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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

FAZENDO FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Grosso modo, podemos dizer que fazemos filosofia da educação a partir de quatro práticas metodológicas: "crítica", "terapêutica", "utópica" e "redescritiva". Essas práticas não são necessariamente excludentes. Alguns as tomam conjuntamente, e isso não desmerece o trabalho que desenvolvem. A prática "crítica" analisa textos (e ações) em educação e pedagogia a partir da idéia de que os textos pedagógicos e educacionais (por onde se fica sabendo das ações e intenção de quem teoriza e de quem faz educação) estão crivados ideologicamente. A tarefa do filósofo da educação é a de mostrar que eles apontam para direções erradas, fazendo então uma análise de tais textos que deve levar em consideração, de modo mais claro, interesses de classes e grupos que ficaram, muitas vezes propositalmente escondidos. O marxismo fez isso em parte, na educação brasileira. Paulo Freire e a perspectiva culturalista que a ele se associou mais tarde, após o desprestígio do marxismo,continuou tal tarefa. A prática "terapêutica" vê os textos em educação e pedagogia a partir da idéia de que uma série de problemas que eles levantam são pseudoproblemas, gerados pela linguagem dos educadores que, não sendo ainda claramente científica, envereda por um grande número de caminhos mais complexos do que os necessários. Cabe ao filósofo da educação, portanto, uma “assepsia” dos textos, não para resolver problemas, mas para dissolver problemas neles apontados. Alguns filósofos da educação ingleses, nos anos 60 e 70, fizeram análises fecundas de palavras e expressões usadas por educadores, mostrando o quanto elas tinham de excessivamente retóricas, não necessariamente podendo apontar para elementos delimitados, que soubéssemos de fato o que eram.
A prática "utópica" vê as ações e textos em educação e pedagogia como excessivamente realistas, muitas vezes apegadas ao que é prático, sem refletir possibilidades de mudanças. A prática do filósofo da educação, neste caso, é a de criar um espelho pedagógico negativo, que reflita tudo que não é feito na prática educacional, não para mostrar o que deve ser feito, mas para mostrar que o que é feito tem um contraponto, em um modelo opositor. Esse modelo pode não ser realizável, pode ser utópico, mas ao mostrá-lo, o filósofo da educação condena o que é feito na prática vigente.
A prática "redescritiva" é aquela que sempre está acreditando que textos pedagógicos e educacionais poderiam ser comentados a partir de outros textos, de modo a serem lidos de outro modo, e que ações educacionais e pedagógicas poderiam ser recontadas, de forma a serem vistas a partir de novas alternativas. Além disso, tal prática implica também em redescrever pessoas, por exemplo, a figura do professor e do aluno, que poderiam ser redesenhados a partir de mais, e mais novas silhuetas, de modo a vermos neles mais potencialidades do que até então vimos. O filósofo da educação, neste caso, é mais um diretor de cinema, um desenhista de histórias em quadrinhos, um poeta, um romancista do que propriamente um homem que faz da pedagogia a busca da Verdade da Educação Como Ela É.

Texto de: Paulo Ghiraldelli Jr.

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