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AQUECIMENTO GLOBAL


O "Aquecimento Global"
é irreversível!
E poderá chegar a 6,4 graus
só neste século!

O aquecimento climático da Terra é irreversível devido às emissões de gases do efeito estufa na era industrial, e, em função da ação humana, o aumento ficará este século entre 1,8 e 4 graus Celsius, embora não esteja descartado outro salto ainda maior, de entre 1,1 e 6,4 graus. Estas são algumas das principais conclusões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que apresentou seu quarto relatório sobre as bases científicas do aquecimento, que considera "inevitável"."Agora temos uma certeza maior do que está acontecendo" que no estudo anterior, de 2001, afirmou a co-presidente do grupo encarregado do trabalho, Susan Solomon.Segundo Solomon, há uma probabilidade de 90% de que o aumento da temperatura da Terra se deva à concentração de gases do efeito estufa devido ao consumo, pelo homem, de combustíveis fósseis. Mesmo que as emissões se mantivessem no nível atual, "muito provavelmente" o aquecimento no século XXI será superior ao constatado no século XX, alertou Solomon ao apresentar o documento. O efeito acumulado da poluição acarretará uma alta da temperatura de cerca de 0,2 grau Celsius por década nos próximos vinte anos, e depois a alta será de 0,1 grau a cada dez anos. Na mais otimista das estimativas, sob a condição de haver uma rápida mudança nas estruturas econômicas para torná-las sustentáveis, o aumento seria de 1,1 grau até 2100 comparado às temperaturas constatadas no período 1980-2000, abaixo do limite de 2 graus, a partir do qual os cientistas consideram que as conseqüências seriam incontroláveis.Mas, se a população e a economia continuarem crescendo rapidamente e se for mantido o consumo intenso das energias fósseis, a alta poderia chegar a 6,4 graus Celsius. Seja qual for o cenário que ocorrer, haverá conseqüências diretas, como a redução das nevadas e do volume das calotas polares, até o ponto em que o gelo do Pólo Norte poderia ser completamente derretido no verão, por volta de 2100. Isso significaria, entre outras coisas, uma elevação do nível do mar que o IPCC calcula entre 18 e 59 centímetros, em função das diferentes hipóteses. Os fenômenos climáticos extremos, como as ondas de calor ou as trombas d'água, continuarão sendo mais freqüentes, e nos ciclones tropicais a velocidade do vento e as chuvas serão mais intensas. O aquecimento da Terra não será homogêneo, e será mais sentido nos continentes que no oceano, e mais no hemisfério norte que no sul.Com relação às chuvas, serão mantidas as tendências observadas recentemente, com um aumento nas latitudes mais extremas e uma redução nas áreas subtropicais, o que significa, por exemplo, que a bacia mediterrânea será ainda mais árida. Todas estas projeções se baseiam nas observações realizadas, entre elas que 11 dos 12 anos mais quentes desde que existem registros climáticos confiáveis, em meados de século XIX, aconteceram a partir de 1995, e que no século XX a elevação do nível do mar foi de cerca de 17 centímetros.Segundo os cientistas, as emissões de dióxido de carbono (CO2) estão por trás de todos estes fenômenos. A concentração desse composto na atmosfera passou de 280 partículas por milhão antes da era industrial (em 1750) para 379 em 2005, sendo que desde 1995 o ritmo de aumento foi intensificado."Agora estamos muito mais certos da influência humana na mudança climática", afirmou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, após admitir que a certeza científica nunca pode ser total. Pachauri não se pronunciou sobre o que é preciso fazer e disse que no mundo dos negócios e na medicina deve-se tomar decisões sem ter uma certeza total. Além deste, o IPCC realiza outros relatórios, entre eles sobre o impacto da mudança climática, a forma de aliviá-lo e uma síntese direcionada aos responsáveis políticos.

Aquecimento: impacto do aumento da temperatura:



Um esboço do relatório prevê que até o ano de 2100 as temperaturas fiquem entre 2 e 4,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, sendo a 'melhor estimativa' a de uma elevação de 3 graus Celsius.
Leia abaixo algumas das conseqüências previstas para os diferentes níveis de aumento da temperatura, conforme dados apresentados no relatório sobre mudanças climáticas assinado por Nicholas Stern, economista chefe do governo britânico.

Elevação da temperatura/Impactos:

1 GRAU
* Encolhimento das geleiras ameaça o suprimento de água para 50 milhões de pessoas.
* Pequeno aumento na produção de cereais nas regiões temperadas.
* Ao menos 300 mil pessoas morrem a cada ano devido à malária, à desnutrição e a outras doenças relacionadas com as alterações climáticas.
* Queda da taxa de mortalidade durante o inverno nas regiões de maior latitude.
* Morte de 80 por cento dos recifes de coral, em especial a Grande Barreira de Corais.

2 GRAUS
* Queda de 5 a 10 por cento na produção de cereais na África tropical.
* 40 milhões a 60 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África.
* Até 10 milhões de pessoas a mais expostas a enchentes nas regiões costeiras.
* Entre 15 e 40 por cento das espécies de seres vivos vêem-se ameaçadas de extinção (segundo uma estimativa).
* Grande risco de extinção das espécies presentes no Ártico, em especial dos ursos polares.
* Possibilidade de que a camada de gelo da Groenlândia comece a derreter de forma irreversível, o que faria com que o nível dos oceanos se elevasse em 7 metros.

3 GRAUS
* No sul da Europa, períodos de seca pronunciada a cada dez anos.
* Entre 1 bilhão e 4 bilhões de pessoas a mais enfrentando períodos de falta de água.
* Entre 150 milhões a 550 milhões de pessoas a mais expostas à ameaça da fome.
* Entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas a mais morrem de desnutrição.
* Início do colapso da floresta Amazônica (segundo alguns modelos de previsão).
* Elevação do risco de colapso da Camada de Gelo da Antártida Ocidental.
* Elevação do risco de colapso do Sistema do Atlântico de águas quentes.
* Elevação do risco de mudanças abruptas no mecanismo das monções.

4 GRAUS
* Safras de produtos agrícolas diminuem entre 15 e 35 por cento na África.
* Até 80 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África.
* Desaparecimento de cerca de metade da tundra ártica.

5 GRAUS
* Provável desaparecimento de grandes geleiras no Himalaia, prejudicando um quarto da população da China e uma grande parte dos moradores da Índia.
* Crescente intensificação da atividade oceânica, prejudicando seriamente os ecossistemas marinhos e, provavelmente, as populações de peixe.
* Elevação do nível dos oceanos ameaça as pequenas ilhas, as áreas costeiras como o Estado da Flórida e grandes cidades como Nova York, Londres e Tóquio.



Leia: Apocalipse 16:8,9.

HELEN KELLER - 3 DIAS PARA VER







O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? Helen Keller (1880-1968), uma mulher extraordinária, cega, surda e muda desde bebê, nos chama a atenção para a apreciação de nossos sentidos, algo que normalmente não percebemos. Apenas de posse do sentido do tato e uma perseverança inigualável, sob a orientação de Anne Sullivan, Helen Keller aprendeu a ler e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais captava com as pontas dos dedos. O esforço de sua mente em procurar se comunicar com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional, considerada a maior vitória individual da história da educação. Ela foi uma educadora, escritora e advogada de cegos. Tinha muita ambição e grande poder de realização. Ao lado de Sullivan, percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos deficientes visuais e auditivos. É considerada uma das grandes heroínas do mundo. Helen Keller alterou nossa percepção do deficiente.

Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos. Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?

O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês. À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.




Mas aos 6 anos surgiu na sua vida a professora Anne Sullivan. Utilizando o sentido do tato como elo de ligação entre os mundos de ambas e escrevendo as palavras na mão da pupila, a nova professora tentou insistentemente dar a entender a Helen a relação entre as palavras e aquilo que elas significam. O ponto de viragem deu-se com a palavra "água": enquanto a água de uma bica jorrava sobre uma das mãos da sua aluna, Anne Sullivan escrevia "água" na outra. "mantive-me quieta, toda a minha atenção concentrada sobre o movimento dos seus dedos", recorda Helen. "subitamente, senti a emoção de uma idéia que se repetia - e assim me foi revelado o mistério da linguagem." desde esse dia, Helen "viu" o mundo de outra maneira. O sentido do tato tornou-se para ela uma espécie de visão: "às vezes, é como se a própria essência da minha carne fosse uma miríade de olhos a ver... Não posso dizer se vemos melhor com as mãos ou com os olhos: sei apenas que o mundo que vejo com as minhas mãos é vivo, colorido gratificante."

* Helen Keller tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiências. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pela Universidade Radcliffe, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura. Falava os idiomas francês, latim e alemão. Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.

CÚPULA MUNDIAL DE MÍDIA PARA CRIANÇAS




A África está pronta para receber as pessoas da mídia internacional voltada para crianças em sua primeira vez como anfitriã da 5ª Cúpula Mundial de Mídia Para Crianças. Essa edição será sediada no Sandton Convention Centre em Joanesburgo, África do Sul do dia 24 ao dia 28 de março.

Evento que acontece a cada três anos em diferentes regiões do planeta, o World Summit começou em 1995 sediado na Austrália. As edições seguintes foram no Reino Unida, Grécia e Brasil. Esse ano, será coordenado pela Children and Broadcasting Foundation for Africa (CBFA), que começou em 1995 como um grupo engajado nas necessidades e direitos da programação infantil.

“Nossa primeira intenção foi sensibilizar os profissionais de mídia para a necessidade de programas televisivos de qualidade para crianças. Focado na implementação do Africa Charter on Children’s Broadcasting, que foi produzido após o sucesso Southern African Summit, em 1996, e do All African Summit, em 1997, como uma preparação para o 2º World Summit e com o envolvimento de delegações da infância , o Africa Charter on Children’s Broadcasting foi sancionado pela SABA (Southern African Broadcasting Association), URTNA (Union of National Radio and Television of Africa) e pela CBA (Commonwealth Broadcasting Association). O intuito é defender o acesso livre a programas de qualidade feitos especialmente para crianças e que reflita sua cultura. E mais, as crianças não devem ser exploradas pela mídia ou pela publicidade”, afirma a presidente da CBFA e do 5WSMC Firdoze Bulbulia.

A CBFA iniciou um programa para ensinar técnicas de vídeo para um grupo de crianças. A visão se materializou no 3º Summit na Grécia em 2001, no qual a UNICEF sul-africana participou da oferta de aulas de vídeo para crianças. Depois de um workshop de dois dias, sete crianças se juntaram à equipe de TV da CBFA.

Outro projeto foi o African Pen Pals (em colaboração com BMW Munich e Prix Jeunesse International), um vídeo de 10 partes com África do Sul, Nigéria, Egito, Tanzânia e Quênia; uma série de seis programas para o Summit do Terceiro Mundo e para a Conferência Panafricana para o Futuro das Crianças produzida pela equipe da CBFA; e um documentário de 20 minutos para o Dia Internacional da Criança na TV. Desde então muitas outras produções foram realizadas em colaboração com a UNICEF, SABC e a CBFA.

O Encontro
Bulbulia prossegue: “Nosso tema para o 5WSMC é Mídia como Ferramenta para Paz e Democracia Global. Há muitos outros focos no encontro, tais como o papel das organizações de tv na mídia infantil, como tvs e produtores independentes/comerciais podem aumentar o poder da Public Broadcasting Service (PBS), como regulação pode construir um ambiente positivo para os trabalhos da PBS, como a violência na mídia afeta as crianças, e apresentação de programas de saúde e HIV/AIDS, entre outros.


Do ponto de vista africano, nosso principal objetivo com o Summit é desenvolver uma rede para políticas de mídia infantil e soluções sustentáveis para programas de alta qualidade. Há o defeso de criar de um Centro Africano de Mídia para Crianças – um lugar onde a mídia infantil possa ser produzida e distribuída, onde tenha treinamento para profissionais e crianças e, depois, criar um Canal Pan Africano de Mídia para Crianças. Outro projeto é uma Aliança Africana para Mídia Infantil, que resulte em uma Aliança Global com a já organizada Aliança Latino Americana de Mídia Para Crianças.

Um a série de pré-Cúpulas foram realizadas pelo mundo desde 2004 para levantar apoio para o evento deste ano. A intenção era chamar a atenção em nível regional para apresentar o movimento Summit para todos os parceiros, assim como oferecer oportunidades na programação do Summit. A CBFA assegurou que a voz dos grupos que não estavam historicamente ligados à organização do Summit pudesse ser ouvida em participação no 5WSMC. Essas prévias geraram imenso interesse e apoio no Egito, Mali, Marrocos, Etiópia, Nigéria, Malásia, Índia, Qatar, Brasil, Cuba, Chile, Colômbia, Argentina, Holanda, Dinamarca, Suécia, Irlanda e EUA.

Ao menos 1000 delegações são esperadas para o evento e representaram mídia local e internacional, representantes da sociedade civil, ONGs, produtores de tv, representantes de vários departamentos do governo sul-africano. Trezentas crianças de 13 a 16 anos participarão em uma Cúpula Infantil.

Sob a perspectiva continental, Bulbulia nota que o Summit é uma ótima oportunidade para sul-africanos e africanos mostrarem o que o continente tem feito em termos de mídia infantil nos últimos 15 anos. “Produtores do continente estão levando as crianças a sério e fazendo programas que refletem os valores da infância africana. No entanto, nosso problema é a falta de recursos. É muito mais fácil e barato comprar programas importados do que produzir programas locais de qualidade”.

Ela afirma também que para a CBFA, como uma ONG, o desfio é mudar este paradigma para profissionais de tv e governos locais. É importante que crianças africanas se expressem, em suas línguas e com suas experiências de vida. “Os nossos governantes precisam notar que investir em programas de qualidade para essas crianças é investir em nosso progresso”.

Outros assuntos pertinentes à mídia infantil são os de publicidade e acesso a programas adultos na TV, a Internet e fenômenos como o YouTube, onde qualquer pessoa pode baixar qualquer conteúdo. “O que o Youtube oferece é muito democrático, mas não é mediado”, comenta Bulbulia. Além disso diz que “ hoje há muitos meios para assistir e participar da mídia – como blogs, iPods, celulares,etc...Nós queremos estar aptos a usar todas essas novas tecnologias para a promoção de programas de qualidade para as crianças”.

PARA REFLEXÃO: VIVA A VIDA...


MUDE E MARQUE

Por: Airton Luiz Mendonça

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... Você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e "apagando" as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente...Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente). O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa... São apagados de sua noção de passagem do tempo. Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir, as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... Enfim... As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... Rotina. Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos. Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M e M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... Em outras palavras... V-I-V-A. Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado (a) com alguém disposto (a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais V-I-V-O... Do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes. Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida...
(Publicado no jornal o Estado de são Paulo)

NOVA PORTARIA PARA CLASSIFICAÇÃO DE PROGRAMAS DE TV



MJ publica portaria para classificação de programas de TV:

Brasília, 12/02/2007 (MJ) - O Diário Oficial da União desta segunda-feira (12) traz a publicação da Portaria 264, que dispõe sobre a nova regulamentação para a classificação indicativa de programas de televisão. Os critérios adotados seguem os padrões já aplicados nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Suécia.
A nova portaria incorpora a experiência acumulada nos dezessete anos de vigência da classificação indicativa para a televisão – conforme estabelecido pela portaria 773, de 1990, substituída em 2000 pela portaria 796 –, além das contribuições de diversos setores da sociedade civil, incluindo artistas, autores de conteúdo e emissoras.
A classificação indicativa para programas de televisão existe para informar aos pais a respeito do conteúdo de obras audiovisuais produzidas pela televisão aberta. O Ministério da Justiça entende que cabe aos responsáveis legais a decisão sobre o que os filhos devem assistir. A classificação de programas de televisão atende a determinação da Constituição (Art. 21, XVI) e da Lei 10.359/2001 (Art. 3º).
A portaria traz importantes avanços no sistema de classificação indicativa de programas de televisão, como a não classificação de programas jornalísticos ou noticiosos e a possibilidade de que, em regra, a idade recomendada para os programas de televisão seja indicada pelas próprias emissoras (autoclassificação).
A Portaria entrará em vigor 90 dias após sua publicação. O Ministério da Justiça continua aberto a contribuições para o aperfeiçoamento da classificação indicativa e do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente.
O Ministério da Justiça esclarece ainda que a vinculação entre idade recomendada e horário de exibição existe por determinação expressa do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90, Art. 254). Entretanto, em atenção ao início do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.398, que questiona esta vinculação, o Ministério da Justiça optou manter a vinculação nos termos da portaria 796/2000, reconhecendo a competência do Supremo Tribunal Federal de decidir sobre sua constitucionalidade.

EDUCAÇÃO CONTINUADA DOS DOCENTES


A “escrita de si” como estratégia de formação
Continuada para docentes


Por CÉLIA MARIA F. NUNES* & MARIA AMÁLIA DE A. CUNHA**
* Pedagoga, Doutora em Educação pela PUC -Rio e Professora Adjunta do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto - MG.
** Socióloga, Doutora em Educação pela UNICAMP e Professora Adjunta do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto-MG.

Resumo:
A atuação da Universidade na formação continuada para professores em exercício emerge cada vez mais de uma demanda contínua que tem sido atendida através de ações e projetos de extensão universitária. Assim, através de uma perspectiva interdisciplinar, temos utilizado como estratégia de formação o recurso de elaboração de relatos autobiográficos (estudo de memória) por parte dos professores em formação, com o fito de reconstruir a história da sua formação como professora. Os professores identificam a memória de si e de seus pares acerca de seus primeiros tempos de escola, analisando como este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional. O trabalho tem nos mostrado o quanto a memória apresenta-se como um dado fundamental no processo formativo ulterior do sujeito, quando este constitui-se “professor”.
Palavras-chave: formação continuada - relatos autobiográficos como estratégia de formação- trabalho docente.

Quando o passado é o tempo de tirar lições sobre o presente
“(..) a nossa matéria são as “pedras vivas”, as pessoas, porque neste campo os verbos conjugam-se nas suas formas transitivas e pronominais: formar é formar-se”. (Antônio Nóvoa)

A atuação da Universidade na formação continuada para professores em exercício responde cada vez mais a uma demanda contínua e crescente. Tais demandas têm sido atendidas através de ações e projetos de extensão universitária com objetivos e finalidades convergentes no que diz respeito ao atendimento à comunidade em geral. Neste sentido é que temos atuado articulando o ensino e a pesquisa em um programa de formação continuada de professores da educação básica, professores estes que atuam em cidades nas adjacências da Universidade Federal de Ouro Preto. Este trabalho tem se concretizado através da participação e troca de saberes de professores da Universidade e das escolas das redes públicas da região envolvendo diferentes áreas de conhecimento. Visto de uma perspectiva interdisciplinar, temos utilizado como estratégia de formação o recurso de elaboração de relatos autobiográficos (estudo de memória) por parte dos professores em formação, com o fito de reconstruir a história da sua formação. Através deste recurso, os professores identificam a memória de si e de seus pares acerca de seus primeiros tempos de escola, analisando como este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional.
Procuramos assim identificar em que medida esta categoria (docente) aproveita o seu passado escolar para construir novas práticas no presente, enquanto “ser professor”. O presente trabalho pretende apresentar ainda a utilização deste recurso de reconstrução da memória em um programa de formação continuada, a fim de ressaltar o quanto tal metodologia pode apresentar-se como um dado fundamental no processo formativo ulterior do sujeito, quando este se constitui “professor”.
A “experiência” como o “termo ausente” no processo de formação continuada de professores
Os estudos direcionados para a formação de professores têm deslocado a centralidade do sujeito (professor) de acordo com as injunções que marcam a conjuntura histórico-social, política e econômica de um determinado período.
Assim, assistimos nos anos 80 a uma diversidade de teorias e práticas pedagógicas que caracterizam a mudança de eixo de uma visão única para uma diversidade de concepções e a valorização da experiência de vida. Os docentes vão assim sendo reconhecidos como portadores de um saber plural, crítico e interativo, fundado numa práxis.
É então a partir do final dos anos 80 que os professores vão se conscientizando acerca do repertório de um saber docente que lhes pertence por ofício. A experiência do trabalho docente é percebida como elemento de formação capaz de valorizar o papel dos saberes da experiência no meio de outros saberes.
A escola e seu microcosmo, o cotidiano das práticas escolares e os “estudos de caso” dão o tom do período em questão. Assim, na perspectiva de uma cultura que se constrói eminentemente na prática, a formação continuada de professores esteve subsumida a cursos de reciclagem ou de rápida duração, colaborando para uma fratura entre o saber advindo da teoria e aquele oriundo do saber fazer.
Já os anos 90 anunciam um período de ressignificação da voz dos professores e eles passam do estatuto de objeto das análises para o de sujeito, proliferando-se os métodos biográficos. O objetivo é o de ressignificar o mundo das professoras na perspectiva de que “o ingrediente que vem faltando é a voz do professor”, (Goodson,1992: 69). Segundo este autor, deve-se reconhecer a força do ambiente sociocultural em que se encontram os professores, daí a importância de se valorizar as histórias dos professores, de compreender suas representações e práticas.
Este enfoque é ampliado através de estudos que envolvem a história de vida pessoal e profissional dos professores, ciclo de vida e experiência docente, memória/docência e gênero (André,1998). Assiste-se então à proliferação dos métodos autobiográficos, da reflexão sobre si, bem como de seu papel ativo na produção de conhecimento e da docência. Como bem lembram Lélis e Nunes (2000) a produção intelectual internacional muito influenciou recortes e objetos da pesquisa no Brasil sobre o magistério, em especial, autores como Nóvoa, Ferraroti, Dominicé, Hubermann, Goodson. Estes autores insistiram na fecundidade do uso de histórias de vida, de narrativas autobiográficas como alternativas que possibilitam ver o indivíduo considerando a história e o seu tempo, possibilitando uma conjunção da história de sua vida com a história da sociedade, esclarecendo assim as escolhas, contingências e opções que se deparam ao indivíduo.
Para Nóvoa, um importante teórico desta abordagem, a produção de práticas educativas eficazes só surge de uma reflexão da experiência pessoal partilhada entre os pares. Para o autor, a escola é o locus privilegiado onde acontece o processo de formação e autoformação. É nesta medida que um processo de formação continuada eficaz pode ocorrer, ou seja, na junção entre a figura do professor como agente do processo de formação e a escola como o local onde esta formação acontece. Conforme Nóvoa (2003):
“a preocupação com a pessoa do professor é central na reflexão educacional e pedagógica. Sabemos que a formação depende do trabalho de cada um. Sabemos também que mais importante do que formar é formar-se; que todo conhecimento é autoconhecimento e que toda formação é autoformação”.
Esta nova forma de pensar a formação dos professores não tem sido desprovida de críticas. Formar professores, numa perspectiva continuada, através de abordagens que preconizam práticas reflexivas e o uso de biografias, representa também um caminho cheio de escolhos. Grande parte da crítica que se endereça a esta abordagem aponta como problema o esvaziamento da categoria trabalho, em detrimento talvez de uma valorização do sujeito e de seu conseqüente distanciamento da noção de classe. O professor correria então o risco de perder sua identidade coletiva através de seu assujeitamento diante de práticas reflexivas e biográficas. Para Freitas (2002:142),
“(...) os anos 90, contraditoriamente, foram marcados também pela centralidade no conteúdo da escola (habilidades e competências escolares), fazendo com que fossem perdidas dimensões importantes que estiveram presentes no debate dos anos 80. A ênfase excessiva do que acontece na sala de aula, em detrimento da escola como um todo, o abandono da categoria trabalho (grifo da autora) pelas categorias de prática, prática reflexiva, nos estudos teóricos de análise do processo de trabalho, naquele momento histórico de abertura política e da democratização da escola, recuperavam a construção dos sujeitos históricos professores como sujeitos de suas práticas”.
Todavia, o principal problema, para Freitas, não está em redimensionar o papel do professor como sujeito ativo de um processo histórico, mas na ênfase excessiva na figura do professor e na sala de aula, em detrimento da construção do coletivo de classe, tornado-se alvo fácil de políticas neoliberais baseadas na qualidade e, conseqüentemente, no diagnóstico prescritivo no que tange às ações do professor.
Não obstante toda a pertinência da crítica de Freitas (2002), nossa hipótese é que as diferentes perspectivas de trabalho apontadas não são excludentes, ou seja, é possível trabalhar com o que Thompson (1978) denominou de “termo ausente” no materialismo histórico de Marx, ou seja, a noção de experiência, sem que para isso a categoria trabalho perca sua centralidade no processo de formação continuada de professores. Para Thompson (1978:182):
“(...) o que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: experiência humana. É esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores desejam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de empirismo. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro deste termo- não como sujeitos autônomos, “indivíduos livres”, mas como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos, e em seguida “tratam” essa experiência em sua consciência e sua cultura (as duas outras expressões excluídas pela prática teórica) das mais complexas maneiras (sim, “relativamente autônomas”) e em seguida (muitas vezes, mas nem sempre, através das estruturas de classes resultantes) agem, por sua vez, sobre sua situação determinada)”.
Assim, recuperar um “termo ausente” (a experiência) no processo de formação de professores, não significa obliterar o significado e o valor da profissão docente. Ao contrário, é possível conjugar o papel das representações do magistério em suas dimensões política, sociológica, histórica e, porque não, subjetiva.
Desta forma, convém ressaltar que os estudos biográficos não sobrepujam o sujeito em detrimento do coletivo, mas ao evidenciar o sujeito e sua condição historicamente determinada, evocam a condição de seus pares e, portanto, de sua classe.
Todavia, essa tendência em curso relacionada à utilização da história de vida de professores como estratégia de formação continuada, precisa sim ser rigorosamente avaliada. Analisando as perspectivas atuais da pesquisa sobre docência, André (1998) chama a atenção para a fecundidade deste caminho ao afirmar que
“os programas de capacitação têm procurado levar seus participantes a refazerem sua história de vida, através de um exercício de memória que lhes permite analisar as condições e os contextos em que desenvolveram suas experiências, possibilitando compreendê-las nas suas especificidades e nas suas aproximações com as histórias de outros sujeitos” (1998:72).
Em um texto bastante auspicioso sobre o trânsito entre a “infância e a adultez”, Vieira (1996) mostra como o estudo biográfico e, portanto, as trajetórias dos sujeitos, pode elucidar e desvendar as práticas docentes. Assim, através da trajetória biográfica de duas professoras primárias no interior de Portugal, o autor procura perscrutar de que forma as professoras elaboraram suas posturas frente à diversidade cultural no contexto de sua prática docente. Vieira (1996) identifica dois modelos de professoras que, conforme lembra o autor
“(...) com severas dificuldades, romperam o cerco apertado da ruralidade e singraram na escola, que, como sabemos, opera transfusões na vida cultural dos indivíduos. Com o sucesso escolar, há um aceder à lógica da cultura letrada, à uma lógica da escrita, da uniformidade, da formalidade e da globalidade versus particularidade, da cultura racional e oficial do Estado versus cultura do quotidiano” (1996:136).
É na construção de seus “tipos ideais” (na acepção weberiana) acerca de duas professoras que transpuseram o “estatisticamente improvável” e acederam social e profissionalmente através de uma escolarização de sucesso, é que Vieira identifica dois modelos. Isto somente foi possível através da recuperação da história de vida de ambas, portanto, do método biográfico como recurso importante para refletir sobre as posturas adotadas diante da práxis cotidiana:
a) No primeiro modelo, há o professor que rejeita sua origem, seu passado. Este professor é tido como OBLATO, ou seja, é o devoto da nova posição adquirida e aquele que não faz uso do seu passado como instrumento fértil para suas ações no presente. O oblato assume a nova posição conquistada e a ela faz um devotamento, incorporando-a por completo e esquecendo-se de seu passado.
b) No segundo modelo, há o professor que utiliza suas “marcas sociais”, portanto, seu passado e dele tenta tirar proveito pedagógico para o presente e para o futuro. Segundo Vieira (1996:138),
“(...) o trânsfuga vê sua passagem pela infância e adultez rurais, pelas escolas dos meios campesinos onde veio também a ensinar, como fatos sociais normais, conseqüência da heterogeneidade cultural e da luta de classes. A diferença reside fundamentalmente na sua capacidade de tirar partido pedagógico desse seu passado, hoje presente de muitos, ao invés de o considerar como um handicap”.
O que os estudos biográficos procuram chamar a atenção é que todos nós somos herdeiros daquilo que vivenciamos no passado. Entretanto, é possível tirar proveito pedagógico do passado, ao refletir sobre as experiências pregressas: “por quê me tornei professor”; “o que considero um bom professor”, “por quê ensino do jeito que ensino” e assim por diante. É neste sentido que as narrativas biográficas podem ser percebidas como “biografias educativas” (segundo a acepção de Josso, 2002), pois permitem refletir sobre o passado para propor novas ações tanto no tempo presente, quanto no tempo futuro.
A utilização de relatos autobiográficos na formação continuada
A atividade a que nos aludimos (Formação Continuada) foi desenvolvida junto a um programa extensionista (Programa de Apoio à Educação Básica – PROBASE) que surgiu a partir de uma demanda local que mostrava a necessidade ao professor de ampliar seu horizonte de conhecimentos para além das especificidades de sua disciplina.
As idéias básicas que fundamentam a proposta do PROBASE delinearam, pois, a elaboração de um programa de extensão orientado para a formação continuada de professores das várias áreas de conhecimento – Língua Portuguesa, Ciências Sociais, Ciências da Natureza, Matemática, Astronomia, Artes e outras – presentes no currículo das escolas das redes públicas municipal e estadual da região. Constituído pelos projetos nas várias áreas citadas, as propostas foram sendo construídas em uma perspectiva interdisciplinar, com a finalidade de proporcionar ao professor atuante no Ensino Fundamental e Médio, a oportunidade de conhecer com maior profundidade e rigor conceitual, os temas concernentes a esse nível, tanto na especificidade de cada área de conhecimento, como na interface das mesmas. Assim também, conhecer a variedade de aspectos metodológicos do ensinar e aprender, trazendo para sua reflexão e análise crítica a diversidade de tendências presentes no exercício da Educação. A constituição de um espaço de pesquisa, leitura, estudo e reflexão no Probase, fundamentou a criação e implementação de práticas alternativas voltadas para o ensino e a aprendizagem nas várias áreas e para a realidade das salas de aula dos professores participantes.
A formação continuada foi desenvolvida junto a um grupo composto de 40 participantes, que eram professores especialistas nas diversas disciplinas curriculares e/ou estavam ocupando cargos de coordenação e direção. A formação deles consistia em: Ciências Biológicas, Estudos Sociais, História, Pedagogia, Letras, Matemática e Magistério.
O Programa foi desenvolvido nos dois semestres de 2004 (março a novembro), em 120 horas, sendo 80 horas com atividades presenciais e 40 horas semi-presenciais. Nas 80 horas presenciais os trabalhos desenvolveram-se nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, Filosofia e Ciências Sociais, Ciências da Natureza com ênfase em Química, Matemática, Astronomia e Música na Escola. Os encontros ocorreram aos sábados não-consecutivos com 8 horas de trabalho por encontro.
Nas 40 horas semi-presenciais os professores participaram de palestras, oficinas de música, teatro, higiene vocal, visitas monitoradas a museus e localidades da região. Paralelamente, elaboraram um Plano de Ação Pedagógica (individual ou em grupo/por escola) desenvolvido na escola com a orientação dos docentes participantes do Programa. Pretendeu-se assim que o Programa envolvesse as escolas e não apenas a sala de aula do professor participante, promovendo uma maior integração entre os professores e entre as próprias escolas. Finalizada a etapa, os professores prepararam um relatório completo do Plano de Ação Pedagógica, desde sua proposição, desenvolvimento até os resultados obtidos, os quais foram apresentados à comunidade em geral através de um Simpósio. Todas as atividades foram programadas e organizadas segundo cronogramas previamente estabelecidos e discutidos com os participantes do Programa.
Ainda não se pode adiantar a validade da proposta na sua totalidade, uma vez que a finalização do “Projeto Piloto” acaba de chegar em sua última etapa, com a apresentação dos projetos em um Simpósio. No entanto, o relato positivo dos participantes expressando suas idéias sobre as situações já vivenciadas e o amadurecimento que essa experiência de trabalho já propiciou aos docentes da UFOP envolvidos, leva a crer que o Probase irá frutificar nos anos vindouros. O programa continuará não apenas como mais um Programa de Extensão, como se pretende, mas também como um Projeto fértil que se construirá cotidianamente, através do novo olhar dos professores participantes sobre o conhecimento e, conseqüentemente, do aluno, da escola, da comunidade. Seguramente, todos esses sujeitos envolvidos no processo educativo não serão mais os mesmos, assim como os próprios professores da UFOP tampouco serão os mesmos ao trabalharem neste projeto interdisciplinar de formação continuada.
Como já mencionado, entre as diferentes áreas do conhecimento desenvolvidas no Probase, foi na disciplina de Ciências Sociais que foi desenvolvido o trabalho dos relatos autobiográficos. Esta disciplina teve como um dos seus objetivos a reflexão sobre o papel do professor e sua prática docente enquanto sujeito ativo neste processo de construção do conhecimento. O professor foi percebido como sujeito sócio-historicamente determinado, que produz cultura e que a reproduz no processo de ensino-aprendizagem. Assim, nossa assertiva é a de que somente através da reflexão e do questionamento do professor sobre o seu “estar no mundo e na profissão” é que se faz possível utilizar a história de vida como constructo indispensável para a recuperação de sua identidade e valorização profissional.
A produção a partir dos relatos autobiográficos
Inserido na programação do Programa de Apoio à Educação Básica, foram então desenvolvidos encontros que buscaram trabalhar a formação do professor a partir da utilização de relato autobiográfico. Enquanto estratégia de formação os participantes, através do estudo de memória, puderam reconstruir a história da formação docente de cada um e, procedendo assim, num aspecto mais amplo, elaborar um estudo sobre a cultura escolar.
Procurou-se, assim, investigar a memória dos professores sobre os seus primeiros tempos de escola (este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional?). Em que medida esta categoria (docentes) consegue tirar proveito pedagógico de seu passado escolar para construir novas práticas no presente, enquanto “ser professor”? Para tanto, a memória apresenta-se como um dado fundamental do processo formativo ulterior do sujeito.
A atividade propriamente dita foi antecedida da leitura e análise de excertos voltados para “as primeiras experiências da vida escolar nos relatos de professoras e professores” [1],. Em seguida, os professores, a partir da sua própria experiência, foram motivados a produzir o seu próprio relato autobiográfico sobre a sua trajetória enquanto professor.
Como documento balisador foi apresentado uma série de questões tais como:
1) Quais são as lembranças mais recorrentes sobre o tempo vivido na escola, como estudante?
2) Como era a relação com a escola? Gostava de freqüenta-la ou fazia por obrigação?
3) Quais as lembranças que mais lhes marcaram a respeito dos professores? Relate tanto as memórias boas quanto as ruins e a relacione com a imagem que construiu para si mesmo, ao longo do percurso escolar, sobre o “bom” e o “mau” professor.
4) Como a família percebia a importância do estudo em sua vida? A escola era uma condição necessária ou um produto do acaso ou mesmo escolha pessoal?
5) Os pais e familiares próximos atribuíam importância ao chamado “mundo letrado”? A escola chegou a ser uma via de mobilidade social ascendente, ou seja, de possibilidade de um futuro melhor?
6) Como se deu a escolha de sua profissão? O passado escolar interferiu na decisão?
7) Em que medida recorre ao passado para tirar proveito pedagógico de suas práticas cotidianas em sala de aula?
Deste modo, estribado nestas questões, o relato procurou cingir algumas destas temáticas: a) definição de conceitos que circundam o “professor” enquanto profissional, indivíduo, cidadão e sujeito; b) análise da atividade docente e da dimensão política que esta agrega; c) proposição de leituras acerca da relação professor-aluno-escola e comunidade, como uma iniciativa que visa a viabilização de espaços dialéticos, em detrimento à organização positivista das escolas.
Alguns relatos do impacto causado pela atividade realizada junto aos participantes:
“(...) a consciência nasce quando interpretamos um objeto com o nosso sentido autobiográfico, a nossa identidade e a nossa capacidade de anteciparmos o que há de vir”.(Josso, 2002:08)
O material coligido procurou “costurar” aspectos tais como: “O que é a minha formação? Como é que eu me formei? Como eu dou sentido à minha própria história?”. Convém salientar que, de acordo com a perspectiva que adotamos até aqui, acreditamos que as narrativas das recordações escolares ensejam uma postura mais reflexiva sobre a própria formação, tal como indicam alguns relatos:
“(...) nos fazendo refletir sobre nossas vidas e trajetórias como professor, o que, muitas vezes, não refletimos a respeito pelo fato de estarmos sempre ocupados com atividades do dia-a-dia.”
“As discussões e relatos da tarde (Ciências Sociais) acerca do “ser professor” trouxe à tona muitas lembranças e recordações passadas.”
“Estamos chegando ao final dos encontros do semestre e não sei como podem ser feitos certos tipos de críticas. Os encontros têm sido ótimos, essas lembranças dos tempos da escola primária foram legais e foi muito bom estar participando da estória de cada um”.
“A idéia de falarmos a respeito de nossa escolha pela docência foi interessante. O trabalho em grupo nos levou a discutir o nosso papel na sociedade, hoje como professores, e até a ouvir diferentes opiniões dentro do mesmo grupo”.
“O encontro foi bastante proveitoso, principalmente na parte da tarde, que nos fez refletir sobre a profissão “professor”. O assunto foi passado com clareza e, com certeza, todos puderam sair com uma motivação maior em exercer sua profissão.”
Instados a responderam quais eram as boas e as más lembranças que os professores tinham a respeito da escola, suas respostas foram as seguintes:
Lembranças boas:
• Horas cívicas; desfile;
• Momentos de sociabilidade no interior da escola e fascinação pelo espaço físico;
• Deixar a roça para estudar na cidade e a adaptação ao mundo “citadino”; adaptação com os parentes e com a nova vida são lembranças evocadas como boas lembranças;
• Emoção ao deparar-se com a caligrafia na escola, com a aprendizagem da letra cursiva e a letra de “fôrma”; emoção ao ler a primeira palavra;
• Evocação da hora da merenda: pão com goiabada; leite caramelado, ou seja, tudo isso representava uma novidade em meio a uma situação difícil, de parcos recursos;
Dentre as boas lembranças, encontramos também a escolha da profissão:
• Status, prestígio, ascensão social; vontade de “decodificar o mundo letrado” etc.
• Estudar para “ser gente”; “dar aos filhos o que não se teve”; “professora: orgulho da família”; inspiração em professores queridos também é uma prática recorrente; profissão mais fácil para ingressar no mundo do trabalho, bem como a “escolha casada da profissão”: “o curso me escolheu e eu escolhi o curso”.
Lembranças difíceis:
• Constrangimento em sala de aula, dentre eles o de uma aluna canhota, por não saber escrever com a mão direita; outra professora recorda que ficou trancada no banheiro por chorar pela ausência da mãe;
• Sucessão de castigos em decorrência de alguma disciplina; privações, argüições;
• Medo dos professores;
• Exigência do asseio em relação ao uniforme;
É interessante ressaltar que estas narrativas também produzem um conhecimento capaz de trazer a reflexão sobre a prática do professor, trabalho este que se insere naquilo que Josso (2002) chama de “biografia educativa”. Este tipo de biografia corrobora a importância deste aporte metodológico como instrumento prolífico para a produção de um tipo de conhecimento que faça sentido ao professor, uma vez que este é agora o sujeito da reflexão. A autora lembra que lançar mão daquilo que chamamos anteriormente de “termo ausente”, ou seja, dos relatos biográficos e dos usos de memória como estratégias de formação continuada, representa confrontar o formativo e o prescritivo. Para Josso (2002:23), o formativo, através do recurso biográfico, permite o exercício do “auto-formar-se” e possibilita, conseqüentemente, a revisão, pelo formador, das práticas escolares, levando-os a um questionamento diante de concepção e práticas ainda dominantes na formação inicial e continuada.
Por fim, ao privilegiar o recurso autobiográfico como estratégia de formação docente (continuada ou não), resvala-se em um ponto fundamental para a construção identitária da própria profissão: O que é a formação? Dentro da formação, que lugar ocupam as experiências? Como elas se formam e transformam as nossas identidades e subjetividades?
Para Josso (2002:31), “(...) as experiências, de que falam as recordações-referências constitutivas das narrativas de formação, contam não o que a vida lhes ensinou, mas o que se aprendeu experiencialmente nas circunstâncias da vida”. Assim, corroborando com autora no que diz respeito à importância da reflexão sobre os momentos significativos dos percursos pessoais e profissionais dos docentes e, vendo neste recurso um material prolífico como estratégia de formação, é que optamos pela utilização dos relatos autobiográficos como estratégia teórico- metodológica de formação continuada para professores.

Bibliografia
ANDRÉ, M. E. D. Perspectivas atuais da Pesquisa sobre Docência. In CATANI, D. B. et alii. Docência, Memória e Gênero: Estudos sobre formação. São Paulo. Escrituras Editora, 1997.
BUENO, B. (org.) A vida e o oficio dos professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração. São Paulo: Escrituras, 1998.
CATANI, D. B. (orgs) Docência, Memória e Gênero: Estudos sobre formação. São Paulo: Escrituras Editora, 1997.
FREITAS. H. C. L. “Formação de professores no Brasil: 10 anos de embate entre projetos de formação". In Educação e Sociedade, Campinas, CEDES, 2002.
GOODSON, I. Dar voz ao professor: As histórias de vida dos professores e seu desenvolvimento profissional. In NÖVOA, A. (org) Vidas de Professores. Porto, Porto Editora, 1992.
JOSSO, Marie-Christine. Experiências de Vida e Formação. Lisboa: Educa, 2002.
LELIS, I.A & NUNES, C. M. F. A Construção Social do trabalho Docente: do Estudo das “Representações” às “Histórias de Vida” In Anais do III Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação. Coimbra, 2000.
NÓVOA, A. Os professores e as Histórias da sua vida. In. NÖVOA, A (org.). Vidas de professores. Porto, Porto Editora, 1995.
NÓVOA, A. “Professor se forma na escola”. In: Revista Nova Escola, 2003.
OLIVEIRA, D. “As reformas educacionais e suas repercussões sobre o trabalho docente”. In: Reformas educacionais na América Latina e os trabalhadores docentes. Belo Horizonte: Autêntica, 2003
THERIEN, J. Saber experiência, identidade e competência profissional: como os docentes produzem sua profissão. In Contexto e Educação. Editora UNIJUI, ano 12, no. 48, out/dez/1997, p. 7-36.
THOMPSON, E.P. “O termo ausente”. In: A Miséria da Teoria. São Paulo: Paz e Terra, 1978.
VASCONCELOS, G. N (org.) Como me fiz professora. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
VIEIRA, R. “Da infância à adultez: o reconhecimento da diversidade e a aprendizagem da interculturalidade”. In: O saber das crianças. Porto: Cadernos ICE, 1996.

PUBLICADO NA REVISTA ABCEDUCATIO DE JANEIRO/2007

A PEDAGOGIA DA ALTERIDADE

Por: Jorge Schemes

Cada vez mais o individualismo selvagem e até mesmo cruel se impõe como filosofia de vida no cotidiano de milhares de crianças e jovens. A indiferença pelas necessidades do outro e a banalização da vida humana são considerados princípios de autopreservação e sobrevivência. E essa idéia é reforçada diariamente pela mídia. A criminalidade em todas as suas esferas nos transmite uma sensação de impotência e nos deixa perplexos. E as perspectivas atuais em relação a delinqüência infanto-juvenil são no mínimo alarmantes. As leis do anti-humanismo contemporâneo acabam sendo adotadas como regras de conduta, onde os fins justificam os meios. Os modelos (paradigmas) morais não são permanentes, antes são fúteis, fracos e passageiros, deixando uma lacuna ética e moral na cosmovisão social. Vivemos no século do descartável, do obsoleto, da vulnerabilidade de mercados, e, como conseqüência, da vulnerabilidade do humano, que acaba sendo avaliado no contexto neoliberal como meio e não como fim em si mesmo.
Certamente que este cenário de crise moral, ética e espiritual que se manifesta na sociedade pós-moderna acaba tendo repercussão dentro da escola. Devemos considerar que o sistema do processo educacional está inserido dentro de um sistema maior, e que os problemas morais e éticos manifestados dentro das escolas enquanto instituições são na realidade reflexos do que está ocorrendo em seu entorno. Todavia, o comprometimento ético com a educação deveria lançar um “olhar caleidoscópico” dos educadores sobre a infância e a juventude. Contemplar a diversidade e as diferenças presentes em sala de aula é o primeiro passo para desmantelar a concepção metafísica de ser humano formatada por séculos dentro do modelo tradicional de ensino. Neste caso, trata-se de uma concepção uniforme, pré-moldada e limitada. A concepção metafísica de ser humano com seu olhar telescópico só poderia servir aos interesses daqueles que visavam a exclusão, pois é uma idéia excludente que não contempla os “incapazes”. Devemos considerar que nossa concepção de ser humano afeta diretamente a nossa concepção de sociedade e educação. Que “tipo” (grego: tupos = marca ou imagem deixada sobre algo) de ser humano queremos formar? Para qual sociedade? Com que educação?
Pensar no ser humano numa perspectiva histórico-social, de construção e reconstrução constante dentro de um processo dialético e dialógico, nos possibilita contemplar “as infâncias e as juventudes” manifestadas diante de nós. Esse olhar caleidoscópico propicia uma visão da diversidade presente dentro da escola. Ao mudar o foco de nosso olhar sobre o humano manifestado no ser, perceberemos a necessidade de uma ética que contemple o outro como manifestação humana. O “totalmente outro” que se manifesta como é, e é recebido e acolhido como tal, sem preconceitos ou discriminação. Por este viés, faz-se necessário uma reflexão profunda sobre o pensamento teórico e as práticas pedagógicas. Por este caminho a pedagogia precisa ser repensada como uma pedagogia da alteridade. Ao contemplar as diferenças e propiciar o diálogo e a reverência pelo outro que se manifesta no rosto, a pedagogia da alteridade precisará de uma ética pertinente, ou seja, a ética da alteridade. Não se trata de um discurso vazio e palavras estéticas, mas de atitudes morais realizadas na concretude do ser que está erigido em corpo físico e manifestado no rosto do outro. Ou seja, ações de solidariedade, respeito, zelo e justiça que tenham como alvo o diferente, o excluído, o criminoso, o violento, o rebelde, o indisciplinado, enfim, o totalmente outro manifestado diante de mim por meio de seu rosto humano. É no rosto e por meio dele que o humano se manifesta no ser. O rosto nos remete a uma necessidade ética universal. Essa necessidade ética universal pode ser construída como uma filosofia primeira, antes mesmo da ontologia, ou seja: como ética da alteridade. Nesta fundamentação ética é que será possível uma pedagogia mais humana, justa e solidária, ou seja, a pedagogia da alteridade.

*Jorge Schemes:

Bacharel em Teologia Línguas Bíblicas – Grego e Hebraico.
Licenciado em Pedagogia com Habilitação em Séries Inicias e Administração Escolar.
Licenciado em Ciências da Religião.
Pós-Graduado em Interdisciplinaridade e Metodologia do Ensino Superior.
Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Professor de Filosofia da Educação na FEJ – ACE.
Técnico Pedagógico na GEECT - Gerência da Educação, Ciência e Tecnologia.

REFLEXÃO PARA O ANO NOVO


FECHADO PARA BALANÇO

Por: Jorge Schemes

Mais um ano se escoa rapidamente e seus 365 dias chegam ao fim. começamos a partir de agora a contagem regressiva para o final de 2006, e aguardamos com expectativa e até certa ansiedade o início de 2007. Todo o começo de ano milhares de pessoas ao redor do mundo fazem planos para o futuro. Ninguém em perfeita razão planeja o fracasso e a derrota, todos desejam sinceramente "se dar bem" durante o novo ano. A mesma história repete-se a cada festa de Ano Novo. As pessoas comem, bebem, se divertem, passam a noite em claro e acordam no outro dia com uma enorme dor de cabeça, ou com problemas digestivos, por causa de sua "grande alegria" de poderem estar vivas na virada de mais um Ano Novo. Todavia, como cristãos, devemos ter uma escala de valores na ordem correta. Jesus nos ensinou que devemos buscar "em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas as demais coisas (materiais) nos serão acrescentadas, pois Deus sabe que precisamos de todas elas". (Mateus 6:32,33). Devemos iniciar o novo ano demonstrando interesse nas coisas celestiais, interesse em buscar a Deus, Seu perdão, Seu amor e Sua vontade. Que bom seria se cada família cristã na face da Terra fizesse, na virada de ano, um culto de louvor, gratidão e adoração a Jesus, dedicando as primeiras horas do Ano Novo ao Senhor Deus, buscando dEle perdão, forças, direção e sabedoria para a realização dos alvos, planos e projetos estabelecidos para os próximos 365 dias. Nesta época do ano é comum ver cartazes nas lojas dizendo: "fechado para balanço". O término de cada ano é um mometo excelente para se fazer um balanço geral da nossa vida. É o momento ideal para a reflexão e auto-avaliação; talvez por isso milhares tentam se esconder no meio da multidão, ou ainda abafar suas consciências perturbadas, com bebidas alcoólicas. Talvez as pessoas não gostem de "fechar para balanço" por causa da culpa e do peso de seus erros e fracassos, ou por causa do tempo perdido. Todavia, o fato é que Deus não está interessado em nosso passado, por mais obscuro que tenha sido. Para Deus não importa o quanto fracassamos. Deus está interessado em nós, em nossa vida agora, como está escrito: " Assim, pois, diz o Espírito Santo: Hoje se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações...animem-se mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado". (Hebreus 3:7,13). Não devemos ficar os próximos 365 dias de 2007 lamentando nossos fracassos e erros cometidos em 2006. Deus deseja que confessemos nossos erros e olhemos para Jesus e não para o passado. O perdão de Deus através do sangue de Jesus é suficientemente poderoso para apagar nossas derrotas e nos dar a vitória, por isso devemos dizer com o apóstolo Paulo: "...uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e vanço para o que está na minha frente. Corro direto para a meta a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus". (colossenses 3:13,14 - BLH). Imagine que ao começar 2007 você recebesse de Jesus uma agenda de presente; e Jesus escrevesse a seguinte dedicatória: "Filho, filha, você está recebendo mais um ano com 365 dias, você é livre para escrever o que desejar em cada uma dessas 365 páginas em branco. O que você deixar registrado fará parte da história da sua vida, sua autobiografia. Porém, Eu gostaria muito de estar presente em cada página como Seu melhor amigo, Salvador e Senhor, porque te amo tanto que morri e ressuscitei por você. Gostaria muito que você começasse 2007 escrevendo uma história de amizade e cumplicidade comigo. Por favor, neste novo ano que inicia, não esqueça de Mim; Seu melhor amigo, o Salvador e Senhor. Assinado: Jesus Cristo!".


Prezado(a) amigo(a), como você escreverá a sua história em 2007?

O QUE É CULTURA?



CULTURA: UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO

Por: Jorge Schemes

Bibliografia sintetizada:


LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

SÍNTESE

O desenvolvimento do conceito de cultura é importante para a compreensão do paradoxo da enorme diversidade cultural da espécie humana. O dilema da espécie está entre sua unidade biológica e sua diversidade cultural.

“A natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantém separados”. (Confúcio, séc. IV a.C.)

Monogegismo: Doutrina antropológica segundo a qual todas as raças humanas procedem de um tipo primitivo único.

M Montaigne (1533-1572) - “ Na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.

Tentativas de explicação do dilema:

1. Determinismo biológico:

“Para a antropologia, as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais”.

As diferenças genéticas hereditárias não constituem um fator de importância primordial entre as causas das diferenças culturais e civilizatórias dos diversos povos ou grupos étnicos. È a história cultural de cada grupo que explica essas diferenças.

Não é a racionalidade biológica (determinismo biológico) que determina as diferenças de comportamento entre homens e mulheres, mas a cultura.

O comportamento é o resultado de aprendizado, o processo de endoculturação. Comportamentos diferentes são o resultado de educação diferenciada.

2. determinismo geográfico:

As diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural? Há uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais. É possível existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico.

Como conclusão podemos afirmar que as diferenças entre os homens não podem ser explicadas pelos determinismos biológico e/ou geográfico.

O homem rompeu com suas limitações, por isso difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Mas o que é cultura?

Vejamos alguns antecedentes históricos do conceito de cultura:

Edward Tylor (1832-1917): Kultur (alemão), Significa todos os aspectos espirituais de uma comunidade. Civilization (inglês), significa as realizações materiais de um povo. Culture (inglês), em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábito adquirido pelo homem como membro de uma sociedade.

Kroeber escreveu o artigo: “O Superorgânico” (in American Antropologist, vol. XIX, Nº 02, 1917).

Kroeber rompeu os laços entre o cultural e o biológico, postulando a supremacia da cultura em detrimento da biologia. O homem é diferente dos demais animais por dois motivos: 1º) A possibilidade da comunicação oral. 2º) A capacidade de fabricação de instrumentos capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Assim, o homem é o único ser possuidor de cultura.

O desenvolvimento do conceito de cultura:

Para Edward Tylor a cultura pode ser objeto de um estudo sistemático, pois trata-se de um fenômeno natural que possui causas e regularidades, permitindo um estudo objetivo e uma análise capazes de proporcionar a formulação de leis sobre o processo cultural e a evolução. Considerava as
considerações metafísicas e teológicas sobre a natureza humana obstáculos para a investigação das leis da natureza humana. Defendia que causas naturais e definidas determinam as ações humanas. Preocupava-se com a diversidade cultural e com a igualdade existente na humanidade. A diversidade para Tylor é o resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução. Uma das tarefas da antropologia seria estabelecer uma escala de civilização, onde de um lado (extremo ou limite) estariam as nações européias, do outro lado (extremo ou limite) estariam as tribos selvagens. Esta concepção estava dentro do contexto da Origem da Espécies de Charles Darwin com seu evolucionismo unilinear.

A idéia geral de que a cultura desenvolve-se de maneira uniforme teve como resultado uma escala evolutiva discriminatória (etnocentrismo europeu ocidental).

Stocking (1968): Criticou Tylor por deixar de lado toda a questão do relativismo cultural, o fato de não reconhecer os múltiplos caminhos da cultura.

Franz Boas (1858-1949): Atribui à antropologia duas tarefas: A reconstrução da história dos povos ou regiões particulares e a comparação da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento segue as mesmas leis. É considerado o pai do particularismo histórico (escola cultural americana), o qual preconiza que cada cultura segue os seus próprios caminhos em função dos diferentes eventos históricos quqe enfrentou (abordagem multilinear da teoria da evolução).

Alfred Kroeber (1876-1960): Defende as seguintes idéias (dentre outras) em seu artigo “O Superorgânico”:
A cultura atua sobre o homem.
Graças à cultura a humanidade distanciou-se do mundo animal.
O homem é um ser acima de suas limitações orgânicas.
Embora as funções vitais sejam comuns a toda a humanidade, a maneira de satisfazê-las varia de uma cultura para outra. Há uma grande variação em um número pequeno de funções vitais (diversidade cultural).
A herança genética não tem nada a ver com as ações e pensamentos.
Todos os atos humanos dependem inteiramente de um processo de aprendizado. O homem criou o seu próprio processo evolutivo.
Nenhum outro animal tem toda a terra como o seu habitat, apenas o homem conseguiu esta proeza.
Superando o orgânico, o homem de certa forma libertou-se da natureza.
O homem ao adquirir cultura perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de repetir os atos de seus antepassados. O homem adaptou-se ao meio.

Há uma crença popular de que as qualidades são mais ou menos adquiridas graças à transmissão genética. Exemplo: “Tenho a física no sangue”. (frase dita por alguém porque o seu avô era físico); “tenho jeito para a música”. (Frase dita por alguém porque seu pai é músico).

Cesare Lombroso (1835-1909): Criminalista italiano que relacionou a aparência física com tendência para comportamentos criminosos (foi considerada verdade científica e justificativa para as diferenças raciais). O resultado foi discriminações raciais e sociais.

O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado.
A manipulação criativa do patrimônio cultural é que permite as inovações e as invenções.
Não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, é necessário colocar ao alcance desses indivíduos o material que lhes permita exercer a sua criatividade de uma maneira revolucionária.
A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo.
A existência do homem depende tanto da invenção do arco e da flexa como de outras tecnologias modernas. (Sem as suas primeiras invenções ou descobertas, hoje consideradas modestas, não teriam ocorrido as demais).
Nem todos os instintos humanos foram suprimidos. Exemplo: o bebê que busca o seio materno e suga por instinto. Porém, muito cedo, tudo o que a criança fizer não será determinado por instintos, mas pela imitação dos padrões culturais da sociedade em que vive. Enquanto os instintos têm uma uniformidade, os padrões culturais têm diversidade.
Tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposiões originadas fora da cultura.
Através da comunicação oral a criança vai recebendo informações sobre todo o conhecimento acumulado pela cultura em que vive (Observação e invenção). Uma criança e um bebê chimpanzé agem iguais até um ano de vida, depois desta idade agem completamente diferente. O que falta ao chimpanzé não é a capacidade de observação e invenção, mas a capacidade de comunicação.
A comunicação é um processo cultural.
A linguagem humana é um produto da cultura, que depende de um sistema articulado de comunicação oral.

Idéia sobre a origem da cultura:

como o homem adquiriu este processo extra-somático denominado de cultura que o diferenciou de todos os animais e lhe deu um lugar privilegiado no planeta? Isso se deu devido a alguns fatores, tais como:
Cérebro modificado.
Visão tridimensional.
Utilização das mãos (habilidade manual).
Bipedismo (posição ereta).
Desenvolvimento da inteligência humana.
Cérebro mais volumoso e complexo.

Claude Lévi-Strauss afirma que a cultura surgiu no momento que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma (a proibição do incesto).

Leslie White afirma que a passagem do estado animal para o humano ocorreu quando o cérebro do ser humano foi capaz de gerar símbolos. Para ele toda cultura depende de símbolos. White afirma que “é o exercício da faculdade de simbolização que cria cultura e o uso de símbolos que torna possível a sua perpetuação. Sem o símbolo não haveria cultura, e o homem seria apenas animal, não um ser humano. O comportamento humano é o comportamento simbólico. Uma criança do gênero Homo torna-se humana somente quando é introduzida e participa da ordem de fenômenos super-orgânicos que é a cultura. E a chave deste mundo, e o meio de participação nele, é o símbolo”.

“Todos os símbolos devem ter uma forma física, pois do contrário não podem penetrar em nossa experiência, mas o seu significado não pode ser percebido pelos sentidos. Ou seja, para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou”. (L. White)

Segundo estas opiniões, a cultura apareceu de repente, num dado momento, como um verdadeiro salto da natureza para a humanidade. Isso não difere muito da posição da Igreja Católica Apostólica Romana quando afirma que “o homem adquiriu cultura no momento em que recebeu do Criador uma alma imortal, a qual foi atribuída ao primata no momento em que Deus considerou que o corpo do mesmo tinha evoluído organicamente o suficiente para tornar-se digno de um alma e, conseqüentemente, de cultura”.

A ciência diz que a natureza não age por saltos repentinos, e que o salto da natureza para a cultura foi contínuo e incrivelmente lento.

O homem não é apenas o produtor da cultura, mas também, num sentido especificamente biológico, o produto da cultura. A cultura desenvolveu-se simultaneamente com o próprio equipamento biológico que caracteriza a espécie humana, ou seja: bipedismo, volume cerebral, uso das mãos e cultura.

PUBLICADO NA REVISTA MUNDO JOVEM


A PEDAGOGIA DA ALTERIDADE
Por: Jorge Schemes

Cada vez mais o individualismo selvagem e até mesmo cruel se impõe como filosofia de vida no cotidiano de milhares de crianças e jovens. A indiferença pelas necessidades do outro e a banalização da vida humana são considerados princípios de autopreservação e sobrevivência. E essa idéia é reforçada diariamente pela mídia. A criminalidade em todas as suas esferas nos transmite uma sensação de impotência e nos deixa perplexos. E as perspectivas atuais em relação a delinqüência infanto-juvenil são no mínimo alarmantes.

As leis do anti-humanismo contemporâneo acabam sendo adotadas como regras de conduta, onde os fins justificam os meios. Os modelos (paradigmas) morais não são permanentes, antes são fúteis, fracos e passageiros, deixando uma lacuna ética e moral na cosmovisão social. Vivemos no século do descartável, do obsoleto, da vulnerabilidade de mercados, e, como conseqüência, da vulnerabilidade do humano, que acaba sendo avaliado no contexto neoliberal como meio e não como fim em si mesmo.

Certamente que este cenário de crise moral, ética e espiritual que se manifesta na sociedade pós-moderna acaba tendo repercussão dentro da escola. Devemos considerar que o sistema do processo educacional está inserido dentro de um sistema maior, e que os problemas morais e éticos manifestados dentro das escolas enquanto instituições são na realidade reflexos do que está ocorrendo em seu entorno. Todavia, o comprometimento ético com a educação deveria lançar um “olhar caleidoscópico” dos educadores sobre a infância e a juventude. Contemplar a diversidade e as diferenças presentes em sala de aula é o primeiro passo para desmantelar a concepção metafísica de ser humano formatada por séculos dentro do modelo tradicional de ensino. Neste caso, trata-se de uma concepção uniforme, pré-moldada e limitada.

A concepção metafísica de ser humano com seu olhar telescópico só poderia servir aos interesses daqueles que visavam a exclusão, pois é uma idéia excludente que não contempla os “incapazes”. Devemos considerar que nossa concepção de ser humano afeta diretamente a nossa concepção de sociedade e educação. Que “tipo” (grego: tupos = marca ou imagem deixada sobre algo) de ser humano queremos formar? Para qual sociedade? Com que educação?

Pensar no ser humano numa perspectiva histórico-social, de construção e reconstrução constante dentro de um processo dialético e dialógico, nos possibilita contemplar “as infâncias e as juventudes” manifestadas diante de nós. Esse olhar caleidoscópico propicia uma visão da diversidade presente dentro da escola. Ao mudar o foco de nosso olhar sobre o humano manifestado no ser, perceberemos a necessidade de uma ética que contemple o outro como manifestação humana. O “totalmente outro” que se manifesta como é, e é recebido e acolhido como tal, sem preconceitos ou discriminação. Por este viés, faz-se necessário uma reflexão profunda sobre o pensamento teórico e as práticas pedagógicas.

Por este caminho a pedagogia precisa ser repensada como uma pedagogia da alteridade. Ao contemplar as diferenças e propiciar o diálogo e a reverência pelo outro que se manifesta no rosto, a pedagogia da alteridade precisará de uma ética pertinente, ou seja, a ética da alteridade. Não se trata de um discurso vazio e palavras estéticas, mas de atitudes morais realizadas na concretude do ser que está erigido em corpo físico e manifestado no rosto do outro. Ou seja, ações de solidariedade, respeito, zelo e justiça que tenham como alvo o diferente, o excluído, o criminoso, o violento, o rebelde, o indisciplinado, enfim, o totalmente outro manifestado diante de mim por meio de seu rosto humano.

É no rosto e por meio dele que o humano se manifesta no ser. O rosto nos remete a uma necessidade ética universal. Essa necessidade ética universal pode ser construída como uma filosofia primeira, antes mesmo da ontologia, ou seja: como ética da alteridade. Nesta fundamentação ética é que será possível uma pedagogia mais humana, justa e solidária, ou seja, a pedagogia da alteridade.


Jorge Schemes,
Professor de Filosofia da Educação na FEJ – ACE.
Técnico Pedagógico na GEECT - Gerência da Educação, Ciência e Tecnologia.
Endereço eletrônico: jorgeschemes@yahoo.com.br

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