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A nova arte de aprender...

Aulas que começam às 11 h e duram 15 minutos, provas toda semana e o retorno da alfabetização fonética. A ciência está revolucionando o que se sabe sobre como aprendemos. Agora essas descobertas chegam à sala de aula.

Pergunte a seus pais como eram as aulas na escola deles. Tirando os castigos e o fato de educação sexual ou ecologia não figurar nos livros, as coisas não eram lá muito diferentes de hoje. Professor na frente da turma, escrevendo a matéria no quadro e explicando o con­teúdo, alunos anotando tudo para serem testados em provas, semanas depois. Há décadas o modelo é o mesmo.

O problema é que, do tempo da escola dos nossos pais até hoje, a ciência descobriu muita coisa sobre o caminho que a informação faz quando sai do quadro-negro, livro ou computador, passa pelos olhos e ouvidos e se transforma em memória. Há 10 anos, pedagogos e psicólogos tinham o monopólio das teorias sobre o assunto. Mais recentemente, cientistas de outras áreas resolveram estudar o chamado sistema cognitivo. “Quanto mais aprendemos sobre como nosso cérebro processa e armazena novas informações, mais des­­­­cobrimos que nosso sistema educacional está errado”, diz Jamshed Bharucha, doutor em psicologia cognitiva pela Universidade Harvard, dos EUA. As pesquisas têm derrubado mitos, apontado métodos mais eficazes e comprovado o que psicólogos, filósofos e pedagogos já falam há décadas: uma sala de aula deve ser mais do que esta que está aí.

Não que os cientistas tenham descoberto fórmulas mágicas de ensino. Na verdade, grande parte do que se fala sobre o cérebro e a educação é bobagem (conheça os 6 “neuromitos” ao longo desta matéria). “Há um buraco entre o estado atual da neurociência e sua aplicação direta na sala de aula. Mesmo assim, os professores têm acesso a vários programas de ensino baseados no cérebro”, afirma Usha Goswami, diretor do Centro para Neurociência na Educação da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, num artigo na revista Nature de junho. “Alguns desses pacotes têm quantidades alarmantes de informações erradas.”

Mas há descobertas quentes envolvendo a aprendizagem como uma atividade de todo o corpo. “Quan­do um professor en­tende o cérebro, conclui que ele precisa de nutrientes, e o aluno precisa estar bem alimentado; que uma sala pouco ventilada diminui a atenção e que a memória depende do sono”, diz Leonor Guerra, pesquisadora de neurociência da UFMG. “Estudos nessa direção estão baseando as mudanças na maneira de educar.”

Menos horários

Primeira mudança: as aulas dos adolescentes devem começar mais tarde, lá pelas 11 horas. Para a Fundação Americana do Sono, dos EUA, o hábito dos adolescentes de matar a 1ª aula, chegar atrasado na 2ª e tirar um cochilo na 3ª não é pura vagabundice da idade. Nem é porque os jovens fumam maconha demais. Mas é fruto dos hormônios da adolescência, que pedem pelo menos 9 horas de sono por dia e fazem a atenção dos jovens só atingir o pico às 11 horas.

A escola deveria se adaptar a esse metabolismo diferente. Uma pesquisa da fundação mostrou que 60% dos adolescentes têm sono de manhã – bem mais que as crianças. Ou seja: o horário segue uma lógica inversa. As crianças, que geralmente acordam cedo, costumam estudar à tarde, e quando viram adolescentes precisam responder chamada às 7h15.

O problema é que implementar uma mudança no horário alteraria toda a rotina e os horários da família. Mas escolas americanas que transferiram o início das aulas das 7h15 para as 8h40 tiveram alunos mais atentos. Na região da Nova Inglaterra (EUA), a mudança foi a­com­panhada por cientistas e documentada. As pesquisas mostraram que a média das notas aumentou (ainda que timidamente), as faltas caíram e os alunos passaram a ter menos sono.

Outra pesquisa sobre o sono e seu impacto sugere uma mudança mais radical: instituir a sesta depois de uma aula puxada. Um estudo da Universidade Harvard mostrou que, ao passar por aulas que exigiam muita atenção, os alunos lembravam-se mais do conteúdo quando tiravam uma sonequinha de 30 a 50 minutos.

Mais provas

Além do horário de início da aula, há uma outra convenção sem base científica: aulas que duram 50 minutos. “É muito tempo para o cérebro de uma criança. Nos 10 primeiros minutos de aula a atenção do aluno é boa. Se a informação for importante, ele segura a atenção; de outra forma, dispersa”, diz Leonor Guerra, da UFMG. “É importante dividir esse tempo em atividades diferentes.”

Para saber o tanto que os alunos prestam atenção na aula, uma escola perto de Newcastle, na Inglaterra, virou um verdadeiro laboratório de aprendizagem. A diretoria decidiu testar o mesmo conteúdo em turmas diferentes com métodos completamente distintos. Em uma delas, a matéria do dia seria formatada em seções de 8 minutos. Depois disso, uma pausa de 10 minutos, com brincadeiras que não tinham nada a ver com a disciplina. Mais 8 minutos do mesmo conteúdo. Pausa de 10 minutos, outra revisão. A retenção do conteúdo foi muito maior que a partir do método comum, mostrando que no começo da aula a criançada presta atenção se o conteúdo for interessante. E, se houver pausas, melhor ainda.

Outro problema da educação convencional é a semana de provas. Você se acha meio devagar por ter estudado para um monte de matérias e dali a 6 meses não lembrar de mais nada? Calma, há uma explicação científica. Segundo Bharucha, de Harvard, quando há muitas provas de diferentes matérias em pouco tempo, a chance de o aluno reter as informações é muito menor do que se a avaliação fosse dispersa no tempo. “Uma escola ideal tende a ter avaliação baseada na matéria estudada, e não no tempo que o aluno assiste às aulas”, diz Fredric Litto, professor da Escola do Futuro da USP , núcleo que pesquisa novas formas de educação. “Assim, um curso pode durar 3 horas, 3 dias ou 3 semanas, e não necessariamente 3 meses.”

Menos diferença

Na última década, virou bandeira da educação no Brasil a inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas comuns e o fechamento de instituições só para cegos, surdos ou autistas. A idéia por trás dessa política é fazer as crianças conviver com as diferentes e respeitá-las desde cedo. A teoria é bonita, mas encontra restrições entre alguns cientistas.

Um estudo da USP avaliou 7500 alunos surdos congênitos (que raciocinam em libras, a linguagem dos sinais) e deficientes auditivos (que raciocinam em português) de 15 estados brasileiros. A con­clusão é que a escola especial para surdos, que ensina em libras, produz melhor compreensão de leitura que a escola comum traz para surdos. Na Inglaterra, segundo a Associação Nacional dos Autistas (NAS, em inglês), 2 em cada 5 alunos com esse problema são vítimas de bullying nas escolas comuns (agressões psicológicas e até físicas de outras crianças), o dobro da taxa dos outros alunos. “Nós agora temos mais capacidade de rea­lizar uma educação mais personalizada e inclusiva, na medida em que entendemos quais as causas de dificuldades dos estudantes”, afirma Koji Myiamoto, autor de Understanding the Brain: The Birth of a Learning Science (“Entendendo o Cérebro: O Nascimento de uma Ciência do Aprendizado”, sem edição brasileira).

Se antes um aluno que não se saía bem era tachado de fraco e tinha como receita “se esforçar mais”, hoje já se conhece a origem de problemas que dificultam o aprendizado e os meios de combatê-los. Testes mais precisos conseguem detectar bem cedo problemas como dislexia, déficit de atenção, hiperatividade ou acalculia (dificuldade com números). O teste mais comum é a ressonância magnética funcional (RMF). Eletrodos colados com esparadrapo na cabeça do paciente identificam as áreas do cérebro que se ativam com um estímulo exterior. Assim, percebem se há regiões menos desenvolvidas ou se a informação está sendo processada em outra região.

O cérebro de pessoas com essas dificuldades processa as informações de maneira um pouco diferente. No caso dos disléxicos, há uma anomalia no hemisfério esquerdo do cérebro que, na prática, torna difícil para a pessoa atribuir corretamente o som a um símbolo gráfico. Em outras palavras, durante a alfabetização, quem tem dislexia pode ler uma letra e não saber como pronunciá-la. Alunos com essa dificuldade precisam de atenção especial, planos de aula distintos e mais tempo para aprender.

A educacão personalizada tem se mostrado eficaz até quando as crianças são educadas em casa. Nos EUA, geralmente por causa da religião da família, já há 2 milhões de crianças estudando com os pais ou com o apoio dos pais ou de professores particulares – coisa que não é reconhecida por lei no Brasil. Nos testes públicos de avaliação de desempenho, as crianças com educação doméstica têm notas 30 a 37% melhores que seus colegas das escolas públicas e privadas. “Mas não se deve subestimar o papel crucial da interação social em todos os modos de aprendizado”, afirmam os autores do livro Understanding the Brain.

Mais sílabas

Outra forte linha da pedagogia que hoje se questiona é o construtivismo. Segundo essa teoria, que tem o francês Jean Piaget como principal nome, a pessoa aprende de verdade não por meio da memorização de conteúdos fornecidos pelo professor, mas quando ela própria constrói o conhecimento, por atividades como gincanas ou caças ao tesouro. Legal, não?

Aplicado à alfabetização, o construtivismo rejeita livros didáticos. Nada de aprender sílabas usando frases como “I-vo viu a u-va”. Na versão brasileira da alfabetização construtivista, a criança vai tendo contato com palavras e imagens, tentando associar a palavra inteira ao contexto. Esse método é o contrário do fonético, onde o caminho é aprender o código: primeiro o som das letras, depois das sílabas e como elas formam palavras, que ganham sentido na frase.

O Brasil é dos únicos países no mundo a adotar a alfabetização construtivista. Para os críticos desse método, ela tem ajudado a produzir altos índices de analfabetismo funcional – quando a pessoa sabe ler, mas não consegue interpretar o texto. “Ninguém aprende a ler e a escrever se não aprender relações entre fonemas”, afirma Magda Soares, professora de educação da UFMG. Some-se a isso o fato de o Ministério da Educação ter dado como diretriz evitar a repetência de ano e o que se vê é que, das 27000 escolas públicas de 1ª a 4ª séries avaliadas pelo último Prova Brasil, só 166 têm média comparável à dos países desenvolvidos. “Na verdade, a política de não repetir os alunos disfarça o fracasso do monopólio da pseudoalfabetização construtivista que dominou o Brasil nos últimos 25 anos”, dispara Fernando Capovilla, professor do Instituto de Psicologia da USP.

Se a ciência ainda não tem fórmulas mágicas para transformar todas as crianças em gênios, aos poucos vai facilitando a vida dos alunos. E não há motivo para desencorajar essas pequisas. Afinal, se sabemos que a educação está longe de cumprir o que promete, por que não tentar diferente?

1. Aluno visual, auditivo ou sinestésico

Um mito corrente é que existem alunos que aprendem mais por algum sentido (visão, audição ou tato), em detrimento de outros. Na verdade, usamos todos os sentidos durante a aprendizagem, e o mais efetivo depende fundamentalmente do que é ensinado.

2. Usamos só 10% do nosso cérebro

A frase deve ter vindo de Einstein, que disse só usar uma pequena fração da sua incrível cabeça. Como tudo é ligado no cérebro e nunca fazemos uma atividade isolada, sempre usamos perto de 100% dele.

3. Lado direito e lado esquerdo

O lado direito do cérebro coordena a linguagem; já o direito coordena a percepção de emoções. Mas todas passam pelos dois hemisférios, que trabalham em conjunto. Não há base científica para desenvolver um lado específico nem indícios de que tal prática seja benéfica.

4. É preciso aprender línguas bem cedo.

Já ouviu aquela história de que algumas coisas só se aprendem até os 12 anos? Na verdade, o cérebro está sempre se modificando. É verdade que a infância é favorável para a aprendizagem da gramática de uma nova língua, mas os adultos armazenam um vocabulário mais rico.

5. Crianças não aprendem duas línguas ao mesmo tempo

Há espaço no cérebro para o aprendizado de dois idiomas simultaneamente – e isso só faz bem. Na Alemanha, um estudo com crianças turcas aprendendo o alemão mostrou que elas melhoravam na escrita das duas línguas.

6. O mito da Ginástica cerebral

Videogames que garantem melhorar a memória ou exercícios físicos que prometem maior atenção dos alunos ao massagearem regiões específicas do corpo são a extrapolação de algumas pesquisas, mas nada muito confiável. Sabe-se apenas que a atividade física melhora o metabolismo do corpo, inclusive do cérebro, mas não se sabe exatamente em qual medida.

A ciência diz que...

A. Os adolescentes acordam mais tarde que as crianças. Estar desperto ajuda muito no aprendizado.

B. Aprender é um processo fisiológico e envolve o bom funcionamento de todo o organismo.

C. A atenção da criança dificilmente se mantém por mais que os primeiros 10 minutos da aula.

D. Muitas avaliações sobre muito conteúdo num curto espaço do tempo dificultam a memorização.

E. Emoção e cognição não caminham separadas.

...E propõe uma escola assim:

A. As aulas devem começar mais tarde, especialmente no ensino médio.

B. A escola precisa ter exercício físico, boa ventilação, boa alimentação e fazer exames de vista nos alunos.

C. Aulas mais curtas que os tradicionais 50 minutos, com pausas e exercícios diferentes, para ajudar a memorização.

D. Uma semana de provas faz mal ao aprendizado de longo prazo. É melhor espalhar avaliações ao longo do tempo.

E. A sala de aula precisa ser um ambiente agradável e o aprendizado, não hostil. Os professores devem propor desafios em vez de ameaças.


Understanding the Brain

Koji Myiamoto, OECD, França, 2007.

www.educ.cam.ac.uk/neuroscience

Centro para Neurociência na Educação da Universidade de Cambridge.

(Texto: Pedro Burgos - Fonte: Super Arquivo)

Seu "Amigo" Psicopata...

Cinco milhões de brasileiros são incapazes de sentir emoções. Eles podem até matar sem culpa e estão incógnitos ao seu lado. Agora, a ciência começa a desvendá-los. (Texto: Leandro Narloch - Fonte: Super Arquivo)

Tinha alguma coisa errada com o Guilherme. Desde quando era pequeno, 4 anos de idade, a mãe, Norma*, achava que ele não era uma criança normal. O guri não tinha apego a nada, era frio, não obedecia a ninguém. O problema ficou claro aos 9 anos. Guilherme, nome fictício de um rapaz do Guarujá, litoral de São Paulo, que hoje tem 28 anos, roubava os colegas da escola, os vizinhos e dinheiro em casa. Também passou a expressar uma enorme capacidade de fazer os outros acreditar no que inventava. Aos 18, o garoto conseguiu enganar uma construtora e comprar um apartamento fiado. "Quando um primo da mesma idade morreu de repente, ele só disse ‘que pena’ e continuou o que estava fazendo", conta a mãe. Tinha alguma coisa errada com o Guilherme.

Em busca de uma solução, Norma passou 15 anos rodando com o filho entre psicólogos, psiquiatras, pediatras e até benzedeiros. Para todos, ele não passava de um garoto normal, com vontades e birras comuns. "Diziam que era mimo demais, que não soubemos impor limites." Uma pista para o problema do filho só apareceu em 2004. A mãe leu uma entrevista sobre psicopatia e resolveu procurar psiquiatras especializados no assunto. Então descobriu que o filho sofre da mesma doença de alguns assassinos em série e também de certos políticos, líderes religiosos e executivos. "Apenas confirmei o que já sabia sobre ele", diz Norma. "Dói saber que meu filho é um psicopata, mas pelo menos agora eu entendo que problema ele tem."

Guilherme não é um assassino como o Maníaco do Parque ou o Chico Picadinho. Mas todos eles sofrem do mesmo problema: uma total ausência de compaixão, nenhuma culpa pelo que fazem ou medo de serem pegos, além de inteligência acima da média e habilidade para manipular quem está em volta. A gente costuma chamar pessoas assim de monstros, gênios malignos ou coisa que o valha. Mas para a Organização Mundial da Saúde (OMS), eles têm uma doença, ou melhor, deficiência. O nome mais conhecido é psicopatia, mas também se usam os termos sociopatia e transtorno de personalidade anti-social.

Com um nome ou outro, não se trata de raridade. Entre os psiquiatras, há consenso quanto a estimativas surpreendentes sobre a psicopatia. "De 1% a 3% da população tem esse transtorno. Entre os presos, esse índice chega a 20%", afirma a psiquiatra forense Hilda Morana, do Instituto de Medicina Social e de Criminologia do Estado de São Paulo (Imesc). Isso significa que uma pessoa em cada 30 poderia ser diagnosticada como psicopata. E que haveria até 5 milhões de pessoas assim só no Brasil. Dessas, poucas seriam violentas. A maioria não comete crimes, mas deixa as pessoas com quem convive desapontadas. "Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis e deixando carteiras vazias por onde passam", disse à SUPER o psicólogo canadense Robert Hare, professor da Universidade da Colúmbia Britânica e um dos maiores especialistas no assunto.

Os psicopatas que não são assassinos estão em escritórios por aí, muitas vezes ganhando uma promoção atrás da outra enquanto puxam o tapete de colegas. Também dá para encontrá-los de baciada entre políticos que desviam dinheiro de merenda para suas contas bancárias, entre médicos que deixam pacientes morrer por descaso, entre "amigos" que pegam dinheiro emprestado e nunca devolvem... Lendo esta reportagem, não se surpreenda se você achar que conhece algum. Certamente você já conheceu.

Amigo da onça

O psicólogo Robert Hare tinha acabado de sair da faculdade, na década de 1960, quando arranjou um emprego no presídio de Vancouver. Função: atender os presos com problemas e montar diagnósticos de sanidade para pedidos de condicional. Lá conheceu o simpático Ray, um dos presos. Era um sujeito legal, contava histórias envolventes e tinha um sorriso que deixava qualquer um confortável. Como o sujeito parecia aplicado e dedicado a ter uma vida correta depois da prisão, o doutor resolveu ajudá-lo em pedidos de transferência para trabalhos melhores na cadeia, tipo a cozinha e a oficina mecânica. Os dois ficaram amigos. Mas Ray não era o que parecia. Hare descobriu que o homem usava a cozinha para produzir álcool e vender aos colegas. Os funcionários do presídio também alertaram o psicólogo dizendo que ele não tinha sido o primeiro a ser ludibriado pelo "gente boa" Ray. E que a falta de escrúpulos do preso não tinha limites. Pouco depois, Hare sentiu isso na pele: teve os freios de seu carro sabotados pelo "amigo" presidiário.

Ray não era único ali. Boa parte de seus colegas no presídio de Vancouver era formada por sujeitos alegres, comunicativos e cheios de amigos que também eram egocêntricos, sem remorso e não mudavam de atitude nem depois de semanas na solitária. Nas prateleiras sobre doenças mentais, havia várias descrições parecidas. O francês Philip Pinel, um dos pais da psiquiatria, escreveu no século 18 sobre pessoas que sofriam uma "loucura sem delírio". Mas o primeiro estudo para valer sobre psicopatia só viria em 1941, com o livro The Mask of Sanity ("A Máscara da Sanidade", sem tradução para o português), do psiquiatra americano Hervey Cleckley. Ele dedica a obra a um problema "conhecido, mas ignorado" e cita casos de pacientes com charme acima da média, capacidade de convencer qualquer um e ausência de remorso. Com base nesses estudos, Robert Hare passou 30 anos reunindo características comuns de pessoas assim, até montar sua escala Hare, o método para reconhecer psicopatas mais usado hoje.

Trata-se de um questionário com perguntas sobre a vida do sujeito, feito para investigar se ele tem traços de psicopatia. Seja como for, não é fácil identificar um. Psicopatas não têm crises como doentes mentais: o transtorno é constante ao longo da vida. Outras funções cerebrais, como a capacidade de raciocínio, não são afetadas. Algumas características, no entanto, são evidentes.

Segredos e mentiras

Atributo número 1: mentir. Todo mundo mente, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, com todo mundo. Inclusive com eles mesmos. São capazes de dizer "Já saltei de pára-quedas" e, logo depois, "Nunca andei de avião", sem achar que existe uma grande contradição aí. Espertos, não se contentam só em dizer que são neurocirurgiões, por exemplo, sem nunca ter completado o colegial: usam e abusam de termos técnicos das profissões que fingem ter. Se o sujeito finge ser advogado, manda ver nos "data venias" da vida. Se diz que estudou filosofia, vai encher o vocabulário de expressões tipo "dialética kantiana" sem fazer idéia do que isso significa. Sim, eles são profissionais da lorota.

"Depois que descobri as mentiras que ele me contou, passei um tempo me perguntando como tinha sido tão burra para acreditar naquilo", diz a professora carioca Ana*. Há 9 anos, ela conheceu um cara incrível. Ele dizia que, com apenas 27 anos, era diretor de uma grande companhia e que, por causa disso, viajava sempre para os EUA e para a Europa. Atencioso e encantador, Cláudio era o genro que toda sogra queria ter. "Em 5 meses, a gente estava quase(casando. Então a mãe dele revelou que era tudo mentira, que o filho era doente, enganava as pessoas desde criança e passava por um tratamento psiquiátrico."

Ana largou Cláudio e foi tocar a vida. Mas nem sempre quem passa pelas mãos de um psicopata "pacífico" tem tempo para reorganizar as coisas. Que o digam as pessoas que cruzaram o caminho de Alessandro Marques Gonçalves. Formado em direito, ele resolveu fingir que era médico. E levou esse delírio às últimas conseqüências: forjou documentos e conseguiu trabalho em 3 grandes hospitais paulistas. Enganou pacientes, chefes e até a mulher, que espera um filho dele e não fazia idéia da fraude. Desmascarado em fevereiro de 2006, Alessandro aleijou pelo menos 23 pessoas e é suspeito da morte de 3.

"Ele usa termos técnicos e fala com toda a naturalidade. Realmente parece um médico", diz o delegado André Ricardo Hauy, de Lins, que o interrogou. "Também acha que não está fazendo nada de errado e diz, friamente, que queria fazer o bem aos pacientes." Quando foi preso, Alessandro não escondeu a cabeça como os presos geralmente fazem: deixou-se filmar à vontade.

"O diagnóstico de transtorno anti-social depende de um exame detalhado, mas dá para perceber características de um psicopata nesse falso médico. É que, além de mentir, ele mostra ausência de culpa", afirma o psiquiatra Antônio de Pádua Serafim, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

E esse é um atributo-chave da mente de um psicopata: cabeça fresca. Nada deixa esses indivíduos com peso na consciência. Fazer coisas erradas, todo mundo faz. Mas o que diferencia o psicopata do "todo mundo" é que um erro não vai fazer com que ele sofra. Sempre vai ter uma desculpa: "Um cara que matou 41 garotos no Maranhão, Francisco das Chagas, disse que as vítimas queriam morrer", conta Antônio Serafim.

Justamente por achar que não fazem nada de errado, eles repetem seus erros. "Psicopatas reincidem 3 vezes mais que criminosos comuns", afirma Hilda Morana, que traduziu e adaptou a escala Hare para o Brasil. "Tem mais: eles acham que são imunes a punições." E isso vale em qualquer situação. Até na hora de jogar baralho.

Foi o que mostrou o psicólogo americano Joe Newman num experimento em 1987. No laboratório, havia 4 montes de cartas. Sem que os jogadores soubessem, um deles estava cheio de cartas premiadas. Ou seja: quem escolhesse aquele monte ganhava mais dinheiro e continuava no jogo. Aos poucos, porém, a quantidade de cartas boas rareava, até que, em vez de dar vantagem, escolher aquele monte passava a dar prejuízo. Pessoas comuns que participaram da pesquisa logo perceberam a mudança e deixaram de apostar nele. Psicopatas, porém, seguiram tentando obter a recompensa anterior. "Pessoas comuns mudam de estratégia quando não obtêm recompensa", afirma o neurocientista James Blair, autor do livro The Psychopath – Emotion and the Brain ("O Psicopata – Emoção e o Cérebro", sem edição brasileira). "Mas crianças e adultos com tendências psicopáticas continuam a ação mesmo sendo repetidamente punidos com a perda de pontos."

Psicopatas não aprendem com punições. Não adianta dar palmadas neles.

Além disso, psicopata que se preze se orgulha de suas mancadas. Esse sujeito pode ser o marido que trai a mulher e se gaba para os amigos. Ou coisa pior. Veja o caso do promotor de eventos Michael Alig. Querido por todos, ele difundiu a cultura clubber em Nova York, organizando festas itinerantes. E em 1996 ele matou um amigo em casa. Quando o corpo começou a feder, retalhou-o e jogou os pedaços no rio Hudson. Dias depois, em um programa de TV, Alig simplesmente descreveu o assassinato, todo pimpão. Os jornalistas acharam que era só uma brincadeira besta, claro. Dias depois, a polícia achou o corpo do amigo de Alig no rio. Ele foi condenado a 20 anos de prisão – sem perder a pose.

Isso é lugar-comum entre os psicopatas. O próprio psiquiatra Antônio Serafim está acostumado com relatos grandiosos de carnificinas: "Quando você pergunta sobre a destreza com que cometeram os crimes, eles contam detalhes dos assassinatos, cheios de orgulho."

Zumbis

Se você estivesse indo comprar cerveja perto de casa e se desse conta que esqueceu a carteira, o que faria? Em vez de voltar para buscar dinheiro, um psicopata da Califórnia preferiu catar um pedaço de pau, bater num homem e levar o dinheiro dele. Também tem o caso de uma mulher que deixou a filha de 5 anos ser estuprada pelo namorado. Perguntada por que deixou aquilo acontecer, ela disse: "Eu não queria mais transar, então deixei que ele fosse com a minha filha."

Eis mais um traço psicopático. "Eles tratam as pessoas como coisas", afirma o psiquiatra Sérgio Paulo Rigonatti, do Instituto de Psiquiatria do HC. Isso acontece porque eles simplesmente não assimilam emoções. Para entender isso melhor, vamos dar um passeio pelo inferno.

Corpos decapitados, crianças esquálidas com moscas nos olhos, torturas com eletrochoque, gemidos desesperados. Só de imaginar cenas assim, a reação de pessoas comuns é ter alterações fisiológicas como acelerar as batidas do coração, intensificar a atividade cerebral e enrijecer os músculos. Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir a cenas assim. Cada um ouvia, por um fone, sons desagradáveis, como gritos de desespero. "Os criminosos comuns tiveram reações físicas de medo", diz ele. "Já os identificados como psicopatas não apresentaram sequer variação de batimento cardíaco."

Mais: uma série de estudos do Instituto de Neurociência Cognitiva, nos EUA, mostrou que psicopatas têm dificuldade em nomear expressões de tristeza, medo e reprovação em imagens de rostos humanos. "Outros 3 estudos ligaram psicopatia com a falta de nojo e problemas em reconhecer qualquer tipo de emoção na voz das pessoas", afirma Blair.

É simples: assim como daltônicos não conseguem ver cores, psicopatas são incapazes de enxergar emoções. Não as enxergam nem as sentem, pelo menos não do mesmo jeito que os outros fazem. Em vez disso, eles só teriam o que os psiquiatras chamam de proto-emoções – sensações de prazer, euforia e dor menos intensas que o normal. "Isso impede os psicopatas de se colocar no lugar dos outros", diz Hilda Morana.

Um dos pacientes entrevistados por Hare confirma: "Quando assaltei um banco, notei que uma caixa começou a tremer e a outra vomitou em cima do dinheiro, mas não consigo entender por quê", disse. "Na verdade, não entendo o que as pessoas querem dizer com a palavra ‘medo’ ".

No livro No Ventre da Besta – Cartas da Prisão, o escritor americano Jack Abbott descreve com honestidade o que acontece na sua cabeça de psicopata: "Existem emoções que eu só conheço de nome. Posso imaginar que as tenho, mas na verdade nunca as senti".

É como se eles entendessem a letra de uma canção, mas não a música. Esse jeito asséptico de ver o mundo faz com que um psicopata consiga mentir sem ficar nervoso, sacanear os outros sem sentir culpa e, em casos extremos, retalhar um corpo com o mesmo sangue-frio de quem separa as asinhas do peito de um frango assado.

Cérebros em curto

Ok, o problema central dos psicopatas é que eles não conseguem sentir emoções. Mas por que isso acontece? "A crença de que tudo é causado por famílias instáveis ou condições sociais pobres nos faz fingir que o problema não existe", afirma Hare.

Para a neurologia, a coisa é mais objetiva: os "circuitos" do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal. Uma descoberta importante foi feita pelo neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira-Souza e pelo neurologista Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos dos EUA. Em 2000, os dois identificaram, com imagens de ressonância magnética, as partes do cérebro ativadas quando as pessoas fazem julgamentos morais. Os participantes da pesquisa tiveram o cérebro mapeado enquanto decidiam se eram certas ou erradas frases como "podemos ignorar a lei quando necessário" ou "todos têm o direito de viver", além de outras sem julgamento moral, como "pedras são feitas de água". A maioria dos voluntários ativou uma área bem na testa, chamada Brodmann 10, ao responder às perguntas.

E aí vem o pulo-do-gato: a dupla repetiu o estudo em 2005 com pessoas identificadas como psicopatas, e descobriu que elas ativam menos essa parte do cérebro. Daí a incompetência que os sujeitos com transtorno anti-social têm para sentir o que é certo e o que é errado. Agora, resta saber se essas deficiências vêm escritas no DNA ou se surgem depois do nascimento.

Hoje, se sabe que boa parte da estrutura cerebral se forma durante a vida, sobretudo na infância. Mas cientistas buscam uma causa genética porque a psicopatia parece surgir independentemente do contexto ou da educação. "Nascem tantos psicopatas na Suécia ou na Finlândia quanto no Brasil", afirma Hilda Morana. "Os pais costumam se perguntar onde foi que erraram." A impressão é que psicopatas nasceram com o problema. "Eles também surgem em famílias equilibradas, são irmãos de pessoas normais e deixam seus pais perplexos", afirma Oliveira-Souza.

James Blair vai pela mesma linha: "Estudos com pessoas da mesma famíla, gêmeos e filhos adotados indicam que o comportamento dos psicopatas e as disfunções emocionais são coisas hereditárias", afirma.

Cobras de terno

Mesmo quem defende uma origem 100% genética para a psicopatia não descarta a importância do ambiente. A criação, nessa história, seria fundamental para determinar que tipo de psicopata um camarada com tendência vai ser.

"Fatores sociais e práticas familiares influenciam no modo como o problema será expresso no comportamento", afirma Rigonatti. Por exemplo: psicopatas que cresceram sofrendo ou presenciando agressões teriam uma chance bem maior de usar sua "habilidade" psicopática para matar pessoas.

Um bom exemplo desse tipo é o americano Charles Manson. Filho de uma prostituta alcoólatra e dono de uma mente pra lá de sociopata, transformou um punhado de hippies da Califórnia em um grupo paramilitar fanático nos anos 70. Manson foi responsável pela carnificina na casa do cineasta Roman Polanski. Entre os 5 mortos, estava a atriz Sharon Tate, mulher do diretor e grávida de 8 meses. Detalhe: ele nem sequer participou da ação. Só usou sua capacidade de liderança para convencer um punhado de seguidores a realizar o massacre.

Já os que vêm de famílias equilibradas e viveram uma infância sem grandes dramas teriam uma probabilidade maior de se transformar naqueles que mentem, trapaceiam, roubam, mas não matam. Mais de 70% dos psicopatas diagnosticados são desse grupo, mas não há motivo para alívio. Psicopatas infiltrados na política, em igrejas ou em grandes empresas podem fazer estragos ainda piores.

Exemplos não faltam. O político absurdamente corrupto que é adorado por eleitores, cativa jornalistas durante entrevistas, não entra em contradição nem parece sentir culpa por ter recheado suas contas bancárias com dinheiro público é um. O líder religioso que enriquece à custa de doações dos fiéis é outro. E por aí vai.

"Eles costumam se dar bem em ambientes pouco estruturados e com pessoas vulneráveis. Agem como cartomantes, pais de santo, líderes messiânicos", afirma Oliveira-Souza. Psicopatas não tão fanáticos, mas com a mesma falta de escrúpulos, também estão em grandes empresas, sugando dinheiro e tornando a vida dos colegas um inferno.

A habilidade para mentir despudoradamente sem levantar suspeitas faz com que eles se dêem bem já nas entrevistas de emprego. O charme que eles simulam ajuda a conquistar a confiança dos chefes e a pressionar para que colegas que atrapalham sua ascensão profissional acabem demitidos. Não raro, costumam ocupar os cargos hierárquicos mais altos.

O psicólogo ocupacional Paul Babiak cita o exemplo de Dave, um executivo de uma empresa americana de tecnologia. Logo na primeira semana, o chefe notou que ele gastava mais tempo criando picuinhas entre os funcionários do que trabalhando e plagiava relatórios sem medo de ser pego. Quando o chefe recomendou sua demissão, Dave foi reclamar aos chefes do seu chefe. Com sua lábia, conseguiu ficar dois anos na empresa, sendo promovido duas vezes, até causar um rombo na firma e sua máscara cair. "Certamente há mais psicopatas no mundo dos negócios que na população em geral", diz o psiquiatra Hare, que escreveu com Babiak o livro Snakes in Suits – When Psychopaths Go to Work ("Cobras de Terno – Quando Psicopatas vão Trabalhar", inédito no Brasil). Para ele, sociopatas corporativos são responsáveis por escândalos como o da Enron, em 2002, quando a empresa americana mentiu sobre seus lucros para bombar preços de ações. "O poder e o controle sobre os outros tornam grandes empresas atraentes para os psicopatas", diz.

O que fazer?

Seja nas empresas, nas ruas, ou numa casinha de sapê, nossos amigos com transtorno anti-social são tecnicamente incapazes de frear seus impulsos sacanas. Mas, para os psiquiatras, essa limitação não significa que eles não devam ser responsabilizados pelo que fazem. "Psicopatas têm plena consciência de que seus atos não são corretos", afirma Hare. "Apenas não dão muita importância para isso." Se cometem crimes, então, devem ir para a cadeia como os outros criminosos.

Só que até depois de presos psicopatas causam mais dores de cabeça que a média dos criminosos. Na cadeia, tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo. "Mas nunca aparecem. Eles sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo da prisão mais cedo", diz Antônio de Pádua Serafim.

Por conta disso, a psiquiatra forense Hilda Morana foi a Brasília em 2004 tentar convencer deputados a criar prisões especiais para psicopatas. Conseguiu fazer a idéia virar um projeto de lei, que não foi aprovado. Nas prisões brasileiras, não há procedimento de diagnóstico de psicopatia para os presos que pedem redução da pena. "Países que aplicam o diagnóstico têm a reincidência dos criminosos diminuída em dois terços, já que mantêm mais psicopatas longe das ruas", diz ela. Tampouco há procedimentos para evitar que psicopatas entrem na polícia – uma instituição teoricamente tão atraente para eles quanto as grandes empresas. Também não há testes de psicopatia na hora de julgar se um preso pode partir para um regime semi-aberto. Nas escolas, professores não estão preparados para reconhecer jovens com o transtorno.

"Mesmo dentro da psiquiatria existe pouca gente interessada no assunto, já que os psicopatas não se reconhecem como tal e dificilmente vão mudar de comportamento durante a vida", diz o psiquiatra João Augusto Figueiró, de São Paulo. Também não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito. Outro problema: quando levados a consultórios, os psicopatas acabam ficando piores. Eles adquirem o vocabulário dos especialistas e se munem de desculpas para justificar seu comportamento quando for necessário. Diante da falta de perspectiva de cura, quem convive com psicopatas no dia-a-dia opta por vigiá-los o máximo possível. É o que faz a dona-de-casa Norma, do Guarujá, com o filho Guilherme. "Enquanto eu e o pai dele estivermos vivos, podemos tomar conta", diz. "Mas... e depois?"

"Ele mentia muito. Armava um teatro para nos transformar em culpados. Não tinha apego nem responsabilidade. Não evitava falar coisas que deixassem os outros magoados. Nunca pensou que, se fizesse alguma coisa ruim, os pais ficariam bravos. Na escola, ele não obedecia a ordens. Se não queria fazer a lição, não tinha ninguém que o convencesse. A inteligência dele até era acima da média, mas um mês ele tirava 10 em tudo e no outro tirava 0. Dos 3 aos 25 anos, ele rodou comigo por psicólogos. Foi uma busca insana. Começamos a tratar pensando que era hiperatividade, ele tomou antidepressivos e outros remédios. Nada deu certo. Pessoas como o meu filho conseguem manipular psicólogos com facilidade. E os pais se tornam os grandes culpados. Quando descobri o problema, com uma psiquiatra, foi uma luz para mim. Hoje sei que pessoas como ele inventam um mundo na cabeça. É um sofrimento para os pais que convivem com crianças ou com adultos assim. Hoje, temos que vigiá-lo e carregá-lo pela mão para tudo que é canto. Senão, ele rouba coisas ou arma histórias. Fica 3 meses em cada emprego e pára, diz que não está bom. O problema nunca é com ele, sempre os outros é que estão errados. Eu ainda torço para que tenha um remédio, porque viver assim é muito ruim. Se está tudo bem agora, você não sabe qual vai ser a reação daqui a 5 minutos. É como uma bomba relógio, uma panela de pressão que vai explodir. Nunca dá pra saber exatamente o que ele pensa nem para acreditar em alguma coisa que ele promete. Às vezes penso que deveriam criar uma sociedade paralela só para sociopatas, mas uns matariam os outros, com certeza. Para não correr o risco de botar no mundo outra pessoa dessas, convencemos nosso filho a fazer vasectomia. Dói muito dizer que seu filho é um psicopata, mas fazer o quê? Matar você não pode. Tem que ir convivendo na esperança de que um dia a medicina dê conta de casos assim."

*Depoimento de Norma, 50 anos, dona-de-casa do Guarujá (SP), mãe de Guilherme, 28, diagnosticado como psicopata.

Charme

Tem facilidade em lidar com as palavras e convencer pessoas vulneráveis. Por isso, torna-se líder com freqüência. Seja na cadeia, seja em multinacionais.

Inteligência

O QI costuma ser maior que o da média: alguns conseguem se passar por médico ou advogado sem nunca ter acabado o colegial.

Ausência de culpa

Não se arrepende nem têm dor na consciência. É mestre em botar a culpa nos outros por qualquer coisa. Tem certeza de que nunca erra.

Espírito sonhador

Vive com a cabeça nas nuvens. Mesmo se a situação do sujeito estiver miserável, ele só fala sobre as glórias que o futuro lhe reserva.

Habilidade para mentir

Não vê diferença entre sinceridade e falsidade. É capaz de contar qualquer lorota como se fosse a verdade mais cristalina.

Egoísmo

Faz suas próprias leis. Não entende o que significa "bem comum". Se estiver tudo ok para ele, não interessa como está o resto do mundo.

Frieza

Não reage ao ver alguém chorando e termina relacionamentos sem dar explicação. Sabe o cara que "foi comprar cigarro e nunca mais voltou?" Então.

Parasitismo

Quando consegue a confiança de alguém, suga até a medula. O mais comum é pedir dinheiro emprestado e deixar para pagar no dia 31 de fevereiro.

The Psychopath - James Blair e outros, Blackwell, EUA, 2006

Without Conscience - Robert Hare, Guilford, EUA,1993

The Sociopath Next Door - Martha Stout, Broadway, EUA, 2005

A verdadeira história do Natal...

A humanidade comemora essa data desde bem antes do nascimento de Jesus. Conheça o bolo de tradições que deram origem à Noite Feliz.

Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.
Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de "nascimento" do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.
A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o "renascimento" do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.
A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, esse culto é o que daria origem ao nosso Natal. Ele chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.
Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. "O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes", dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome ("Religiões de Roma", sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Solstício cristão
As datas religiosas mais importantes para os primeiros seguidores de Jesus só tinham a ver com o martírio dele: a Sexta-Feira Santa (crucificação) e a Páscoa (ressurreição). O costume, afinal, era lembrar apenas a morte de personagens importantes. Líderes da Igreja achavam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou de um mártir – já que ele só se torna uma coisa ou outra depois de morrer. Sem falar que ninguém fazia idéia da data em que Cristo veio ao mundo – o Novo Testamento não diz nada a respeito. Só que tinha uma coisa: os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa época viria a calhar – principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis. Aí, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado. "Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade", diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp. Assim, a invenção católica herdava tradições anteriores. "Ao contrário do que se pensa, os cristãos nem sempre destruíam as outras percepções de mundo como rolos compressores. Nesse caso, o que ocorreu foi uma troca cultural", afirma outro historiador especialista em Antiguidade, André Chevitarese, da UFRJ.
Não dá para dizer ao certo como eram os primeiros Natais cristãos, mas é fato que hábitos como a troca de presentes e as refeições suntuosas permaneceram. E a coisa não parou por aí. Ao longo da Idade Média, enquanto missionários espalhavam o cristianismo pela Europa, costumes de outros povos foram entrando para a tradição natalina. A que deixou um legado mais forte foi o Yule, a festa que os nórdicos faziam em homenagem ao solstício. O presunto da ceia, a decoração toda colorida das casas e a árvore de Natal vêm de lá. Só isso.
Outra contribuição do norte foi a idéia de um ser sobrenatural que dá presentes para as criancinhas durante o Yule. Em algumas tradições escandinavas, era (e ainda é) um gnomo quem cumpre esse papel. Mas essa figura logo ganharia traços mais humanos.

Nasce o Papai Noel
Ásia Menor, século 4. Três moças da cidade de Myra (onde hoje fica a Turquia) estavam na pior. O pai delas não tinha um gato para puxar pelo rabo, e as garotas só viam um jeito de sair da miséria: entrar para o ramo da prostituição. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho cheio de ouro pela janela (alguns dizem que foi pela chaminé) e sumiu. Na noite seguinte, atirou outro; depois, mais outro. Um para cada moça. Aí as meninas usaram o ouro como dotes de casamento – não dava para arranjar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre, sem o fantasma de entrar para a vida, digamos, "profissional". Tudo graças ao sujeito dos saquinhos. O nome dele? Papai Noel.
Bom, mais ou menos. O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myra, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lenda é o que não falta. Nicolau seria um ricaço que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a generosidade do bispo, como essa das moças que escaparam do bordel, ganharam status de mito. Logo atribuíram toda sorte de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou são Nicolau.
Um santo multiuso: padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. Na Rússia e na Grécia Nicolau virou o santo nº1, a Nossa Senhora Aparecida deles. No resto da Europa, a imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal. E ele virou o presenteador oficial da data. Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Natal). Os franceses cunharam Pére Nöel, que quer dizer a mesma coisa e deu origem ao nome que usamos aqui. Na Holanda, o santo Nicolau teve o nome encurtado para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixos levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) no século 17 – daí o Santa Claus que os ianques adotariam depois. Assim o Natal que a gente conhece ia ganhando o mundo, mas nem todos gostaram da idéia.

Natal fora-da-lei
Inglaterra, década de 1640. Em meio a uma sangrenta guerra civil, o rei Charles 1º digladiava com os cristãos puritanos – os filhotes mais radicais da Reforma Protestante, que dividiu o cristianismo em várias facções no século 16.
Os puritanos queriam quebrar todos os laços que outras igrejas protestantes, como a anglicana, dos nobres ingleses, ainda mantinham com o catolicismo. A idéia de comemorar o Natal, veja só, era um desses laços. Então precisava ser extirpada.
Primeiro, eles tentaram mudar o nome da data de "Christmas" (Christ’s mass, ou Missa de Cristo) para Christide (Tempo de Cristo) – já que "missa" é um termo católico. Não satisfeitos, decidiram extinguir o Natal numa canetada: em 1645, o Parlamento, de maioria puritana, proibiu as comemorações pelo nascimento de Cristo. As justificativas eram que, além de não estar mencionada na Bíblia, a festa ainda dava início a 12 dias de gula, preguiça e mais um punhado de outros pecados.
A população não quis nem saber e continuou a cair na gandaia às escondidas. Em 1649, Charles 1º foi executado e o líder do exército puritano Oliver Cromwell assumiu o poder. As intrigas sobre a comemoração se acirraram, e chegaram a pancadaria e repressões violentas. A situação, no entanto, durou pouco. Em 1658 Cromwell morreu e a restauração da monarquia trouxe a festa de volta. Mas o Natal não estava completamente a salvo. Alguns puritanos do outro lado do oceano logo proibiriam a comemoração em suas bandas. Foi na então colônia inglesa de Boston, onde festejar o 25 de dezembro virou uma prática ilegal entre 1659 e 1681. O lugar que se tornaria os EUA, afinal, tinha sido colonizado por puritanos ainda mais linha-dura que os seguidores de Cromwell. Tanto que o Natal só virou feriado nacional por lá em 1870, quando uma nova realidade já falava mais alto que cismas religiosas.

Tio Patinhas
Londres, 1846, auge da Revolução Industrial. O rico Ebenezer Scrooge passa seus Natais sozinho e quer que os pobres se explodam "para acabar com o crescimento da população", dizia. Mas aí ele recebe a visita de 3 espíritos que representam o Natal. Eles lhe ensinam que essa é a data para esquecer diferenças sociais, abrir o coração, compartilhar riquezas. E o pão-duro se transforma num homem generoso.
Eis o enredo de Um Conto de Natal, do britânico Charles Dickens. O escritor vivia em uma Londres caótica, suja e superpopulada – o número de habitantes tinha saltado de 1 milhão para 2,3 milhões na 1a metade do século 19. Dickens, então, carregou nas tintas para evocar o Natal como um momento de redenção contra esse estresse todo, um intervalo de fraternidade em meio à competição do capitalismo industrial. Depois, inúmeros escritores seguiram a mesma linha – o nome original do Tio Patinhas, por exemplo, é Uncle Scrooge, e a primeira história do pato avarento, feita em 1947, faz paródia a Um Conto de Natal. Tudo isso, no fim das contas, consolidou a imagem do "espírito natalino" que hoje retumba na mídia. Quer dizer: quando começar o próximo especial de Natal da Xuxa, pode ter certeza de que o fantasma de Dickens vai estar ali.
Outra contribuição da Revolução Industrial, bem mais óbvia, foi a produção em massa. Ela turbinou a indústria dos presentes, fez nascer a publicidade natalina e acabou transformando o bispo Nicolau no garoto-propaganda mais requisitado do planeta. Até meados do século 19, a imagem mais comum dele era a de um bispo mesmo, com manto vermelho e mitra – aquele chapéu comprido que as autoridades católicas usam. Para se enquadrar nos novos tempos, então, o homem passou por uma plástica. O cirurgião foi o desenhista americano Thomas Nast, que em 1862, tirou as referências religiosas, adicionou uns quilinhos a mais, remodelou o figurino vermelho e estabeleceu a residência dele no Pólo Norte – para que o velhinho não pertencesse a país nenhum. Nascia o Papai Noel de hoje. Mas a figura do bom velhinho só bombaria mesmo no mundo todo depois de 1931, quando ele virou estrela de uma série de anúncios da Coca-Cola. A campanha foi sucesso imediato. Tão grande que, nas décadas seguintes, o gorducho se tornou a coisa mais associada ao Natal. Mais até que o verdadeiro homenageado da comemoração. Ele mesmo: o Sol. (Texto Thiago Minami e Alexandre Versignassi - Fonte: SuperArquivo)


Religions of Rome - Mary Beard, John North; Cambridge, EUA, 1998
Santa Claus: A Biography - Gerry Bowler, McClelland & Stewart, EUA, 2005

www.candlegrove.com/solstice.html - Como várias culturas comemoram o solstício de inverno.

Reflexões sobre as metas para a educação brasileira...


METAS PARA A EDUCAÇÃO

Por: Jorge Schemes

Recentemente especialistas definiram cinco metas que devem ser cumpridas para tentar colocar o Brasil no mesmo nível de países desenvolvidos. Até 2022, o Brasil não deverá ter mais qualquer criança entre quatro e 17 anos fora da escola, e todos precisarão estar plenamente alfabetizados até os oito anos. Além disso, o estudante deverá apresentar aprendizado adequado à sua série e concluir o Ensino Médio até os 19 anos. E os investimentos em Educação serão ampliados e bem geridos. Apesar de serem metas totalmente viáveis, são dependentes de uma enorme vontade política e social, e podem ser frustradas se de fato não houver comprometimento com a educação.
Essa busca pela excelência na educação estará fadada ao fracasso se não seguir sete medidas testadas e aprovadas pelos países desenvolvidos. Essas sete medidas são a conclusão e o resultado de um estudo realizado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - USA). São elas:

1º) Recrutar os professores mais talentosos e capazes para ensinar - Para tanto, o Governo, em todos os níveis, deve investir pesado em capacitação e desenvolvimento humano, bem como aderir à política pública da elevação do piso nacional para os professores.

2º) Para cada estudante de pedagogia um tutor, ou seja, um professor experiente para orientá-lo e avaliá-lo na prática pedagógica - Infelizmente essa não é uma realidade nacional, principalmente nos cursos de formação docente à distância. Há uma verdadeira banalização do ensino à distância. Penso que o Ministério da Educação deveria se preocupar em regular os mesmos para oferecerem cursos de bacharelado, mas não de licenciaturas, pois a diversidade metodológica, didática e pedagógica, bem como a prática de ensino e o acompanhamento docente no estágio ficam no mínimo comprometidas.

3º) Aumento significativo do salário inicial dos professores para tornar a profissão tão atraente como em outras áreas mais bem remuneradas – A questão salarial e a profissionalização docente estão intimamente relacionadas com a qualidade no ensino. Como atrair para a educação os melhores educadores se o salário é indigno?

4º) Investir na capacitação dos diretores oferecendo cursos na área de gestão – De acordo com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, do MEC), 59,8% dos diretores de colégios públicos foram escolhidos por indicação da Prefeitura ou do Estado em 2004. A prática se mostra recorrente, na medida em que, em alguns Estados, esse percentual chega a ser superior a 90%, como o Amapá (94,7%), o Rio Grande do Norte (92,3%) e Sergipe (92%).Por outro lado, o percentual de diretores eleitos no país é de 19,5%, enquanto a taxa de concursados é menor: 9,2%. Diante dos dados e dos fatos, a pesquisa concluiu que a escolha por indicação é a pior forma por colocar na escola uma pessoa que não tem vinculação com o sistema educacional, mesmo em alguns casos em que possa existir algum critério nessa indicação. Todavia, na maior parte das vezes, a escolha é político-partidária. Além de ser a forma mais criticada por especialistas, a indicação política é, segundo o SAEB (exame do MEC que avalia a qualidade da educação), a que tem mais impacto negativo no desempenho dos estudantes.

5º) Auditoria nas escolas, nas salas de aula e no ambiente físico e pedagógico – Ou seja, técnicos são designados para visitar a escola, assistir aulas, entrevistar alunos e professores, relatar as deficiências e apontar as mudanças necessárias, e se for o caso, até mesmo indicar a exoneração do mal gestor escolar.

6º) Adoção de um currículo único, consistente, com objetivos definidos e um instrumento para aferir o nível dos alunos - Infelizmente em nosso país ainda predomina um currículo guiado pelas próprias crenças e pela razão dos(as) professores(as).

7º) Aulas particulares de graça - Ou seja, um(a) professor(a) é designado(a) e remunerado(a) para atender os(as) alunos(as) com dificuldades de aprendizagem, à parte das aulas. Essa medida é urgentíssima no caso do Brasil. Os altos índices de repetência comprovam isso, somado ao analfabetismo funcional, ou seja, a incapacidade de entender o que se lê e escreve. A mais triste realidade para um escola é ter alunos analfabetos em todas as séries da Educação Básica. Por essa razão faz-se necessário reestruturar o cotidiano escolar e gerenciar o principal papel social da escola, o de alfabetizar e ensinar com eficácia e qualidade.

Jorge Schemes:
Professor na FGG – Faculdade Guilherme Guimbala – ACE.
Técnico Pedagógico na GERED – Gerência de Educação.
Professor na Rede Pública Municipal de Joinville, SC.

Enchentes em Santa Catarina...



Participe e ajude no que puder, mas não deixe de ser solidário e de praticar a solidariedade. Doe alguma coisa ou parte do seu tempo em favor daqueles que foram atingidos por essa tragédia ambiental. Se cada um de nós fizer alguma coisa, doar algum alimento, uma roupa, um móvel, produtos de higiene e limpeza ou algum dinheiro, poderemos formar uma grande corrente do bem e fazer a diferença na vida daqueles que pederam tudo ou quase tudo.






O Bradesco e o Banco do Brasil disponibilizaram contas para que os interessados em fazer doações para as vítimas da tragédia provocada pelas chuvas em Santa Catarina (SC) possam fazer seus depósitos.

Seguem abaixo os detalhes das contas:

Bradesco
Agência: 348-4
Conta: 160.000-1

Observação: Os depósitos de ajuda devem ser realizados nominalmente para Fundo Estadual de Defesa Civil, CNPJ 04426883/0001-57.

Banco do Brasil
Agência: 3582-3
Conta: 80.000-7

Observação: Os recursos recebidos serão repassados para a Secretaria de Defesa Civil do Estado de Santa Catarina.



Mais Notícias:
A chuvas que assolam Santa Catarina causaram 99 mortes e obrigaram mais de 78 mil pessoas a sair de suas casas. Entre as vítimas das chuvas estão: bebês, idosos e famílias inteiras


Número de vítimas em SC deve aumentar, diz Defesa Civil - BOL Notícias


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'É a pior calamidade ambiental que já enfrentamos', diz Lula, em SC


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REFLEXÃO


Meus amigos,


Hoje 28 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.


As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.


Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU, etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:


- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros


- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.


- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.


- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.


- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.


- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.


- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.


- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.


- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.


- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.


Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:


- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.


- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.


- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.


- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.


- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.


- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.


- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.


- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.


- Aos Médicos Voluntários.


- Às enfermeiras Voluntárias.


- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.


- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.


- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.


- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.


- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.


- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.


- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.


- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.


- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.


- A todos que oraram por todos.- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.


- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.


- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.


- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.


- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.


Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:


COMEÇAR DE NOVO


Eu tinha medo da escuridão. Até que as noites se fizeram longas e sem luz. Eu não resistia ao frio facilmente. Até passar a noite molhado numa laje. Eu tinha medo dos mortos. Até ter que dormir num cemitério. Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires. Até que me deram abrigo e alimento. Eu tinha aversão a Judeus. Até darem remédios aos meus filhos. Eu adorava exibir a minha nova jaqueta. Até dar ela a um garoto com hipotermia. Eu escolhia cuidadosamente a minha comida. Até que tive fome. Eu desconfiava da pele escura. Até que um braço forte me tirou da água. Eu achava que tinha visto muita coisa. Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas. Eu não gostava do cachorro do meu vizinho. Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar. Eu não lembrava os idosos. Até participar dos resgates. Eu não sabia cozinhar. Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome. Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras. Até ver todas cobertas pelas águas. Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome. Até a gente se tornar todos seres anônimos. Eu não ouvia rádio. Até ser ela que manteve a minha energia. Eu criticava a bagunça dos estudantes. Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias. Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos. Agora nem tanto. Eu vivia numa comunidade com uma classe política. Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora. Eu não lembrava o nome de todos os estados. Agora guardo cada um no coração. Eu não tinha boa memória. Talvez por isso eu não lembre de todo mundo. Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos. Eu não te conhecia. Agora você é meu irmão. Tínhamos um rio. Agora somos parte dele. É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio. Graças a Deus. Vamos começar de novo. É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano. Pelo menos é a minha hora, acredito.


Que Deus abençoe a todos.


Dr. Carlos Eduardo

Dia da Consciência Negra é feriado em mais de 300 cidades!

Você sabia que amanhã é feriado? No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.
De acordo com Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), este ano 350 cidades do país devem aderir à comemoração.
A data lembra a morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, que foi assassinado em 1695.
Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 10.639 que incoporava a comemoração ao calendário escolar brasileiro, mas a decisão sobre ser feriado ou não é municipal.
O Rio de Janeiro foi o primeiro município do país a decretar o Dia da Consciência Negra como feriado, em 1999. No ano de 2002, a data passou a ser feriado estadual. Na cidade de São Paulo, o feriado existe desde 2004. Confira a lista de municípios que vão aderir ao feriado, clique aqui.



Pensamento Positivo...


Muito se fala que a mente move montanhas. Você seria um ímã e atrairia tudo o que desejasse. A boa fortuna estaria ao alcance de suas mãos (ou melhor, da sua cabeça). Será? Uma atitude otimista faz um bem danado, sim. Mas ninguém consegue ficar rico só com a força do pensamento. Saiba como isso funciona
Pense. Em qualquer coisa. Numa casa, por exemplo. Imagine-a pintada de branco, com janelas azuis e cercada por um terraço com escadas que levam a um jardim. Ali estão margaridas, girassóis e uma árvore frondosa.
Nos 10 segundos que você levou para chegar até aqui, uma avalanche de sinais nervosos ocorreu no seu cérebro. No córtex (camada periférica dos hemisférios cerebrais), milhares de neurônios foram acionados e trocaram informações em frações de segundo. Arquivos de memória foram vasculhados e, sem que você pudesse controlar ou prever, a imagem de uma casa surgiu em sua mente. Por isso, você deve ter sentido um bem-estar, uma vontade de possuir essa casa de verdade.
Dentro de nossa caixa craniana ocorrem milhares de outros processos – esse que você acabou de perceber é o que podemos chamar de pensamento positivo, uma idéia que, nas prateleiras das livrarias, vem ganhando contornos de magia. Basta ter uma atitude otimista para atrair o que deseja. Dinheiro, amor, saúde, sucesso. Tudo. Qualquer coisa pode estar ao seu alcance se você pensar positivamente, com firmeza, dizem os autores de auto-ajuda.
“Aquilo em que você mais pensa ou se concentra se manifestará”, garante Rhonda Byrne. Essa australiana de 52 anos alega ter desenterrado uma verdade preservada a sete chaves por sábios, filósofos, cientistas e gente de sucesso. E revelou sua descoberta no filme O Segredo, que vendeu mais de 2 milhões de cópias em dvd no mundo inteiro. O livro homô­nimo, lançado por ela, também virou um fenômeno de público, com 6 milhões de exemplares vendidos em apenas um ano. Byrne resume o que descobriu em frases de efeito como: “Sua realidade atual ou sua vida atual é resultado dos pensamentos que você tem”. Hoje, uma legião de fãs segue seus ensinamentos.
Esse mistério alardeado por Byrne não é nenhum segredo. Já faz tempo que diversos escritores têm divulgado as benesses do pensamento positivo. Um dos primeiros a falar sobre o assunto, Norman Vicent Peale, autor de O Poder do Pensamento Positivo, em 1952 já dizia: “Mude seus pensamentos e você mudará seu mundo”. Hoje, a lista de livros que ensinam a usar os poderes da mente é quilométrica. Há o médico indiano Deepak Chopra (As Sete Leis Espirituais do Sucesso), o casal de videntes Esther e Jerry Hicks (Peça e Será Atendido), a palestrante motivacional Sandra Taylor (A Ciência do Sucesso), apenas para citar alguns dos mais badalados. Outro autor conhecido é o físico Amit Goswami (O Universo Consciente), cujo livro inspirou o filme Quem Somos Nós? (2005), espécie de documentário de auto-ajuda que recorre à física quântica para falar dos potenciais da mente.
Em comum, todas essas teorias têm o fato de recorrer a argumentos científicos para afirmar que é possível fazer o cérebro funcionar a nosso favor e gerar resultados surpreendentes. No caso da física, especialmente da física quântica, os autores nos comparam o tempo todo com elétrons.
Bastaria utilizar a técnica correta para colhermos os benefícios na saúde, trabalho e relacionamentos. É bom lembrar que, aos olhos da quase totalidade dos cientistas, essas teorias não fazem sentido nenhum. Por outro lado, a todo instante, deparamos com situações que parecem mostrar o contrário. O que dizer, por exemplo, de pessoas que parecem ter descoberto a fórmula secreta do sucesso e realmente se dão muito bem em tudo o que fazem? Ou dos otimistas a quem nada parece abalar? Ou ainda daqueles que dizem ter vencido doenças graças à atitude mental positiva? Relatos não faltam. Pois bem. Dentro deste caldeirão em que tudo parece ter o pensamento positivo como pano de fundo, você vai descobrir o que se fala a respeito, o que é fantasia, o que já foi comprovado e o que ainda permanece um mistério.

O que se diz por aí
Peça, acredite e receba. Simples assim é a fórmula apresentada por Rhonda Byrne, autora de O Segredo. “No momento em que você pede alguma coisa, e acredita, e sabe que já a tem no invisível, o Universo inteiro se move para deixá-la visível”, diz. No livro e no filme de mesmo nome, não faltam relatos de gente que conseguiu a cura de doenças, o amor ideal ou até um colar de diamantes como num passe de mágica. O segredo ensinado por Byrne é observar o Universo como uma lâmpada mágica – e se comportar como o Aladim. Ao esfregar a lâmpada – ou seja, ao pensar positivamente – seus desejos se materializariam.
Na base dessa afirmação, está a crença de que os pensamentos são magnéticos e emitem uma freqüência poderosa capaz de influenciar as pessoas e coisas à nossa volta. De acordo com esse raciocínio, quando você pensa positivo, entra numa freqüência positiva e atrai coisas benéficas para a sua vida – o pensar negativo, segundo Byrne, causa o efeito inverso.
O guru indiano Deepak Chopra, outro astro que ensina como usar a mente positiva em seu benefício (ele orienta celebridades como Madonna), usa outro discurso para atingir o mesmo fim, ou seja: saúde, sucesso e riqueza. Segundo ele, o corpo deve ser entendido como um campo de energia que precisa estar em equilíbrio. Suas técnicas de meditação ajudariam na tarefa de chegar lá.
São centenas de teorias para quem deseja potencializar a mente. Os autores vêm de áreas diversas, da gestão de carreiras e esportes, passando pelo espiritismo e pela psicologia. Muitos afirmam ser especialistas em “potencializar a mente” e na “transformação pessoal”. Geralmente, elaboram suas teorias a partir das próprias experiências de sucesso e auto-superação. Dentro dessa babel de ensinamentos, porém, algumas idéias acabam se repetindo. É o tripé energia, magnetismo e holismo.

Energia, magnetismo e holismo
Para a física, de modo bem resumido, energia é a capacidade de um corpo executar um trabalho ou realizar um movimento (por exemplo, o fogo é uma fonte de energia empregada para cozinhar alimentos que, por sua vez, fornecem energia ao corpo). No caso da auto-ajuda, contudo, é bom você esquecer o que aprendeu na escola. Energia, segundo muitos desses autores, é uma força que anima todas as coisas, uma fonte de bem-estar e amor. Com o treinamento correto, ela poderia ser direcionada para todas as finalidades, inclusive as mais cotidianas – por exemplo, receber uma promoção no trabalho, achar uma vaga na garagem do shopping e evitar os quilos extras mesmo comendo além da conta. “Quando nos distanciamos dessa energia, surgem problemas, medos, carências e doenças”, diz a escritora Esther Hicks, em seu livro com o sugestivo nome Peça e Será Atendido.
O magnetismo (capacidade de alguns materiais se atraírem ou se repelirem) é outro conceito bastante apropriado pela literatura sobre pensamento positivo. A crença é que a mente atuaria como um ímã capaz de vibrar com força suficiente para atrair objetos e acontecimentos. Só que a idéia clássica da física de que pólos opostos se atraem não vale aqui. Pensamentos positivos atrairiam experiências positivas – e vice-versa. O escritor Michael Losier ilustra com um clássico exemplo: se você acordar mal-humorado, der uma topada na cama, queimar a torrada e não controlar a raiva, irá vibrar negativamente e atrairá vários problemas para o seu dia. No livro Lei da Atração – O Segredo Colocado em Prática, ele chama essa seqüência de causas e efeitos de Lei da Atração e diz que ela “sempre se harmoniza com sua vibração, seja ela positiva, seja negativa”.
Já o filme Quem Somos Nós? propagou outra idéia bastante popular: todos estamos interligados. “Você e eu somos um, há uma conexão invisível entre todas as coisas”, diz o filme. Esse conceito pode ser resumido numa única palavra: holismo (do grego holos, que significa “todo”). É mais ou menos aquela frase que diz: “Uma borboleta que bate asas no Japão pode causar um tornado no Brasil”. Alguns autores dizem que a nossa mente atuaria como a borboleta. E você, leitor, adestraria esse inseto como bem entendesse. Dessa forma, seria capaz de causar benefícios em série. Por exemplo: se você quiser muito uma resposta positiva de um emprego, vai conseguir não somente o trabalho como uma excelente colocação, um aumento de salário, viagens pelo mundo inteiro e logo um grande amor com quem terá 3 filhos lindos. É um efeito dominó.
Isso faz sentido?
A ciência, de um modo geral, vê o assunto com desconfiança, uma vez que faltam trabalhos acadêmicos reconhecidos para comprovar que essas teorias realmente funcionam. Em geral, os autores costumam apresentar muitos relatos de pessoas que afirmam ter tido sucesso com as técnicas de pensamento positivo – mas relatos isolados não provam nada, por mais incríveis que sejam. Existem normas que devem ser seguidas para um estudo ser levado a sério. É preciso observar o fenômeno, criar uma hipótese para explicá-lo, depois coletar dados relacionados àquilo que se estuda e, por fim, testar se a hipótese é realmente verdadeira. Esse processo pode demorar alguns anos.
O problema é que as teorias sobre o pensamento positivo costumam se apropriar de conceitos científicos para validar idéias que, como acabamos de falar, estão fora do campo da ciência. Nesse caso, a crítica mais aguda vem de áreas como a física e a neurociência. “Muitos tomam uma teoria e tentam generalizá-la para tudo”, diz o neurofisiólogo Roque Magno de Oliveira, professor da UnB.
Um exemplo é o uso do conceito de energia, que passou a significar algo diferente do que diz a física. “Na verdade, essas pessoas consideram energia aquilo que eu considero empatia. Isso não tem nada a ver com física, e sim com a psicologia das relações humanas”, afirma o físico Ernesto Kemp, professor do Instituto de Física da Unicamp. A física também rejeita a badalada Lei da Atração, que diz que os pensamentos criam campos energéticos à nossa volta. “O pensamento como energia, como uma espécie de campo que age a distância, é algo que nunca foi comprovado cientificamente”, explica Adilson José da Silva, professor do Instituto de Física da USP. Ou seja, nunca ninguém detectou esse tal “campo energético”. É verdade que, no cérebro humano, ocorrem estímulos elétricos o tempo todo. Mas, segundo Ernesto Kemp, os pulsos elétricos liberados durante as sinapses são tão fracos que a probabilidade de o campo eletromagnético que você está gerando com suas sinapses interagir com o de outras pessoas é nula.
Os neurocientistas, por sua vez, concordam que o estado de ânimo pode, sim, influenciar o nosso organismo de várias maneiras. Os hormônios associados ao estresse têm grande influência na consolidação da memória. Ou seja, a idéia de que pensar positivo faz bem não é absurda. “Quando estamos muito estressados, o nível dos hormônios secretados é alto e influencia negativamente esse processo”, afirma o neurocientista Martin Cammarota, pesquisador do Centro de Memória da PUC de Porto Alegre. De acordo com ele, não temos controle total sobre nosso cérebro nem sobre os processos químicos e celulares que ocorrem nele. “O ser humano é uma soma de circunstâncias. Por mais que você pense positivo, seus níveis de colesterol no sangue não vão diminuir somente em conseqüência disso”, ressalta. No caso do colesterol, dieta e exercícios são algumas das circunstâncias a ser consideradas.

Mas pensar positivo funciona?
Funciona. Mas não como a maioria das pessoas­ gostaria. O pensamento positivo não vai engordar sua conta bancária do dia para a noite. Nem fará carros e diamantes orbitar ao seu redor. Porém, segundo várias pesquisas, uma atitude otimista pode influenciar muito a resistência do organismo às doenças.
Uma comprovação disso veio da Universidade Harvard, nos EUA. Há 5 anos, um grupo de médicos da instituição descobriu que pensar positivamente pode fazer bem para os pulmões. Os pesquisadores avaliaram o estado de saúde de 670 homens na faixa dos 60 anos de idade. Também aplicaram testes de personalidade para identificar quem eram os otimistas e os pessimistas. Depois de 8 anos, constatou-se que a turma do bom humor tinha um sistema imunológico mais resistente a doenças pulmonares quando comparada ao grupo dos estressados. Até mesmo os fumantes otimistas apresentaram resultados melhores que os adeptos do tabagismo que eram, digamos, baixo-astral.
O coração também bate melhor quando estamos com bom humor. Os pesquisadores do Instituto Delfland de Saúde Mental, na Holanda, monitoraram homens com idade entre 64 e 84 anos durante 15 anos. A incidência de infartes e derrames foi menor entre aqueles que tinham uma atitude positiva. Os otimistas apresentaram ainda 55% menos risco de ter doenças cardíacas.
O que essas pesquisas revelam pode soar óbvio: pessoas com disposição para ver o lado positivo da vida tendem a cuidar mais da saúde, a praticar exercícios e se alimentar melhor. Porém, há outra explicação, que fala da relação entre os hormônios e o estresse – problema que os otimistas parecem enfrentar melhor em relação aos pessimistas. Longos períodos de irritação e melancolia influenciam a secreção de alguns hormônios. “No estresse crônico predomina a ativação do córtex das glândulas supra-renais com produção de cortisona, que é um hormônio imunossupressor, ou seja, que diminui a ação do sistema imunológico”, explica o médico Régis Cavini Ferreira, especialista em psiconeuroendocrinologia, uma área que estuda a relação entre cérebro, hormônios e comportamento. “Assim, evitando o estresse, o indivíduo tem melhor competência imunológica para se recuperar das doenças”, afirma. As glândulas supra-renais, aliás, parecem ser um dos principais termômetros do pensamento positivo no nosso corpo. Como o próprio nome diz, elas ficam na parte superior dos rins e sua função consiste basicamente na liberação de hormônios. Isso acontece como resposta ao nível de estresse a que formos expostos.

O poder da motivação
Quando o assunto sai da área de saúde e bem-estar, os resultados do pensamento positivo ainda são controversos – pelo menos no que diz respeito aos estudos acadêmicos. A ciência não confirma a eficácia do otimismo na obtenção de sucesso profissional ou do êxito em qualquer outra atividade. Contudo, não faltam exemplos de que alguma coisa parece funcionar a nosso favor quando adotamos uma atitude “para cima”. Ou melhor: quando estamos motivados. O técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardinho, por exemplo, conhece bem os resultados que um time talentoso e focado no sucesso pode alcançar – como o pentacampeonato da Liga Mundial, o campeonato olímpico e o bicampeonato mundial. Há algum tempo, ele vem compartilhando sua experiência com grandes empresas, realizando palestras em que ensina os segredos do trabalho em equipe e da superação individual.
“Temos que buscar sempre a renovação e a qualificação individual. Cabe aos comandantes identificar líderes do grupo e trabalhar na motivação de todos para o sucesso coletivo”, disse Bernardinho em uma palestra na UnB. Nessa frase, ele resume alguns de seus principais pilares para o sucesso: superação, obstinação, treinamento, persistência, foco na liderança. E, claro, motivação. Misturando esses ingredientes com uma boa dose de trabalho, afirma o treinador, não tem erro. Pode ser nas quadras, no escritório, dentro de casa, na sala de aula.
A motivação é mesmo uma palavra de ordem dentro do vasto universo do pensamento positivo. No mundo dos negócios, ela veste uma roupagem mais elaborada, tem estratégias bem traçadas, baseadas no planejamento e na execução de metas.
É aqui que entra a programação neurolingüís­tica (PNL), uma outra referência quando o assunto é o poder da mente positiva. Criada nos anos 70 por um matemático e um lingüista americanos, a PNL ensina a reprogramar o cérebro por meio de exercícios envolvendo imagens, sons e toques. As técnicas, que ficaram populares no Brasil com os livros do médico Lair Ribeiro, são usadas para incrementar a criatividade, o aprendizado e a memória. Entre outras coisas, a PNL ensina que cada pessoa deve encontrar o seu “motivo” para entrar em ação, estabelecendo metas concretas e desejando ser extraordinária no que faz.
Os motivos que nos fazem agir são um assunto sério para a psicologia. A motivação, nessa área de estudos, é considerada o conjunto de fatores que impulsionam o nosso comportamento. Alguns são comuns a todo mundo, como a necessidade de se alimentar. Outros variam de pessoa para pessoa, como o desejo de realização e poder. “A motivação é aquilo que faz você levantar da cama todos os dias. E só você sabe quais são seus motivos”, afirma a psicóloga Valquíria Rossi, professora da Universidade Metodista de São Paulo. Pessoas motivadas geralmente têm objetivos claros e se esforçam para alcançá-los, e aí está uma parte da explicação para o sucesso. Por exemplo: se você está motivado a trocar seu Fusca por uma BMW, vai se esforçar para descobrir o que precisa fazer para mudar de carro e não desistirá facilmente.
Mas motivação não age sozinha. Ela deve estar aliada justamente ao otimismo. Em outras palavras: ao pensamento positivo. “Algumas pessoas têm predisposição para ver o futuro com mais otimismo e, então, assumem a responsabilidade pela própria vida e vão atrás do que desejam, sem responsabilizar os outros por eventuais fracassos”, diz ela.
O negócio é que essas duas atitudes – motivação e otimismo – não podem ser adquiridas do dia para a noite. Insistir que deseja um carro se você, intimamente, está feliz andando de ônibus não vai motivá-lo a trocar de meio de transporte. E repetir “eu sou otimista” não vai transformar um pessimista de carteirinha em alguém “para cima”. Uma das coisas que contribuem para isso é a forma como fomos educados. Pensar positivo pode não ser fácil para alguém que cresceu ouvindo frases do tipo: “Não arrisque” ou “Não faça isso, pois não dará certo”. “Se você cresce nesse tipo de família, provavelmente vai pensar assim”, afirma Valquíria.

Pensar negativo faz mal?
Depende. Em profissões que envolvem a previsão de riscos, por exemplo, um pouco de pessimismo é até bem-vindo. Imagine um operador da bolsa que tem certeza que as ações irão subir. Ou um controlador de vôo que sabe que os aviões não irão colidir nunca. O pessimismo – que pode ser traduzido aqui como uma certa ansiedade e medo do fracasso – faz uma diferença bem positiva nesses casos.
Durante provas e exames, a tática de pensar positivo ou relaxar demais pode igualmente sair pela culatra. Nessas horas, uma pequena dose de estresse irá contar pontos a seu favor. Esse estresse agudo, ao contrário do crônico, não prejudica o sistema imunológico. “Quando o nível de produção dos hormônios associados ao estresse é moderado, ficamos em estado de alerta. Isso nos ajuda a manter a atenção e nos predispõe à batalha”, explica o neurocientista Martin Cammarota, do Centro de Memória da PUC de Porto Alegre. Atletas, por exemplo, costumam se sair melhor nas competições quando estão mais tensos, uma vez que secretam mais adrenalina. Nesse caso, o estresse é percebido pelo corpo como algo bom.
Claro que pensar repetidamente em coisas desagradáveis não faz bem para ninguém – inclusive, pode fazer mal à saúde. Segundo a psicóloga Susan Andrews, a longo prazo, a secreção do cortisol – um hormônio liberado em maior quantidade durante o estresse crônico – pode matar até 25% dos neurônios do hipocampo. Essa é a parte do cérebro responsável pela memória e pelo aprendizado. “Por isso, quando estamos muito estressados e irritados, ficamos confusos e esquecidos”, explica.
O médico Régis Cavini também investigou o pensamento negativo. Ele avaliou a relação entre a lembrança de acontecimentos traumáticos e o funcionamento do cérebro. Descobriu que, ao evocarmos uma memória traumática, a secreção de hormônios associados ao estresse aumenta como se estivéssemos revivendo aquela experiência. “Ao lembrarmos de um trauma, o vivenciamos outra vez em sua plenitude metabólica e emocional”, diz o pesquisador, que conduziu a investigação no Instituto de Psicologia da USP. Aí pode estar a explicação científica para a antiga idéia de que remoer­ o passado faz mal ou de que desejar o mal a alguém faz o feitiço virar contra o feiticeiro.
Alimentar idéias negativas, aliás, pode ser também um clássico sintoma de que algo não anda bem. “Às vezes, a pessoa sofre de depressão, ansiedade ou simplesmente aprendeu a ter pensamentos negativos ainda na infância com o pai e a mãe. E assim entra num círculo vicioso”, diz o neurofisiólogo e psicanalista Roque Magno, da UnB. A psicoterapeuta Eva Strum defende o acompanhamento médico para os casos em que o pessimismo se torna crônico. Lembra, ainda, que doses pequenas de pensamento positivo – conquistadas, por exemplo, durante a leitura de um livro ou em atividades lúdicas – podem ajudar. Há 6 anos, ela fundou a ong Pensamento Positivo, formada por voluntários que visitam hospitais de São Paulo para divertir os pacientes com jogos e músicas. “Ao brincar, você mexe com a endorfina, que é um medidor da sensação de dor. Quanto mais relaxado você fica, menos dor sente”, afirma. A equipe do Pensamento Positivo hoje percorre 11 hospitais paulistanos a cada semana. Para os voluntários, se a ciência comprova ou não os efeitos dessa terapia antipessimismo é o que menos importa.

Porque só se fala nisso
Desvendar os poderes da mente – essa insondável caixa cinzenta onde a vida pulsa e residem tantos mistérios – tem sido a meta de gerações. O assunto ganhou fôlego a partir dos anos 60, nos EUA, no auge da contracultura. Era a época das comunidades alternativas, da valorização do misticismo oriental, da preocupação com a natureza e dos experimentos com drogas alucinógenas. Nesse caldeirão de novidades, surgiu o Movimento do Potencial Humano, que reunia psicólogos, gurus e adeptos de terapias alternativas. Essa turma afirmava que o ser humano possui capacidades inexploradas e que é possível transcender a mente com o uso de técnicas que envolvem desde a meditação até massagens especiais. As idéias fervilhavam principalmente no Instituto Esalen, na Califórnia, EUA, um famoso ponto de encontro de hippies, terapeutas, escritores e pesquisadores abertos a novas formas de conhecimento. Ali surgiu o que atualmente algumas pessoas chamam de new age – ou nova era –, uma mistura de práticas espiritualistas, terapêuticas e de auto-ajuda que influenciaram bastante a cultura de hoje em dia e o modo de viver de muitas pessoas.
Outros fatores também deram um empurrão na história do pensamento positivo como um tema que norteia a vida moderna: o individualismo, o avanço da ciência e o declínio das religiões tradicionais. Faz tempo que os mitos e dogmas religiosos deixaram de fazer sentido para muita gente. Os dois últimos censos demográficos do IBGE mostraram isso em números. Em 1991, a pesquisa revelou que 4,7% da população brasileira (7 milhões de pessoas) se declaravam sem religião. Em 2000, o percentual subiu para 7,4%, ou seja 12,4 milhões (veja reportagem na página 86 sobre o pensador ateu Richard Dawkins).
Na hora de entender os fenômenos do mundo ou encontrar respostas para seus anseios, cada vez mais pessoas recorrem à ciência ou às propostas da nova era. Aí, podem entrar em cena o misticismo oriental e outras novas formas de religiosidade. A auto-ajuda também pega sua carona aqui. A fé nos deuses cada vez mais dá lugar à crença no poder do homem – ou na mente do homem. “Em vez de esperar por uma religião, as pessoas tomaram para si mesmas a tarefa da salvação”, observa o antropólogo Silas Guerriero, professor da PUC de São Paulo. “Salvar-se, nesse caso, tornou-se sinônimo de ser bem-sucedido, feliz, realizado, enfim, colocar em prática o potencial que cada um tem”, afirma.
Um outro ponto que contribui para esse conjunto de influências é o apelo crescente ao consumo desenfreado da sociedade em que vivemos. Para muita gente, o pensamento positivo é mais um meio de ter, comprar, possuir. Até mesmo muitas igrejas andam trabalhando nessa linha. Entre algumas neopentecostais, um ramo do protestantismo que emergiu nos anos 70, por exemplo, há o discurso de que o verdadeiro fiel pode “exigir” que Deus realize seus desejos. A única diferença é que, nesse caso, o caminho para alcançar o sucesso está na fé. Pensando bem, talvez nem exista diferença. Afinal, sem a comprovação da ciência, o poder miraculoso da mente, por muito tempo, pode continuar sendo apenas uma questão de crer ou não crer – e a escolha da crença vai do freguês. Pode ser em Deus, ou na própria mente.
Também não é exagero afirmar que o investimento no pensamento positivo pode ser encarado como uma forma moderna de escapismo. “Para muitas pessoas, isso é um alívio, pois essas técnicas irão poupá-las do trabalho de questionar qual o sentido de sua vida, o melhor caminho para seguir e a que atividades desejam se dedicar”, comenta a filósofa Dulce Critelli, da PUC-SP. As dúvidas existenciais e o sofrimento dão lugar à busca desenfreada pela casa nova, pelo carro de luxo, pelo emprego dos sonhos, pelos amores incríveis.
Uma coisa é certa: os autores mais famosos do gênero conquistaram tudo isso. Em pouco mais de um ano, Rhonda Byrne acumulou uma fortuna de US$ 48,5 milhões. No mês de maio, ela foi eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Deepak Chopra abandonou uma sólida carreira de médico endocrinologista para comandar o Chopra Center for Wellbeing (Centro Chopra para o Bem-Estar), um império da auto-ajuda sediado na Califórnia. Seus livros, cursos e palestras rendem a ele mais de US$ 15 milhões por ano. Se o sucesso deles veio graças ao pensamento positivo ou a idéias brilhantes aliadas a uma boa estratégia de marketing, não se sabe. Talvez esse seja o verdadeiro segredo.

Dinheiro amor saúde
Pensar positivo não faz carros e jóias orbitar ao seu redor. Mas uma atitude otimista pode, sim, ajudar na sua saúde e no seu bem-estar.
48,5 milhões de dólares. Essa é a fortuna acumulada por Rhonda Byrne, autora do livro O Segredo, em pouco mais de um ano.
"Cabe aos comandantes identificar os líderes do grupo e trabalhar na preparação e motivação de todos para o sucesso."
Bernardinho, técnico campeão mundial de vôlei, medalhista olímpico.
Ciência ou auto-ajudaÉ muito comum as teorias sobre pensamento positivo recorrerem à física quântica para legitimar suas idéias.
No início do século passado, o surgimento da física quântica – ciência que estuda o movimento dos átomos e partículas subatômicas – causou uma revolução na nossa forma de entender a realidade. Até então, víamos o mundo apenas pelas lentes da física clássica. Com uma boa dose de certeza, conseguíamos avaliar as características dos objetos ao nosso redor e prever seus movimentos. Por exemplo: se você jogar um copo para o alto, sabe que ele vai cair, certo? Também pode calcular sua velocidade, trajetória e a força do seu impacto. Essas leis valem ainda hoje. Mas a física clássica não se aplica ao mundo quântico – no lugar do velho determinismo, é a incerteza que rege o microcosmo. Para começo de conversa, as partículas microscópicas se comportam de maneira imprevisível. Elas são encaradas como ondas de possibilidades. Ou seja, podem estar ali, aqui e acolá. E tem mais: um elétron pode influenciar outro elétron a distância. Esses princípios atiçaram a curiosidade de muita gente e inspiraram as mais variadas interpretações. O que se diz é que nós todos nos comportamos como verdadeiros elétrons – só que em tamanho aumentado, bem entendido. Veja a seguir as fontes da física usadas pelas teorias de auto-ajuda.

1. Podemos influenciar a realidade
O que diz a física quântica - O elétron não tem uma existência física. Ou seja, ele não é uma pessoa como eu e você. Ele não pára quieto e é capaz de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Quando um elétron é observado com um instrumento, ele pára em um só ponto, ou seja, interferimos no seu rumo. “Mas não temos nenhum controle sobre o lugar em que a partícula vai parar. Se eu quiser que ela reaja a meu favor, não vou conseguir”, diz o físico Adilson José da Silva, professor do Instituto de Física da USP.
Como esta teoria é apropriada - Esta idéia vem sendo usada para justificar a crença de que a mente é capaz de alterar a realidade. O pensamento positivo, nesse caso, influenciaria tudo e mudaria o rumo dos acontecimentos. Do mesmo jeito que influenciamos a parada de um elétron. “A física quântica dá a você o controle sobre o seu futuro, permitindo que você altere a direção do seu destino”, diz Susan Anne Taylor, psicóloga que faz palestras na área motivacional, no livro A Ciência do Sucesso.

2. Todas as coisas estão conectadas
O que diz a física quântica - Em laboratório, os cientistas conseguem fazer com que os átomos interajam, comuniquem-se entre si. É possível fazer com que eles se comportem de forma interligada – ao mexer em um, outro também se mexe. Esse processo independe da distância entre as partículas, é como se o espaço não existisse. Se você mexer com um átomo em Santos, pode fazer com que outro em Saturno se movimente. Esse fenômeno é conhecido como “entrelaçamento de partículas”.
Como esta teoria é apropriada - Batizado por Albert Einstein, nos anos 30, de “ação fantasmagórica a distância”, esse princípio quântico de entrelaçamento de partículas já foi utilizado por diversas áreas. Tentaram explicar, por exemplo, a telepatia, justificar consultas oraculares a distância e, é claro, reforçar a idéia de que o pensamento pode modificar a realidade. Também deu respaldo à crença na sincronicidade, ou seja, de que não há coincidências e que tudo no Universo está ligado.

3. Você pode curar sua vida
O que diz a física quântica - Os elétrons comportam-se como ondas e se propagam pelo espaço. Mas também são partículas, ou seja, objetos muito pequenos. Essa dupla característica, aparentemente contraditória, é chamada pela física de “dualidade onda-partícula”. Esses dois aspectos, em conjunto, devem ser considerados na observação e no momento de estudo do comportamento e posicionamento dos elétrons. Não se pode levar em conta que um aspecto funciona sem o outro. Como esta teoria é apropriada - A história da dualidade dos elétrons aconteceria em nossa vida diária. Por isso, com relação à nossa saúde, é preciso unir sempre dois aspectos: mente e corpo, assim como os elétrons no caso da onda-partícula. Para alcançar a cura, é preciso superar esse dualismo. Os físicos Fritjof Capra e Amit Goswami levaram essa idéia além. Eles sugerem a união entre a física quântica e a filosofia oriental como caminho para compreender toda a existência.

Cultura Racional
O movimento religioso brasileiro que, nos anos 70, teve Tim Maia como integrante mais famoso prega a leitura do livro Universo em Desencanto (com 1 006 volumes) para quem deseja se “imunizar” contra as energias negativas e colher benefícios nos planos físico e astral.

Cientologia
Criada nos anos 50 pelo escritor de ficção científica Ron Hubbard, a Igreja preferida de celebridades como Tom Cruise e John Travolta ensina os poderes da dianética, a “ciência da mente”. Comprando livros, cds e assistindo a palestras, o fiel aprende a potencializar o cérebro para alcançar a realização.

Ciência Cristã
O pecado está apenas na sua mente, dizem os fiéis dessa Igreja fundada no final do século 19, nos EUA, e que faz a própria interpretação da Bíblia. Para os adeptos, é possível curar todos os males com tratamentos à base unicamente de orações.
Seicho-No-IeMisto de filosofia e religião focada na cura. Fundada no Japão, nos anos 30, também ensina técnicas de meditação para quem busca sucesso profissional, quer descobrir novos talentos ou deseja solucionar problemas financeiros e amorosos.

Indicações Bibliográficas:
O Tao da Física
- Fritjof Capra, Cultrix, 2000 .
O Universo Autoconsciente - Amit Goswami, Aleph, 2007.
Como a Picaretagem Conquistou o Mundo - Francis Wheen, Record, 2007.
Imposturas Intelectuais - Alan Sokal e Jean Bricmont, Record, 1999.
http://www.religiousmovements.lib.virginia.edu/profiles/listalpha.htm
Página da Universidade da Virgínia que explica movimentos religiosos e propostas de auto-ajuda da nova era.

(Texto Michelle Veronese - Fonte: SuperArquivo)

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