravalores, a desmoralização da família e o individualismo selvagem e nada solidário é incentivado e estimulado em suas mensagens.
A ênfase exagerada e muitas vezes distorcida em questões sexuais, as quais a criança e o adolescente ainda não estão prontos para analisar em profundidade, faz parte de sua programação diária. Ideologias são incutidas em mentes não pensantes, em mentes alienadas. Não é por acaso que a tevê é considerado por muitos comunicólogos como sendo um 4º poder. O que não ocorre de fato é um feedback entre o emissor e o receptor nesse processo. Contudo, a reação da sociedade, quando manifestada, pode inverter alguns aspectos no que diz respeito a qualidade da programação. Políticos, empresários (anunciantes) e emissoras de tevê podem ser questionados pela sociedade civil organizada em fóruns. O público pode boicotar aquilo que julga inadequado nas apresentações e programações. Esse boicote acompanhado de manifestos de repudia a má programação pode acabar democratizando as informações veiculadas na mídia televisa. Essa atitude pode até mesmo forçar o Governo a alterar a ordem de prioridades na lei de concessão, a qual preconiza os seguintes critérios: 1º) O nível da programação, ou seja, sua relevância cultural e educacional; 2º) Leilão, ou seja, quem paga mais, leva. Sendo assim, essa atitude crítica da sociedade pode dar mais relevância para os aspectos conteudistas do que para os aspectos financeiros.
Com relação ao papel da tevê como a grande mãe dos sem-colo, e seu papel como o Tótem de veneração cognitiva e afetiva da grande massa, vale lembrar que ela jamais poderá substituir a afetividade, o carinho e o amor demonstrados a essas crianças por seus pais ou responsáveis.

Jorge N. N. Schemes - E-mail: jorgeschemes@yahoo.com.br
Técnico pedagógico na GEECT - Gerência da Educação, Ciência e Tecnologia.
Professor de Filosofia da Educação na FEJ - Faculdade de Educação de Joinville.
Bacharel em Teologia Línguas Bíblicas - Grego e Hebraico.
Licenciado em Pedagogia com Habilitação em Administração Escolar.
Pós-graduado em Interdisciplinaridade e Metodologia do Ensino Superior.
Pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Licenciado em Ciências da Religião pela FURB.

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