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segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

A PEDAGOGIA DO TERROR


A violência Oculta da Pedagogia Perversa
Por: Gilda Lück

As coisas mais importantes não se aprendem nos livros, nas aulas, em conferências, nem em sermões. São transmitidas de pessoas para pessoas por padrões de atitudes e procedimentos. Tratam-se das influências que nós, pais e professores passamos para os nossos filhos e alunos inconscientemente, com gestos, expressões e exemplos de como interpretamos e vivemos nossas vidas. Palavras nem sempre retratam o que pensamos ou o como agimos, porém nossos atos sim. Temos a tendência de agir dentro de um conceito de repetição. Se fui educada assim, vou educar do mesmo jeito. O fenômeno da violência não está imune a esse modelo de situação, tanto na família como na escola. Requer um estudo profundo das suas causas pessoais, familiares e ambientais, para evitar a manifestação de procedimentos violentos. Porém, antes de tudo devemos nos perguntar, o que é violência hoje? Será que ela tem outras características que não tinha no passado? Será que só existe de nossa porta para fora? Ou apenas é representada em forma de agressão física, como o ato de jogar uma criança em um capô de carro? Pode ser que antes de chegar a fatos como esses, já tenha havido uma seqüência de atitudes violentas tão imperceptíveis que acabaram absorvidas de forma corriqueira. Podemos considerar violência também a verbal, aquela que através das palavras recheadas de sentimentos perversos como a ironia, a inveja, a cobiça e muitos outros, agride e machuca tanto quanto uma agressão física. E aquela violência silenciosa do descaso, da segregação, do preconceito às vezes demonstrada com um simples gesto ou expressão qualquer que mostra claramente uma atitude, um procedimento de ódio, incompreensão, desamor. São esses simples olhares que denotam o quanto você não é bem-vindo ou “você me incomoda”. Quantas pessoas são vítimas da violência silenciosa que as faz sentir vontade de se desculparem pelo simples fato de viverem? Faz parte da formação profissional do professor estar preparado para atender às necessidades emocionais dos seres humanos e lhes ajudar a desenvolver a vontade educada nos valores como a paz, a vida, o respeito, a tolerância e a solidariedade. Ensinados com naturalidade o que vivenciamos, e um bom caminho a seguir é explorado pela legislação atual. Os temas transversais reforçam os projetos pedagógicos das escolas como proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de uma forma bastante profunda. Abordando a ética e a pluralidade cultural, eles introduzem, dimensões que anteriormente eram de exclusiva iniciativa de poucos professores, como a cidadania, que estabelece uma relação com a experiência de vida. A inexistência dessas práticas dá lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí a brutalidade e a intolerância. A violência perpassa as diferentes relações sociais e aparece de forma explícita nos meios de comunicação de massa, principalmente na mídia televisiva, que comumente apresenta programas com “brincadeiras” desrespeitosas em que os indivíduos são usados como objeto sarcástico. Até os programas infantis não fogem a essa conotação violenta. Bondade, generosidade e ética parecem que estão fora de moda. Os filhos vêem e sentem isso na atitude dos pais. Os alunos percebem e observam essas atitudes e procedimentos nos professores. Muitos consideram as maiores qualidades de um professor (gestor de talentos, processos de conhecimento) como uma fraqueza. A bondade, a generosidade e a humildade fazem parte do caráter daqueles que fazem educação e não só flu-flu, perfumaria e maquiagem para enganar a quem realmente não sabe o que significa a profissão de educador.

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