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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

OBESIDADE INFANTIL E EDUCAÇÃO

Obesidade infantil aumenta e preocupa autoridades

Por Fabiana Caso e Juliana Araújo


Síndrome dos tempos modernos, a obesidade infantil está crescendo de forma alarmante. Nos últimos 20 anos, a taxa aumentou em cinco vezes no Brasil. Hoje, cerca de 10% das crianças brasileiras são consideradas obesas, o que, além da questão estética, pode causar doenças como diabete, pressão alta e problemas nas articulações do corpo, devido à sobrecarga de peso. Isso sem falar nos danos emocionais, já que essas crianças geralmente convivem com piadinhas e gozações dos colegas, o que afeta a sua auto-estima, aumentando a ansiedade e fazendo-as comer ainda mais.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor de Nutrologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fabio Ancona Lopez, a criança é considerada obesa quando está cerca de 20% acima da chamada curva de crescimento, uma média entre a altura e o peso, definida pela Organização Mundial de Saúde. Ele alerta que a criança obesa também pode ter problemas de pele, por não conseguir se secar direito após os banhos. "É muito mais fácil prevenir a obesidade do que tratá-la", afirma, categórico, explicando o quanto é complicado mudar hábitos alimentares da garotada.
Há situações em que a causa é genética, quando toda a família tem propensão à obesidade. Mas o grande vilão, na maioria dos casos, é o estilo de vida sedentário dos centros urbanos, aliado a uma alimentação errada. As crianças não andam mais a pé, ficam sentadas por horas na frente da televisão ou videogame, e dá no que dá. "Tudo piora porque os alimentos consumidos nas cidades são geralmente industrializados, com maior quantidade de gordura e de sal para realçar o sabor", destaca Lopez.
A endocrinologista Silvia Bretz, membro da Associação Brasileira de Estudos da Obesidade (Abeso), lembra que o fenômeno migratório do campo para a cidade fez os índices de obesidade aumentarem. "A obesidade tomou proporções de epidemia e hoje atinge todas as classes sociais."
Ambos os médicos fazem um alerta importante: o desmame precoce pode favorecer o problema. "Até os 6 meses, o aleitamento materno deve ser exclusivo, a mamadeira preparada é mais calórica", diz Lopez. Bretz recomenda não adicionar açúcar à mamadeira, como fazem algumas mães. "O bebê ainda não sente necessidade de açúcar e, até os 2 anos, a criança tende a formar mais células de gordura".

COMO TRATAR
Decretadas as causas, o tratamento passa, necessariamente, por uma reeducação alimentar, não só da criança, mas de toda a família. O cardápio novo deve ser equilibrado, com uma quantidade definida de calorias - as crianças não podem fazer dietas severas, pois estão em fase de crescimento. A endocrinologista Bretz recomenda até 25% de lipídeos, 30% de proteínas e 45% de carboidratos.
Em seu consultório no Rio de Janeiro, ela exige a presença não só da mãe e do pai, mas também da babá, cozinheira, motorista, pai separado, namorada do pai e qualquer outra pessoa que faça parte da convivência da criança. "É muito comum que todos queiram agradar à criança com comida, e aí todo o trabalho vai por água abaixo", explica. Na tentativa de educar as crianças sobre a quantidade calórica dos alimentos, a médica inventa até brincadeiras relacionadas. "O melhor é que a dieta seja colorida, com variedade de sabores e texturas", sugere ela.
Júlia Certain Sgarbi, de 8 anos, acabou impulsionando uma mudança de hábitos na sua casa. Os pais publicitários, Simone Certain Sgarbi e Fabio Sgarbi, criaram um novo cardápio para o dia-a-dia, seguido por toda a família, incluindo a filha mais nova. Não há frituras nem itens gordurosos e, toda sexta-feira, como num ritual, a família se pesa na balança caseira.
Júlia sofreu de asma nos primeiros anos de vida e tomou muita cortisona para combatê-la. Os médicos acreditam que isso tenha alterado o seu metabolismo, o que é, provavelmente, uma das causas da sua obesidade. Ela começou a engordar aos 3 anos. Os pais consultaram diversos endocrinologistas e, hoje, toda a família continua engajada para solucionar a questão.
Felizmente, o nível de colesterol de Júlia já voltou ao normal: ela só deve emagrecer um pouco mais. O endocrinologista lhe recomendou cinco horas de atividade física por dia, o que vem sendo cumprido. Hoje ela pratica judô, tênis, ginástica olímpica e balé. Mas o combate à obesidade é uma luta constante. "Era muito difícil controlar a dieta da Júlia, porque as amiguinhas do colégio levavam doces para ela, ou até as avós das amiguinhas", conta a mãe. "Mas agora ela própria se conscientizou, e quer emagrecer."
O profissional autônomo João (nome fictício, pois ele prefere não se identificar) também passou pelo mesmo problema com seu filho do primeiro casamento, Pedro (nome fictício), de 12 anos. Pedro morava com a mãe em outra cidade, mas João ficou alarmado quando observou que ele estava engordando muito. Há oito meses, trouxe-o para São Paulo. Hoje, ele mora com o pai, a madrasta e os irmãos do segundo casamento.
O pai procurou uma nutricionista, que criou um cardápio especial, seguido à risca. Pedro já perdeu 11 quilos. "Ele não sabia o que era uma salada e, hoje, come em horários certos", conta o pai. "Está supervaidoso, quer emagrecer mais e tem consciência do que pode ou não comer. Mudou a sua postura e estilo de vida." Pedro também faz ginástica diariamente no condomínio onde mora e freqüenta uma escola de futebol.
Exercícios físicos são sempre recomendados pelos médicos. Deve-se tomar um certo cuidado para avaliar se a modalidade escolhida é adequada, afinal, ninguém quer ver o filho como alvo de gozação. No Ambulatório de Obesidade Infantil da Unifesp, são promovidas diversas atividades físicas e lúdicas entre as crianças obesas, que se movimentam dentro de seus limites.
Para a endocrinologista Bretz, a prática da atividade física deve ser de pelo menos três vezes por semana. "Uma ótima combinação são trinta minutos de movimento aeróbico e trinta de atividades lúdicas", recomenda. A situação ideal, segundo ela, é contratar um personal trainer para criar um programa individualizado, mas, na falta de recursos, uma atividade global como a natação também é indicada.
Nada é melhor do que a prevenção. Mas se a obesidade já está instalada, vale o alerta do pediatra Lopez: "Não espere a criança ficar muito gorda, nem pense que tudo se resolve na adolescência. É errada a idéia de que tudo vai melhorar quando crescer: é melhor tratar logo, pois a criança vai continuar crescendo também no seu peso", afirma.

ESCOLAS CONTRA OBESIDADE
Até o fim deste ano, a Prefeitura de São Paulo deverá saber ao certo qual é o peso e a altura da maioria dos alunos com até 7 anos da rede municipal de ensino. Parceria entre as secretarias municipais da Educação e da Saúde, o programa Escola Promotora de Saúde avaliou o estado nutricional de 6 mil alunos de até 14 anos em 2005 e 2006 e constatou, no ano passado, um índice considerado alto de crianças obesas: 8,5% - além de 9,2% com excesso de peso. O resultado incentivou outra avaliação, mais ampla, para que seja criado um programa de prevenção à obesidade infantil.
Na faixa etária definida para o estudo - até 7 anos -, o município tem, aproximadamente, 400 mil alunos, segundo Domingos de Palma, coordenador do programa Escola Promotora da Saúde pela Secretaria Municipal de Educação. "Nossa idéia é avaliar o maior número de crianças possível", afirma Palma, que integra o departamento de pediatria da Unifesp. Ele justifica a importância da prevenção: "A maioria das crianças de 7 e 8 anos obesas que atendo no consultório já era assim com 2 anos".
Enquanto o estudo não é concluído, os alunos que tiveram diagnóstico de obesidade nas avaliações anteriores já estão sendo acompanhados, segundo Palma. "Alguns foram para uma Unidade Básica de Saúde, outros estão sendo atendidos nas faculdades parceiras do programa, como a Unifesp", explica.
O programa Escola Promotora de Saúde definiu que os alunos obesos ou com outros distúrbios nutricionais - como anemia - serão encaminhados para uma UBS específica, que corresponde à região da escola onde estuda.

MAIS HÁBITOS ALIMENTARES NAS ESCOLAS
Para evitar a obesidade, no entanto, as crianças não precisam esperar as ações de prevenção da Prefeitura. A nutricionista Carolina Menezes Ferreira comparou os hábitos alimentares de 112 alunos de 9 anos em média - metade com excesso de peso, outra metade de peso normal - de duas escolas públicas na Água Rasa, na zona leste de São Paulo, para defender sua tese de mestrado.
A profissional pediu aos pais que anotassem, por três dias, o cardápio completo que as crianças comeram, dentro e fora da escola. "Elas comem poucas frutas, legumes e verduras e consomem em excesso proteína, gordura e carboidrato simples", concluiu Carolina.
O consumo excessivo de proteína pode ser decorrente do "aumento do consumo de embutidos, como salsichas", diz. A gordura está principalmente nas frituras e, os carboidratos, nos doces e refrigerantes consumidos por todas as crianças entrevistadas.
Carlos Magno, de 12 anos, não tem exatamente o mesmo perfil dos alunos pesquisados por Carolina - gosta de salada e legumes, segundo a mãe, Selma Cardoso, 36. Em casa, come a refeição preparada por ela, mas, na escola, não chega perto da merenda. "O feijão tem gosto estranho e o arroz é duro", diz o garoto, que estuda na Escola Estadual Matilde Macedo Soares, na zona norte de São Paulo. Ele prefere dividir com um amigo "salgadinho e refrigerante" no recreio.
O chefe da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp, José Augusto Taddei, diz que a solução é "corrigir o estilo de vida". "Houve um aumento no sedentarismo e no consumo de alimentos. As pessoas precisam comer menos e fazer atividades físicas pelo menos três vezes por semana."

PESO AUMENTA EM 28 ANOS
21,5% dos rapazes entre 10 e 19 anos apresentaram excesso de peso em 2002. Em 1974, eram 4,4%. 18% das garotas da mesma idade tinham sobrepeso em 2002.

GOVERNO QUER MERENDAS MAIS ATRATIVAS
O governo do Estado de São Paulo também está preocupado com a saúde de seus alunos. Para tornar a merenda mais atrativa, serão introduzidos, neste ano, cardápios regionais para crianças de 1ª a 4ª séries, e internacionais, às de 5ª a 8ª, uma vez ao mês. A coordenadora de projetos do departamento de nutrição escolar da Secretaria Estadual da Educação, Monika Nogueira, diz que, além da novidade, desde 2002 já estão sendo realizadas ações de educação nutricional nas escolas do Estado.
"Uma vez por ano, estudantes de nutrição de faculdades parceiras ensinam aos alunos boas práticas alimentares", conta. Ela afirma ainda que, pelas paredes das escolas, foi pendurado amplo material informativo sobre o assunto. "Nossa maior preocupação é com a formação dos hábitos alimentares."
Cardápio renovado:
O cardápio das escolas estaduais e municipais é praticamente o mesmo - alterna macarrão e arroz, feijão, carne e salada. O Estado publica novas opções de cardápio a cada dois meses no Diário Oficial. Nas escolas municipais, a diretora da Divisão Técnica da Merenda Escolar, Mônica Krauter de Andrade, afirma atualizar o cardápio mês a mês.
A sugestão da nutricionista Carolina Menezes é acrescentar diferentes tipos de legumes para deixar a salada "bem colorida e mais atraente" para o paladar das crianças, além do incentivo à prática de atividades físicas.

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