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Pesquisa Aponta que Aquisição Precoce de Aparelhos Eletrônicos Eleva Risco de Depressão, Obesidade e Distúrbios do Sono

 


⚠️ Crianças com celular cada vez mais cedo? A ciência faz um alerta preocupante


Você já parou para pensar como o uso precoce de celulares e tablets pode afetar a saúde das crianças?

Pesquisas recentes estão revelando um cenário que preocupa especialistas em psicologia infantil, medicina do sono e saúde pública. O acesso cada vez mais cedo a aparelhos eletrônicos pode estar relacionado ao aumento de problemas sérios na infância.

📊 Estudos apontam que o uso excessivo de telas na infância pode contribuir para:

🔹 Depressão e ansiedade em crianças e adolescentes
🔹 Obesidade infantil causada pelo sedentarismo e pela alimentação desregulada
🔹 Distúrbios do sono, como insônia e dificuldade para dormir

Especialistas explicam que a exposição prolongada à luz azul das telas interfere na produção de melatonina, o hormônio responsável pelo sono. Além disso, o tempo excessivo diante de celulares e tablets reduz atividades essenciais para o desenvolvimento infantil, como brincar, interagir socialmente e praticar atividades físicas.

Segundo pesquisas em áreas como neurociência e psicologia do desenvolvimento, o cérebro infantil ainda está em formação e é altamente sensível aos estímulos digitais.

Por isso, médicos e educadores alertam:

🚨 A infância precisa de equilíbrio entre tecnologia, movimento, sono e interação humana.

Pais e responsáveis têm um papel fundamental em estabelecer limites saudáveis no uso de telas, promovendo hábitos que favoreçam o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo das crianças.

📌 A pergunta que fica é:
Estamos preparando nossas crianças para um futuro saudável ou permitindo que a tecnologia controle a infância?


Menores de 2 anos não devem assistir televisão; diz pesquisa

Ver televisão ou vídeos não é aconselhável para crianças menores de dois anos. Pesquisas mostram que a prática pode afetar seu desenvolvimento, afirmou nesta terça-feira um grupo de pediatras americanos.
Em vez de permitir que as crianças vejam vídeos ou televisão, os pais deveriam falar com elas e estimulá-las para que brinquem de forma independente, afirma a primeira diretriz divulgada em mais de uma década pela Academia Americana de Pediatria (AAP, em inglês).
O Conselho segue a linha da recomendação emitida em 1999 pela maior associação americana de pediatras, mas esta publicação também adverte os pais sobre como seus próprios hábitos televisivos podem retardar a capacidade de falar com seus filhos.
"Essa diretiva atualizada traz mais evidências de que os meios de comunicação - tanto em primeiro como em segundo plano - têm um efeito potencialmente negativo e nenhum efeito positivo conhecido para as crianças menores de dois anos", sustentou. "Portanto, a AAP reafirma suas recomendações de desaconselhar o uso de meios deste tipo nesta faixa etária", acrescentou.
Essa última diretiva não se refere a jogos interativos como os videogames, smartphones e outros dispositivos, mas sim a meios de comunicação cujo consumo através de qualquer tipo de tela seja passivo, como o telefone, o computador, a televisão e outros.
O pediatra Ari Brown explicou que esta atualização era necessária devido ao aumento dos lançamentos de DVD segmentados para crianças menores de 2 anos e pelo fato de quase 90% dos pais reconhecerem que seus filhos veem algum tipo de meio de comunicação eletrônico.
A AAP convocou os pediatras a abordar o tema do uso da tecnologia com os novos pais e afirmou que qualquer adulto deve estar consciente do quanto está distraído quando a televisão está ligada.
Os estudos citados na diretiva indicam que os pais interagem menos com seus filhos quando a televisão está em funcionamento e que uma criança que brinca em frente à televisão olhará o aparelho - se ele estiver ligado, inclusive como som de fundo - três vezes por minuto.
"Há alguma evidência científica que mostra que quanto menos tempo se dedica a uma criança, mais pobre é sua linguagem". Nem mesmo os chamados vídeos educativos estão beneficiando as crianças menores de dois anos, já que elas são muito pequenas para entender as imagens na tela, disse a AAP.
"As propriedades educativas dos meios de comunicação para crianças menores de dois anos continuam sem ser demonstradas, apesar do fato de três quartos dos produtos audiovisuais infantis mais vendidos terem reivindicações educativas implícitas ou explícitas", acrescentou.
"Um espaço de brincadeiras livre é mais valioso para o desenvolvimento cerebral do que qualquer exposição a meios de comunicação eletrônicos", concluiu a Academia Americana de Pediatria. [Fonte: Terra]

Educação: Salto no Escuro

Fotos Ria Novosti/AFP e Farrell Grehan/Corbis

A anos-luz das origens - O suíço Jean Piaget (à dir.) e o russo Lev Vygotsky (à esq.): da teoria que eles puseram de pé, o construtivismo das escolas brasileiras só tem o nome.

Seis de cada dez crianças brasileiras estudam segundo os dogmas do construtivismo, um sistema adotado por países com os piores indicadores de ensino do mundo.

Mais de 60% das escolas públicas e particulares no Brasil se identificam como adeptas do construtivismo. Sendo assim, parece óbvio que seis de cada dez crianças brasileiras estão sendo educadas com base em uma doutrina didática cuja natureza, objetivos e lógica devem ser de amplo conhecimento de diretores, professores e pais. Correto? Errado. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) desvenda um cenário obscuro. Em plena era da internet, os conceitos do construtivismo parecem ter chegado ao Brasil via as ondas curtas de 49 metros de propagação troposférica, com suas falhas e chiados. Ninguém sabe ao certo como o construtivismo funciona, muito menos saberia listar as razões pelas quais ele foi adotado ou deve ser defendido. Ele é definido erradamente como um "método de ensino". O construtivismo não é um método. É uma teoria sobre o aprendizado infantil posta de pé nos anos 20 do século passado pelo psicólogo suíço Jean Piaget. A teoria do suíço deu credibilidade à concepção segundo a qual a construção do conhecimento pelas crianças é um processo diretamente relacionado à sua experiência no mundo real. Ponto. A aplicação prática feita nas escolas brasileiras tem apenas o mesmo nome da teoria de Piaget. O construtivismo tornou-se uma interpretação livre de um conceito originalmente racional e coerente. Ele adquiriu várias facetas no Brasil. Unifica-as o primado da realidade da criança sobre os conceitos básicos das disciplinas tradicionais. Traduzindo e caricaturando: como não faz frio suficiente na Amazônia para congelar os rios, um aluno daquela região pode jamais aprender os mecanismos físicos que produzem esse estado da água apenas por ele não fazer parte de sua realidade. Isso está mais longe de Piaget do que Madonna da castidade.

A experiência mostra que as interpretações livres do construtivismo podem ser desastrosas – especialmente quando a escola adota suas versões mais radicais. Nelas, as metas de aprendizado são simplesmente abolidas. O doutor em educação João Batista Oliveira explica: "O construtivismo pode se tornar sinônimo de ausência de parâmetros para a educação, deixando o professor sem norte e o aluno à mercê de suas próprias conjecturas". Por preguiça ou desconhecimento, essas abordagens radicais da teoria de Piaget são a negação de tudo o que trouxe a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico, científico e médico. Sua ampla aceitação no passado teria impedido a maioria das descobertas científicas, como a assepsia, a anestesia, as grandes cirurgias ou o voo do mais pesado que o ar. Sir Isaac Newton (1643-1727), que escreveu as equações das leis naturais, dizia que suas conquistas só haviam sido possíveis porque ele enxergava o mundo "do ombro dos gigantes" que o precederam. O conhecimento que nos trouxe até aqui é cumulativo, meritocrático, metódico, organizado em currículos que fornecem um mapa e um plano de voo para o jovem aprendiz. Jogar a responsabilidade de como aprender sobre os ombros do aprendiz não é estúpido. É cruel.

Em um país como o Brasil, onde as carências educacionais são agudas, em especial a má formação dos professores, a existência de um método rigoroso, de uma liturgia de ensino na sala de aula, é quase obrigatória. A origem latina da palavra professor deveria ser um guia para todo o processo de aprendizado. O professor é alguém que professa, proclama, atesta e transmite o conhecimento adquirido por ele em uma arte ou ciência. Nada mais longe da realidade brasileira, em que menos da metade dos professores é formada nas disciplinas que ensina. À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender. É claro que um modelo assim já seria difícil funcionar em uma sala de aula ideal, com um mestre iluminado cercado de poucos e brilhantes pupilos. Nas salas de aula da realidade brasileira, é impossível que essa abordagem leniente dê certo. Adverte o doutor em psicologia Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP): "As aulas construtivistas frequentemente caem no vazio e privam o aluno de conteúdos relevantes".

Um conjunto de pesquisas internacionais chama atenção para o fato de que, em certas disciplinas do ensino básico, o construtivismo pode ser ainda mais danoso – especialmente na fase de alfabetização. Enquanto na pedagogia tradicional (a do bê-á-bá) as crianças são apresentadas às letras do alfabeto e aos seus sons, depois vão formando sílabas até chegar às palavras, os construtivistas suprimem os fonemas e já mostram ao aluno a palavra pronta, sempre associada a uma imagem (veja o quadro). A ideia é que, ao ser exposto repetidamente àquela grafia que se refere a um objeto conhecido, ele acabe por assimilá-la, como que por osmose. De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa. O departamento de educação americano também o contraindicou para o ensino da matemática – isso depois de uma sucessão de maus indicadores na sala de aula.

O construtivismo ganhou força na pedagogia durante a década de 70, época em que textos de Piaget e de alguns de seus seguidores, como o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), vários dos quais traduzidos para o inglês, foram descobertos nas universidades americanas. Foi a partir daí que a corrente se disseminou por escolas dos Estados Unidos e da Europa. No Brasil, virou moda. Uma década mais tarde, porém, tal corrente começaria a ser gradativamente abandonada nos países que a adotaram pioneiramente. Os responsáveis pelo sistema educacional daqueles países chegaram a uma mesma conclusão: a de que a adoção de uma filosofia que não se traduzia em um método claro de ensino deixava os professores perdidos, deteriorando o desempenho dos alunos. Hoje, são poucos os países ainda entusiastas do construtivismo. Entre eles estão todos os de pior desempenho nas avaliações internacionais de educação. Com seis de cada dez crianças brasileiras entregues a escolas que se dizem adeptas do construtivismo, é de exigir que diretores, professores, pais e autoridades de educação entendam como se atolaram nesse pântano e tenham um plano de como sair dele. [Fonte: VEJA]

Veja Quadro Comparativo: A Desconstrução do Construtivismo

Abuso sexual lidera agressão a menores, indica Ministério da Saúde

Os abusos sexuais lideram o ranking de agressões contra crianças e adolescentes, segundo levantamento do Ministério da Saúde com base em registros de atendimento em hospitais públicos de 27 municípios do País. No ano passado, dos 4.309 menores de 18 anos com sinais de maus-tratos - média de 12 pacientes por dia -, a proporção de estupro foi de 43,7% dos casos na faixa etária entre até 9 anos e chegou a 56,3% dos meninos e meninas com mais de 10 anos. São mais de 800 crianças vítimas de estupro. Em São Paulo, participaram da pesquisa as cidades de Diadema, Guarulhos, Santo André, Jundiaí e São José do Rio Preto.
Na capital, o Hospital Infantil Candido Fontoura enfrenta aumento expressivo de atendimentos de crianças e adolescentes violentados. No ano passado, houve 49 registros. De janeiro a abril deste ano, o número de vítimas de violência sexual chegou a 38 - 77,5% do total de 2007.
A Secretaria Estadual da Saúde, responsável pela unidade hospitalar, criou uma comissão para identificar as crianças com sinais de maus-tratos e denunciar os casos aos conselhos tutelares, polícia e Juizados da Infância. "É uma maneira de quebrar o muro do silêncio, uma vez que a maior parte das crianças é agredida pelos pais", diz Fernando Dominguez Gonzalez, diretor-clínico do Cândido Fontoura e presidente da nova comissão.
No levantamento do ministério, ficou comprovado que os agressores são íntimos, como pais, padrastos, tios e irmãos. As meninas são as principais vítimas - 59,4% dos registros. No Hospital Estadual Pérola Byington, de São Paulo, o número de abusados é maior - cinco casos por semana. Segundo os diretores, em 90% dos casos os agressores são conhecidos das crianças. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Bebês são capazes de julgar pessoas, diz estudo

Cientistas dos Estados Unidos descobriram que bebês a partir de seis meses de idade já demonstram ter inteligência social, analisando as intenções de outras pessoas e sendo capazes de perceber quem é um potencial amigo ou inimigo.


A equipe da Universidade de Yale realizou um estudo envolvendo 12 bebês de seis meses e 16 com dez meses, em que fizeram com que eles assistissem a uma animação com três personagens diferentes.
No desenho, um dos personagens tenta subir o que parece ser uma colina. Um segundo ajuda esse personagem, empurrando-o para cima da colina, e um terceiro o atrapalha, empurrando-o para fora.
Depois de os bebês assistirem à animação várias vezes, os cientistas mostraram a eles dois bonecos de madeira, um parecido com o personagem que ajuda o outro a subir e outro parecido com o que atrapalha.
O resultado foi que todos os bebês de seis meses e 14 dos bebês de dez meses escolheram o boneco do personagem “bonzinho”, que ajuda.
“Nossas descobertas indicam que os humanos realizam avaliações sociais num estágio muito anterior de desenvolvimento do que se pensava, e sustenta a tese de que a capacidade de avaliar indivíduos com base em suas interações sociais é universal e não depende de aprendizado”, dizem os cientistas em um artigo publicado na revista Nature.

Moral:

Nós não podemos dizer se é algo inato, mas podemos dizer que é algo pré-lingüístico. (Kiley Hamlin)
Outros experimentos foram feitos para descartar outras explicações para o comportamento demonstrado pelos bebês, como uma possível preferência dos bebês por ações de empurrar algo para cima ou para baixo ou pela aparência de um dos personagens.
“Nós não podemos dizer se é algo inato, mas podemos dizer que é algo pré-lingüístico”, disse a cientista Kiley Hamlin, que liderou a pesquisa.
“Nós não achamos que esses bebês têm qualquer noção de moral, mas parece ser uma parte essencial da moralidade sentir uma empatia por aqueles que fazem coisas boas e o contrário por aqueles que fazem coisas más – parece ser uma parte importante de um sistema racional e moral que virá depois.”
O fato de crianças tão jovens mostrarem sinais de inteligência social não surpreendeu Hamlin.
Segundo ela, os pais deveriam ter em mente que os bebês são capazes de perceber muita coisa sozinhos.
“Ainda com pouca idade, eles são eficientes criaturas sociais. Eles percebem quem é bom de se ficar junto sem muita ajuda.”
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que os bebês, nos seus primeiros seis meses, mostram uma predileção por outros bebês com base na aparência do rosto dos coleguinhas. (Fonte: BBCBrasil)

Bebês deveriam engatinhar mais, afirma estudo

Um estudo realizado por especialistas em desenvolvimento infantil revela que os bebês passam cada vez mais tempo sentados e ficam menos no chão, o que pode impedir a oportunidade de engatinhar e prejudicar o aprendizado da fala e da escrita:


Para Sally Goddard Blythe, que liderou o estudo, isso se deve ao uso excessivo de artigos modernos como assentos de carro e cadeiras especiais para bebês. Segundo a autora, estes artigos impedem a criança de brincar livremente com o corpo.

"Os bebês são colocados na posição sentada de forma passiva, e não natural", afirma Blythe, diretora do Instituto de Psicologia Neurofisiológica de Chester, na Inglaterra.

"O chão é o primeiro parquinho da criança e ficar de bruços ajuda na postura, aumenta o campo visual e o equilíbrio", afirma a especialista. "Há 20 ou 30 anos as crianças passavam muito mais tempo debruçadas."

A pesquisa, realizada pelo departamento de neurofisiologia do instituto, analisou o impacto das mudanças sociais dos últimos 50 anos na infância.

Aprendizado:

O estudo foi realizado com base nos resultados de uma pesquisa publicada pela autora em 1998 na revista científica British Journal of Occupational Therapy. O estudo examinou o desenvolvimento de dois grupos de 70 crianças com idade entre 8 e 10 anos.

O primeiro grupo apresentava dificuldades de leitura e escrita e o segundo não apresentava problemas de aprendizado.

Os resultados apontaram diferenças significativas no histórico de desenvolvimento. As crianças com dificuldades haviam engatinhado menos e teriam começado a andar mais tarde que as do primeiro grupo.

Apesar dos resultados, a autora afirma que apenas deixar de engatinhar não determina o futuro aprendizado da criança.

"Alguns bebês que não engatinharam acabam não tendo problemas, enquanto alguns que engatinharam poderão apresentar dificuldades", afirma.

Para ela, "a principal questão é descobrir o porquê os bebês falharam em engatinhar e descobrir se a omissão pode causar outros problemas de desenvolvimento".

Benefícios:

A autora aponta que engatinhar representa um marco no desenvolvimento da criança e é um exercício motor importante.

Para ela, a atividade treina a coordenação visual para os movimentos que mais tarde a criança vai usar para ler e escrever. Além disso, "engatinhar alinha os segmentos da espinha, preparando a criança para ficar em pé e andar", afirma.

Os resultados da pesquisa serão publicados em 2008 no livro What Babies and Children Really Need (O que bebês e crianças realmente precisam, em português). (Fonte: BBCBrasil)

OBESIDADE INFANTIL E EDUCAÇÃO

Obesidade infantil aumenta e preocupa autoridades

Por Fabiana Caso e Juliana Araújo


Síndrome dos tempos modernos, a obesidade infantil está crescendo de forma alarmante. Nos últimos 20 anos, a taxa aumentou em cinco vezes no Brasil. Hoje, cerca de 10% das crianças brasileiras são consideradas obesas, o que, além da questão estética, pode causar doenças como diabete, pressão alta e problemas nas articulações do corpo, devido à sobrecarga de peso. Isso sem falar nos danos emocionais, já que essas crianças geralmente convivem com piadinhas e gozações dos colegas, o que afeta a sua auto-estima, aumentando a ansiedade e fazendo-as comer ainda mais.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor de Nutrologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fabio Ancona Lopez, a criança é considerada obesa quando está cerca de 20% acima da chamada curva de crescimento, uma média entre a altura e o peso, definida pela Organização Mundial de Saúde. Ele alerta que a criança obesa também pode ter problemas de pele, por não conseguir se secar direito após os banhos. "É muito mais fácil prevenir a obesidade do que tratá-la", afirma, categórico, explicando o quanto é complicado mudar hábitos alimentares da garotada.
Há situações em que a causa é genética, quando toda a família tem propensão à obesidade. Mas o grande vilão, na maioria dos casos, é o estilo de vida sedentário dos centros urbanos, aliado a uma alimentação errada. As crianças não andam mais a pé, ficam sentadas por horas na frente da televisão ou videogame, e dá no que dá. "Tudo piora porque os alimentos consumidos nas cidades são geralmente industrializados, com maior quantidade de gordura e de sal para realçar o sabor", destaca Lopez.
A endocrinologista Silvia Bretz, membro da Associação Brasileira de Estudos da Obesidade (Abeso), lembra que o fenômeno migratório do campo para a cidade fez os índices de obesidade aumentarem. "A obesidade tomou proporções de epidemia e hoje atinge todas as classes sociais."
Ambos os médicos fazem um alerta importante: o desmame precoce pode favorecer o problema. "Até os 6 meses, o aleitamento materno deve ser exclusivo, a mamadeira preparada é mais calórica", diz Lopez. Bretz recomenda não adicionar açúcar à mamadeira, como fazem algumas mães. "O bebê ainda não sente necessidade de açúcar e, até os 2 anos, a criança tende a formar mais células de gordura".

COMO TRATAR
Decretadas as causas, o tratamento passa, necessariamente, por uma reeducação alimentar, não só da criança, mas de toda a família. O cardápio novo deve ser equilibrado, com uma quantidade definida de calorias - as crianças não podem fazer dietas severas, pois estão em fase de crescimento. A endocrinologista Bretz recomenda até 25% de lipídeos, 30% de proteínas e 45% de carboidratos.
Em seu consultório no Rio de Janeiro, ela exige a presença não só da mãe e do pai, mas também da babá, cozinheira, motorista, pai separado, namorada do pai e qualquer outra pessoa que faça parte da convivência da criança. "É muito comum que todos queiram agradar à criança com comida, e aí todo o trabalho vai por água abaixo", explica. Na tentativa de educar as crianças sobre a quantidade calórica dos alimentos, a médica inventa até brincadeiras relacionadas. "O melhor é que a dieta seja colorida, com variedade de sabores e texturas", sugere ela.
Júlia Certain Sgarbi, de 8 anos, acabou impulsionando uma mudança de hábitos na sua casa. Os pais publicitários, Simone Certain Sgarbi e Fabio Sgarbi, criaram um novo cardápio para o dia-a-dia, seguido por toda a família, incluindo a filha mais nova. Não há frituras nem itens gordurosos e, toda sexta-feira, como num ritual, a família se pesa na balança caseira.
Júlia sofreu de asma nos primeiros anos de vida e tomou muita cortisona para combatê-la. Os médicos acreditam que isso tenha alterado o seu metabolismo, o que é, provavelmente, uma das causas da sua obesidade. Ela começou a engordar aos 3 anos. Os pais consultaram diversos endocrinologistas e, hoje, toda a família continua engajada para solucionar a questão.
Felizmente, o nível de colesterol de Júlia já voltou ao normal: ela só deve emagrecer um pouco mais. O endocrinologista lhe recomendou cinco horas de atividade física por dia, o que vem sendo cumprido. Hoje ela pratica judô, tênis, ginástica olímpica e balé. Mas o combate à obesidade é uma luta constante. "Era muito difícil controlar a dieta da Júlia, porque as amiguinhas do colégio levavam doces para ela, ou até as avós das amiguinhas", conta a mãe. "Mas agora ela própria se conscientizou, e quer emagrecer."
O profissional autônomo João (nome fictício, pois ele prefere não se identificar) também passou pelo mesmo problema com seu filho do primeiro casamento, Pedro (nome fictício), de 12 anos. Pedro morava com a mãe em outra cidade, mas João ficou alarmado quando observou que ele estava engordando muito. Há oito meses, trouxe-o para São Paulo. Hoje, ele mora com o pai, a madrasta e os irmãos do segundo casamento.
O pai procurou uma nutricionista, que criou um cardápio especial, seguido à risca. Pedro já perdeu 11 quilos. "Ele não sabia o que era uma salada e, hoje, come em horários certos", conta o pai. "Está supervaidoso, quer emagrecer mais e tem consciência do que pode ou não comer. Mudou a sua postura e estilo de vida." Pedro também faz ginástica diariamente no condomínio onde mora e freqüenta uma escola de futebol.
Exercícios físicos são sempre recomendados pelos médicos. Deve-se tomar um certo cuidado para avaliar se a modalidade escolhida é adequada, afinal, ninguém quer ver o filho como alvo de gozação. No Ambulatório de Obesidade Infantil da Unifesp, são promovidas diversas atividades físicas e lúdicas entre as crianças obesas, que se movimentam dentro de seus limites.
Para a endocrinologista Bretz, a prática da atividade física deve ser de pelo menos três vezes por semana. "Uma ótima combinação são trinta minutos de movimento aeróbico e trinta de atividades lúdicas", recomenda. A situação ideal, segundo ela, é contratar um personal trainer para criar um programa individualizado, mas, na falta de recursos, uma atividade global como a natação também é indicada.
Nada é melhor do que a prevenção. Mas se a obesidade já está instalada, vale o alerta do pediatra Lopez: "Não espere a criança ficar muito gorda, nem pense que tudo se resolve na adolescência. É errada a idéia de que tudo vai melhorar quando crescer: é melhor tratar logo, pois a criança vai continuar crescendo também no seu peso", afirma.

ESCOLAS CONTRA OBESIDADE
Até o fim deste ano, a Prefeitura de São Paulo deverá saber ao certo qual é o peso e a altura da maioria dos alunos com até 7 anos da rede municipal de ensino. Parceria entre as secretarias municipais da Educação e da Saúde, o programa Escola Promotora de Saúde avaliou o estado nutricional de 6 mil alunos de até 14 anos em 2005 e 2006 e constatou, no ano passado, um índice considerado alto de crianças obesas: 8,5% - além de 9,2% com excesso de peso. O resultado incentivou outra avaliação, mais ampla, para que seja criado um programa de prevenção à obesidade infantil.
Na faixa etária definida para o estudo - até 7 anos -, o município tem, aproximadamente, 400 mil alunos, segundo Domingos de Palma, coordenador do programa Escola Promotora da Saúde pela Secretaria Municipal de Educação. "Nossa idéia é avaliar o maior número de crianças possível", afirma Palma, que integra o departamento de pediatria da Unifesp. Ele justifica a importância da prevenção: "A maioria das crianças de 7 e 8 anos obesas que atendo no consultório já era assim com 2 anos".
Enquanto o estudo não é concluído, os alunos que tiveram diagnóstico de obesidade nas avaliações anteriores já estão sendo acompanhados, segundo Palma. "Alguns foram para uma Unidade Básica de Saúde, outros estão sendo atendidos nas faculdades parceiras do programa, como a Unifesp", explica.
O programa Escola Promotora de Saúde definiu que os alunos obesos ou com outros distúrbios nutricionais - como anemia - serão encaminhados para uma UBS específica, que corresponde à região da escola onde estuda.

MAIS HÁBITOS ALIMENTARES NAS ESCOLAS
Para evitar a obesidade, no entanto, as crianças não precisam esperar as ações de prevenção da Prefeitura. A nutricionista Carolina Menezes Ferreira comparou os hábitos alimentares de 112 alunos de 9 anos em média - metade com excesso de peso, outra metade de peso normal - de duas escolas públicas na Água Rasa, na zona leste de São Paulo, para defender sua tese de mestrado.
A profissional pediu aos pais que anotassem, por três dias, o cardápio completo que as crianças comeram, dentro e fora da escola. "Elas comem poucas frutas, legumes e verduras e consomem em excesso proteína, gordura e carboidrato simples", concluiu Carolina.
O consumo excessivo de proteína pode ser decorrente do "aumento do consumo de embutidos, como salsichas", diz. A gordura está principalmente nas frituras e, os carboidratos, nos doces e refrigerantes consumidos por todas as crianças entrevistadas.
Carlos Magno, de 12 anos, não tem exatamente o mesmo perfil dos alunos pesquisados por Carolina - gosta de salada e legumes, segundo a mãe, Selma Cardoso, 36. Em casa, come a refeição preparada por ela, mas, na escola, não chega perto da merenda. "O feijão tem gosto estranho e o arroz é duro", diz o garoto, que estuda na Escola Estadual Matilde Macedo Soares, na zona norte de São Paulo. Ele prefere dividir com um amigo "salgadinho e refrigerante" no recreio.
O chefe da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp, José Augusto Taddei, diz que a solução é "corrigir o estilo de vida". "Houve um aumento no sedentarismo e no consumo de alimentos. As pessoas precisam comer menos e fazer atividades físicas pelo menos três vezes por semana."

PESO AUMENTA EM 28 ANOS
21,5% dos rapazes entre 10 e 19 anos apresentaram excesso de peso em 2002. Em 1974, eram 4,4%. 18% das garotas da mesma idade tinham sobrepeso em 2002.

GOVERNO QUER MERENDAS MAIS ATRATIVAS
O governo do Estado de São Paulo também está preocupado com a saúde de seus alunos. Para tornar a merenda mais atrativa, serão introduzidos, neste ano, cardápios regionais para crianças de 1ª a 4ª séries, e internacionais, às de 5ª a 8ª, uma vez ao mês. A coordenadora de projetos do departamento de nutrição escolar da Secretaria Estadual da Educação, Monika Nogueira, diz que, além da novidade, desde 2002 já estão sendo realizadas ações de educação nutricional nas escolas do Estado.
"Uma vez por ano, estudantes de nutrição de faculdades parceiras ensinam aos alunos boas práticas alimentares", conta. Ela afirma ainda que, pelas paredes das escolas, foi pendurado amplo material informativo sobre o assunto. "Nossa maior preocupação é com a formação dos hábitos alimentares."
Cardápio renovado:
O cardápio das escolas estaduais e municipais é praticamente o mesmo - alterna macarrão e arroz, feijão, carne e salada. O Estado publica novas opções de cardápio a cada dois meses no Diário Oficial. Nas escolas municipais, a diretora da Divisão Técnica da Merenda Escolar, Mônica Krauter de Andrade, afirma atualizar o cardápio mês a mês.
A sugestão da nutricionista Carolina Menezes é acrescentar diferentes tipos de legumes para deixar a salada "bem colorida e mais atraente" para o paladar das crianças, além do incentivo à prática de atividades físicas.

DISCIPLINA VERSUS CASTIGO


Disciplina, sim. Castigo não!

Campanha propõe aos pais adoção de métodos que não utilizem violência física e psicológica:


Se acalme. Respire fundo antes de chamar a atenção do seu filho. A dica faz parte da campanha “Não Bata, Eduque!”, lançada pelo presidente Lula a fim de estimular a população a refletir sobre o assunto e promover uma mobilização contra castigos físicos e humilhantes usados como medida disciplinar na educação de crianças. O enfoque da campanha, lançada com a participação da Xuxa, não culpa os pais e defende que eles precisam de apoio para utilizar as “estratégias positivas de educação”, que não utilizam a violência física e psicológica e que promovem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos.


Reflexão:


O objetivo da iniciativa é estimular a população a pensar sobre o assunto e a se mobilizar contra as agressõesNão é difícil encontrar adultos que pensam que palmadas e puxões de orelha são necessários na educação dos filhos. Um castigo não muito raro é quando o pai ou a mãe, num rompante de raiva, sacode a criança. Tal punição pode causar lesões permanentes no pescoço, mesmo que o agressor não tenha a intenção. “A violência contra crianças e adolescentes na família pode freqüentemente ocorrer no contexto de medidas disciplinares e assumir a forma de castigo físico, cruel e humilhante”, alerta o especialista Paulo Sérgio Pinheiro num estudo sobre violência global.“A violência começa em casa. Aquela criança que é vítima da força dos pais tem maior possibilidade de replicar isso na vida adulta”, diz a pediatra Renata Waksman, coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria. “Os castigos físicos representam violação do direito à vida, à integridade física e psicológica e ao pleno desenvolvimento da criança. Trata-se de uma prática obsoleta que vem sendo substituída até no adestramento de animais”, afirma Eleonora Ramos, da Rede Não Bata, Eduque!, que congrega entidades do País em defesa aos direitos das crianças.

Estudo ouviu crianças pelo mundo:

O estudo do professor Paulo Sérgio Pinheiro, diretor do Núcleo de Estudos da Violência da USP, intitulado Relatório Global sobre a Violência Contra Crianças no Mundo, ouviu crianças de todos os continentes do mundo que passaram por situações de violência. É o primeiro estudo abrangente desenvolvido, a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre todas as formas de violência contra crianças.O estudo aborda a questão da violência contra as crianças em diversos ambientes: na família, nas escolas, em instituições assistenciais alternativas, instituições de privação de liberdade, em locais onde crianças trabalham e em comunidades. Está fora do estudo, a violência contra crianças em conflitos armados. Paulo Sérgio lançou mão de um método participativo em que as crianças relataram suas experiências em situações de violência.Entre os pontos do estudo, está a necessidade de prevenção da violência, que nunca pode ser justificada; que todas as crianças têm o direito a uma vida isenta de violência e que a melhor maneira de lidarmos com a violência contra crianças é detendo-a antes que ela ocorra. Os Estados devem investir em políticas e programas baseados em provas que ataquem os fatores que originam a violência e tomar as medidas para garantir que recursos sejam alocados para atacar suas causas.
Não bata, eduqueDez idéias para os pais levarem em conta na hora de advertir as crianças
1 - Evite discutir os problemas sob o efeito da raiva, pois dizemos coisas inadequadas para a aprendizagem das crianças e que provocam mágoas.

2 - Sempre tente conversar com as crianças, entender porque algo está acontecendo com a criança é o primeiro passo para juntos vocês encontrarem a solução.

3 - Jamais recorra aos tapas, insultos ou palavrões. Como adultos não queremos ser tratados assim quando cometemos um erro, então não devemos agir assim com nossos filhos.

4 - Não deixe que a raiva ou o estresse que acumulou por outras razões se manifestem nas discussões. Seja justo e não espere que as crianças se responsabilizem por coisas que não lhes dizem respeito.

5 - Converse na presença dos envolvidos na discussão. Isso contribui para uma melhor comunicação. Mantenha um tom de voz baixo e calmo, segure as mãos da criança enquanto conversam – o contato físico afetuoso ajuda a gerar maior confiança entre pais e filhos e acalma os pequenos.

6 - Valorize e faça observações sobre os aspectos positivos do comportamento deles(as). Elogios sobre bom comportamento nunca são demais. Cuidado para não atacar a integridade física ou emocional da criança fazendo com que ela sinta que jamais poderá atender suas expectativas. Ao invés de dizer “Você é um desastrado, nunca faz nada direito!”, que tal tentar “Olha o que acaba de acontecer, como podemos evitar que aconteça de novo?”

7 - Considere sempre as opiniões e idéias dos (as) seus(uas) filhos(as). Afinal, muitas vezes, suas explicações pelo ocorrido não são nem escutadas. Tome decisões junto com eles para resolver o problema, comprometendo-os com os resultados esperados. Se o acordo funcionar, dê parabéns. Se não avaliem juntos o que aconteceu para melhorar da próxima vez.

8 - Se sentir que errou e se arrependeu, peça desculpas às crianças. Elas aprendem mais com os exemplos que vivenciam do que com os nossos discursos.

9 - Busque expressar de forma clara quais são os comportamentos dos quais não gosta e que o aborrecem. Explique o motivo de suas decisões e ajude-os a entendê-las e cumpri-las. As regras precisam ser claras e coerentes para que as crianças possam interiorizá-las.

10 - Prevenir é melhor que remediar, sempre. Gerar espaços de diálogo com as crianças desde pequenas colabora para que dúvidas e problemas sejam solucionados antes do conflito.


Quem proíbe:

15 países não toleram esse tipo de violência

- Suécia
- Finlândia
- Dinamarca
- Noruega
- Áustria
- Chipre
- Letônia
- Croácia
- Alemanha
- Bulgária
- Israel
- Islândia
- Ucrânia
- Romênia
- Hungria

CÚPULA MUNDIAL DE MÍDIA PARA CRIANÇAS




A África está pronta para receber as pessoas da mídia internacional voltada para crianças em sua primeira vez como anfitriã da 5ª Cúpula Mundial de Mídia Para Crianças. Essa edição será sediada no Sandton Convention Centre em Joanesburgo, África do Sul do dia 24 ao dia 28 de março.

Evento que acontece a cada três anos em diferentes regiões do planeta, o World Summit começou em 1995 sediado na Austrália. As edições seguintes foram no Reino Unida, Grécia e Brasil. Esse ano, será coordenado pela Children and Broadcasting Foundation for Africa (CBFA), que começou em 1995 como um grupo engajado nas necessidades e direitos da programação infantil.

“Nossa primeira intenção foi sensibilizar os profissionais de mídia para a necessidade de programas televisivos de qualidade para crianças. Focado na implementação do Africa Charter on Children’s Broadcasting, que foi produzido após o sucesso Southern African Summit, em 1996, e do All African Summit, em 1997, como uma preparação para o 2º World Summit e com o envolvimento de delegações da infância , o Africa Charter on Children’s Broadcasting foi sancionado pela SABA (Southern African Broadcasting Association), URTNA (Union of National Radio and Television of Africa) e pela CBA (Commonwealth Broadcasting Association). O intuito é defender o acesso livre a programas de qualidade feitos especialmente para crianças e que reflita sua cultura. E mais, as crianças não devem ser exploradas pela mídia ou pela publicidade”, afirma a presidente da CBFA e do 5WSMC Firdoze Bulbulia.

A CBFA iniciou um programa para ensinar técnicas de vídeo para um grupo de crianças. A visão se materializou no 3º Summit na Grécia em 2001, no qual a UNICEF sul-africana participou da oferta de aulas de vídeo para crianças. Depois de um workshop de dois dias, sete crianças se juntaram à equipe de TV da CBFA.

Outro projeto foi o African Pen Pals (em colaboração com BMW Munich e Prix Jeunesse International), um vídeo de 10 partes com África do Sul, Nigéria, Egito, Tanzânia e Quênia; uma série de seis programas para o Summit do Terceiro Mundo e para a Conferência Panafricana para o Futuro das Crianças produzida pela equipe da CBFA; e um documentário de 20 minutos para o Dia Internacional da Criança na TV. Desde então muitas outras produções foram realizadas em colaboração com a UNICEF, SABC e a CBFA.

O Encontro
Bulbulia prossegue: “Nosso tema para o 5WSMC é Mídia como Ferramenta para Paz e Democracia Global. Há muitos outros focos no encontro, tais como o papel das organizações de tv na mídia infantil, como tvs e produtores independentes/comerciais podem aumentar o poder da Public Broadcasting Service (PBS), como regulação pode construir um ambiente positivo para os trabalhos da PBS, como a violência na mídia afeta as crianças, e apresentação de programas de saúde e HIV/AIDS, entre outros.


Do ponto de vista africano, nosso principal objetivo com o Summit é desenvolver uma rede para políticas de mídia infantil e soluções sustentáveis para programas de alta qualidade. Há o defeso de criar de um Centro Africano de Mídia para Crianças – um lugar onde a mídia infantil possa ser produzida e distribuída, onde tenha treinamento para profissionais e crianças e, depois, criar um Canal Pan Africano de Mídia para Crianças. Outro projeto é uma Aliança Africana para Mídia Infantil, que resulte em uma Aliança Global com a já organizada Aliança Latino Americana de Mídia Para Crianças.

Um a série de pré-Cúpulas foram realizadas pelo mundo desde 2004 para levantar apoio para o evento deste ano. A intenção era chamar a atenção em nível regional para apresentar o movimento Summit para todos os parceiros, assim como oferecer oportunidades na programação do Summit. A CBFA assegurou que a voz dos grupos que não estavam historicamente ligados à organização do Summit pudesse ser ouvida em participação no 5WSMC. Essas prévias geraram imenso interesse e apoio no Egito, Mali, Marrocos, Etiópia, Nigéria, Malásia, Índia, Qatar, Brasil, Cuba, Chile, Colômbia, Argentina, Holanda, Dinamarca, Suécia, Irlanda e EUA.

Ao menos 1000 delegações são esperadas para o evento e representaram mídia local e internacional, representantes da sociedade civil, ONGs, produtores de tv, representantes de vários departamentos do governo sul-africano. Trezentas crianças de 13 a 16 anos participarão em uma Cúpula Infantil.

Sob a perspectiva continental, Bulbulia nota que o Summit é uma ótima oportunidade para sul-africanos e africanos mostrarem o que o continente tem feito em termos de mídia infantil nos últimos 15 anos. “Produtores do continente estão levando as crianças a sério e fazendo programas que refletem os valores da infância africana. No entanto, nosso problema é a falta de recursos. É muito mais fácil e barato comprar programas importados do que produzir programas locais de qualidade”.

Ela afirma também que para a CBFA, como uma ONG, o desfio é mudar este paradigma para profissionais de tv e governos locais. É importante que crianças africanas se expressem, em suas línguas e com suas experiências de vida. “Os nossos governantes precisam notar que investir em programas de qualidade para essas crianças é investir em nosso progresso”.

Outros assuntos pertinentes à mídia infantil são os de publicidade e acesso a programas adultos na TV, a Internet e fenômenos como o YouTube, onde qualquer pessoa pode baixar qualquer conteúdo. “O que o Youtube oferece é muito democrático, mas não é mediado”, comenta Bulbulia. Além disso diz que “ hoje há muitos meios para assistir e participar da mídia – como blogs, iPods, celulares,etc...Nós queremos estar aptos a usar todas essas novas tecnologias para a promoção de programas de qualidade para as crianças”.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES


Como saber se um aluno é vítima de maus tratos? O que faço para garantir sua integridade física e emocional?
Esse problema, infelizmente, é muito comum em escolas públicas e particulares. Na maioria das vezes, o agressor é alguém da família. "A criança precisa aprender com palavras e atitudes de compreensão, não com tapas e humilhações", diz Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo. Mas existem outras formas de violência. A psicológica envolve ameaças e humilhações. A falta de carinho, de higiene e até de alimentação adequada também deve ser denunciada. E a pior de todas é o abuso sexual, que deixa marcas para toda a vida.

Como agir?
O Estatuto da Criança do Adolescente prevê que os profissionais que lidam com crianças e jovens devem comunicar às autoridades a suspeita ou a confirmação de maus tratos. Quem se cala comete o crime de omissão. Portanto:
Seja muito cauteloso e divida o problema apenas com a coordenação da escola ou um psicopedagogo.
Jamais pergunte à criança se ela apanha em casa ou se alguém está abusando dela. E não questione a família, apenas observe como se dá a relação do filho com os pais.
Comunique a suspeita ao Conselho Tutelar de sua região. Em caso de abuso sexual, ligue para 0800-99-0500. A denúncia pode ser anônima.
Fale sobre direitos humanos com seus alunos e explique que tapas, puxões de orelha e xingamentos são, sim, formas de violência.

Como identificar?
A criança maltratada fisicamente apresenta: manchas roxas pelo corpo. Desconfie de manchas nos olhos, na boca, nas nádegas, nos órgãos genitais ou no peito; queimaduras no rosto, nos braços, nas mãos, nas nádegas, nas plantas dos pés. Elas podem ser causadas por cigarro, água ou óleo fervente; vergões nos braços, pés e tórax, indício de que a criança pode ter sido amarrada; feridas na boca, nos lábios e nos olhos e ainda o desenho característico de uma dentada de adulto na pele.
A criança que sofre violência emocional pode: ter problemas para brincar com os colegas; ter medos exagerados; sentir-se muito triste; afastar-se das pessoas; apresentar atitudes autodestrutivas; apresentar baixo rendimento escolar.

Quer saber mais?
No site http://www.abrapia.org.br/ você encontra o texto completo do Estatuto da Criança e do Adolescente e pode fazer denúncias on-line.
No endereço eletrônico do Laboratório de Estudos da Criança, da USP, www.usp.br/ip/laboratorios/lacri, é possível comprar o livro Violência Psicológica Doméstica: Vozes da Juventude, de Maria Amélia Azevedo e Viviane Guerra, e outros sobre o tema.

O USO DA NET PELAS CRIANÇAS


Fonte: Revista Isto É n.1914 28 junho/2006.
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Silvio Genesini
"Os pais devem limitar o uso do computador"
Quem diz isso é o homem que dirige uma das maiores empresas de informática do País, a Oracle. Para ele, o excesso prejudica as crianças.

Ele anda com dois telefones celulares no bolso e tem acesso rápido à internet na palma da mão. Em casa, Silvio Genesini pode acessar seus e-mails em qualquer cômodo com seu computador pessoal ou de mão. Isso, sem ligar um único fio – em tempos de wireless, tudo é permitido ao presidente da Oracle do Brasil. Ou melhor, quase tudo. O próprio executivo, que comanda a filial de uma das maiores empresas de software do planeta, renuncia à chamada conectividade absoluta e abre mão de poder estar 100% do tempo plugado ao mundo. À noite e nos fins de semana, ele se desliga. “É preciso haver limites entre a vida pessoal e profissional. Os maníacos pela tecnologia exageram muito”, afirma. As famílias precisam de tecnologia, mas devem aprender a usá-la sem exageros. Os pais, defende Genesini, têm de impor limites ao uso dos computadores pelos filhos. E, como nos velhos tempos, mandá-los para a rua para brincar e interagir com as outras crianças, afirmou o executivo a ISTOÉ na seguinte entrevista.

ISTOÉ – Hoje, muitas crianças têm celular, computador na escola e em casa.
Estão sempre conectadas. Isso é bom?
Silvio Genesini
– Nem sempre. O lado positivo é a familiaridade com a tecnologia.
A próxima geração já vai nascer com uma familiaridade magnífica. Tudo vai ser absolutamente natural e elas irão adotar mais rapidamente as tecnologias em seu próprio benefício. Com isso, um pedaço maior da sociedade estará mais preparado para seguir carreiras relacionadas à tecnologia. O problema é o exagero. O abuso
do computador é um perigo muito grande, a criança pode perder coisas muito
boas e ficar viciada.

ISTOÉ – Quais são os riscos?
Genesini – Desde o vício em jogos eletrônicos até o excesso de utilização do computador. Pode haver a perda do contato pessoal, dos processos lúdicos.
Brincar, jogar bola, conviver com as pessoas e ir para a balada são essenciais
para o desenvolvimento. O risco de perder tudo isso é preocupante. Assim como
as pessoas devem impor limites a si mesmas no trabalho, a criança também
tem que ter limites.

ISTOÉ – O que os pais podem fazer? Como tratar um filho adolescente
viciado em jogos de computador?
Genesini
– Os pais têm que limitar o uso, não deixar o filho ligar o computador
fora dos horários combinados. Têm que exercer os poderes da paternidade,
mandar a criança para a rua, jogar bola, passear. O contato pessoal é
extremamente importante. Têm que tirar o filho da tomada. O vício em joguinhos
é terrível. Outra questão extremamente relevante nesse contexto é a palavra
escrita e a falada. Os jovens estão escrevendo de forma totalmente diferente nos
e-mails e nas mensagens rápidas. Está surgindo um novo idioma, completamente diferente. Um canal de tevê a cabo tem legendas nesse idioma e é difícil prestar atenção, seguir aquele negócio do jeito que o pessoal fala. O que potencialmente seria uma revitalização da palavra escrita virou um negócio muito precário. Não é bom. Por isso, deve-se estimular o hábito da leitura. Se alguém medir os índices
de leitura, provavelmente vai ver que está caindo ou ficando banal. Nada supera
um livro. Nada. Definitivamente, o hábito de leitura é fundamental para você aprender a escrever, a falar, a se apresentar. A tecnologia pode ajudar, mas sua utilização
tem que ter um limite.

ISTOÉ – Muitas vezes o melhor momento da família é quando acaba a luz.
Genesini
– É verdade. A gente perdeu um pouco o hábito de conversar. Mas, felizmente, há um balanceamento. As pessoas ainda vão para bares, restaurantes, shows. Levam o celular, mas não o computador.

ISTOÉ – Uma das premissas da tecnologia é que iria melhorar a qualidade de
vida das pessoas. Não está ocorrendo exatamente o contrário?
Genesini
– Praticamente, desapareceu a separação entre trabalho e lazer. O sumiço dessa fronteira é muito perigoso. As pessoas ficam conectadas o tempo inteiro, mesmo nos fins de semana e nas férias. Cada vez mais, elas acham que têm de responder aos e-mails imediatamente, mandam mensagens pelo telefone. A partir do momento em que você é localizável em qualquer lugar do mundo, está trabalhando. A tecnologia permitiu às empresas reduzir os níveis intermediários, a gerência. Há mais gente desempregada nessa faixa e quem ficou está trabalhando mais. A boa notícia é que a tecnologia permite que se tenha mais horas de lazer, mas você precisa ter uma certa disciplina. Na prática, isso é muito difícil.

ISTOÉ – O sr. consegue se desligar do trabalho?
Genesini – Sim. Eu me desligo. A partir de certa hora da noite, desligo o celular. Eu não me conecto durante a maior parte do fim de semana. Guardo parte do domingo à noite para baixar meus e-mails. O lado bom é que toda essa tecnologia permite coisas que antes não existiam, como o trabalho em casa. Nossa sede é em São Paulo e uma de nossas gerentes financeiras mora em Gramado (SC). Certamente, a qualidade de vida dela é melhor. O executivo responsável pela América Latina mora no Rio de Janeiro, como poderia morar em Miami. O que vai resolver essa realidade são as novas relações de trabalho, o entendimento de que é preciso haver limites entre a vida pessoal e a profissional. Os maníacos pela tecnologia exageram muito.

DIA DAS MÃES 2006






SE UMA CRIANÇA...

INFÂNCIA E TV


INFÂNCIA E TELEVISÃO

Por: Jorge Schemes*

Quando pensamos na comunicação humana encontramos vários estudos de especialistas sobre o tema. Um deles diz respeito a capacidade da comunicação, ou seja: quando comunicamos, nossas palavras dizem 7% do que desejamos comunicar. Cerca de 38% é a forma como se diz e 55% é o corpo que fala. Considerando estas características da comunicação humana desejo analisar como essa linguagem visual está afetando as crianças por meio do hábito de assistir televisão. Segundo estatísticas da ONU no Brasil, aproximadamente 81% da população assiste a 3,9 horas por dia de tevê, em média. Isso significa que as crianças passam 50% da vida na frente da televisão. Porém, “essas infâncias” estão sendo interrompidas quando o assunto é sexo na tevê. Estatísticas nacionais comprovam que o número de mães adolescentes com o segundo filho aumentou. Em 1991 era de 20%, em 2001 aumentou para 40%. Devemos levar em consideração a linguagem corporal apresentada nos programas de tevê, pois o corpo fala. E que exemplos os programas estão transmitindo? Como está a responsabilidade ética e moral das emissoras?
Outro fator associado ao hábito de ver tevê é a obesidade e a depressão infantil endógena (física). A criança precisa fazer exercícios físicos. A atividade física combate e previne a obesidade e ainda produz endorfina e serotonina, hormônios antidepressivos. Todavia, crianças na frente da tevê, do computador e dos videogames não produzirão estas substâncias que são importantes para a saúde mental. Criança que brinca dificilmente terá depressão. Contudo, aquela que fica o tempo todo sem fazer nada, só na frente da tevê, do computador e do videogame, almoça e janta na frente da televisão (aquela criança que não incomoda) é candidata a ser depressiva porque essa é uma criança que não existe para os pais. Infelizmente esse é o contexto da sociedade pós-moderna, há falta de vínculo com os pais. Isso é um perigo mais tarde, pois na adolescência essa criança que foi esquecida na frente da tevê pode procurar outros vínculos, como as drogas, por exemplo. Segundo especialistas, o melhor remédio contra a depressão infantil endógena é a atividade física, pois supre a carência química. Assim sendo, como pais e educadores devemos priorizar mais as atividades de socialização do que o costume cômodo de entregar nossas crianças à tevê e a prática nefasta de transferir nossa responsabilidade no processo educacional para a televisão e sua linguagem visual.

*Jorge Schemes – Fone: 454-4040 / E-Mail: jorgeschemes@yahoo.com.br
Bacharel em Teologia / Licenciado em Pedagogia / Licenciado em Ciências da Religião / Pós-Graduado em Interdisciplinaridade / Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional / Técnico Pedagógico na GEECT / Professor de Filosofia da Educação na ACE / Escritor e Palestrante.

ANALFABETISMO

ANALFABETISMO: QUAIS AS SUAS DIMENSÕES?

Por: Jorge Schemes*

Numa sociedade dividida por classes, os analfabetos são considerados meros "objetos" no processo de alfabetização como simples aprendizagem da leitura e da escrita. Quando participam deste processo, o que lhes é proposto se trata de um conhecimento (informação) acabado (a), como se fosse um dogma (verdade inamovível). Não são convidados a pensar e muito menos a conhecer e reconhecer as limitações do conhecimento anterior para poder transformá-lo e assim conhecer mais, de forma crítica e dialética (princípio da contradição). Neste contexto, segundo Paulo Freire*, "ser consciente é a forma radical de ser dos seres humanos enquanto seres que, refazendo o mundo que não fizeram, fazem o seu mundo e neste fazer e re-fazer se refazem. São porque estão sendo". Assim, ler e escrrever mecanicamente como resultado de um esforço cognitivo e psicomotor não garante a verdadeira leitura (interpretação) do contexto sociocultural e econômico no qual se está inserido, a não ser que a alfabetização propicie uma compreensão crítica da realidade. Segundo a UNESCO um cidadão alfabetizado consegue utilizar a leitura e a escrita para se inserir plenamente na sociedade e compreender a realidade. Alfabetizado é aquela pessoa que tendo uma idéia é capz de descrevê-la de forma que o leitor receba essa idéia com certa fidelidade e entendimento. Todavia, por outro viés, o analfabetismo absoluto é o que caracteriza aquele indivíduo que não é capaz de ler e de escrever o próprio nome, considerando ainda que há também o analfabetismo funcional. Segundo a terceira pesquisa realizada no Brasil sobre analfabetismo funcional, 75% da população não conseguem ler e escrever plenamente. O número inclui os analfabetos absolutos (aqueles sem nenhuma habilidade de leitura e escrita) e os 68% considerados analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que têm dificuldades para compreender e interpretar textos. Segundo o Ministério da Educação há cerca de 15 milhões de analfabetos absolutos no Brasil. Contudo, esta estatística torna-se muito mais abrangente quando levamos em consideração que apenas escrever o próprio nome não é mais suficiente diante da sociedade capitalista e da filosofia do liberalismo pós-moderno. Certamente, há outros tantos que sabendo escrever, ou melhor, "desenhar" o próprio nome (memorização), não sabem ler. Outros tantos ainda que sabendo ler e escrever, não são capazes de entender e interpretar o que lêem. O que é mais grave talvez seja o tipo de analfabeto que, estando dentro de uma escola e participando diariamente das aulas ainda não sabe ler e escrever plenamente. Não estou me referindo a alunos da primeira série em processo de alfabetização, mas de outras mais avançadas da educação básica. Como isso é possível? Como um aluno que está dentro da escola e é capaz de aprender não sabe ler nem escrever? Dentre muitos fatores devemos considerar que há forças e interesses políticos que visam garantir verbas públicas destinadas para o ensino fundamental, e estes alunos foram impulsionados para as séries seguintes, pois um alto índice de reprovação significaria redução desses investimentos. Mas afinal, qual é o papel fundamental da escola? Não seria o de primeiramente e fundamentalmente ensinar a leitura e a escrita? No sentido mais amplo dos termos, ler e escrever significam ações psicomotoras e cognitivas mais significativas das ações e operações pedagógicas dentro do processo de ensino e aprendizagem. A escola, por sua natureza sistêmica e epistemológica, deve promover atividades de aprendizagem que garantam a todos os discentes, sem distinção e discriminação, o direito à aquisição destas habilidades. Há uma intencionalidade nas ações pedagógicas, a qual é fundamentalmente a de construir cultura. Todavia, isso só é possível quando o ser humano é capaz de apropriar-se da linguagem e de diferentes processos de comunicação de maneira eficiente e funcional. Esta necessidade torna-se mais relevante no século XXI, considerado por muitos comunicólogos como o século da informação. Como psicopedagogo e professor de filosofia da educação percebo que uma das saídas para esta crise na alfabetização de alunos com dificuldades de aprendizagem é a implantação e implementação de políticas públicas que promovam um novo modelo de suporte pedagógico dentro das unidades escolares da rede pública de ensino. Faz-se necessário a criação de uma equipe interdisciplinar dentro de cada unidade de ensino. Esta equipe de suporte pedagógico seria formada pelos seguintes especialistas: orientador escolar, supervisor escolar, psicopedagogo e psicólogo. Esta equipe daria suporte aos professores alfabetizadores dentro da escola. Ao primeiro sinal de deficiência na leitura e na escrita o aluno seria encaminhado para uma avaliação psicopedagógica e psicológica. Um trabalho em rede com outros órgãos públicos seria o ideal, dentre eles: Conselho Tutelar, Secretaria do Bem Estar Social, Secretaria da Saúde e Ministério Público (Juizado da Infância e Juventude). Quando necessário, após avaliação psicopedagógica e psicológica, o aluno seria encaminhado para atendimento pertinente ao seu problema. Os professores alfabetizadores entrariam em ação e atenderiam a este aluno com exclusividade, até que o mesmo tivesse o domínio necessário da leitura e da escrita. É fácil pressupor que se não há o domínio destas habilidades fica impossível ao aluno acompanhar os conteúdos curriculares definidos e propostos pela escola. Evidentemente que esta estrutura não depende da boa vontade de voluntários dentro da unidade escolar, mas de políticas públicas que priorizem de fato a qualidade na educação como um todo e garantam a contratação de profissionais qualificados por meio de concursos públicos. Alegar que não há verbas não é uma boa desculpa para o Governo, pois ao final, quem vai mesmo pagar a conta somos todos nós.


*Jorge Schemes – Professor de Filosofia da Educação na FEJ - ACE.
E-mail: jorgeschemes@yahoo.com.br
Fones: (47) 454-4040 / 9108-3954
Bibliografia:
*In: GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2004.
Jornal A Notícia. 75% da população não sabem ler e escrever. Sexta-Feira, 9/9/2005, A13.

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