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sábado, 2 de outubro de 2004

CULTURA E EDUCAÇÃO

CULTURA E EDUCAÇÃO

Certa vez, o governo do estado da Virgínia nos Estados Unidos, sugeriu a uma tribo de índios que enviasse alguns de seus jovens para estudar nas escolas dos brancos. Na carta-resposta, o cacique indígena Seattle recusa.

Eis um trecho da carta:

(...) Nós estamos convencidos, portanto, de que os senhores desejam o nosso bem e agradecemos de todo o coração. Mas aquelas que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.
(...) Muito dos nossos bravos guerreiros formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltaram para nós eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo ou construir uma cabana, e falavam nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.

Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão concordamos que os nobres senhores de Virgínia nos enviem alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles homens. (Citado por Carlos Rodrigues Brandão, O que é educação, p.8-9).

Essa carta dos indígenas aos brancos mostra que não há um modelo único, forma única de educação. Mostra também que a cultura de uma sociedade é transmitida das gerações adultas às gerações mais jovens pela educação. Educar, pois, é transmitir aos indivíduos os valores, os conhecimentos, as técnicas, o modo de viver, enfim, a cultura do grupo.

A cultura é a “a vida total de um povo, a herança social que o indivíduo adquire de seu grupo. Ou pode ser considerada a parte do ambiente que o próprio homem criou”. (Clyde Kluckhohn, Antropologia – um espelho para o homem, p. 28.)

O antropólogo polonês Bronislaw Malinovski (1884-1942) ensina que a cultura compreende “artefatos, bens, processos técnicos, idéias, hábitos e valores herdados”.
A aquisição e a perpetuação da cultura são um processo sociais, não biológicos, resultantes da aprendizagem. Cada sociedade transmite às novas gerações o patrimônio cultural que recebeu de seus antepassados. Por isso, a cultura é também chamada de herança social.

Nas sociedades em que não há escolas, a transmissão da cultura se dá através da família ou da convivência com o grupo adulto, nesse caso, a educação é assistemática.

Desta forma, devemos sempre respeitar todas e quaisquer culturas educacionais, mas não devemos esquecer da função do educador, hoje papel primordial na formação da sociedade, pois todos que quiserem vencer pelo saber terão que passar pelos bancos escolares e buscar o seu valor perante o sistema educacional social vigente.

Há escolas, que se encarregam de completar a transmissão da cultura iniciada na família e em outros grupos sociais, nesse caso, a educação é sistemática, isto é, obedece a um sistema, a uma organização previamente planejada.

Desta forma, ninguém nasce pronto, se transforma, tendo possibilidade de sermos bons ou maus, onde o meio social poderá interferir.

Deve-se deixar bem claro que, vivemos oprimidos por uma sociedade materialista cada vez mais desnuda de bons valores morais e humanos, em conseqüência disto, nós nos tornamos opressores dos outros e de nós mesmos.

Se todas as autoridades políticas mundiais investissem numa educação humanizada respeitando e valorizando o educando e o educado com certeza não teríamos guerras, fomes, crimes organizados, mas uma sociedade equilibrada de valores e construtora da paz.

Através desses fatos sociais, precisamos reconhecer o que somos, e descobrir nossos defeitos e buscá-los resolvê-los, para que se transformem em virtudes, e estas reflitam positivamente na sociedade.

Ao final, devemos entender que todos somos partícipes na formação do ser humano, onde se educa como é educado e é respeitando que se é respeitado, pois o objeto da mediação corresponde à realidade do homem em sociedade, buscando envolver-se, contribuindo para um direcionamento correto, justo e bom.

Autor: CLÓVIS MACIEL KRÜGER – Formado em Direito pela FURB com Habilitação em Direito Empresarial e Ambiental. Formando em Ciências da Religião Licenciatura Plena em Ensino Religioso pela FURB. Estudante de Filosofia na UNIFEBE. Professor de Ensino Religioso na Rede Pública Estadual e Municipal em Timbó e Pomerode. Professor de Filosofia, Sociologia e História na Escola Microlins em Timbó, SC.
E-Mail: cmkruger@ig.com.br

Um comentário:

Ladjane Raiser disse...

OI Jorge legal esse seu cantinho de reflexão...gostei de suas mensagens...fizemos juntos o curso de ciencias da religião na Furb.
Abraços.
Ladjane

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