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Dia Mundial Sem Tabaco 2008 - Novas Imagens

Em comemoração ao Dia Mundial sem Tabaco 2008 o Ministério da Saúde e o INCA lançaram as novas imagens de advertência sanitárias das embalagens dos produtos de tabaco. Pela primeira vez, as fotos e mensagens foram produzidas e selecionadas com base em um estudo sobre o grau de aversão que as ilustrações alcançam.Veja as novas imagens de advertências nas embalagens dos cigarros:

Veja as peças publicitárias da campanha:
- Cartaz/Homem - Formato 44x64 cm - PDF
- Cartaz/Mulher - Formato 44x64 cm - PDF
- Mobiliário Urbano/Homem - Formato 119x174 cm - PDF
- Mobiliário Urbano/Mulher - Formato 119x174 cm - PDF
- Mobiliário Urbano/Homem - Formato 120x180 cm - PDF
- Mobiliário Urbano/Mulher - Formato 120x180 cm - PDF
- Selo - Fique Esperto - JPG
- Spot para Rádio ou Internet - 30s - MP3

ATENÇÃO - Para download clique com o botão direito do mouse sobre o arquivo desejado e marque "Salvar destino como" escolha onde salvar e OK.

Universidade inglesa terá diploma em ciberpsicologia

A Nottingham Trent University, da Inglaterra, oferecerá uma nova graduação voltada para a psicologia da vida online, o primeiro curso de "ciberpsicologia".

A nova graduação estudará o comportamento humano em mundos virtuais e olhará para formas de relacionamento, sexualidade e jogatina online, conforme noticiou o site The Inquirer.

De acordo com o EducationGuardian, o curso será ministrado pela primeira vez a partir do novo ano acadêmico, e também abordará cibercrime, educação e aspectos de saúde, redes sociais e inteligência artificial.

Dentre as questões que procurarão ser respondidas estão algumas bastante interessantes. Por exemplo, como sites como MySpace e Facebook modificaram as maneiras com que as pessoas interagem. Para a Dr. Monica Whitty, que liderará o curso que custará aproximadamente US$ 9 mil, o ciberespaço não se limita a internet, mas também tecnologias como celulares e realidade virtual. "O fato dessas tecnologias fazerem parte de nossa vida cotidiana nos obriga a tentar entender como eles nos afetam psicologicamente", explicou.

Douglas Brown, porta-voz da associação British Psychological Society, vê o novo curso com bons olhos e explicou que esta é uma área em crescimento. (Fonte: Yahoo Notícias)

Robô maestro em ação...

Pela primeira vez, nos Estados Unidos, um robô regeu uma orquestra sinfônica, nesta terça-feira à noite (13/05/2008), entusiasmando a platéia, em Detroit (Michigan, norte dos EUA).


Músicos e amantes da música aplaudiram sem parar o pequeno robô, do projeto Asimo (Advanced Step in Innovative Mobility), da Honda, que dirigiu a orquestra sinfônica de Detroit em uma versão de "L'impossible rêve", na primeira parte de um concerto privado com o violoncelista Yo-Yo Ma.
"É fascinante de ver. A tecnologia é surpreendente", exclamou trombonista Randall Hawes, há 22 anos músico da orquestra.
"Fiquei impressionado de ver como sua atitude era natural quando ele apareceu e quanto ele estava imóvel".
Ainda assim, Hawes não acredita que o pequeno robô esteja, algum dia, em condições de substituir um regente em carne e osso.
"Nós reagimos em relação a ele, mas ele não reage em relação a nós", comentou.
"Era a única que estava faltando. Nós sabíamos quando ele ia parar e, então, paramos ao mesmo tempo que ele".
A orquestra sinfônica convidou o robô Asimo, depois que a Honda doou um milhão de dólares para uma fundação que se dedica a despertar o interesse das crianças dos bairros mais pobres de Detroit para a música. A Honda possui 25 robôs Asimo. (Fonte: Yahoo Notícias)

A cara de Zumbi - Para reflexão nesta data histórica - 13 de maio

História da revolta do Quilombo dos Palmares.
O céu avermelhado na Serra da Barriga podia ser visto de longe, em Alagoas, no dia 6 de fevereiro de 1694. Era o fogo queimando Macaco, a capital do Quilombo dos Palmares. O incêndio extinguiu a resistência da confederação de escravos rebelados. Ali, eles conquistaram um século de liberdade. Zumbi, o último líder de Palmares, sobreviveu à queda de Macaco, mas foi emboscado e assassinado em 20 de novembro de 1695. A data é, atualmente, o Dia da Consciência Negra porque, para muitos brasileiros, a abolição dos escravos começou a acontecer muito antes do século XIX. E não tem a cara da Princesa Isabel.

Por Ricardo Arnt e Ricardo Bonalume Neto - Fonte: Revista Super - Edição 98 OnLine.

A escravidão no Brasil foi oficialmente abolida no dia 13 de maio de 1888, por uma lei que levava a assinatura da Princesa Isabel. Mas, três séculos antes disso, os escravos rebelados construíram um país independente onde se tornaram homens livres.
O país Palmares começou a surgir em 1597 e durou até 1694. Seu território se estendia por 150 quilômetros de comprimento e 50 de largura, nos Estados de Alagoas e Pernambuco, entre os rios Ipojuca e Paraíba. Era uma região de serras de até 500 metros de altitude, cobertas por florestas e de acesso muito difícil principal razão da sua sobrevivência. Sua população variou muito em 100 anos. Os holandeses, que dominaram Pernambuco de 1630 a 1654, reconheciam em Palmares duas povoações, com 6 000 habitantes, no total. Mas depois de 1670, os relatos dos portugueses falam em mais de 20 000 habitantes. No auge, Palmares teve nove cidades, ou mocambos. Os historiadores divergem sobre esse número e sobre a localização das aldeias. A única conhecida, com certeza, é a capital, Macaco, na Serra da Barriga.
Em moldes africanos, a confederação constituía um Estado. Cada mocambo tinha seu chefe. Juntos, eles elegiam o rei do Quilombo. Em caso de ataques dos portugueses ou de expedições guerreiras para libertar escravos de engenhos e fazendas, as forças dos mocambos se uniam.
Palmares não abrigava apenas escravos fugidos. Era uma sociedade multirracial e miscigenada de negros, índios e até brancos pobres. Os ritos africanos conviviam com o catolicismo. Além de fabricar armas e ferramentas com a metalurgia trazida da África, os palmarinos plantavam milho, fumo, batata e mandioca. E faziam comércio com os vizinhos. A produção era trocada por munições, armas, sal, tecidos e ferramentas. Foram cem anos de convivência em paz e em guerra.
Ainda hoje é difícil chegar à capital de Palmares. A estrada que leva ao topo da Serra da Barriga, onde ficava Macaco, a capital palmarina, é de terra. Ou melhor, de barro. Quando chove, carros sem tração nas quatro rodas ficam atolados. Mesmo assim, em menos de uma hora um viajante vindo do litoral consegue atingir a serra, passando por fazendas que, como acontecia há 300 anos, continuam, praticamente, a se dedicar apenas a uma cultura: cana-de-açúcar.
As primeiras expedições de ataque dos portugueses levavam um mês, a pé, para bater às portas de Macaco, atravessando o mato e subindo a serra. No final do século XVII, porém, as trilhas abertas a facão e percorridas pelos soldados cortaram o tempo para apenas dois dias. Com isso, foi possível transportar a vantagem tecnológica dos portugueses: o canhão. Laboriosamente arrastado por carretas puxadas por bois, foi ele que acabou com Macaco.
Os vestígios de Palmares estão debaixo da terra. Não há muralhas, casas de pedra ou monumentos. O que existe é modesto, mas revela bastante da vida dos negros: restos de vasos e jarras de cerâmica, vestígios de casas e de paliçadas, pedaços de armas. A pesquisa arqueológica está no começo, mas o que já se achou deixou os pesquisadores entusiasmados.
Em 1988, a Fundacão Teotônio Villela, de Alagoas, enviou a Macaco os arqueólogos Cleonice Mendonça e Carlos Magno, da Universidade Federal de Minas Gerais, e o antropólogo Pedro Agostinho, da Universidade Federal da Bahia. Eles fizeram investigações de superfície, acharam restos de cerâmicas e identificaram, nas depressões circulares de uma pedra de afiar, uma oficina indígena de machados de pedra polida.
Em 1992 e 1993, o arqueólogo Pedro Paulo Funari, do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas e o americano Charles Orser Jr., da Universidade Estado de Illinois, fizeram escavações em Macaco. Acharam quatorze sítios arqueológicos (lugares especialmente promissores para as escavações e que, por isso, depois de demarcados, recebem esse nome). Treze desses sítios são do século XVII e um do final do XVIII. Desenterraram 2 448 cacos de cerâmica. Com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Alagoas, dirigido por Zezito de Araújo, Funari e Orser voltarão a Palmares no ano que vem.
Macaco era cercada por paliçadas. Teria três linhas de defesa, mais torres e baluartes, como uma fortaleza européia. Mas essa descrição pode muito bem ser exagero do inimigo, para glorificar sua vitória e conseguir maiores recompensas.
Esse é o problema: tudo o que se sabe sobre Palmares foi escrito pelos adversários, holandeses ou luso-brasileiros. Só os achados arqueológicos podem dar voz aos quilombolas, os habitantes dos quilombos.
Os arqueólogos acharam vestígios de uma pequena paliçada, no alto da serra. De acordo com Funari, o que se descobriu não tem a imponência necessária para ser a grande paliçada da capital, que deveria ficar mais abaixo do morro. Mas poderia fazer parte de um conjunto de obras de defesa. O fato de ter sido achada indica que há mais por ali.
Não se encontrou nada relacionado à batalha final, como madeira carbonizada, armas ou esqueletos. O solo ácido dificulta a sobrevivência de metais ou ossos. Mas há muitos fragmentos de cerâmica colonial grosseira, pedaços de cerâmica européia vitrificada e um grande vaso, quase intacto. Pode ter servido para armazenar comida, seguindo a tradição banto, ou, talvez, para um funeral, supondo-se uma possível continuidade de práticas indígenas, diz Funari.
Cerâmicas diversificadas indicam duas coisas: que havia pessoas, ali, fabricando-as, ou que elas foram compradas, ou roubadas. Pelos relatos, sabe-se que os palmarinos mantinham comércio com colonos luso-brasileiros vizinhos e que havia presença indígena no quilombo. Os fragmentos cerâmicos, em particular, demonstram uma forte influência indígena e uma não menos perceptível mescla de estilos europeus, africanos e ameríndios, analisa Funari. Para Orser, um dos elementos-chave de Palmares foi seu caráter interno sincrético. A arqueo-logia reforça a tese do pluralismo cultural de Palmares.

Onde há escravos, há revoltados. Desde o início da escravidão houve fugas de negros. Bastava uma chance. No Nordeste, o caos provocado pela invasão holandesa de 1630 permitiu um aumento generalizado das fugas. A essa altura, a população de Pernambuco, segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, era de 95 000 pessoas, dos quais 40 000 eram escravos. O historiador José Gonsalves de Melo, entretanto, trabalha com números menores: em 1647, um recenseamento holandês anotou apenas 7 900 habitantes, no Recife.
No início do século XVII, os negros vinham da costa da Guiné. A maioria eram sudaneses ocidentais, segundo o historiador Charles Boxer. Vinham com nomes que não indicavam a etnia, mas os portos de onde eram exportados: minas, congos, benguelas, moçambiques etc. Sem letra maiúscula. Por isso, é impossível, para os descendentes, saber quem eram.
Aos poucos, o tráfico concentrou-se no sudoeste da África, no Congo e em Angola, a região dos bantos. Em pouco tempo, os angolanos tornaram-se vitais para a agricultura colonial brasileira. Tanto assim que, quando os holandeses tomaram a cidade angolana de São Paulo de Luanda, partiu do Brasil a expedição que retomou Angola, em 1648.
Os escravos eram vendidos por chefes de tribos inimigas ou, como em Angola, os próprios portugueses invadiam o interior seqüestrando o que chamavam de peças da Índia. Pagava-se com a aguardente feita nos engenhos do Brasil. Os navios negreiros vinham superlotados. Boa parte da carga morria na viagem daí o apelido sinistro dos navios: tumbeiros.

Havia dois tipos de escravos: os que trabalhavam nas plantações e os empregados domésticos. Dependendo do senhor, a vida de um escravo doméstico poderia ser menos terrível. Já os escravos empregados na colheita da cana trabalhavam até morrer. Eram os que mais fugiam. Qualquer sinal de rebeldia era punido. Depois de chicoteados, os fujões recebiam um coquetel de sal, limão e urina nas feridas.
A média de vida útil de um escravo de plantação não passava de cinco anos, diz o historiador Décio Freitas, autor de Palmares, a Guerra dos Escravos. Quando chegava aos 30, o negro já estava fisicamente liqüidado ou desqualificado para o trabalho, seja do canavial ou do engenho. Com isso, seu valor caía e era mais lucrativo para o senhor comprar outro, mais jovem.
Em vários momentos e regiões da vida colonial, os escravos eram a maioria da população. Por isso, as revoltas eram muito temidas. Para preveni-las, os senhores evitavam ter escravos da mesma origem, para que não pudessem conversar entre si. A palavra boçal era usada para designar o escravo que ainda não falava português. Ladino era o que falava a língua e podia ter algum ofício, como carpinteiro, ferreiro, vaqueiro. Os ladinos eram mais valiosos e mais bem tratados. Tinham menos interesse em fugir para um quilombo, no mato.
A escravidão despojava a condição humana dos escravos. Os negros perdiam a liberdade, a língua natal, os costumes e até a identidade, misturados a africanos de outros povos. Em Palmares, havia quilombolas de toda parte. Para conversar, usavam português misturado com palavras banto e termos indígenas.
Os escravos da diáspora negra perderam tudo, até a possibilidade de se reconhecerem, transplantados para um país estranho como zombies. Nos quilombos, ao menos, podiam viver por conta própria. Só muito mais tarde puderam reencontrar sua cultura de origem, na África.

A partir de 1670, os portugueses intensificaram as expedições contra Palmares. Mas as matas impediam manobras de cavalaria e não havia estradas para transportar canhões. Os negros fugiam das batalhas desfavoráveis e fustigavam os portugueses com operações de guerrilha e emboscadas.
Um relatório da época indaga por que a mesma gente que pôde domar o orgulho de Holanda, não conseguia derrotar os quilombolas. As explicações dadas: a fome do sertão, o inacessível dos montes, o impenetrável dos bosques e os brutos que os habitam.
A longa resistência levou as autoridades a propor conciliação. Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, ofereceu a liberdade a todos os nascidos em Palmares. O rei Ganga-Zumba foi ao Recife, aceitou o acordo e mudou-se para Cucaú, perto de Serinhaém. Mas o chefe Zumbi não aceitou a paz que excluía os fugitivos não nascidos na serra embora ele mesmo fosse natural de Palmares. Segundo alguns autores, Zumbi mandou envenenar Ganga-Zumba, em 1680.
São poucos os dados biográficos comprovados do último rei de Palmares. Menino, ele foi capturado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso, em 1655, e entregue ao padre Antônio Melo, que o batizou como Francisco. Teria aprendido a ler e sido coroinha. Em cartas, o padre comentou a inteligência do rapaz, que além de português, aprendeu o latim. Mas Zumbi não aceitou a escravidão e fugiu.
De volta a Palmares, dedicou-se à guerra. Assaltava fazendas e engenhos. Golpeava e fugia. Em 1694, quando os portugueses decidiram acabar com Macaco, criou um sofisticado sistema de paliçadas e fossos, repletos de paus pontiagudos. A decisão de resistir foi heróica mas também errada. Ele achava que o inimigo não conseguiria trazer canhões morro acima. Mas o inimigo conseguiu.
A bravura de Zumbi virou lenda. Historiadores como Oliveira Martins, José Rocha Pombo, Sebastião Rocha Pita e Nina Rodrigues difundiram a versão segundo a qual, desesperado com a queda de Macaco, o rei e seus últimos guerreiros teriam se suicidado, precipitando-se de um penhasco, preferindo a morte gloriosa ao cativeiro desonrante que os aguardava, como escreveu Nina Rodrigues em Os Africanos no Brasil.
Na verdade, Zumbi foi ferido, sobreviveu ao fim de Macaco e continuou na guerrilha, com um pequeno grupo, até ser traído por um companheiro. No dia 20 de novembro de 1695 foi emboscado e morto. Sua cabeça foi espetada em praça pública, no Recife.
Os quadros de museus, os livros escolares e as estátuas de praças públicas mostram os bandeirantes como senhores patriarcais, com botas altas, casaco, chapéu, arcabuz e barbas brancas. Na verdade, os bandeirantes com esse aspecto eram raríssimos. Em sua grande maioria, eles eram mestiços pobres e maltrapilhos, que falavam mais tupi do que português e ganhavam a vida caçando índios em marchas extenuantes por territórios selvagens. Eram os temíveis capitães do mato. Um dos mais famosos, Domingos Jorge Velho, foi importado de São Paulo pelos pernambucanos para destruir Palmares.
Sua tropa era formada de 800 índios e 200 mamelucos e brancos, e estava empregada matando índios para fazendeiros e colonos do Piauí, quando Velho foi convidado a vir para Alagoas. Demorou um ano em marcha. No caminho, aproveitou para assaltar fazendas e roubar gado.
Quando chegou, o bispo de Pernambuco, D. Francisco de Lima ficou chocado e descreveu-o assim, numa carta: Esse homem é um dos maiores selvagens com quem tenho topado. Quando se avistou comigo trouxe consigo intérprete, pois nem falar sabe. Não se diferencia do mais bárbaro tapuia. Lhe assistem sete índias concubinas e sua vida, até o presente, foi andar metido pelos matos à caça de índios e índias. O governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro não deixou por menos e alertou o rei: É gente bárbara, que vive do que rouba.
Em janeiro de 1694, uma multidão se concentrou em Porto Calvo, nas Alagoas. Eram bandeirantes paulistas mercenários, civis recrutados em Alagoas e Recife, presidiários soltos para lutar contra Palmares e soldados regulares da milícia pernambucana. Entre eles, o Terço dos Henriques, o regimento criado pelo negro Henrique Dias, herói da resistência aos holandeses.
O historiador Affonso d'Escragnolle Taunay estima os atacantes de Palmares em 3000, mas, segundo Décio Freitas, eles eram 9 000 homens. O número é grandioso para a época: na segunda batalha de Guararapes, em 1649, a maior até então travada no Brasil, os luso-brasileiros tinham cerca de 5 500 homens, contra 4 200 holandeses.
Chegando em Macaco, toparam com uma sólida paliçada tríplice, projetada para fustigar atacantes de várias direções. Os manuais de sítio aos fortes europeus recomendavam aos atacantes escavar linhas oblíquas de aproximação. Como cavar não era possível em terreno tão escarpado, a solução foi fazer uma cerca de pau a pique para proteger a ofensiva.
No dia 23 de janeiro, tentou-se um ataque, em três frentes. Não deu certo. No dia 29, outra investida fracassou. No intervalo entre as duas, Jorge Velho pediu canhões ao governador Melo e Castro. No dia 3 de fevereiro, chegaram seis, número também grandioso, em tempos coloniais. Os canhões eram pouco móveis e, mesmo na Europa, eram raros em batalhas; pesadões e sem carretas adequadas, eram mais indicados para navios e fortalezas. As peças levadas para Palmares tinham pequeno calibre e disparavam bolas de ferro de até 3 quilos.
Para aproximá-los da paliçada, levantou-se uma nova cerca, correndo obliquamente, de modo a dar proteção contra os tiros dos flancos. A cerca subiu durante a noite. Quando raiou o dia 5 de fevereiro, Zumbi e seus guerreiros, já sofrendo falta de munição, viram que estariam perdidos se não contra-atacassem.
Foi o que fizeram, na escuridão da madrugada seguinte, aproveitando uma brecha na cerca inimiga, próxima a um penhasco. Mas o contra-ataque foi rechaçado. Na luta, muitos quilombolas, encurralados, caíram no despenhadeiro.
Pela manhã do dia 6, Velho ordenou o ataque final. Arrasada a paliçada pelos canhões, o resto foi massacre. Foram aprisionados 500 negros. Nos meses seguintes, as outras povoações, menos defendidas que Macaco, foram destruídas, uma a uma. Palmares sumiu do mapa.
Os descendentes dos quilombos tiveram um primeiro e tardio reconhecimento em 1988, quando comemorou-se o centésimo aniversário da também tardia libertação dos escravos. O artigo 216 da Constituição incluiu os remanescentes de quilombos como integrantes do patrimônio histórico do país e o artigo 68 das Disposições Transitórias garantiu o direito de propriedade dos descendentes de ex-escravos sobre as terras que ocupam, as chamadas Terras de Pretos. Nenhuma, entretanto, foi demarcada, até hoje.
A Fundação Palmares, do ministério da Cultura, cuida dos direitos dos quilombolas. Mas não se sabe quantos eles são nem quantos quilombos há. Calcula-se que existam 500, geralmente isolados em terras remotas, a maioria no Nordeste. A Fundação pediu 300 000 reais ao ministro da Cultura, Francisco Weffort, para realizar um mapeamento dos quilombos e delimitar, inicialmente, seis: Erepecuru e Trombetas, no estado do Pará, Rio das Rãs, na Bahia, Frechal, no Maranhão, Vale do Ribeira, em São Paulo, e Mocambo, em Sergipe. No dia 22 de agosto passado, foi publicada no Diário Oficial uma portaria estabelecendo os critérios antropológicos, fundiários e cartográficos para o reconhecimento das terras.
Em Alagoas, o antigo mocambo de Macaco, a velha capital de Palmares na Serra da Barriga, foi tombado em 1985, mas está praticamente abandonado. A secretaria de Cultura do Estado quer transformá-lo num Memorial de Palmares, com 2,58 quilômetros quadrados. Só para comparar, o campus da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo tem 4,40 quilômetros quadrados. No alto do morro, hoje, moram posseiros que plantam roças de mandioca e feijão onde antes viviam escravos rebeldes. A ironia é que as plantações podem danificar eventuais peças de valor arqueológico debaixo da terra e atrapalhar a análise da disposição de casas e paliçadas antigas. Os posseiros estão na deles: cuidam bem de suas roças. O Brasil é que não cuida da sua memória.

Para saber mais:
Todos parentes
(SUPER número 3, ano 7)
Uma questão de inteligência
(SUPER número 2, ano 9)
Capoeira, o jeito brasileiro de ir à luta
(SUPER número 5, ano 10)
Cangaceiro idolatrado
(SUPER número 6, ano 11)

Índias com muitos maridos negros
Para os portugueses, os índios dividiam-se entre tupis e tapuias (todos aqueles que não falavam tupi e eram tidos como mais selvagens). Jogados uns contra os outros, eram empregados para guerrear contra outras tribos, holandeses, franceses e escravos fugidos.
Os negros bantos e sudaneses que vieram da África eram agricultores de vida sedentária que já conheciam a metalurgia. Em Palmares, fundiram-se com índios que viviam nas serras provavelmente a nação dos kariris, que habitava o sertão nordestino desde o Rio São Francisco ao Piauí.
O antropólogo Pedro Agostinho, da Universidade Federal da Bahia, estima que nos primeiros contatos entre negros e índios, em Palmares, pode ter havido mortandade porque os indígenas não tinham resistência aos germes vindos das senzalas. Além disso, deve ter havido violência porque os negros tomaram índias como mulheres, já que as negras raramente fugiam. Há relatos sobre poliandria em Palmares muitos maridos para uma só mulher.
A cultura política e a tecnologia dos negros garantiu-lhes a supremacia sobre os índios. Mas a miscigenação adaptou as gerações mestiças ao ambiente tropical. A arqueologia comprova que havia muitas índias em Palmares, pois os vasos indígenas são feitos por mulheres. Mas há outras fontes. Em 1644, por exemplo, a expedição do holandês Rodolfo Baro contra Palmares capturou 31 prisioneiros, entre os quais sete índios e alguns mulatos de menor idade.


A última batalha na Serra da Barriga
A capital de Palmares ficava no alto de um morro de 550 metros de altura, defendido por mato fechado. Do alto do morro, os quilombolas resistiram a inúmeros ataques.

O ataque decisivo
Os portugueses demoraram 22 dias para romper as defesas de Macaco. Uma paliçada oblíqua permitiu a aproximação dos canhões que destruíram as muralhas de madeira do mocambo.
Subindo por um flanco coberto de mato, os atacantes tiveram que ultrapassar fossos, espetos e as muralhas dos quilombolas.
As fortalezas européias tinham baluartes de forma triangular para que os soldados pudessem atirar para todos os lados. A paliçada da capital de Palmares era parecida. Na época, os portugueses atribuíram a sofisticação defensiva aos conselhos de um mouro que teria imigrado para Pernambuco e ajudado Zumbi. A vantagem tecnológica das armas, no entanto, decidiu o combate..

Mensagem para o dia das mães...


Clique na imagem para ler:

Dia mundial sem tabaco é direcionado aos jovens...



O Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, terá como tema este ano a juventude. A Organização Mundial da Saúde quer aproveitar a data para colocar a indústria do tabaco em xeque e deflagra uma ampla campanha para proibir definitivamente todas as formas de propaganda e promoção do tabaco.


Assim, o Dia Mundial Sem Tabaco traz uma mensagem contundente da OMS:
“Um dos meios mais eficazes dos países protegerem seus jovens da experimentação e de se tornarem fumantes é proibir todas as formas de propaganda de tabaco, direta ou indireta, incluindo a promoção e o patrocínio de eventos pela indústria.”


A OMS disponibiliza em seu site material para quem quiser trabalhar a data. Para usá-lo, acesse:


Quase 30% perdem virgindade antes dos 15 no Brasil, diz estudo

Quase 30% dos homens brasileiros têm sua primeira experiência sexual antes dos 15 anos de idade, de acordo com o estudo Comportamento Sexual em Contexto: Uma Perspectiva Global, que faz parte de seis trabalhos publicados nesta quarta-feira na revista científica The Lancet.

Dentre os dados relativos a 59 países, o índice brasileiro, de 29,6% dos homens nascidos entre 1965 e 1969, é um dos maiores, ao lado de República Dominicana (29,9%) e Zâmbia (22,6%).
Na maioria dos outros países, a atividade sexual masculina começa mais tarde. Na Grã-Bretanha, por exemplo, esse índice é de 12,5% e na França, 7,2%.

E, no Brasil, a tendência da precocidade é aumentar. Estatísticas indicam que, entre homens nascidos entre 1975 e 1979, pode ter havido um aumento de até 5% no número de jovens que iniciam sua vida sexual antes dos 15 anos de idade.
"Os dados do Brasil são bastante incomuns", disse Emma Slaymaker, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, de Londres, que liderou o estudo. Ela diz que os dados mostram "uma liberdade no país de se falar sobre sua vida sexual", mas, ao mesmo tempo, podem refletir uma tendência de exagero ao se relatar suas próprias atividades nessa área.
A acadêmica acredita que essa precocidade desperta preocupações em relação a questões morais e problemas de saúde.
"O importante é que todo mundo deveria ter o conhecimento e a oportunidade de fazer sexo seguro", evitando a concepção e doenças sexualmente transmissíveis, disse Slaymaker.

Mulheres
Entre as mulheres brasileiras, a porcentagem das que dizem iniciar a vida sexual antes dos 15 anos se mantém estável na faixa etária pesquisada, ficando em torno de 8,8% - praticamente na média dos países onde os dados foram coletados.
Em outras nações latino-americanas, por exemplo, como a Bolívia (9,2%) e a Colômbia (9,7%), esse índice é maior.

Na maioria dos países africanos, uma grande porcentagem de mulheres começa sua vida sexual antes dos 15 anos, como na Nigéria (39,4%). Nos países industrializados, a tendência é contrária, e uma porcentagem pequena, de 3,4% na Suíça e 9,6% na Noruega, por exemplo, têm sua primeira experiência sexual mais cedo.

A média da idade para a primeira relação sexual de homens brasileiros, contudo, é de 16,5 entre homens e 18,5 entre mulheres.
O primeiro casamento dos homens brasileiros ocorre, em média, aos 24 anos, e das mulheres, aos 20 anos.

Novelas
Um outro trabalho divulgado pela The Lancet, relativo a planejamento familiar, diz que, no Brasil, surgiu uma tendência a essa prática sem a intervenção do governo, mas, em grande parte, por influência da popularidade das telenovelas, que retratam a vida em famílias pequenas.
Os pesquisadores consideram o planejamento familiar um importante fator para a redução da pobreza e da mortalidade materna e infantil, fortalecimento da mulher e contribuição para a sustentabilidade do meio ambiente ao estabilizar a população do planeta.

O Brasil é destacado ainda no capítulo que diz respeito à violência contra a mulher, considerado um fator significativo na saúde sexual e reprodutiva.
"Em Brasil, Etiópia, Peru, Samoa e Tanzânia, pelo menos uma em cada cinco mulheres disse ter sofrido violência física grave", com socos, chutes e ataque com algum tipo de arma.
A incidência registrada foi de 1% a 12% entre mulheres com mais de 15 anos e meninas até essa idade, entre 1% e 21%.
"Os casos mais comuns e mais documentados de violência - física, sexual e emocional - são violência doméstica, e sexual, como estupro, coerção e abuso de menores", diz o estudo. (Fonte: BBCbrasil)

Trabalho monótono põe cérebro em piloto automático, diz estudo

Um estudo da Universidade de Bergen, na Noruega, e da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, afirma que trabalhos monótonos podem fazer com que o cérebro entre no estado de "piloto automático" e levar as pessoas a cometer erros em tarefas simples.


A pesquisa, publicada na revista especializada Proceedings of National Academy of Sciences, diz que os trabalhos tediosos colocam o cérebro no "modo descanso", quer a pessoa queira ou não.
Os cientistas avaliam que, quando isso ocorre, os erros que podem ser cometidos também podem ser previstos com até 30 segundos de antecedência, com base na análise dos padrões de atividade no cérebro.
No estudo, o professor Tom Eichele e seus colegas pediram que os voluntários fizessem repetidamente um experimento em que os indivíduos deveriam responder rapidamente a pistas visuais.
Enquanto os voluntários realizavam a tarefa, exames foram realizados no cérebro, usando imagens de ressonância magnética funcional.
Com isso, os cientistas descobriram que os erros dos participantes eram "anunciados antecipadamente" por um padrão de atividade cerebral.
"Para nossa surpresa, até 30 segundos antes de o erro ser cometido, pudemos detectar uma mudança na atividade (cerebral)", disse Stefan Debener, da Universidade de Southampton.
"O cérebro começa a economizar, fazendo menos esforço para completar a mesma tarefa", acrescentou o pesquisador.
"Observamos uma redução na atividade do córtex pré-frontal", contou Debener. "Ao mesmo tempo, observamos um aumento na atividade na área que é mais ativa quando o cérebro está no estado de descanso."


Sistema de alerta
O pesquisador afirma que este não é um sinal de que o cérebro está "indo dormir". "O piloto automático seria uma metáfora melhor", disse Debener.
Como esse estado começa cerca de 30 segundos antes de o erro ser cometido, os cientistas afirmam que um sistema de alerta poderia ser criado para que a pessoa permaneça mais concentrada e tenha mais cuidado.
Os autores do estudo avaliam que isso poderia aumentar a segurança em locais de trabalho e melhorar o desempenho em tarefas importantes como dirigir carros e pilotar aeronaves, em análises de raios-X e sistemas de segurança de aeroportos ou mesmo no controle de imigração nos aeroportos.
"Poderíamos colocar um dispositivo na cabeça das pessoas", afirma Tom Eichele. "Poderíamos medir o sinal e dar uma resposta ao usuário, alertando que o cérebro está em um estado em que suas decisões não serão as corretas."
Segundo Stefan Debener, um protótipo de aparelho portátil para exames no cérebro já está em desenvolvimento e poderia ser lançado no mercado em um período entre "dez a 15 anos".
"Mas, primeiro, precisamos estabelecer o que causa estes erros", afirma. "Não sabemos se a mudança na atividade do cérebro observada tem uma ligação causal com os erros."
"Depois que estabelecermos isso, podemos tentar desenvolver dispositivos de monitoramento", conclui o pesquisador. (Fonte: BBCbrasil)

A revolução do cérebro

A máquina mais complexa do Universo está na sua cabeça. Agora que começamos a entender como ela funciona, descobrimos capacidades que nem imaginávamos. Saiba quais são esses superpoderes - e o que fazer para adquiri-los.


Texto Rafael Kenski - Fonte: SuperArquivo

O seu cérebro é capaz de quase qualquer coisa. Ele consegue parar o tempo, ficar vários dias numa boa sem dormir, ler pensamentos, mover objetos a distância e se reconstruir de acordo com a necessidade. Parecem superpoderes de histórias em quadrinhos, mas são apenas algumas das descobertas que os neurocientistas fizeram ao longo da última década. Algumas dessas façanhas sempre fizeram parte do seu cérebro e só agora conseguimos perceber. Outras são fruto da ciência: ao decifrar alguns mecanismos da nossa mente, os pesquisadores estão encontrando maneiras de realizar coisas que antes pareciam impossíveis. O resultado é uma revolução como nenhuma outra, capaz de mudar não só a maneira como entendemos o cérebro, mas também a imagem que fazemos do mundo, da realidade e de quem somos nós. Siga adiante e entenda o que está acontecendo (e aproveite que, segundo uma das mais recentes descobertas, nenhum exercício para o seu cérebro é tão bom quanto a leitura).

Superpoder 1 - Mudar a própria forma
Os dedos da mão esquerda de um violinista fazem todo tipo de movimentos. Já os da mão direita fazem só um: segurar o arco, algo importante, mas simples. Todas essas ações são coordenadas pelo córtex motor, uma fatia acima da orelha que possui um mapa de todo o corpo: um pedaço coordena o pé, outro, a perna, e assim vai até a cabeça. Quando os cientistas analisaram esse mapa em violinistas, repararam em algo curioso: a região que comanda os dedos da mão esquerda é maior do que a da direita. O cérebro se adapta ao estilo de vida do seu dono.
O mesmo acontece com todo mundo. Quem lê textos em braile desde pequeno utiliza para o tato uma parte do cérebro normalmente ocupada pela visão. Em pessoas que perdem um braço, a área que recebia sensações desse membro se liga a outras partes do corpo, como o rosto, o que às vezes gera “dores fantasmas”: um toque na bochecha é interpretado como uma lesão no braço. Aliás, não se assuste, mas, agora mesmo, este texto e tudo o mais a sua volta estão deixando marcas físicas no seu cérebro.
Está aí a revolução: segundo os cientistas, o seu cérebro é muito elástico. Há menos de 20 anos, imaginava-se que ele era como um computador, uma máquina com circuitos fixos, em que tudo o que se podia fazer era acrescentar informações. Agora se sabe que não. “O hardware também é aprendido. Caminhar, falar, mover partes do corpo envolve experiência e memória”, diz Iván Izquierdo, neurocientista da PUC gaúcha. O cérebro se reiventa, cria novos neurônios, novas conexões e novas funções para áreas pouco utilizadas.
Não é de espantar que os cientistas tenham demorado a perceber isso. Até 3 décadas atrás, tudo o que se podia fazer para estudar o cérebro humano era abrir a cabeça e olhar dentro. Alguns chegaram a fazer isso com pacientes vivos, mas o normal era esperar as pessoas morrerem e depois olhar o que sobrava. Na época, as principais descobertas vinham de pesquisas com animais ou com pessoas com lesões no cérebro – por exemplo, se alguém perdia o hipocampo e, junto com ele, a memória recente, é porque os dois deviam estar ligados.
Agora os cientistas conseguem desde entender como os genes dão origem às moléculas do cérebro até simular em computador conjuntos de neurônios. E surgiram maneiras de observar o cérebro em atividade, graças, principalmente, à ressonância magnética funcional (RMF), uma espécie de telescópio Hubble para os neurocientistas. O princípio é colocar o paciente em um campo magnético tão forte que, pendurado em um guindaste, seria capaz de levantar dois carros juntos (o que mostra por que não é uma boa idéia aproximar objetos metálicos de aparelhos como esse). Essas circunstâncias possibilitam detectar, por ondas de rádio, o fluxo de sangue oxigenado para diferentes partes do cérebro, o que indica as regiões mais ativas em cada situação.
A técnica permitiu, pela primeira vez, mapear o cérebro em funcionamento. Também enterrou aquela idéia de que só usamos 10% da nossa mente: todo o cérebro trabalha o tempo inteiro. Mas, de acordo com o que fazemos, algumas partes são mais ativadas que outras (veja quadro na página 54). Nos últimos anos, as pesquisas mostraram os sistemas que acendem em situações como se apaixonar, tomar uma decisão, sentir sono, medo, desejo de uma comida ou até schadenfreunde, palavra alemã para o prazer de ver alguém se dando mal (que, percebeu-se, é mais intenso em homens). “Estamos decifrando a linguagem com que as áreas do cérebro conversam. É possível que os sistemas que conseguimos ver sejam como um arquipélago: parecem ilhas isoladas, mas, por baixo, são parte de uma mesma montanha”, diz o radiologista do Hospital das Clínicas Edson Amaro, membro do projeto internacional Mapeamento do Cérebro Humano.
O que complica as pesquisas é que, assim como não existe pessoa igual a outra, cada cérebro é diferente. Além disso, a aparência dos neurônios não é um indicador fiel do que acontece na cabeça. “Existe quem morra com problemas de memória e, na autópsia, se percebe que o cérebro estava perfeito. E também os que não apresentaram problemas até o fim da vida, mas têm um cérebro danificado”, diz Lea Grinberg, uma das coordenadoras do banco de cérebros da USP, que reúne e tenta comparar 3 600 amostras para resolver problemas como esse. Mesmo ainda misterioso, é provável que seja esse o ponto em que o modo como você utiliza o cérebro faça a diferença.
“É como um músculo: se você exercita, você está mais protegido contra problemas”, diz Lea. Em caso de danos ao cérebro – seja causado por doenças como Alzheimer ou por pauladas na cabeça –, pessoas com bom nível educacional ou QI alto sofrem perdas menores da capacidade cerebral. Ao que tudo indica, exercitar o cérebro cria uma espécie de reserva. É possível que, quando necessário, os atletas mentais consigam recrutar outras áreas do cérebro mais facilmente, ou talvez compensem a perda por usarem cada área de forma mais eficiente.
Aliás, uma boa notícia: só o fato de você estar lendo este texto já é um começo. “Leitura é um exercício fantástico. Quem não lê está fadado a uma memória mais lenta”, diz Izquierdo. Enfrentar desafios e sair da frente da TV também ajuda, assim como fazer exercícios físicos. Eles não só permitem que o seu cérebro funcione melhor como, provavelmente, fazem nascer novos neurônios.

Superpoder 2 - Regenerar suas partes
A história do seu cérebro começa pouco depois da concepção, quando o embrião humano ainda é chato como uma panqueca. Até que, com uns 17 dias, uma parte da superfície começa a dobrar até se fechar em um tubo. Esse tubo acabará se transformando no sistema nervoso inteiro. De 5 a 6 meses depois, seu crescimento cerebral atinge a velocidade máxima, espantosos 250 mil novos neurônios por minuto. Antes mesmo de você nascer, o cérebro está praticamente formado. Daí em diante, segundo o que se acreditava até há pouco tempo, ele poderia aprender coisas novas, mas não ganharia novos neurônios. Só nos restava cuidar bem dos que já temos.
Tudo isso mudou em 1998, quando os cientistas provaram que o cérebro produz, sim, novas células ao longo da vida – num processo batizado de neurogênese. Caía um dos mais arraigados mitos da ciência. Desde então, descobrir como surgem novos neurônios e para que eles servem se tornou um dos temas mais quentes da neurociência. É possível que dessas pesquisas saiam formas de curar doenças como depressão e Alzheimer, retardar o envelhecimento e até garantir um melhor funcionamento do cérebro para pessoas saudáveis.
Apesar de os cientistas terem visto sinais de novos neurônios em várias partes do cérebro, a produção está restrita a duas regiões. “É possível que ela exista em outras áreas de forma bem reduzida, que não conseguimos detectar com os métodos atuais”, diz neurobiólogo Alysson Muotri, do Instituto Salk, EUA. O primeiro ponto é uma zona logo abaixo dos ventrículos (um bolsão de líquidos no meio do cérebro), que produz neurônios relacionados aos sentidos. O segundo é o hipocampo, o que é intrigante porque ele é uma área essencial para a formação de memórias, embora ninguém saiba dizer qual a função dos novos neurônios ali. “A neurogênese é um processo muito lento e fraco para dar conta da memória”, diz Izquierdo. Ou seja, ele descarta que os novos neurônios surjam a cada nova memória que gravamos – afinal temos muitas memórias e poucos neurônios nascendo. O mais provável é que eles tenham um papel mais limitado.
Mas não há dúvidas de que a neurogênese é um processo importante. Sabe-se, por exemplo, que alguns tipos de derrames aumentam a produção de neurônios. A maioria deles morre, mas alguns conseguem chegar ao local da lesão e formar um remendo que não resolve os casos mais graves, mas corrige microderrames que acabam passando despercebidos. E um grande número de doenças, de uma forma ou de outra, está ligado à neurogênese. A depressão é uma delas (veja quadro na página 53). O mal de Alzheimer é outra: ratos modificados geneticamente para desenvolver a doença apresentam também problemas na neurogênese, prova de que alguma conexão há. E remédios capazes de estimular o nascimento de neurônios em cobaias conseguiram atenuar os sintomas de mal de Parkinson – uma abordagem que pode se revelar promissora para humanos.
O grande sonho dos cientistas agora é controlar o processo para fazer o cérebro tapar os próprios buracos – mais ou menos como uma lagartixa regenera uma perna cortada. E, possivelmente, estimular o cérebro de pessoas saudáveis a fabricar neurônios – afinal, células novinhas em folha podem dar uma bela mão na hora de raciocinar. Ainda estamos distantes desse sonho, mas já existe um caminho. “Muitos fatores que incentivam o crescimento de novos neurônios já são conhecidos”, diz o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo. Um deles é evitar estresse, que sabidamente bloqueia o crescimento de neurônios. Outro é viver em um ambiente rico, com estímulos mentais e físicos variados: basta colocar ratos em jaulas agradáveis e cheias de brinquedos divertidos para que a neurogênese triplique. O mesmo para banhos de sol – que fazem o corpo produzir vitamina D, essencial para o crescimento das novas células – e para uma dieta rica em colina, substância presente em gema de ovos e ingrediente-chave dos neurônios. Junte tudo isso e a sua mente, literalmente, começará a crescer.

Superpoder 3 - Mover objetos
O seu corpo, ao que parece, é muito pequeno para conter uma máquina tão poderosa quanto o cérebro. Prova disso veio em julho, quando foram divulgadas as aventuras de Matthew Nagle, um americano que ficou paralítico em uma briga em 2001. Três anos depois, cientistas da Universidade Brown, EUA, e de 4 outras instituições implantaram eletrodos na parte do cérebro dele responsável pelos movimentos dos braços e registraram os disparos de mais de 100 neurônios. Enviados a um computador, esses sinais permitiram que ele controlasse um cursor em uma tela, abrisse e-mails, jogasse videogames e comandasse um braço robótico. Somente com o pensamento, Nagle conseguiu mover objetos.
Mas não espere virar logo um personagem de Matrix e se plugar a computadores. Além de ser meio incômodo viver com fios saindo de dentro da cabeça, os movimentos de Nagle eram desajeitados, o sistema precisava ser recalibrado todo dia e, depois de alguns meses, os eletrodos perderam a sensibilidade. Foi, entretanto, uma prova de que o nosso cérebro é capaz de comandar objetos fora do corpo – uma idéia que pode mudar nossa relação com o mundo.
Um dos pioneiros nesse tipo de experiência é o neurobiólogo brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, EUA, que desde 1999 vem tornando primatas capazes de comandar computadores com a mente. Ele chegou a fazer experiências em que sinais cerebrais de um macaco eram transmitidos pela internet e reproduzidos por um braço robótico a mais de 1 000 quilômetros de distância. No ano passado, ele e sua equipe demonstraram um fato curioso: depois de um tempo ligado ao aparelho, o cérebro do macaco começou a assimilar a nova extensão como parte do próprio corpo. A grande promessa da descoberta é abrir caminho para que pessoas que perderam um membro operem membros robóticos como se fossem naturais. Mas tem mais: apesar de os eletrodos terem sido colocados na área do córtex que comanda o braço, o macaco havia se adaptado à prótese: era possível fazer uma coisa com o braço natural, e outra diferente com o mecânico. Ou seja, não é absurdo imaginar que esse novo conhecimento permita não apenas criarmos próteses para deficientes, mas também membros novos para pessoas perfeitamente saudáveis – que tal um terceiro braço?
Tudo isso parece ficção, mas é possível que todos nós façamos algo parecido no dia-a-dia. Pense na quantidade de instrumentos que você usa e na facilidade com que faz coisas difíceis como dirigir automóveis, ler, tocar instrumentos, usar talheres. O que a pesquisa de Nicolelis sugere é que tanta destreza pode existir porque, para os nossos neurônios, é como se todos esses objetos fizessem parte do nosso corpo. “Macacos e humanos têm a habilidade de incorporar ferramentas na estrutura do cérebro. Na verdade, achamos que o próprio conceito de identidade se estende às nossas ferramentas”, diz Nicolelis. Ou seja, para o cérebro, o lápis, o violão ou a bicicleta são literalmente partes de nós. Já é uma idéia impressionante, mas fica mais incrível ainda com outra descoberta: a de que não fazemos isso apenas com objetos, mas também com seres humanos.

Superpoder 4 - Ler pensamentos
Um macaco em um laboratório da Universidade de Parma, na Itália, jamais imaginaria que faria parte de uma das maiores descobertas da ciência quando, 15 anos atrás, descansava com eletrodos implantados no cérebro. Os fios estavam conectados a neurônios que disparavam quando ele fazia movimentos. Por exemplo, se o macaco levantava um objeto, um neurônio começava a funcionar. Até que, despretensiosamente, um cientista levantou um objeto perto do simpático primata. E, para surpresa de todos, exatamente o mesmo neurônio que disparava quando o próprio macaco fazia a ação começou a funcionar. Em alguns casos, bastava o som dessa ação para acionar a célula. Ou seja, era como se a mente do macaquinho simulasse tudo o que os outros fizessem ao redor. Essa tendência para imitar tudo fez com que, em 1996, ao publicarem a descoberta, os cientistas italianos batizassem essas células de “neurônios-espelho”.
Nos anos seguintes, os cientistas descobriram que não só temos o mesmo sistema dos macacos, como em humanos ele é muito mais desenvolvido. Em humanos, os neurônios-espelho envolvem muito mais áreas e são acionados com mais freqüência. Tanto que, apesar de recém-descobertos, eles já estão sendo propostos para responder por que os bocejos são contagiosos, por que apreciamos a arte, como surgiu a cultura, a sociedade, a linguagem e a civilização e até mesmo para definir quem somos nós.
Os neurônios-espelho estão ativos desde o momento em que nascemos. Faça o teste: mostre sua língua para um recém-nascido e, provavelmente, ele tentará copiá-lo. “Parece que o único modo de perceber as coisas é usando o nosso sistema motor e o nosso corpo para imitá-las”, diz o neurologista Marco Iacoboni, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Com o tempo, conseguimos até prever as intenções dos outros: o sistema pode disparar mesmo que as pessoas apenas dêem sinais de que farão alguma coisa. O mesmo vale para as emoções. Cientistas em Marselha, França, mostraram que sentir um cheiro nojento ou ver pessoas fazendo cara de nojo dispara o mesmo grupo de neurônios-espelho.
“Esses neurônios, ao que parece, dissolvem a barreira entre a pessoa e os outros”, diz o neurologista indiano Vilayanur Ramachandran, da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA. Ele faz parte de um grupo de cientistas que acredita que essa tendência para imitar emoções esteja na base da empatia, das habilidades sociais e da própria cultura. Um argumento a favor dessa teoria é a importância dos neurônios-espelho na linguagem: basta ler um texto com a descrição de uma ação para que você dispare essas células cerebrais da mesma forma que faria se a estivesse executando. Ramachandran e outros acreditam que a imitação de movimentos tenha funcionado como uma espécie de linguagem primitiva, que foi se sofisticando até dar origem a sinais abstratos, palavras, línguas complexas e Prêmios Nobel de Literatura.
Os neurônios-espelho podem mudar até mesmo a idéia de quem é você: afinal, para eles, tanto faz se uma ação foi feita por você ou por qualquer outro. “Isso mostra que você ‘compartilha’ sua mente com outras pessoas, que você e os outros não são duas entidades totalmente independentes, mas, sim, dois lados da mesma moeda”, diz Iacoboni. É um ponto em que as mais avançadas pesquisas médicas ganham ar de filosofia oriental: a idéia de que você e os outros são partes de um mesmo todo. “Culturas onde a ênfase é menos no indivíduo e mais no grupo devem ter pessoas com um sistema de neurônios-espelho mais robusto”, diz ele. Ou seja, para o seu cérebro, talvez você seja uma soma do seu organismo, de vários objetos que você usa e de pessoas que estão à sua volta. Pense nisso da próxima vez que alguém disser que você precisa ser você mesmo.

Superpoder 5 - Ampliar seus poderes
Já que o nosso cérebro muda tanto, imagine só se você pudesse fazer isso na marra. Aperte um botão e a depressão vai embora. Mude a configuração e um viciado deixa de sentir a fissura. Ajuste mais um pouco e você consegue aprender mais rápido, ficar mais atento, mais acordado ou ter mais memória. Interessante, não? Não admira que muitos laboratórios estejam buscando máquinas e remédios capazes de algo parecido.
Um dos avanços tem um nome estiloso: estimulação magnética transcraniana de repetição (EMTr). É uma técnica que permite estimular, inibir e modelar circuitos específicos do cérebro. Trata-se de um ímã fortíssimo – tão forte quando o de um aparelho de ressonância magnética – focado em partes específicas do córtex e aplicado em flashes de apenas 0,2 milésimos de segundo. Emitir menos de um pulso por segundo inibe a região do cérebro sobre a qual ele é direcionado. Dois ou 3 por segundo estimulam. E centenas por segundo fazem a pessoa entrar em convulsão.
Mas, dentro dos parâmetros seguros, a máquina faz proezas. “Nós conseguimos usar a EMTr para estimular uma parte do córtex e aliviar a depressão. Também usamos para acelerar o efeito de antidepressivos: em vez de um mês, o remédio apresenta resultados em apenas uma semana”, diz o psiquiatra Marco Antonio Marcolin, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ele é um dos pioneiros da técnica: seu laboratório também conseguiu o feito de puxar o freio de áreas do cérebro que fazem alguns pacientes sentir dor crônica ou ter alucinações auditivas. Entre as possibilidades da EMTr também está estimular a recuperação em derrames, fazer pessoas parar de fumar, atenuar transtorno de déficit de atenção ou até regular o apetite. A grande vantagem é que a técnica não requer cirurgias nem anestesias e traz resultados que podem se prolongar por meses. Além disso, tem poucos efeitos colaterais – e o mais interessante é que, entre eles, pode estar um aumento da memória.
Uma técnica que aumente a capacidade de aprendizado do cérebro é algo que nunca existiu e que muitos pesquisadores tomam como impossível. Mas a EMTr tem a chance de fazer esse milagre, apesar de ninguém ter provado isso com testes em larga escala. Uma das maiores evidências nesse sentido veio da Universidade de Göttingen, na Alemanha, em uma pesquisa que assusta à primeira vista: os voluntários não só receberam os fortíssimos pulsos magnéticos da EMTr como ainda levaram pequenos choques em áreas relacionadas ao controle de movimentos. O surpreendente resultado foi uma melhora de 10% em testes de aprendizado de tarefas motoras. “Não conseguimos ainda provar que um baterista poderia usar a técnica para aprimorar seu treinamento, mas é provável que ela poderia ajudá-lo a chegar mais rapidamente ao auge da performance”, diz o neurofisiologista alemão Walter Paulus, um dos autores do estudo.
Pesquisas patrocinadas pelo Exército dos EUA também tentam reduzir as máquinas que geram magnetismo a algo que se possa colocar no capacete de um piloto de caça para melhorar seu desempenho. E até já se imaginou um aparelho parecido com um tocador de mp3 que usasse pequenos choques para estimular o cérebro ao toque de um botão.
Mas ninguém tem prometido tanto um caminho para uma mente turbinada quanto a indústria farmacêutica. Existe mais de uma dezena de remédios em estudo para aprimorar funções do cérebro como memória, atenção e resistência ao sono. Alguns agem sobre uma proteína chamada CREB, capaz de aumentar ou diminuir a produção de moléculas essenciais nas ligações que os neurônios fazem entre si ao gravarem novas informações – e, assim, turbinar a memória. Ao menos em laboratório, ratos e moscas lembram mais rapidamente dos objetos em seu ambiente ao receber um remédio que estimula a CREB. Outras pesquisas buscam agir sobre neurotransmissores – substâncias que os neurônios usam para se comunicar –, uma abordagem que já rendeu remédios em fase de testes para pacientes com o mal de Alzheimer. Mas, assim como com a EMTr, pouco se chegou a provar sobre a eficácia desses estimulantes em pessoas saudáveis.
Por enquanto, a grande sensação nesse tipo de pesquisa é o modafinil, uma droga disponível nos EUA e na Europa que permite descansar 4 horas por noite ou ficar dois dias sem dormir e sem sentir sono. Desde que foi lançada há 7 anos para curar narcolepsia (um sono súbito e incontrolável), o remédio vem se tornando popular, com vendas chegando a 575 milhões de dólares só no ano passado. A grande vantagem sobre outras drogas até então usadas para se ficar acordado – como café ou anfetaminas – é a quase ausência de efeitos colaterais. A pessoa continua atenta e com boa capacidade de julgamento mesmo com até 72 horas sem dormir. Para alguns, ela fará para o sono o que o anticoncepcional fez para o sexo: separar o ato das suas conseqüências biológicas. Para outros, pode não ser tão bom negócio: sabe-se lá o que pode acontecer a longo prazo com a vida, a criatividade e os hábitos de uma pessoa – ou de uma sociedade – que nunca dorme.É que mudar o funcionamento do cérebro pode trazer problemas. Aumentar a memória, por exemplo, tem riscos. “Milhões de anos de evolução otimizaram o equilíbrio entre a informação necessária e a não necessária. Desregular esse sistema talvez encha a sua cabeça de informações inúteis – e de problemas”, diz Paulus. Para o bem ou para o mal, o nosso conhecimento sobre a mente aumentará daqui em diante. Mas, mesmo com novas máquinas e remédios, nenhuma tecnologia será capaz de fazer você saber o que nunca aprendeu. A capacidade do seu cérebro depende, antes de mais nada, de tudo o que leu, viu, experimentou e viveu. E isso depende apenas de você.

A teoria tradicional diz que a depressão é uma deficiência de serotonina – um neurotransmissor relacionado a funções como o humor, o sono e o apetite – e, para combatê-la, tudo o que os antidepressivos fazem é aumentar a quantidade dessa substância no cérebro. Mas duas questões nessa teoria intrigam os cientistas há algum tempo. A primeira é que, pouco depois de tomar esses remédios, o cérebro já está cheio de serotonina e, no entanto, nada acontece. O segundo é que os efeitos esperados só vão aparecer um mês depois. Um mês é exatamente o tempo que o cérebro leva para produzir novos neurônios e fazê-los funcionar. Foi daí que se suspeitou que existe uma relação entre a depressão e a queda na produção de novas células no cérebro.Outros indícios reforçaram a hipótese: o estresse – um dos principais fatores que desencadeiam a depressão – também inibe a neurogênese, como se o cérebro estivesse mais preocupado em sobreviver ao fator estressante que em produzir neurônios para o futuro. Mas a primeira evidência concreta veio em 2000, quando cientistas americanos mostraram que os principais tratamentos antidepressivos aumentam a neurogênese em ratos adultos. No ano seguinte, percebeu-se também que bloquear o nascimento de neurônios em ratos tornava ineficazes os antidepressivos. Agora a esperança é encontrar uma forma de estimular a neurogênese e, com isso, aliviar a depressão. Ao que indicam esses estudos, essa doença pode não ser só um estado de tristeza, mas, sim, o efeito da falta de neurônios novos e da conseqüente perda da habilidade de se adaptar a mudanças.

Paixão
Muita coisa muda, mas poucas relacionadas ao desejo sexual. Os sistemas mais acionados são os de motivação e recompensa, também usado quando um viciado consome drogas ou quando um apostador ganha um prêmio. Para os pesquisadores, é uma resposta parecida com a que os demais mamíferos apresentam ao buscar um parceiro adequado.

Susto
O sentimento de uma possível ameaça faz dois caminhos no cérebro. Um é direto para um estrutura chamada amígdala, responsável por lidar com fortes estímulos emocionais e capaz de dar respostas rápidas, como aumentar os batimentos cardíacos. O segundo passa pelo córtex e é mais lento, mas é onde percebemos se aquilo é mesmo algo perigoso ou apenas um susto.

Humor
Ver cartuns aciona sistemas relacionados à linguagem e ao processamento de imagens para que você entenda a graça. Mas, uma vez que você pegou a piada, muda tudo lá no cérebro. Aí acendem sistemas de recompensa, que estão ligados a vários tipos de prazer. Curiosamente, isso acontece mais em mulheres que em homens – ninguém ainda sabe explicar bem por quê.

ConcentraçãoSegundo cientistas israelenses, em tarefas que exigem muita atenção (como identificar uma imagem em uma série rápida de figuras), o cérebro concentra os esforços em áreas sensoriais e silencia uma região associada ao sentimento de introspecção. O que significa que, diante de uma tarefa difícil, você literalmente esquece que a vida existe.

Cuidado com o que você pensa. Alguns laboratórios já criaram técnicas para ler a mente. Em 2005, pesquisadores japoneses mostraram para voluntários padrões de linhas em várias direções enquanto escaneavam o cérebro com aparelhos de ressonância magnética funcional (RMF). Em seguida, analisaram as áreas acionadas durante a experiência e conseguiram deduzir qual padrão os voluntários estavam vendo.
A brincadeira deve esquentar até o final do ano. É quando duas empresas americanas – a Cephos e a No Lie MRI – devem levar ao mercado os primeiros detectores de mentiras baseados em RMF. A diferença em relação aos detectores tradicionais é a precisão: não dá para enganar uma máquina que está olhando dentro da sua cabeça. A técnica parte do princípio de que, para o cérebro, contar uma mentira é difícil – envolve as mesmas áreas de falar a verdade e algumas outras mais –, como se a sua mente precisasse primeiro ocultar o impulso de dizer a verdade e depois inventar uma mentira. Ou seja, se alguém perguntar o seu nome, ele automaticamente aparece na sua cabeça. Se quiser mentir, você terá que primeiro esquecê-lo e depois inventar um outro.Ainda é bastante complicado usar essas máquinas – a pessoa precisa ficar completamente imóvel dentro de um enorme tubo – e por isso se acredita que, a princípio, ela será usada apenas por voluntários dispostos a confirmar sua versão da história. Mas, com o tempo, é possível que ela se torne disponível em todo tipo de julgamento e até em salas de embarque de aeroportos ou em entrevistas de emprego. Fascinante. E assustador.
Não é muito difícil fazer minutos e segundos durar mais. Algumas drogas ilegais bastante disponíveis fazem isso. Monges em meditação, atletas no auge de sua atividade e pessoas muito concentradas em sua atividade têm a mesma impressão. E pesquisas científicas podem encontrar outras formas de fazer isso, à medida que os cientistas comecem a decifrar os mecanismos com os quais percebemos a passagem do tempo. O nosso cérebro tem 3 relógios. O primeiro determina o ritmo dos dias, os momentos de sono ou de alerta. Outro controla atividades que duram milésimos de segundo, como as que se passam no controle de atividades motoras finas. Já o terceiro fica no meio do caminho, no ritmo dos minutos e segundos, e é em grande parte aí que está nossa consciência da passagem do tempo. No ano passado, pesquisas com técnicas de imagem feitas na Universidade Duke, EUA, levaram a um modelo de como ele funciona. O segredo pode estar no corpo estriado, uma região bem na base do cérebro que monitora as ondas que os demais neurônios emitem ao produzir suas atividades. Assim como um maestro dá o ritmo de uma orquestra, essa região integra todas essas ondas em uma estimativa da passagem do tempo. No futuro, talvez seja possível manipular neurotransmissores nessa região e, dessa forma, fazer o tempo passar mais devagar sem sofrer outros efeitos colaterais. Até lá, a única forma é tentar formas mais naturais de esticar os minutos e segundos, como exercícios de meditação e concentração, ou simplesmente ficando parado: afinal, sempre que você está sem fazer nada, o tempo passa mais devagar.

The Future of the Brain, Steven Rose, Oxford University Press, Reino Unido, 2005
Cérebro – A Maravilhosa Máquina de Viver Alessandro Greco, Terceiro Nome, 2006
http://www.neuroguide.com/ - Notícias, links e informações – em inglês

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O futuro das babás...

Crianças observam o robô desenvolvido pela empresa Aeon e lançado em Fukuoda, Japão. Os pais japoneses que não têm com quem deixar seus filhos poderão confiá-los agora a uma simpática babá-robô que jamais se cansa ou cede à vontade das crianças. Foto:Toru Yamanaka/AFP


Os pais japoneses que não têm com quem deixar seus filhos poderão confiá-los agora a uma simpática babá-robô que jamais se cansa ou cede à vontade das crianças.
A Aeon Co. anunciou nesta terça-feira que começou a vender um robô de 1,4 metro de altura que tem como função tomar conta de crianças.
Se os pais quiserem deixar seus filhos com esta máquina, que tem o tamanho de uma criança, devem programá-la com códigos especiais que determinarão o que o robô deve fazer.
Isso também permite que a babá mecânica identifique as crianças por seus nomes e idades e fale com elas, apesar de seu vocabulário ainda limitado no momento.
Esta máquina, desenvolvida junto com o principal criador de robôs Tmusk, também pode utilizar um projetor em um de seus olhos para lançar mensagens de advertência ou mostrar fotos que tirou com a câmera instalada no outro olho.
A Tmsuk e a Aeon têm a intenção de desenvolver ainda mais esta tecnologia para destinar robôs para outras tarefas.
No Japão, as empresas cada vez mais utilizam os humanóides para serviços de segurança, recepção e outras responsabilidades. (Fonte: YahooNotícias)

Maus Tratos Contra Crianças e Adolescentes


Documentos do APOMT para Educadores:
APOMT e O Papel das Instituições de Educação
Violência e Maus-Tratos - o que temos a ver com isto?
Plano de Curso para Educadores
Características Comuns em Crianças e Adolescentes Maltratados
Como o Educador Deve Abordar as Crianças e Adolescentes
Abordagem da Escola à Família Educação Inclusiva e Atividade de Aprendizagem
Dicas para Implementar o Projeto Político Pedagógico e Ter Uma Escola Inclusiva e Preventiva
Histórico de Família

Programa APOMT na íntegra

Caderno do APOMT (pdf. 3383 Kb)

Formulário do APOMT:
Secretaria de Estado da Educação

'Garoto magnético' trava computadores de escola dos EUA

Um estudante de 12 anos da cidade de Richland, no Estado de Nova York, consegue travar os computadores de sua escola, aparentemente devido ao excesso de eletricidade estática em seu corpo.
Joseph Falciatano começou a se chamar de "Homem Magnético" em 2007 depois que seus professores concluíram que sua presença em algumas salas poderia travar os computadores da escola, segundo o jornal local The Post-Standard.
"Outro estudante podia usar um computador e tudo ficava normal. Mas se Joe (Falciatano) estava ao computador, coisas estranhas aconteciam. Acho que há alguma coisa na química de seu corpo que causa a confusão nos computadores", disse Marie Yerdon, professora da escola onde Falciatano estuda.
O estudante americano afirma que quase não passou em uma das matérias do currículo escolar em 2007, pois teve problemas para concluir seu trabalho, que requeria o uso de Power Point.
"Nós desligávamos (o computador), reiniciávamos e ele trabalharia por um tempo, mas em seguida ele começava a ter problemas. Então eu o levava para um computador diferente, que outro estudante usava sem problemas, mas não adiantava", disse Yerdon.


Solução
A professora então colocou um forro embaixo do computador que funcionava como um fio-terra e também colocou uma pulseira antiestática no braço de Falciatano.
Yerdon afirma que a escola comprou estes equipamentos para proteger estudantes que tivessem um marcapasso de qualquer oscilação da eletricidade, enquanto usassem o computador. Neste caso, o equipamento foi usado para proteger o computador. E funcionou.
Quando o pai de Falciatano, também chamado Joseph Falciatano, recebeu um bilhete da escola comunicando o problema, não levou a sério.
"Pensei que era piada. Mandei um email de volta falando 'É, ele sempre quis ser um super-herói'", disse.
Em casa, o estudante só teve problemas com seu videogame Xbox, que travava toda vez que ele tentava jogar.
Os pais de Falciatano trocaram o console pelo Xbox 360, sem fios, que ele pode usar desde que fique longe do console.
Kelly Robinson, especialista de uma empresa de Rochester que resolve problemas elétricos e eletrostáticos tentou medir a eletricidade estática no corpo de Joseph Falciatano, mas os resultados foram todos normais.
Mesmo assim, Robinson, afirmou que o problema do estudante é uma "questão de estática".
"Nosso corpo é formado, em grande parte, por água, com um pouco de sal e minerais. Isto faz com que o corpo humano seja um ótimo condutor de eletricidade. E, mesmo que existam variações de pessoa para pessoa, a condutividade ainda é muito alta", disse.
O especialista acrescentou que muitos fatores podem desencadear este tipo de problema e gerar as variações na eletricidade estática: o tipo de roupa que as pessoas usam, se usam calçados com solas isolantes, se esfregam os pés no tapete ou carpete ou se trabalham em salas com baixa umidade.
Para o início do novo ano letivo, a escola de Joseph Falciatano mudou o estudante de sala e os problemas parecem ter acabado. O estudante nem precisou usar a pulseira antiestática. Mas tem usado menos o computador da escola. (Fonte: BBCBrasil)

Ponto...

Fome e Ética














Fundamentando o meu pensamento nos argumentos filosóficos de Emmanuel Lévinas entendo que ética é encarnação. Trata-se de uma manifestação humana e ao mesmo tempo de uma teofania, como disse Cristo em Mateus capítulo 25: "...em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Verso 40). O rosto é a manifestação do clamor humano e divino, é o convite silencioso para a prática do bem, da justiça, da solidariedade e do verdadeiro amor. Ignorar o rosto e sua manifestação concreta diante de nós equivale a ignorar o próprio Deus! "Pois aquele que não ama ao seu próximo a quem vê, como pode amar a Deus a quem não vê?"

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