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sexta-feira, 27 de outubro de 2006

GLOBALIZAÇÃO, GOVERNABILIDADE E PODER LOCAL


GLOBALIZAÇÃO, GOVERNABILIDADE
E PODER LOCAL

(UMA REFLEXÃO ÉTICA)


Por: Jorge Schemes*

Há uma crise na administração social e na governabilidade ampla e geral. Há necessidade urgente de um processo de amadurecimento da sociedade, e um dos caminhos é por meio de uma educação pública de qualidade. O processo de mudanças é constante, há instabilidade e insegurança. Vivemos uma era de mudanças profundas, porém, temos que privilegiar alguns eixos, não dá para analisar todas as mudanças. Qual é o cenário das transformações? Qual o contexto de tantas mudanças? Vivemos num tempo de flexibilidades e simplificações. Há necessidade de ações mais equilibradas e que atendam as necessidades humanas.
As mudanças tecnológicas são profundas. Se não entendermos as mudanças tecnológicas, não entenderemos os problemas e situações da sociedade atual. Nem sempre o óbvio é percebido. Nos últimos 30 anos houve uma aquisição de conhecimentos técnicos que superou os conhecimentos adquiridos e desenvolvidos em toda história da humanidade. Estamos no centro de um furacão de mudanças avassaladoras. As mudanças tecnológicas atingiram a informática, as telecomunicações, a biotecnologia e a produção de novos materiais (base material dos produtos).
Rever o óbvio é necessário muitas vezes. Em apenas dez anos a capacidade de informática foi multiplicada por cem, houve um ritmo de aceleramento assustador. Uma mudança dramática. Desde Guttemberg houve uma revolução. Mas, o que há por trás da informática? Uma reorganização de símbolos por dois sinais: zero e um, que transformaram nossa era na era digital. Há nomes digitais para números, alfabetos, cores, notas musicais, etc. O conjunto que utilizamos na comunicação pode ser traduzido por 0 e 1 (zeros e uns). Todo o conjunto de conhecimento pode ser enraizado em bases simples de dígitos e se deslocar na velocidade da luz. Toda base de conhecimentos da humanidade está mudando. Por exemplo: uma consulta na enciclopédia e na Internet têm estruturas diferentes, pois navegar na net é navegar em sinapses. Todavia, há segmentos que tem acesso e que não tem acesso as tecnologias. Assim, o próprio conceito de analfabetismo está em constante processo de mudança. Quem é o analfabeto de hoje? Não saber ler não serve mais como referencial, o desconhecimento das novas tecnologias está deslocando os referenciais no seu conjunto. O conceito de tempo não é muito trabalhado, as tecnologias estão mudando com extrema rapidez enquanto o universo cultural em nossa mentalidade é lento. Devemos considerar que as pessoas têm ritmos diferentes, a geração do arquivo geral e dos clipes para organizar a papelada é totalmente diversa da geração digital e digitalizada. Um exemplo disto são os digital boys, eles são conhecidos na Europa como os garotos digitais porque têm um chip implantado no braço e, assim, podem abrir portas, pagar contas, ligar computadores e armazenar dados digitais. Eles implantaram na parte de cima do braço um tubo de vidro ultra-resistente do tamanho de um grão de arroz, que contém um chip, um emissor-receptor e uma antena. Parece o elo que faltava entre o homem e a máquina. Esta mudança causa dor de cabeça, pois somos obrigados a descartar algo que levou anos para ser organizado. É natural a resistência às mudanças tecnológicas, pois há um conflito constante entre estas mudanças e as mudanças biológicas. A mente é muito lenta ao processo de mudanças tecnológicas, há o que podemos denominar de disritmia. Enquanto as tecnologias mudam, as culturas mudam lentamente, as instituições mais lentamente, e o ser humano social é muito mais lento ainda. Todos sabem que devem mudar, mas não mudam. Um exemplo clássico pode ser visto na educação, temos práticas medievais inseridas e repetidas constantemente no contexto tecnológico pós-moderno. As instituições culturais não acompanham as mudanças tecnológicas. O mundo pode estar caindo e as pessoas estão preocupadas com status e hierarquia. As transformações tecnológicas e econômicas, dentre outras, andam em ritmos diferentes, há uma disritmia social e uma desconexão do todo. Temos codificações que se deslocaram a frente da modernidade que temos que enfrentar. Faz-se necessário uma reconstrução social e uma rearticulação sobre as novas tecnologias. Deve haver uma reorganização social para as novas tecnologias, e neste aspecto a educação é a ferramenta principal.
Em apenas dez anos as capacidades de telecomunicações são multiplicadas por mil. Do cobre para a fibra ótica a capacidade foi multiplicada por um milhão. A informática revolucionou as bases do conhecimento, que hoje pode ser definido como um fluído em movimentos de partículas atômicas que viajam na velocidade da luz (conceito de conectividade). O conhecimento não é mais uma coisa papável, mas um fluído tecnológico dentro de um conceito de macrocosmos e microcosmos (ampliar e depois reduzir). O microcosmo da matéria é uma reprodução do espaço infinito (visão de mundo). A cosmovisão do conhecimento vem sofrendo mudanças desde a idade média (Galilei, Copérnico, Descartes, Darwin, Freud, dentre outros). As mudanças são constantes. Os valores foram e são mudados. O próprio conceito de ser humano e de mundo está em constante mudança. Hoje a informação navega em ondas e na velocidade da luz. A informação e a conectividade são essenciais nas formas como trabalhamos. As informações e conhecimentos se tornaram centrais na economia e por outro lado trafegam na velocidade da luz. Há empresas que estão correndo contra o tempo para cobrar pedágio da informação, porque ter hegemonia significa controlar os suportes e a passagem da informação. As questões que devemos levantar são: onde estamos neste processo? Qual é ponto de referência? Quais as implicações biopsicosociais e econômicas destas mudanças?
Diante da tecnologização social há um aproveitamento da mão de obra barata. A espacialidade empresarial tradicional foi descentralizada. Hoje basta uma salinha com telefone e Internet. Há uma disritmia das instâncias sociais. Por exemplo: hoje a pesca oceânica é uma verdadeira depredação, pois os navios pesqueiros estão conectados aos satélites que identificam as rotas de cardumes (é um matadouro); o futuro dos peixes poderá ser a extinção total. A pesca tradicional permitia um equilíbrio biológico, hoje, com a pesca digitalizada (novas tecnologias) ficou mais barato pescar e os peixes ficaram mais caros. Com o aumento de barcos pesqueiros equipados com estas novas tecnologias, poderá haver um esgotamento das reservas naturais e a inevitável extinção dos peixes. Há um matadouro oceânico movido pelo modelo econômico regido pelo mercado, o que gera a competitividade e a concorrência, o que justifica o lema: porque se eu não pescar outro pescará. As novas tecnologias estão contribuindo para destruir sistematicamente as reservas de vida marinha. Não há equilíbrio entre oferta e procura. Na falta de evolução cultural, institucional e jurídica, a tecnologia se torna brutal. Esse desnível radical não se deve ao liberalismo, mas as novas tecnologias. Na Índia, por exemplo, há jovens que vendem um de seus rins ao preço de 800 dólares e depois esse mesmo rim é vendido no mercado negro a 8.000 dólares. Quem faz isto? Isso é feito por gente “educada”, doutores de universidades em países ricos. Essa contradição ética explosiva é um problema ameaçador para a humanidade. Trata-se de um capitalismo animalesco (por favor, não ofenda o animal) onde o mais apto (poderoso) sobrevive. O problema ético que se impõe está dentro de um contexto de diversidade de opiniões. Há os que são contra e os que são a favor, os de direita e os de esquerda, há religiões diferentes e cada um defende os seus direitos e interesses. Há uma confusão de valores. Há um interesse em produzir por produzir, em defender a tecnologia pela tecnologia. O que falta é um referencial ético de mudanças, pois tudo está muito relativizado. A cultura do ter se sobrepõe a do ser. A lacuna ética precisa ser preenchida, pois a ética é uma atitude positiva em prol de valores e respeito à sociedade. O nível do valor ético individual deve ser organizado a um nível social. Há a necessidade de organizar um sistema socialmente organizado numa estrutura ética. A ética tem que estar organizada ao nível de um sistema social. Os cidadãos precisam ter capacidade socialmente organizada e pensar as coisas em forma de organização social. Dependendo da estrutura social as pessoas usarão um código de ética (ética situacional). O fato é que há um motor de transformações extremamente poderoso que gera uma disritmia social e causa profundas rupturas e diferenciações (a tecnologia). Enquanto isso, os governos, as organizações e instituições estão mais preocupadas com relatórios do que com os seres humanos.
Na corrida capitalista para ganhar dinheiro, muitas vezes a ética é pisoteada. Hoje há programas governamentais em vários países para o desenvolvimento de novos vírus letais aos seres humanos, trata-se de projetos para a criação de armas biológicas. O lixo atômico ou resíduos nucleares (Plutônio e Urânio enriquecido) são um legado para os próximos trinta mil anos devido a radioatividade. Não há uma fiscalização rígida sobre a entrada e a saída de material radioativo. Há um mercado negro de material atômico em operação, o qual acaba causando um desnível dos problemas que envolvem este tema e a forma como estamos nos equipando. O pior de tudo é que a mídia apresenta o que é banal e o que realmente importa não é apresentado.
Está ocorrendo uma transferência de responsabilidades. Há uma fragmentação da família porque as crianças estão perdendo seu referencial doméstico. A periferia da família (vizinhos, tios, primos), a semifamília, se afastou. Os próprios apartamentos são construídos para a atomização da família, e as crianças perdem o referencial. Brincar na rua, nem pensar, pois é mais fácil ficar na frente da TV, do computador ou do videogame. Com tudo isto, o referencial de escola também está se perdendo. Muitas vezes o convívio com amigos se limita a estar na frente de um videogame. Não há políticas públicas que permitam uma infra-estrutura de lazer e favoreçam a prática de esportes. Em Toronto (Canadá) há muito mais parques e campos de futebol do que no Brasil. Com a falta de opções para o lazer e a cultura, um dos resultados para a população infanto-juvenil na busca de identidade é a formação de gangues. Precisamos repensar a sociedade, a forma de estrutura social. O modelo de família apresentado na TV é atomizado, reduzido a: pai, mãe, um filho e a TV como babá. Com isso a dimensão social é reduzida. Precisamos resgatar e ampliar as dimensões sociais, o universo social. Um dos impactos da transformação tecnológica é a desarticulação no tempo e no espaço. A tevê é a grande chupeta que é dada à criança desde cedo. Segundo estatísticas, a média mundial é de que a criança verá 150 mil anúncios publicitários durante a vida e lerá apenas seis livros ou menos. Há empresas especializadas em elaborar publicidade para crianças de oito meses com o propósito de prepará-las e torná-las simpatizantes do produto apresentado, acostumando-a com cores e formas. Na Holanda há um anúncio de que haverá um determinado tempo de publicidade na programação, para que a pessoa possa ter o direito de escolher e desligar a televisão naquele período. O fato é que as escolas de marketing usam técnicas de manipulação das pessoas por meio da publicidade, a qual vende uma imagem e fantasias. Grande parte dos produtos anunciados desvia energias e necessidades afetivas para o produto anunciado. Desta maneira, necessidades afetivas são substituídas por produtos. Imaginemos o que ocorreria se o poder da mídia fosse usado para incentivar a solidariedade? Entender a comunicação, a mídia e seu controle é um fator fundamental para entender os valores e a formação de valores na nossa sociedade. A verdade é que esta publicidade paga por cada um de nós nada mais é do que uma idiotização social. O controle pela comunicação hoje está em bases globais e não mais nacionais. O espaço de informação objetiva e relevante na mídia é cada vez menor. Apresentadores falam bem de determinados políticos em seus programas e recebem dinheiro destes políticos. Em uma edição da revista americana Times, Bill Gates aparece na capa, todavia a Times é editada pela Wernner, da qual Gates é sócio. A mídia e a informação se globalizaram, e outras áreas também, como as finanças (a economia). Porque tanto a mídia como as finanças lidam com a informação. Atualmente cerca de 435 bilhões de dólares são gastos por ano com publicidade ao redor do mundo. Hoje o dinheiro circula ao redor do mundo em sinais magnéticos. Por um lado a economia se globaliza, enquanto por outro os instrumentos econômicos nacionais não. A globalização existe em alguns aspectos, principalmente na mídia e na economia, por outro lado as nações mais ricas estão se fechando cada vez mais.
Com tantas mudanças o que está ocorrendo é um processo de reorganização de espaços de trabalho e uma redefinição de funções no espaço de trabalho. Há uma necessidade urgente de repensar a organização do Estado e as práticas políticas. O espaço global cria necessidades de âncoras locais e exige soluções regionais. Há um paradoxo entre globalização e localização. Uma das maiores necessidades globais é superar o impacto do desequilíbrio social entre ricos e pobres. Considerando que o capitalismo é um bom sistema de produção, mas um mau sistema de distribuição de renda, podemos dizer que é um sistema capenga. Por um lado favorece a produção, mas causa desigualdade social. No Brasil há muito trabalho apesar do desemprego, e não é uma multinacional qualquer que irá solucionar o problema do desemprego. Emprego é uma coisa, trabalho é outra. As pessoas podem tirar o seu emprego, mas não a sua capacidade de trabalhar. O capitalismo produz, mas não redistribui, e isso causa uma distância cada vez maior entre ricos e pobres. Não há mais novas situações, o que há é um processo de transformações ou mudanças permanentes. Esse processo gerou uma flexibilidade na administração, ou gestão flexível. Devemos evitar o erro de adotarmos simplificações ideológicas. O que precisamos é mudar o caleidoscópio e ver o conjunto das imagens que estão diante de nós. A comunicação e as novas tecnologias são vitais para a transição do futuro, por isso a nossa atitude frente às novas tecnologias é muito importante. Contudo, independente de nossa atitude, as novas tecnologias estão aí e causarão mudanças. Por essa razão, como educadores, é fundamental acessar as informações significativas da mídia. Saber selecionar o conteúdo informativo e educar para desenvolver a capacidade crítica sem se afogar nas informações. O preparo social da educação é para uma sociedade para o conhecimento.
Devemos criar possibilidades de transformações locais, dentro de um sistema político local e de uma reorganização do sistema de mídia, ou seja, promover uma mídia minimamente democratizada. Como cidadãos e como sociedade civil, devemos lutar pela democratização da mídia. Diante de tantas transformações e mudanças constantes estamos caminhando para uma forma diferente de organização das atividades sociais. Há uma verdadeira guerra pelo espaço político e devemos lutar para construir o espaço local com articulações locais. Quanto mais a sociedade se organizar para em espaços locais para resolver os problemas locais, mais força política, econômica e social ela terá. Há necessidade de criar uma sociedade em rede, a qual vai contra a idéia de níveis hierárquicos na sociedade em pirâmide. A tendência é criar um nível cada vez mais horizontal, um Estado muito mais horizontal. Por exemplo, na Suécia 78% da economia local fica no município, enquanto que no Brasil e média está entre 7% a 15% de investimentos. A solução está numa política local, não há soluções setoriais, é preciso desenvolver os projetos de maneira integrada e localizada. Há urgência de um movimento social integrado para buscar soluções por meio de articulações locais integradas com forte fundamentação ética. A política no Brasil precisa voltar à dimensão de cada cidadão e não permanecer na dimensão de uma classe política dominante, porque na realidade o Brasil nunca mudou de sistema político e nunca rompeu com a cultura dos coronéis, apenas se modernizou, pois a política é a mesma.


*Jorge Schemes
Bacharel em Teologia Línguas Bíblicas (Grego e Hebraico).
Licenciado em Pedagogia: Administração Escolar e Séries Iniciais.
Licenciado em Ciências da Religião: Habilitação em Ensino Religioso.
Pós-Graduado em Interdisciplinaridade com Metodologia do Ensino Superior.
Pós-Graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Técnico Pedagógico na GEECT – Gerência da Educação, Ciência e Tecnologia.
Professor de Filosofia da Educação e Sociologia e Antropologia na ACE – Joinville, SC.
Escritor e Palestrante.
jorgeschemes@yahoo.com.br
www.jorgeschemes.blogspot.com

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